Maratona do Luxemburgo

Corri no passado Sábado a Maratona do Luxemburgo ou utilizando o nome oficial a ING Europe-Marathon Luxembourg. Objectivos cumpridos, os de terminar a prova e realizar um tempo abaixo das 4 horas.

Após levantar o dorsal para a maratona.

Porque raio me fui lembrar da Maratona do Luxemburgo?! Em Fevereiro quando terminei a Maratona de Sevilha, a minha primeira, pensei que fazer uma maratona de 4 em 4 meses seria um objectivo interessante e, olhando para o calendário, quatro meses depois de Fevereiro caía em Junho e, olhando para uma lista enorme de maratonas que ocorrem em Junho, saltou-me à vista a do Luxemburgo, país onde reside o meu irmão, podendo assim aproveitar um fim-de-semana de corrida e aproveitar para fazer uma visita familiar muito especial.

A partida.
Feita a escolha, ainda pairaram no ar algumas dúvidas se esta seria efectivamente a escolha acertada para uma segunda maratona. Depois de observar melhor o traçado da prova e a respectiva altimetria, constactei que os últimos 10Km seriam sempre a subir, e que este seria um final de maratona a impor respeito, onde nada seria semelhante com a maratona totalmente plana de Sevilha. Seria um duro obstáculo a ultrapassar, mas decidi por treinar afincadamente para ultrapassar mais este desafio dentro do desafio que já por si é a maratona.
Chegou assim a hora de realizar a necessária inscrição. Comparando com as provas nacionais, nesta se prova tudo se paga: a inscrição, o chip, e uma panóplia de opcionais onde se encontra também a t-shirt da prova (caso se pretenda uma obviamente). Entre inscrição e chip necessário para a corrida despendi 70,00 €, e para a T-shirt da prova foram necessários mais 20,00 €, ficando a brincadeira em 90,00 €, ou melhor 88,00 € pois com a devolução do chip devolvem 2,00 € dos 9,00 € que custa o aluguer do dito.
A receber uma garrafa de água do meu irmão ao Km 32 e com forte apoio do café da Celeste!!!
Na altura da inscrição fui avisado de que cerca de duas semanas antes da prova receberia pelo correio uma confirmação escrita da inscrição e um “Runner Handbook” com toda a informação importante sobre a mesma e assim foi, dia 23 de Maio chegou cá a casa toda esta informação como prometido. Foi uma boa surpresa a recepção do dito handbook, impresso em papel de qualidade, com52 páginas (apenas 3 de publicidade), com toda a informação necessária à participação na prova em três idiomas: inglês, francês e alemão.
Depois foi esperar pela data de partida para o Luxemburgo, que ocorreu na sexta-feira véspera da corrida. Cheguei ao Luxemburgo por volta das 17h00 numa viagem tranquila, e o destino seguinte foi o Luxexpo, o Centro de Exposições local, onde teriam lugar a partida e chegada da prova, todos os serviços associados à corrida, entre os quais o levantamento do dorsal. Chegado à Luxexpo deu para perceber inloco o elevado profissionalismo com que esta prova é organizada. Um balcão de boas vindas/ajuda, espaço para uma fotografia que era publicada em tempo real na página do facebook, e a necessidade de percorrer um “circuito” montado de maneira a que os atletas circulassem por toda a exposição de patrocinadores até ao local onde se deveria levantar o dorsal. Exposição que deveria ter cerca de mais de 30 expositores dos mais variados equipamentos desportivos. A minha experiência na avaliação deste “item” resume-se à visita das exposições das maratonas de Lisboa e de Sevilha sendo que das três, esta exposição bate quer a de Lisboa quer a de Sevilha por KO.
A zona de levantamento do dorsal encontrava-se muito bem organizada e identificada, (as 10000 inscrições encontravam-se esgotadas há algumas semanas), tendo sido rápido o seu levantamento. A acompanhá-lo vinham as senhas para levantar a t-shirt que tinha comprado na altura da inscrição e para a pasta party. Desta vez não fui à Pasta Party pelo que não posso avaliar a qualidade da mesma. Cumpridos os rituais prévios nestes eventos, uma nova preocupação surgiu no ar: eram quase 19 horas e o termómetro apontava 26,5º, coisa rara para aquelas bandas. Às 22 horas a temperatura era ainda superior a 20º, pelo que previ a temperatura como um factor de dificuldade extra para a corrida.
Por esta altura surgiu também a primeira desilusão: Era suposto esta ser uma corrida nocturna, mas às 22 horas o lusco fusco ainda pairava com intensidade e só meia hora mais tarde a noite se mostrou por completo. Pelas minhas expectativas apenas iria correr de noite pouco menos de hora.

