Grande Trail Serra d’Arga – Parte I

Grande Trail Serra d’Arga – Parte I

O Grande Trail Serra d’Arga (GTSA) era para mim, que me iniciei nesta coisa de correr em montanha há menos de um ano, uma das difíceis e míticas provas do calendário nacional. Mítica por todos os relatos que li e ouvi referentes a edições anteriores, e difícil sobretudo por tudo o que se disse da edição de 2013 onde as condições climatéricas do dia da prova aumentaram exponencialmente o grau de dificuldade da mesma.

Grande Trail Serra d'ArgaTudo isto fez-me melhorar a minha abordagem pré-prova: estudar melhor o percurso , antecipar melhor as dificuldades e tentar antecipar as soluções para eventuais problemas que pudessem surgir. É claro que quanto mais longa é a prova mais imprevisíveis se tornam todos os factores da corrida e maior é a possibilidade de surgir algo em que não se pensou, mas tentar antecipar uma prova de acordo com as nossas capacidades é um exercício muito útil, mais não seja para chegar ao fim e constatar se o nosso auto conhecimento é de facto real ou se estamos muito acima ou abaixo daquilo que pensamos de nós próprios, isto desportivamente falando é claro.

Feita a pré-análise da prova, a nível pessoal acabei desmistificando um pouco a dificuldade da mesma, afinal já tinha corrido este ano o Inatel Trail do Piodão e o Gerês Trail Adventure que apresentavam muitas similaridades com o GTSA. Nesta altura do campeonato até me sentia um pouco melhor preparado que há meses atrás, pelo que previ que os 53 Km com 6000 metros de desnível acumulado deveriam ser uma prova divertida e tranquila em termos de performance pessoal, e que se tudo corresse normalmente deveria conseguir concluir em 8h44.Grande Trail Serra d'Arga

O dia estava bonito, solarengo mas sem um calor excessivo, quase perfeito para uma boa corrida. A conversa com os amigos e as muitas caras conhecidas à partida para a prova, fizeram-me perder o briefing inicial o que mais tarde poderia ter-se revelado desastroso. Felizmente não teve consequências de maior. Esta é uma nota mental que já estava registada mas que agora aumentou o nível prioridade para os itens obrigatórios a realizar: Nunca faltar ao briefing da prova.

A partida foi tranquila, com muita festa e uma volta pela vila de Dem. A primeira subida era logo ali, o trilho um pouco estreito e havia a necessidade de alongar o pelotão. Foi inevitável perder um pouco de tempo no início desta primeira subida devido à multidão que começava a subir, mas nada de significativo ou que aumentasse o nível de stress, até porque ainda não tínhamos começado há mais de 3 Km, e o primeiro objectivo ainda estava longe de conquistar: chegar ao controlo dos 33 Km antes das 5 horas de prova.

Published byNuno Gião

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km… Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

No Comments

Post a Comment

%d bloggers like this: