8ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro

Partida da MM do Douro Vinhateiro
A minha (primeira) experiência de corrida por terras do Douro Vinhateiro, na Meia Maratona com o mesmo nome, nunca poderia ser o relato de uma simples corrida. Pelo local, pelas gentes, pela gastronomia, por um enumerar de motivos que vou tentar resumir em parcas palavras.
 Tudo começou em Fevereiro quando, (já não me recordo como), tomei conhecimento da Meia Maratona do Douro Vinhateiro, que anunciava a sua oitava edição. Uma vista de olhos pelo site da prova foi o suficiente para me convencer. Nessa altura, há mais de três meses, tentei de imediato reservar um local para pernoitar o fim-de-semana, tarefa que na altura já não foi fácil tal o inúmero de locais completamente reservados, presume-se que com participantes para este evento. Levou-me o destino a que encontrasse livre o último quarto na Quinta da Azenha, uma casa de Agro Turismo em Folgosa do Douro, casa e local que se encaixavam exactamente naquilo que pretendia: um sítio calmo, perto da prova, onde pudesse relaxar antes e pós prova. E assim, após uma viagem tranquila de cerca de quatro horas, fui recebido pelo Sr. Damião e a sua esposa neste magnifico local à beira Douro plantado. Não me vou alongar a descrever a Quinta da Azenha pois podem consultar o site desta casa e verificarem por vós próprios. Quero apenas destacar a simpatia dos proprietários, o excelente pequeno-almoço com que somos brindados (sumo de laranja natural, bolo caseiro, fruta descascada, compotas caseiras, pão fresquinho, entre outras iguarias), e a tranquilidade do local, com vista para o rio e um por do sol fabuloso. 
A Quinta da Azenha

O Sr. Damião é também atleta e fala com um pouco de mágoa da falta de tempo que tem para por as corridas em dia. Ex-emigrante na Suiça, relata com um misto de emoção e saudade os tempos em que levava o atletismo a sério, e conseguia terminar as provas entre logo atrás dos primeiros profissionais. O meu conselho só pode ser: Sr. Damião perca lá uns metros quadrados de vinha e vá correr de novo uma horita por dia, que só lhe vai trazer mais saúde e alegria. O Sr. Damião é ainda um participante/conhecedor da Rota Gourmet e da Rota dos Vinhos, e dá-nos todas as dicas preciosas acerca de onde repor em triplo (ou mais) as calorias perdidas na Meia Maratona do Douro.

Apresentada a Quinta da Azenha, dirigi-me ao Museu do Douro para levantar o dorsal para a prova. Uma organização rápida e expedita, que ainda aceitou uma inscrição de última hora (para a mini maratona) sem grande stress, o que pronunciava uma prova bem organizada no dia seguinte. As inscrições encontravam-se fechadas/esgotadas com o anúncio de 10000 participantes, e estava curioso para ver como a organização iria lidar com tantos participantes.
Já com dorsal e chip na mão, foi tempo de fazer um treino de descompressão, cerca de 5Km, para preparar o dia seguinte. Quis o plano de treinos para a Maratona do Luxemburgo, que este fosse o fim-de-semana onde deveria realizar o último treino longo de preparação para esta prova. Encontrei-me assim no dilema se deveria fazer a Meia Maratona e completar com um treino de 10/11Km, ou se deveria antes realizar o dito treino de 10/11Km e depois correr a Meia Maratona. Com a Meia Maratona a ter início pelas 11h00 da manhã, as dúvidas que tinham dissiparam-se e optei por fazer um “aquecimento” de cerca de 10Km antes do início da prova. Decisões tomadas, chegava a hora de jantar, onde uma posta na tábua com um tinto “Santa Marta” a ajudar a escorregar para baixo, fez as delícias de quem provou. Sobrou tempo para repor o sono e descansar o suficiente para o dia seguinte.
A bela da Posta na Tábua
O Domingo acordou solarengo e ajudou a que o despertar fosse bem-disposto e suave. Pequeno-almoço tomado, e lá fui direito a Peso da Régua onde iria iniciar o meu “aquecimento” de 10 Km até à Barragem de Bagaúste onde teria inicio a prova. Foi um aquecimento com pouco mais de 10Km em ritmo moderado, (59 minutos), porque prova é prova e se é para correr é para correr mesmo, treino que terminou cerca de 30 minutos antes das 11 horas. Foi o tempo necessário para encontrar o meu amigo Luís Sousa, e entregar-lhe o dorsal que tinha levantado na véspera para também ele participar na prova. Prontos para o início da prova, ouvimos pelos alto falantes de que a partida se encontrava atrasada, devido a ainda se encontrarem muitos participantes a chegar. Não me surpreendeu, pois já tinha ouvido relatos de problemas idênticos em anos anteriores, mas é uma situação chata que deve ser revista pela organização. A prova acabou por começar com 18 minutos de atraso.
A partida situa-se mesmo sob a estrada na Barragem do Bagaúste com vista para o Douro à direita e à esquerda, e é sem dúvida um local pitoresco para começar uma prova deste género. Dado o tiro de partida, os atletas da meia maratona seguiam para a esquerda em direcção a Folgosa do Douro, local onde a prova voltava para trás em direcção a Peso da Régua onde iria terminar. Os participantes da mini maratona seguiam da Barragem directamente para o Peso da Régua correndo ou caminhando cerca de 6 Km.

A brigada Mizuno, com a estreia dos meus Evo Cursoris num treino de 32 Km
A minha prova propriamente dita correu bem. Ter corrido 10 Km antes do início da Meia Maratona foi um excelente aquecimento, e sem querer entrar em loucuras sentia-me bem para ir no ritmo pretendido, que era entre 5:30 e 5:00min/Km. Fiz a corrida acompanhado pelo meu amigo Luís Sousa, sendo esta a quarta meia que corremos juntos. Nas três primeiras provas deu-me ele um bigode, mas está a chegar a altura de me desforrar e desta vez com uma ponta final mais forte, terminei eu primeiro com uns metros de vantagem sobre ele. No final cortei a meta em 1h49’02”, onde somando os 10 Km de aquecimento, perfez um treino de pouco menos de 32 Km em 2h48’. Resumindo, foi uma boa preparação para o Luxemburgo.
Cruzada a meta, mais um ponto negativo para a organização, mas que pode e deve obviamente ser melhorado. O tempo entre cruzar a meta e sair do recinto de controlo, foi de cerca de 20 minutos, o que se estivesse sol e calor até seria melhor suportado. Mas com vento frio e chuva, pode originar uma bela gripe a muitos atletas. Uma vez que está tudo pago, porque não entregar a t-shirt de participação e outras lembranças aquando do levantamento do dorsal? Resolvia de imediato este problema. Um ponto a favor, a impressão rápida e imediata do certificado de participação, com o nome, classificação e o tempo de meta, logo após a chegada.
Eu e o Luís Sousa numa foto em movimento tirada pelo Luís Parro
Mais uma vez esta foi uma prova onde partilhei momentos com “velhos” e novos amigos. Uma beijoca para as amigas Ana, Patrícia e Lígia, que talvez inspiradas pelo filme “Velocidade Vertiginosa” ou por algum xiripiti bebido na noite de Sábado, correram para a meta a uma velocidade tal, que terminaram todas abaixo da 1h55. Excelente prova meninas!!! Uma beijoca também para a Andreia que apesar de não estar bem fisicamente lutou contra a má disposição e foi até ao fim nesta prova. Um abraço para os “Luíses”: o Sousa que me acompanhou (quase quase até ao fim) nesta prova; ao Parro pelo serviço fotográfico durante a prova e o excelente álbum que proporcionou; e ao Madeira que andámos sempre desencontrados neste fim-de-semana. Um abraço ainda a todos os outros conhecidos que encontrei e que não posso enumerar, ou nunca mais teria leitores neste blog!… Mas, há ainda lugar a um abraço ao amigo “Stravianos” João Soares que no meio da sua velocidade vertiginosa reconheceu-me pelo nome nas costas e ainda me cumprimentou com entusiasmo enquanto me ultrapassava.
É necessário repor energias depois de mais um treino longo 🙂
Finda a corrida (e o treino), houve tempo para repor energias com um borreguinho no forno, regado com um “Quinta dos Aciprestes”, que permitiu uma tarde de domingo relaxada ao sol, à beira da piscina com vista para o Douro.
O descanso do “guerreiro” 😀
Em suma, um fim-de-semana desportivamente positivo, num local efectivamente belo e inspirador, numa prova bem organizada mas que pode e deve sofrer algumas melhorias.

Não sei se Meia Maratona do Douro Vinhateiro é a mais bela corrida do Mundo, mas uma das mais bonitas será certamente.

E para não perder o ritmo, no próximo Domingo apareçam na Meia Maratona na Areia.

Bons treinos e melhores corridas!!!

Published byNuno Gião

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km… Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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