3º Trilho das Lampas

Se as provas de trilhos fossem miúdas giras a participar num concurso de beleza, o Trilho das Lampas tinha sempre garantido o prémio da Miss Simpatia. Quando em 2012 participei pela primeira vez na Meia Maratona de São João das Lampas, logo percebi que tudo ali era diferente. Muito se tem falado sobre o “espirito do trail”, e não me parece nada exagerado falar no “espirito das Lampas”. “Espirito” encabeçado na figura do carismático Fernando Andrade, que promove e dinamiza estas duas provas, (Meia Maratona de São João das Lampas e Trilho das Lampas), de uma forma exemplar como poucos. São João das Lampas, uma freguesia pacata do concelho de Sintra, que nos dias em que ocorrem estas provas toma uma dimensão desmesurada, sendo que no passado Sábado voltou a receber um pelotão de atletas com toda a simpatia e deferência para o 3º Trilho das Lampas.

Foto de Paulo Sezilio Fotografia

Este ano o Trilho das Lampas é uma das provas que faz parte do Circuito Nacional de Trail Curto da ATRP, o que desde logo suscitou ainda mais interesse e interessados em participar nesta prova. Foram 900 os inscritos para a 3ª edição do Trilho das Lampas dos quais 805 cortaram a meta, o primeiro classificado com 1h21 de prova, o último classificado com 3h43. Os 20 quilómetros que compuseram esta corrida, com partida e chegada em São João das Lampas, diferiram um pouco das duas primeiras edições nos quilómetros iniciais do percurso. A quase duplicação de número de atletas nesta terceira edição, obrigou a que se estendesse a fase inicial mais rolante de 1 para 2 quilómetros, de modo a alongar o pelotão e tentar mitigar o “entupimento” natural no primeiro single track (a subir), que ocorre logo por volta do quilómetro 3,5 da prova. Quem vai a meio do pelotão acaba sempre por ter de parar neste single track, apesar de serem apenas 500 metros com cerca de 25 metros de D+. Esta primeira secção do percurso, é o designado trilho dos moleiros, uma vez que se desenrola ao longo de caminhos e trilhos por onde se abasteciam de trigo as azenhas e moinhos, sendo precisamente o moinho a primeira imagem de marca desta prova que os atletas têm oportunidade de contemplar. Esta secção corresponde aproximadamente aos primeiros 9 quilómetros da prova, sempre num sobe e desce frequente mas muito rolante, onde o principal obstáculo é mesmo as principais subidas serem em single track, o que dificulta ou impossibilita a passagem para os atletas que estão melhor a subir. Chegados a esta fase do percurso, entra-se naquele que é designado por trilho dos pescadores e que decorre ao longo de caminhos utilizados até aos dias de hoje pelos pescadores na pesca à linha. Esta é talvez, para quem aprecia os bonitos espectáculos que a natureza proporciona, a parte mais espectacular do percurso. Boa parte deste trilho decorre na falésia junto ao mar, onde se desce até à Praia da Samarra, volta-se a subir o trilho até à falésia do outro lado da praia, e segue-se pelo trilho na falésia até à Praia da Vigia, tudo isto acompanhado de um por do sol esplendoroso, que proporciona um lusco-fusco muito preciso para os amantes da natureza.


É claro que os atletas da frente do pelotão perderam este espectáculo, mas por outro lado aproveitaram o sol que ainda devia estar alto na altura em que aqui passaram. Esta é a parte mais técnica da prova, onde há de tudo um pouco: descidas, subidas, areia, single tracks, água, falésias, um manancial de elementos que obriga os atletas a estarem alerta durante todo este segmento. Chegados ao quilómetro 16 entramos na última secção da prova, que é designada por trilho dos romanos, onde temos oportunidade de correr sob alguns vestígios Romanos existentes na região, nomeadamente a Ponte Romana e um caminho romano que nos leva de novo á estrada de ligação a São João das Lampas. Os últimos 2 quilómetros da prova são sempre a subir, daquelas subidas que não matam mas moem, com um desnível positivo de aproximadamente 90 metros. Concluído este terceiro segmento, chega-se ao centro de São João das Lampas onde sprintamos 100 metros na relva até cruzar a meta, e onde a festa já está montada por todos os atletas que nos precederam na chegada.

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Na parte que me toca foram 2h12 para cumprir estes 20 quilómetros, em ritmo de treino e numa semana com muitos quilómetros nas pernas. Mais minuto menos minuto decorreu tudo dentro da normalidade e provas curtas e rápidas como esta, não são de todo a minha preferência. Mas, à “mística das Lapas” não posso faltar, pelo que para o ano espero participar de novo nesta prova. Aproveito para agradecer ao Kalorias de Linda-a-Velha e ao Instituto de Medicina Tradicional, o apoio que prestaram para a minha participação no Trilho das Lampas.

Aspectos prácticos da prova:

  • Levantamento de Dorsais: Dois dias, sexta-feira e sábado quase até ao início da prova, tempo mais do que suficiente para se evitarem confusões de última hora. Com o dorsal foi oferecida uma t-shirt técnica alusiva à prova.
  • Marcação da prova: Apesar de conhecer muito bem o percurso desta prova, as fitas estavam sempre no lugar certo, e este ano com reforço em alguns locais em que os mais distraídos reclamaram na edição no ano passado. Nada a apontar. Realce para a espectacular passagem pela Ponte Romana, onde o lume de archotes iluminava todo o caminho ao longo da ponte.
  • Abastecimentos: Dois, aos 6 e 13 quilómetros de prova, com água e fruta, perfeitamente suficientes para uma prova de 20 quilómetros. À chegada todos os atletas receberam um saco com três biscoitos, uma laranja e uma garrafa de água. Cada atleta tinha ainda direito a uma sopa de legumes.
  • Entrega de prémios: Decorreu no interior da colectividade de São João das Lampas, com um salão cheio de atletas a aplaudir os primeiros da prova e de cada escalão.
  • Segurança: Entre voluntários, GNR e Bombeiros, pareceu-me existir apoio mais do que suficiente ao longo de todo o percurso, para garantir a segurança de todos os que participaram nesta prova.

Como é costume nas provas em São João das Lampas, são disponibilizados grelhadores para os atletas fazerem a festa e se juntarem num convívio final muito agradável, com muitos petiscos para repor as calorias de quem correu 20 quilómetros de trilhos muito rolantes, e é isto que faz também parte da “Mística das Lampas”.

Os meus parabéns a todos os que participaram nesta prova, e para o não percam a quarta edição, de certeza que será tão boa ou melhor que a terceira.

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Tenho ainda um abraço especial para dar ao Rui Cortes (foto acima), que tive o orgulho de apadrinhar nestas andanças das corridas em trilhos. Outro abraço a outro Rui, o Araújo, colega Kaloriano que devagarinho também chegou ao final desta prova com muita resistência e força de vontade. Parabéns aos Ruis por terem concretizado este objectivo, a partir de agora é sempre a somar! 😉

E para finalizar, os parabéns especiais ao António Pedro Salamandreco, que percorreu os 20 quilómetros dos Trilhos das Lampas descalço, e que devagarinho também chegou ao final sem sobressaltos de maior. (Foto inicial deste artigo).

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Sobre mim…

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km... Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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