Teste ao Smartphone Quechua Phone 5″

O Smartphone Quechua Phone 5”, também conhecido como o telefone da Decathlon, foi enumera vezes tema de conversa entre mim e diversos companheiros de corridas que também apreciam estes gadgets tecnológicos. As opiniões acerca do equipamento dividiam-se, mas o que é certo que ninguém tinha experimentado na montanha este equipamento, pelo que as opiniões não eram esclarecedoras acerca da potencialidade do mesmo para este fim. Para satisfazer a curiosidade de muitos trail runners, propus à Decathlon que me cedesse um destes equipamentos para testá-lo, do ponto de vista do Trail Runner, durante os 107 Km do Gerês Trail Adventure e Ultra Trail de São Mamede, proposta que a Decathlon aceitou e assim torna possível este texto.

Análises descritivas das características do hardware deste equipamento há muitas e em diversos sites, pelo que se pretendem uma lista de características exactas do hardware deste telefone recomendo que vejam o site da Decathlon clicando aqui ou o site Quechua para este equipamento clicando aqui.

Do ponto de vista tecnológico este telefone não é o último grito de tecnologia. No entanto e na minha opinião, quem procura o último grito em tecnologia tem telefones da Apple, da Samsung, da HTC, só para referir algumas marcas, que irão fazer a delícia do utilizador e despertar a inveja aos seus amigos em termos de performance e design. Por seu lado o Quechua Phone 5” é um telefone para um nicho de mercado: os frequentadores da montanha. Assenta numa plataforma sólida e já testada, com hardware e software igualmente bem testados e sólidos, com uns upgrades aqui e ali que fornecem algumas características ímpares ao equipamento, sendo tudo “empacotado” numa caixa de aparência bem robusta, à prova de água e de poeiras. Disto isto, permitam-me regressar uns dias atrás, ao dia em que levantei este equipamento na Decathlon de Alfragide.

Uaaauuuu, foi a minha primeira palavra ao retirar o telefone da respectiva embalagem. Surpreendeu-me o peso do telefone, quase 500 gramas, e as suas dimensões. Eu que estou habituado a usar telefones pequenos, via-me agora obrigado a usar por alguns dias um verdadeiro “tijolo” com 15 cm de altura, 8 de largura e 1,2 de espessura. Estas dimensões são mais ou menos o standard do mercado nos telefones de 5”, apenas a generosa bateria de 3500 mAh explica a maior espessura e peso do telefone.

Enquanto utilizador habitual de smartphones devo dizer que as características gerais deste equipamento, não sendo o state of art, são bastante generosas e funcionais: Processador quad-core de 1.2 Ghz, 1 Gb + 4 Gb de memória, camara de 5 MP atrás e 2 MP à frente,  sistema operativo da Google Jelly Bean 4.1, e todo o tipo de conexões necessárias para ligar periféricos comuns dos nossos dias. 
A utilização diária do telefone faz-se tranquilamente quer ao nível de chamadas quer ao nível da utilização das diversas aplicações de internet que todos nós utilizamos.


Enquanto Trail Runner os itens que efectivamente pretendia testar e comprovar eram:
  • Duração da Bateria;
  • Fiabilidade do GPS e Altímetro Barométrico;
  • Usabilidade do ecrã em condições atmosféricas adversas;
  • Resistência ao choque e usabilidade geral em condições atmosféricas adversas.

Duração da Bateria

A bateria do Quechua Phone 5″ é uma verdadeira fonte de energia, que dura, dura e dura. É sem dúvida um dos pontos fortes deste telefone. O teste mais longo que acabei por fazer a este equipamento foi o Ultra Trail de São Mamede. Foram mais de 100 Km que corri em 21h50. Durante estas 21h50 o telefone foi sempre ligado e sempre com o GPS activo. Tirei cerca de 50 fotos e filmei 3 vídeos. Fiz diversas chamadas ao longo do percurso para familiares que me acompanhavam ao longe e para outros atletas que se encontravam em pontos distintos da prova, e no final da prova a bateria ainda apontava cerca de 23% de capacidade disponível.  No Gerês Trail Adventure a performance ao longo dos três dias da prova foi igualmente notável. Nos 60 Km do segundo dia deste desafio e após 14 horas de corrida e registo contínuo de GPS, igualmente com utilização do telefone e máquina fotográfica – ainda que não tão intensiva como no UTSM, a bateria apontava 51% de capacidade disponível.

