UTMB 2016 – O teaser

Partilho aqui o teaser oficial do UTMB® 2016.

Mais uma excelente apresentação que faz ferver o sangue ao pensar que o dia da partida está cada vez mais perto!

170 Km, 10000 metros de desnível positivo, corridos à volta do Monte Branco em França, Itália e Suíça, eis o UTMB.

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Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

No Curral das Freiras

MIUT 2015, Curral das Freiras, 13h20. O meu estado de espírito era de “so far so good”.

Estava tudo a correr mais ou menos de acordo com o previsto e podia agora sentar-me, descansar um pouco, comer e mudar de roupa, não necessariamente por esta ordem. Ia com 61 quilómetros nas pernas, pouco mais de metade da prova. Ia um pouco surpreendido com a facilidade que conseguia trepar todas as subidas e também um pouco surpreendido pelas dificuldades que as descidas me estavam a colocar.

Na descida da Encumeada para o Curral das Freiras começou uma dança com um casal de atletas, (ela madeirense, ele inglês), que iria durar até ao final da prova. Eles passavam-me sistematicamente a descer, eu passava-os sistematicamente a subir.

Uma das coisas que dá um boost extra durante estas provas longas, é ter presença da família ou amigos ao longo da prova.

No Curral das Freiras lá estavam a Isabel, o Ricardo, a Paula e a Andreia, para me presentearem com os seus sorrisos e palavras de motivação, a ajudarem-me na recolha do saco com a roupa lavada, irem buscar-me algo para comer, e oferecerem-me uma cerveja preta que me soube pela vida.

O boost estava recebido e era tempo de zarpar em direcção ao Pico Ruivo. Não havia mais tempo para ronhas.

Eram 14h30.

O Luís Fernandes estava a cruzar a meta no Machico.

Eu ainda tinha 54 quilómetros pela frente.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

A descida ao inferno

MIUT 2015, Estanquinhos, 7h00 da manhã. O meu estado de espirito era de satisfação. Afinal tinha chegado ao primeiro ponto de bloqueio da prova uma hora do previsto.

Mal sabia eu que iria começar ali, aquela que intimamente apelidei, “a descida ao inferno”.

Para vos enquadrar de novo no meu MIUT, recordo que estava algo condicionado num dos meus tornozelos, o que me impediu de treinar convenientemente para a prova e que à data da mesma, apesar de seguir relativamente tranquilo, não tinha a confiança necessária para abusar em movimentos de pés mais bruscos, o que invariavelmente me levou a cumprir todas as descidas com o máximo cuidado possível na tentativa de evitar qualquer imprevisto que obrigasse a abandonar a prova.

O troço é o Estanquinhos – Rosário. São pouco mais de 9 quilómetros sempre a descer com pouco mais de 1000 metros de desnível negativo.

7h00 da manhã e ainda é de noite. Assim que entro na descida percebi imediatamente que não ia ser fácil. Por um lado o solo era macio, parecia que convidava a uma descida rápida… Por outro lado estava muito húmido da cacimba matinal e de alguns aguaceiros nocturnos. Seria necessária prudência.

À medida que ia progredindo ia descobrindo novas “armadilhas”, ao melhor estilo de um jogo de arcada, em que a dificuldade vai aumentando com a nossa progressão.

Percebia agora que esta descida ia dar água pela barba. Seria necessária muita prudência.

Àquela hora a cor castanha do solo escondia muitas raízes e pedras de tonalidade que se confundiam com o solo, o que a juntar ao declive do terreno tornavam cada passo uma verdadeira aventura.

Frontal ajustado numa potência que me permitia ver o chão o melhor possível, bastões sempre à frente a apalpar terreno, descida muito controlada em passinhos pequenos (para não dizer pequeníssimos), e uma dose de concentração extra, focada apenas no solo que estava imediatamente à minha frente, foram a receita para chegar ao Rosário são e salvo.

Ainda assim não me livrei de três trambolhões, felizmente sem consequência, mas onde num deles ainda deslizei uns bons metros em “sku” pela serra abaixo.

Da paisagem em si não tenho memória, mas lembro-me perfeitamente quase de cada um dos novecentos mil centímetros desta descida. Lembro-me também de ser passado por muitos atletas e de passar outros tantos. Muitos foram atraiçoados pelo apelo à velocidade desta descida e acabaram por dar uns valentes trambolhões. Recordo-me perfeitamente de uma atleta que após uma queda não ficou em condições de prosseguir em prova.

