Rota Vicentina: Vila Nova de Milfontes – Almograve

Rota Vicentina: Vila Nova de Milfontes – Almograve

No final do trilho à chegada a Milfontes tinha o Rui e Sandra à minha espera. Enquanto corri de Porto Covo a Milfontes, estas duas “peças” foram beber café e encheram-se de bolas de Berlim para “ganharem força” para o início da primeira etapa para eles, verdadeira comida de atletas. No entanto o trilho propriamente dito termina pouco antes da Praia do Porto das Barcas e daí até ao fim do percurso desta etapa faltam ainda cerca de três quilómetros, entre estradão e novas zonas em fase de urbanização, o que leva a que o percurso tenha algumas falhas na marcação nesta zona, mas como tinha o track no relógio foi pacífico não me perder. Cheguei assim ao centro de Vila Nova de Mil Fontes, onde tive oportunidade para reabastecer os bidons com água e sentar-me para tirar dois quilos de areia que transportava no interior dos ténis.

Vila Nova de Mil Fontes estava em festa e na foto em baixo ao meu lado, está uma das muitas personagens que se encontravam espalhadas por diversos pontos da vila.

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Entretanto o Rui e Sandra juntam-se de novo a mim, desta vez prontos para iniciarmos esta etapa. Ultimas verificações de material e lá vamos nós a correr em direcção ao Almograve.

Os primeiros 2,5 quilómetros deste percurso são percorridos em alcatrão, pelo centro de Vila Nova de Mil Fontes e pela estrada Nacional, o que requer atenção redobrada por causa do trânsito. Atravessada a ponte sobre o Rio Mira, faltam ainda 500 metros até se chegar a um portão que, uma vez cruzado, nos dá acesso ao trilho deste percurso. Existiam diversos avisos para termos cuidado com o gado neste troço entre o portão e a praia das furnas, mas desta vez não tivemos nenhum encontro com algum bicharoco.

O troço até à praia das furnas é em estradão pode fazer-se a bom ritmo e, chegados à praia das Furnas, aproveitou-se para observar a bonita Vila Nova de Milfontes da outra margem do rio e recuperar algum folego. Este troço são mais 2,5 quilómetros e termina com uma subida em alcatrão, que nos indica a saída da praia e nos leva até à entrada de novo trilho pela arriba da falésia. Os cerca de 10 quilómetros que nos separam de Almograve serão agora percorridos sempre em trilho junto à falésia. A principal surpresa foi a de que, excepção feita aos cerca de 500 metros do perímetro de rega do Mira, todo o restante percurso era bastante arenoso e com passagem por diversas dunas de areia, o que obviamente dificultava a progressão.

O perímetro de rega do Mira tem área enorme, mas o extremo onde passamos permite apenas vislumbrar uma área de mais ou menos 500m x 200m. Nesta altura estava apenas com relva e fazia lembrar três ou quatro campos de futebol lado a lado com uma relva verde e bonita. Como não havia placas para não pisar a relva, corri este troço muito bem por este manto verde e fofo .

rv_etapa2Entretanto surgiu a fome, e meti o meu “gel” de pão, queijo e presunto para refuel.

As paisagens ao longo da falésia são muito bonitas e quase sempre com o mar azul como pano de fundo. Mais uma vez avistam-se uma quantidade de praias enorme. Desde a Praia das Furnas contei pelo menos a Praia da Angra do Cozinhadouro, a Praia da Angra do Navio de Trigo, a Praia do Cavalo, a Praia do Brejo Largo, a Praia dos Picos, a Praia da Angra do Travesso, a Praia da Angra das Melancias e a Praia da Foz dos Ouriços, como dá para perceber há muito para descobrir ao longo do percurso.

Ao longo desta etapa cruzámo-nos com bastantes caminheiros, na sua maior parte estrangeiros, e pelo que percebemos de países francófonos. É uma pena os portugueses não terem estes hábitos de passear e desfrutar a natureza, ainda para mais com zonas tão bonitas, e muitas delas bem marcadas, para o fazer ao longo de todo o país.

A Praia da Foz dos Ouriços era a última praia antes da chega a Almograve. Nesta zona há duas rotas que partilham o mesmo percurso, a Vicentina que estávamos a fazer e outra de que não me recordo o nome. A Rota Vicentina segue um trilho um pouco mais longo que circunda Almograve, enquanto a outra rota segue um trilho mais directo para a vila. Seguimos o nosso percurso e eis que chegámos a Almograve.

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Nova paragem técnica, desta vez num dos cafés da vila, onde pudemos reencher os bidons, comer mais uma sandocha e beber uma jola fresquinha. Foi tempo também para pensar na questão logística de como regressar a Vila Nova de Milfontes, local onde tinha ficado o nosso carro, e nos 22 quilómetros que nos faltavam até à Zambujeira do Mar.

Mas estas histórias já vão ser num outro artigo.

A primeira parte desta aventura pela Rota Vicentina esta está disponível clicando aqui, e a história da etapa Porto Covo – Vila Nova de Milfontes está disponível clicando aqui.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Published byNuno Gião

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km… Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

2 Comments

  • Sílvio Horta

    23/07/2015 at 13:23 Responder

    Será a Rota dos Pescadores?

    • Nuno Gião

      23/07/2015 at 13:27 Responder

      É a Rota Vicentina, Trilho dos Pescadores 😉 Mas pode haver quem chame rota dos Pescadores 🙂

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