Guiador curvo e rodas fininhas

Guiador curvo e rodas fininhas

A minha primeira recordação com uma bicicleta de ciclismo leva-me a cerca de 40 anos atrás.

Recordo-me de olhar para ela, ficar enfeitiçado por aquele guiador curvo e pelas rodas fininhas e, ainda petiz, desejar pedala-la o mais depressa que conseguisse. Assim que o carrossel parava, enquanto outros miúdos preferiam os animais ou a chávenas que andavam à roda, eu corria para a bicicleta e, tal um Joaquim Agostinho de palmo e meio, pedalava o mais depressa que conseguia enquanto durava a volta do carrossel. Ao sair dizia timidamente à minha mãe: gostava de ter uma bicicleta daquelas…

Durante os tais cerca de 40 anos esse desejo de infância nunca se concretizou. Até tive algumas bicicletas durante esse período, mas nunca uma bicicleta de ciclismo.

Esse cenário alterou-se há umas semanas atrás.

Quis o infortúnio que esteja obrigado a não correr durante vários meses, a recuperar de uma fasceíte plantar tal como partilhei neste outro artigo. A actividade que o médico me autorizou a praticar para não esforçar o pé foi o ciclismo, não o BTT frisou bem, que no BTT têm de apoiar muito o pé no chão, ciclismo mesmo.

Conformado com a minha sorte, o desejo de ter uma bicicleta de guiador curvo e rodas fininhas que estava adormecido há muitos muitos anos voltou a surgir neste petiz, agora velhote, e sem pedir à mãe, lá fui desta vez comprar a bicicleta.

Adquirida a preciosidade era agora necessário dar-lhe uso, algo que não aconteceu durante duas ou três longas semanas, em que a chuva não deu tréguas e não era de todo aconselhável ir aprender a andar de bicicleta.

Entretanto acumulavam-se as semanas com pouco treino e a vontade enorme de fazer alguma coisa que se visse. E eis que me surge algures um anúncio sobre o Gran Fondo de Lisboa, a primeira edição desta prova, e um desafio de 144 Km que me pareceu, mesmo sem treino, muito tentador.

E lá me inscrevi para ir pedalar ao redor de Lisboa.

A forma era má, o treino era zero, a experiência era nenhuma, os receios eram muitos, mas lá me aventurei no Gran Fondo de Lisboa. A história está para breve.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Published byNuno Gião

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km... Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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