A minha “descida ao inferno” demorou quase 1h50. Em condições normais, físicas, diurnas e atmosféricas, diria que era coisa para ser feita tranquilamente em menos de 1 hora.

Muita prudência é o que recomendo aos amigos que vão passar por lá daqui a uns dias.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Ai o MIUT…

Estamos a pouco mais de duas semanas para o início do Madeira Island Ultra Trail (MIUT).

Por esta altura começam a fervilhar posts e mais posts de muitos amigos que vão participar na edição deste ano, todos com a mesma esperança e ilusão de uma boa prestação na travessia da ilha.

O ano passado tive a oportunidade de participar e foi de facto uma das provas mais bonitas em que já participei.

Este ano não estava nos planos participar no MIUT, mas agora com tantos comentários, estou já também cheio de vontade para participar. Era do tipo vestir os calções e ir para a partida em Porto Moniz! Infelizmente tal não é possível, mas quem sabe em 2017 se não irei repetir a travessia.

Partilho convosco o vídeo oficial da prova do ano passado.

Recordo aqui o “meu momento” a caminho da partida. Fui de carro do Funchal para Porto Moniz, guiado pelo meu amigo Ricardo. A viagem foi longa, talvez uns 50 minutos entre estradas e túneis que serpenteavam ou atravessavam muitos montes e montanhas. A meio da viagem entrei em modo de introspecção. Recordo-me de apanharmos os autocarros com atletas que vinham de Machico para a partida. Enquanto os ultrapassávamos reconhecia muitos amigos com quem ia partilhar a partida e observa as dezenas de mochilas e de bastões que descansavam nas bagageiras do tecto do dos autocarros.

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Ao mesmo tempo conseguia vislumbrar algumas luzes no topo de um pico qualquer, olhava para os terrenos circundantes, para as inclinações, e pensava: estás bem lixado!!! (com “F”).

Entretanto chegamos a Porto Moniz. A noite estava fresquinha mas não fria. Estava perfeita para correr e como por magia entrei em modo MIUT. Foi só esperar pela hora da partida.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

UTMB® 2015 Le clip de la course

Mais um pequeno e excelente vídeo sobre o Ultra Trail Mont Blanc 2015.

Este não é de nenhuma equipa mas sim produzido por um dos patrocinadores do evento, os franceses i-run.fr.

Este vídeo vale sobretudo pela partilha das emoções…

A expectativa antes da partida, as ajudas preciosas nos abastecimentos, o explodir das emoções à chegada!…

Quase sub-liminarmente, deixa a dica de quanto tão bom pode ser trocar de ténis e de meias a meio do percurso.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

UTMB® 2015 – BUFF® PRO TEAM

Porque também é giro e para continuar a enervar mais um bocadinho o Filipe do blog Quarenta e Dois, partilho convosco mais um vídeo do UTMB® 2015, desta vez o da equipa de elite BUFF® PRO TEAM.

O vídeo vale mais uma vez pela partilha dos objectivos e expectativas dos atletas desta equipa, e novamente pelas paisagens espectaculares obtidas durante a prova.

Ensinamentos a retirar dos prós: 170Km são muitos quilómetros e é difícil de gerir. É preciso controlar bem a corrida e gerir o cansaço nas pernas.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!!

 

Dedicated: Sage Canaday at UTMB 2015

Este mês tem sido profícuo em apresentação de filmes de atletas do topo do pelotão na sua participação no UTMB 2015.

Partilho convosco este filme sobre o atleta profissional (curiosamente também americano) Sage Canaday, patrocinado pela Hoka One One, e que infelizmente não conseguiu chegar ao fim do UTMB 2015 por motivo de lesão.

Promoção e publicidade à parte, tiram-se algumas lições motivacionais sobre o que é participar no UTMB e, também, a importante lição de que por vezes é necessário saber quando parar e desistir.

A nossa saúde e integridade física deve ser sempre a nossa prioridade principal, mesmo que estejamos a meio caminho de concretizar um sonho ou objectivo de vida.

E claro, como em quase todos os filmes sobre o UTMB as paisagens e trilhos da prova são deslumbrantes de se ver.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

MONT BLANC | CCC UTMB® 2015

Partilho convosco o filme MONT BLANC | CCC UTMB® 2015, filme que mostra a epopeia da equipa de elite de Trail da Nike nas edições do UTMB e do CCC do ano passado.

