Uma manhã pelos trilhos de Lousa

Uma manhã pelos trilhos de Lousa

Nota mental: evitar fazer treinos intensos de Cross Ramp na véspera de uma corrida de trilhos.

Como já tinha referido aqui, este Domingo tive oportunidade de participar no I Trail Lousa – Capital do Queijo Fresco. A organização prometia 23 quilómetros de trilhos, com início e fim da prova em Lousa, e num constante sobe e desce que resultavam em cerca de 1000 metros de desnível positivo.

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Antes da partida com os amigos Salamandrecos

Lousa é uma freguesia do concelho de Loures pelo que fica aqui à porta de casa, e conhecendo já alguns trilhos para aquelas bandas como os que corri no Trail Run Socorro e Archeira, na realidade nunca tinha corrido por Lousa e arredores.

Num fim-de-semana em que existiram 17 (ou mais) provas de Trail Running de norte a sul do país, foi com alguma curiosidade que me cheguei a Lousa para levantar o meu dorsal e perceber a dimensão do pelotão desta prova. Não tendo números oficiais, diria que estariam cerca de 80 participantes para a prova de 23 Km, o que não considero mau para um fim-de-semana com tantas alternativas.

A prova teve o seu início religiosamente à hora anunciada, 9h30, o que considero um ponto a favor, tal é a raridade com que isto se verifica na generalidade das provas.

Saímos de Lousa com um ligeira subida, que serviu de aquecimento para um single track de cerca de 1 quilómetro e 200m de desnível positivo que apareceu logo de seguida. O trilho não estava muito aberto o que me originou alguns arranhões sobretudo nos membros superiores. Ou isso ou sou eu que sou grande demais para este troço do percurso. Como é habitual nos single tracks há sempre alguma acumulação de atletas em algum ponto e, como as ultrapassagens são difíceis, acaba por se perder algum tempo atrás de outros atletas mais lentos a subir. Foi o que aconteceu aqui também, mas sem grande stress porque o objectivo para mim era rolar e divertir-me a fazer mais uns quilómetros. Conquistada a primeira subida, foi altura de começar a descer num troço de 1,5 quilómetros. O tornozelo estava a portar-se bem e desci em modo teste, já com alguma velocidade e arriscando um pouco mais que nas últimas semanas de treinos. Era o último de um comboio de meia dúzia de atletas que desciam com este ritmo interessante, e ia mais concentrado no meu tornozelo e satisfeito por estar a correr bem, que me esqueci e não cumpri uma das minhas regras das corridas de trail: Nunca assumir que os atletas que vão à minha frente sabem para onde vão. Como resultado, que ia à frente deste grupo não viu as fitas para mudar de direcção, e lá continuamos a descer mais uns 150 metros do que o previsto, o que resultou numa subida de mais 150 metros que o previsto. Íamos aqui com cerca de 5 quilómetros de prova, e numa subida ligeira até ao moinho e num movimento mais brusco, o tornozelo resolveu dar o primeiro sinal da sua existência.

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A chegada à meta

Foi o sinal para acalmar o ritmo e rolar nas calmas para não virem a existir danos colaterais. E assim foi, sentia as pernas pesadas do treino de Sábado, mas sentia-me bem e poderia puxar se fosse necessário, mas deixei apenas os quilómetros rolarem sob as pernas. Mais uma subida e descida até aos 7 quilómetros e depois foi descer até aos 10 onde se encontrava um dos três pontos de abastecimentos da prova. Seguiu-se uma subida de 2,5 quilómetros e mesmo no topo da subida o tornozelo resolveu apitar outra vez. Nem ia a subir depressa mas se o corpo manda, lá tive de me conter novamente. Uma ligeira descida e uma nova subida em pedra e rocha até ao ponto mais alto de toda a prova, e as principais dificuldades da prova estavam ultrapassadas. Faltavam cerca de 8 quilómetros até à meta e foi rolar nas calmas, ainda com mais algumas subidas e descidas. No final foram 2h56 de prova, num ritmo suave e sem esforçar muito o tornozelo. Para quem gosta de cuscar estas coisas, cliquem aqui para ver o percurso e perfil da prova.

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No recovery com as campeãs Sofia e Goreti 🙂

À chegada esperava aos atletas um autêntico repasto, pelo menos para quem gosta de queijo! Queijo fresco, requeijão, outras qualidades de queijo de que não sei o nome, doce de abóbora, doce de morango, pão fresquinho, vinho branco… Um autêntico festim que repôs em excesso as calorias perdidas durante a prova. Mas que soube bem soube.

Em resumo foi uma prova bem organizada, com trilhos bons para correr e paisagens muito bonitas, marcações do percurso que não deixavam dúvidas e uma festa final muito bem conseguida. A promoção a Lousa e à sua indústria do queijo foi muito bem conseguida. Se faltaram este ano, a não perder na segunda edição. Um obrigado ao IMT – Instituto de Medicina Tradicional e ao Kalorias Linda-a-Velha por mais um apoio à participação nesta prova.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Published byNuno Gião

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km… Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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