A chegada no interior do Luxexpo.
Uma noite de sono tranquila e foi contar as horas para a partida da corrida. A organização disponibilizou autocarros gratuitos do centro da cidade até à Luxexpo, e pouco depois das 17 horas lá fui eu a caminho da aventura. Uma viagem rápida de 15 minutos, levou-me a mim e outros milhares de atletas até à partida. Cheguei com a antecedência necessária para entregar a muda de roupa no espaço para o efeito, processo igualmente rápido e organizado, fazer as últimas necessidades fisiológicas e dirigir-me para a zona da partida.
Chegado ao corredor da partida, foi fácil constactar a muita animação ali existente entre atletas e eventos da organização, animação que iria ser uma constante ao longo do percurso. A maratona do Luxemburgo é um dos eventos do ano naquele país e, segundo a organização, move cerca de 100000 espectadores ao longo de todo o percurso.
Pontualmente às 19h00 suou o tiro da partida. Parti da segunda caixa de tempos, logo atrás dos atletas de elite e da caixa destinada aos atletas mais rápidos. Isto equivaleu a apenas passar no local da partida quase 2 minutos após o tiro. Ainda assim a partida foi tranquila sem atropelos ou confusões de outra ordem como por vezes acontece. Ao contrário do previsto no dia anterior, havia nebulosidade a tapar o sol, a temperatura era cerca de 20º, e caiam alguns chuviscos que ajudavam a refrescar. Toda a corrida decorreu com uma temperatura amena e não foi um factor de dificuldade extra como tinha previsto no dia anterior. Voltando à corrida, a estratégia estava delineada: sem entrar em loucuras, aproveitar os 10 Km iniciais a descer para ganhar algum tempo, manter-me o mais afastado possível do balão das 3h45; quando este balão me apanhasse tentar segui-lo; e perder o menos tempo possível nos 10 Km finais que seriam a subir. E assim foi, aos primeiros 10 Km apontava pouco mais de 53 minutos, e continuei em bom ritmo até ao Km 20,5 quando o balão das 3h45 me apanhou. Cruzámos o marco da Meia Maratona à 1h55 de corrida, o que batia certo com o tempo estimado para este balão. Para azar meu, pouco depois da meia maratona o balão das 3h45 acelerou, e ao invés de manter o ritmo dos 5:15/5:20 previsto seguia agora a um ritmo entre 4:30/4:50, o que era manifestamente rápido para mim nos 19/20 Km que ainda faltavam. Por outro lado pensei para com o meu dorsal: “se estes gajos vão a acelerar agora será para compensarem nos 10 Km finais a subir”, pelo que abandonei a táctica prevista de os seguir e deixei-me ir sossegado no meu ritmo mais confortável. Durante a corrida a multidão de espectadores era de facto fabulosa. Em quatro pontos da corrida no centro da cidade do Luxemburgo, a multidão era tal que só tinha assistido a coisa idêntica na televisão enquanto assistia às etapas de montanha em provas de ciclismo: os espectadores ocupavam toda a largura da estrada da corrida e abriam alas à passagem dos corredores, como se cada um de nós do “meio” do pelotão fosse uma autêntica vedeta das corridas! Esta situação obrigava a que durante 2 ou 3 dezenas de metros os atletas corressem em fila indiana para furar a multidão, e consequentemente perder algum tempo nestes pontos. De qualquer modo, o tempo perdido é amplamente compensado pela experiência vivida. 
Já com a medalha e o meu irmão no final da prova.
Durante todo o percurso o apoio do público é de facto impressionante, e em vários pontos existiam bandas de música, baterias de samba, e outras animações para dar ânimo aos corredores. Os abastecimentos eram abastados e frequentes, mais ou menos de 2,5 Km em 2,5 Km, mas pecavam por não ter um aviso dos mesmos com antecedência, e na minha opinião eram demasiado curtos para a água. Havia uma longa mesa que estava sempre dividida da seguinte forma, no início água, a seguir Coca-Cola, a seguir isotónico e terminava com fruta ou barra energética. Como não existiam avisos, os primeiros abastecimentos quando dava por eles já ia na parte dos isotónicos, quando o que gosto de beber é água. E não sei porque motivo, nesta corrida ia sempre com mais sede do que o habitual. Regressando à corrida, os quilómetros passavam sem dar por eles passar e assim cheguei aos últimos 10 Km de prova, com uma subida quase até ao final. Sentia-me bem e tentei manter um ritmo de 6min/km a subir, o que nem sempre foi conseguido mas também não andava muito longe, pelo que pelas minhas contas ia chegar tranquilamente antes das 4 horas de prova. Nesta fase da prova contei com a preciosa ajuda do meu irmão que me acompanhou de bicicleta durante os últimos quilómetros, mas desconfio que chegou ao fim mais cansado do que eu!!! A parte final da corrida, que terminava dentro da Luxexpo com um enorme aparato de luzes e som, era a descer e aproveitei para abrir um pouco mais, e ainda fiz 200/300 metros a um ritmo quase de sprint. 
O relógio à chegada 🙂
Cruzada a meta, o relógio indicava 3h58’37”, pelo que estava super satisfeito por ter conseguido tirar cerca de 18 minutos à maratona de Sevilha, uma maratona bem mais fácil do que esta.
Foi tempo de recuperar o folego, receber a medalha de participação, beber uma água e uma jola, e ir alongar os músculos. Esqueci-me do material do duche pelo que falhei as massagens gratuitas para os atletas. Que jeito tinha dado e não havia fila ou confusão para as mesmas.
Foi altura de regressar a casa, tomar um duche e jantar pelas 2 da matina.



Mais uma noite de sono perfeito e o regresso a casa, já a pensar na preparação da Ultra Maratona Atlântica, que vai ser a próxima grande aventura…
Em resumo para quem gosta de uma boa corrida, animada e bem organizada, e não tiver a preocupação de fazer um “grande” tempo, esta é uma prova que recomendo sem qualquer tipo de dúvida. De certeza que se vão divertir e desfrutar toda a prova.

Para quem gosta destas coisas pode observar o mapa, altimetria e o meu desempenho nesta prova clicando aqui.

Boas corridas para todos!!!

Published byNuno Gião

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km… Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

4 Comments

  • Pedro Carvalho

    12/06/2013 at 21:15 Responder

    Espectáculo Nuno, grande relato.
    E, uma vez mais, parabéns!
    Venha a UMA. 😉

  • Nuno Gião

    12/06/2013 at 22:52 Responder

    Obrigado Pedro 🙂 E agora venha mesmo a UMA. Os treinos já começaram e haja força nas pernas 😀

  • Luis Coelho de Sousa

    13/06/2013 at 23:26 Responder

    Parabéns Nuno, essa já cá canta. Mais uma!
    Força para a UMA que é para depois me ajudares na de Lisboa.

    Abraço

  • Mimos | Nuno Gião

    04/10/2015 at 22:17 Responder

    […] Maratona do Luxemburgo é um dos casos que já relatei aqui no passado, e mais recentemente o Ultra Trail Côte […]

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