Rota Vicentina: Porto Covo – Vila Nova de Milfontes

Se não leram a primeira parte desta aventura pela Rota Vicentina, esta está disponível clicando aqui.

Eramos três à aventura, mas esta primeira etapa Porto Covo – Vila Nova de Milfontes foi feita a solo por mim. O Rui e a Sandra não se sentiam com vontade de fazer os 60 quilómetros previstos e, sendo esta (em teoria) a etapa mais difícil, foram ter comigo a Vila Nova de Mil Fontes.

Passavam uns 10 minutos das 8 horas da manhã e sentia-se um vento ligeiro e fresquinho. O sol escondia-se algures atrás das nuvens e à excepção de um ou dois turistas madrugadores não se via mais ninguém na rua. Carrego no “start” e começo a seguir o track desta etapa no relógio.

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A partida de Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro

Comecei logo com uma voltinha desnecessária, já que me encontrava junto ao mar e o track enviou-me para o Largo do Mercado e de novo para junto ao mar perto do porto de pesca. Serviram estes metros para aquecer um pouco e revisitar o centro de Porto Covo, que há muito tempo não visitava.

Vinte quilómetros separavam-me de Vila Nova de Mil Fontes. Esta é a etapa das praias, o que se traduz em que quase toda a etapa é percorrida em areia ou em solo muito arenoso, e daí ser considerada a mais difícil.

Assim foi. Corri particamente os vinte quilómetros em areia, numa progressão lenta mas que ao mesmo tempo me deu muito prazer, a fazer relembrar os treinos para a Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia. A paisagem é fabulosa e é um privilégio poder desfrutar da imagem do oceano azul vivo em contraste com a areia dourada das praias. Descobrem-se muitas pequenas praias em todo o percurso, sem dúvida para as redescobrir numa outra oportunidade em passeio de praia mesmo.

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Uma das praias “secretas” que se descobrem a pé

Não sei se por ainda ser relativamente cedo ou por o tempo estar fresco e encoberto, não me cruzei com muitas pessoas durante esta etapa. Recordo o ar de espanto de meia dúzia de surfistas ao me verem chegar perto de uma enseada onde estavam acampados nas suas “pão de forma”, um outro estrangeiro que fazia o seu jogging matinal no estradão da Ilha do Pessegueiro, e um caminheiro com quem me cruzei já à chegada a Milfontes e que iniciava a etapa no sentido a Porto Covo.

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Correr à margem da falésia

À chegada a Milfontes tive ainda o encontro imediato com uma cobra que descansava no meio do trilho. Já vi várias cobras vivas e já estive com algumas na mão, mas se bem me recordo foi a primeira vez que vi uma cobra viva em pleno habitat natural. A coitada fugiu à minha passagem e nem deu tempo para tirar uma foto.

Gostei muito e desfrutei bastante desta etapa. Os extensos areais das praias da Ilha do Pessegueiro, Aivados e Malhão, as muitas e pequenas enseadas desertas ao longo de todo o trajecto, as cegonhas, a biodiversidade ao longo de todo o percurso, fizeram-me sentir cheio de energia positiva e foi uma excelente forma de começar esta aventura.

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Um dos muitos ninhos de cegonhas

Demorei cerca de três hora em ritmo lento, mas poder-se-á fazer a correr mais rápido. Quem apenas quiser caminhar o tempo previsto para concluir esta etapa é de cerca de 7 horas.

Podem obter mais dicas sobre esta etapa no site da Rota Vicentina, clicando aqui.

Em breve a história da segunda etapa: Vila Nova de Milfontes – Almograve.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Sobre mim…

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km... Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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