GPS e Altímetro Barométrico

Um dos pontos que me desiludiu quando liguei este equipamento, foi a ausência de software específico para o mesmo. A publicidade da marca indicia que este seria fornecido com equipamento específico para as aventuras de montanha, mas na realidade apenas temos à nossa disposição todas as aplicações disponíveis na Google Play. Assim sendo optei por registar os três dias do Gerês Trail Adventure e o Ultra Trail de São Mamede, utilizando o meu já conhecido software Strava. Devo dizer que não consegui determinar a marca e modelo do chip do GPS utilizado neste telefone, mas que este é bastante rápido a adquirir um fix do sinal GPS, mesmo sem a ajuda do GPS assistido pela rede 3G. Todo o registo das quatro provas foi obtido utilizando apenas o GPS do telefone sem recurso a GPS assistido. Como handicap, devo dizer que o telefone foi sempre utilizado dentro do bolso traseiro da minha mochila, e sem especial cuidado no posicionamento do telefone, que por vezes pode ter favorecido a recepção do sinal GPS e certamente que noutras vezes não. O Strava utiliza um registo do percurso de GPS “inteligente” com registo de pontos de x em x segundos, e para comparação registei igualmente os percursos com o meu relógio Arival SQ-100. O registo no relógio foi efectuado de 2 em 2 segundo nas provas do Gerês Trail Adventure, e registo de 3 em 3 segundo do UTSM. Podem comparar a precisão dos track obtidos com a combinação Strava+Quechua e com o relógio, sendo que como esperado o relógio é seguramente mais preciso. No entanto o desempenho do Quechua é bastante positivo para este tipo de equipamentos. Diria que para o montanheiro o GPS é mais do que preciso para essa actividade, para o trail runner é um equipamento que não compromete no registo dos treinos/provas, mesmo nos percursos mais fechados e difíceis. Relativamente ao altímetro barométrico não tive oportunidade de testar em exclusivo esta funcionalidade. O seu funcionamento em conjunto com o GPS apresentou sempre a altimetria esperada para os locais onde estava.
Clicando nas imagens seguintes podem comparar em pormenor os tracks do Gerês Trail Adventure e do Ultra Trail de São Mamede no mapmyrun.com


Usabilidade do ecrã

Outro dos pontos que me despertava alguma curiosidade, era o anúncio do ecrã estar optimizado para uma boa visualização mesmo em condições de muita luminosidade. E confirmo essa mesma característica. A utilização do ecrã em ambientes com muito sol e muita luz, como aconteceu no UTSM, é bastante eficiente. Com um telefone “normal” a visualização do ecrã seria impraticável sob o sol do Alentejo, mas o Quechua passou com um satisfaz bastante mais este teste. Já a sua utilização sob chuva e bastante humidade, como aconteceu no Gerês, requer alguma habituação. O ecrã táctil apesar de funcionar molhado, perde alguma precisão ou pelo menos é necessário “apanhar o jeito” necessário a utilizar o ecrã táctil nestas condições. A camara traseira do telefone também sofre com a humidade, e não nos podemos esquecer de a limpar antes de a usar em ambientes húmidos ou as fotografias sairão “desfocadas” com a humidade na lente.
Resistência ao choque e usabilidade geral em condições atmosféricas adversas

Um dos testes que me abstive de efectuar foi o da resistência ao choque. Não deixei cair o

telefone nenhuma vez e a utilização diária foi normal. Durante as provas o telefone foi sempre transportado na bolsa traseira da minha mochila, sem qualquer cuidado no seu posicionamento, muitas vezes por cima dessa bolsa ainda seguiam os bastões que me ajudaram nas subidas mais ingremes e que em alguns troços poderão ter sido uma dificuldade acrescida à recepção do sinal GPS com o telefone. No Gerês apanhámos de tudo um pouco: nevoeiro, humidade intensa, chuva intensa, e também algum sol e calor. No UTSM apanhamos sobretudo muito sol e calor com temperaturas muito perto dos 30º. Confesso que apesar da caixa de aparência bastante sólida e robusta com que este telefone é equipado, tinha alguma desconfiança no que diz respeito às protecções das ranhuras para USB/auscultadores e simcard/SD card, mas após o teste à chuvada do Gerês tenho de admitir que funcionam bastante bem, pelo facto de não ter sido manifestado nenhum problema relacionado com estas ranhuras.

Conclusões

Este não é um equipamento para quem quer o último grito de tecnologia. Pela sua dimensão e peso também não é um equipamento ideal para quem quer registar treinos e/ou corridas de estrada. Como pontos menos fortes deste equipamento destaco o tamanho e o peso; a ausência de software específico, o que obriga a alguma pesquisa pela loja da Google; a resolução do ecrã que poderia ser um pouco melhor.
É um equipamento com um desempenho diário “normal” bastante razoável ou bom, e um desempenho em montanha muito bom. O GPS é rápido é fiável, o altímetro barométrico pode ser de grande utilidade em provas ou passeios na alta montanha, o ecrã tem um bom desempenho debaixo de sol e uma utilização regular quando húmido ou molhado, e a bateria e respectiva autonomia são o ponto mais forte deste equipamento. Na minha opinião para passeios de montanha e treinos/provas de trail running onde se leve uma mochila ou cinto, este é um equipamento com bastante potencial, e que poderá substituir o transporte de outros equipamentos, carregadores e baterias.

Quero agradecer à Decathlon a possibilidade que me deu de testar este equipamento, e assim poder partilhar convosco todas as potencialidades do mesmo de um ponto de vista do corredor de trilhos.

Continuação de bons treinos e de melhores corridas!!!

Published byNuno Gião

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km… Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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