O filme é relativamente interessante.

É um documentário comercial para promover a equipa da Nike e é um filme para americanos, uma vez que parte da premissa que os atletas americanos têm pouco sucesso nas montanhas europeias e esta equipa propôs-se a contrapor esse mito, apelando de certo modo ao orgulho americano. No final dois americanos terminaram nos primeiros dois lugares do CCC e um em terceiro lugar do UTMB, pelo que se pode dizer que o objectivo foi conseguido.

A perspectiva que mais me entusiasmou ao assistir a este filme foi, como não podia deixar de ser, a possibilidade de poder assistir aos testemunhos de três grandes atletas e perceber o que os motiva, a sua preparação e os seus medos. Objectivo, Respeito, Perseguição, Medo, Compromisso, Paciência e Coragem, foram os motes que estes atletas partilharam. No fundo não diferem muito dos valores que grande parte de nós, que corre nos trilhos, partilha também. A diferença principal está mesmo no ritmo e na equipa profissional que os acompanha.

Os americanos são peritos neste tipo de filmes/documentários e no final ficamos sempre com a sensação de que também podemos imitar estes feitos. Hoje estou cheio de vontade de terminar no pódio a edição do UTMB de 2016.

Assistam ao filme, promoção da Nike e orgulho americano à parte, apreciem e desfrutem um pouco do que é o Ultra Trail do Mont Blanc.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

2015 – O ano desportivo em revista

Fazendo uma retrospectiva do ano desportivo, 2015 foi um ano de altos e baixos, bem diferente do que tinha desejado no final de 2014. Sendo um optimista por natureza, tinha desejado um ano de 2015 cheio de conquistas épicas, à minha dimensão é claro, mas quis o destino que andasse o ano com as voltas trocadas.

Eram três os objectivos a realizar em 2015:

– O Madeira Island Ultra Trail – 115Km 6900m D+

– O Mitic Andorra Ultra Trail – 112Km 9700m D+

– O Ultra Trail Côte d’Azur Mercantour – 140Km 10000m D+.

Concretizei dois dos objectivos a que me propus, não da maneira tranquila que desejava no início do ano mas, fruto das circunstâncias, sempre em condições de forma física mínimas. O positivo é que foi um ano de grande aprendizagem, não só de conhecimento prático do Ultra Trail em si, mas também de um grande auto conhecimento, que de certeza vai tornar 2016 um ano bem mais tranquilo nos desafios em que irei participar.

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A Hora do Esquilo, é um dos treinos em que mais gosto de participar, mas em 2015 foi para esquecer. Em Fevereiro num dos treinos mais tranquilos do ano, fiz por lá uma lesão no tornozelo que condicionou toda a preparação para o MIUT e, em boa verdade, acabou por condicionar todo o ano desportivo. Consegui terminar o MIUT, mas este foi feito com um nível de concentração altíssimo, sempre com muito cuidado a ver onde punha os pés, sobretudo nas descidas, que passaram de meu ponto forte em 2014 para ponto fraco em 2015. É uma prova a repetir, não já em 2016, de uma beleza impar e com um percurso fantástico. Adorei.

Feito o MIUT, tentei preparar o melhor que pude o MITIC. Estava em condições um pouco melhores para o MITIC do que quando iniciei o MIUT, mas torci o tornozelo ao quilómetro 28, e faltando ainda 84 Km com pouco menos de 7000m de desnível positivo para fazer, decidi tomar a decisão de abandonar e não por em risco a minha integridade física. Abandonar um objectivo é uma decisão muito difícil de se tomar, mas tento ser o mais consciente possível e tomar as decisões que penso serem as mais correctas. Foi um momento duro, mas que me permitiu subir alguns níveis na minha cognição.

Daqui ao Mercantour foi um pulinho. Foi a prova mais dura em que participei. No total foram 155Km com 10000m D+, num percurso fantástico e muito bonito pelos cumes dos Alpes Marítimos, mas impróprio para tornozelos mais frágeis. Foi igualmente uma prova de grande aprendizagem e de superação, onde chegar ao fim foi uma alegria imensa.

Depois vieram os disparates. Tentei fazer os 112Km do UTAX para compensar o tornozelo torcido em Andorra, mas depois do Mercantour não treinei nem recuperei em condições, pelo que apesar de sentir que com mais ou menos dificuldade poderia chegar ao fim, decidi abandonar ao quilómetro 50.

Depois de umas semanas de recuperação, regresso aos treinos e à Hora do Esquilo, mas continuo com algum “mau-olhado” nestes treinos, e acabei por dar lá o meu primeiro trambolhão em 4 anos de corridas, que me condicionou de novo o físico para os treinos de corrida.

Acabei por completar o ano de treinos em bicicleta, onde acabei por embarcar em mais uma aventura e completar os 200 Km de Tróia a Sagres em bicicleta de BTT, uma “missão” preparada em pouco mais de três semanas e que me deu muito gosto em concretizar.

Em resumo, em 2015 corri quase menos 800 quilómetros que em 2014, sem nunca conseguir atingir uma forma física consistente como cheguei a atingir em 2014. Por outro lado adicionei cerca de 700 Km em bicicleta o que acabou por compensar um pouco.

Principais lições do ano: definir objectivos é muito importante, treinar convenientemente para os objectivos definidos é fundamental, e descansar e recuperar entre desafios é indispensável.

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Grato por me ter cruzado com pessoas fantásticas em todos estes desafios, e pelas horas de treinos passadas em Monsanto, em Sintra, na Serra da Estrela, nos Alpes, nos Pirenéus, com novos e antigos amigos. Grato pelo apoio prestado pelo IMT Instituto de Medicina Tradicional e pelo Kalorias Club de Linda-a-Velha que tornaram este ano difícil bem mais fácil de transpor.

Venha agora 2016, com novos desafios e novas superações.

Um bom ano para todos vós!

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Agradeço desde já a vossa participação.;)

Tróia – Sagres 2015

Há cerca de dois meses atrás decidi embarcar na aventura de fazer os 200 Km do evento Tróia – Sagres em bicicleta. Este é um evento não organizado em que participam alguns milhares de ciclistas e que é, talvez, um dos maiores eventos populares do ciclismo nacional.

Num evento em que participa uma massa tão grande de pessoas, porque considero que isto para mim é uma aventura? Por três factores simples:

  • Nunca fui ciclista e nunca tinha dado voltas maiores que talvez 10 a 15 Km;
  • Há cerca de 8 anos que não andava de bicicleta;
  • Não percebo nada de bicicletas e há dois meses atrás nem bicicleta tinha.

A meu favor tinha a consciência de que o kit de pernas é bom e a certeza de que não seria este que iria por em causa esta aventura.

Quando partilhei a ideia da participação no Tróia – Sagres o ruido foi o do costume, uns chamaram-me maluco, outros disseram que seria impossível, outros acharam piada e alguns até se quiseram juntar à aventura. Nos menos optimistas retive sobretudo as palavras sábias do Miguel Pisco, que me disse que esta ideia tinha tudo para correr menos bem, mas que me apontou vários caminhos para que pudesse mitigar a falta de experiencia nas duas rodas, os quais lhe agradeço e me foram bastante úteis para a aventura de ontem.

A cerca de um mês do evento, quis o destino que no passatempo de aniversário da Decathlon Portugal, fosse presenteado com uma bicicleta. Uma bicicleta de BTT de entrada de gama, com dois pedais e duas rodas, os requisitos mínimos para me lançar até Sagres. Se tivesse de baptizar esta bicicleta como muitos dos meus amigos fazem, teria de lhe chamar o “Chaço”. Não tenho a mínima dúvida de que tive de dar ao pedal muito mais do que outros companheiros de jornada com bicicletas um pouco melhores, já para não falar daqueles que têm máquinas todas artilhadas, que até parece que não precisam de ninguém a pedalar para voarem pelo alcatrão fora.

Tinha agora três semanas para treinar no “Chaço”, adaptar-me a passar algumas horas no selim da bicicleta e tentar treinar ritmos superiores a 20Km/h, porque o objectivo do Tróia – Sagres é também chegar a Sagres antes do sol-pôr. Nestas três semanas rolei 540Km e não tive dificuldades de adaptação ao Chaço. Fiz treinos mais longos, alguns em condições adversas, e tudo correu da melhor maneira, pelo que estava optimista para o dia de ontem.

O ponto de encontro para Tróia foi o parque de estacionamento do ferry em Setúbal, às 5h30 da manhã para apanhar o ferry das 6h15. Para facilitar a logística aderi ao grupo da Bike & Nutrition Shop, que organizou tudo para que a viagem de regresso e o apoio durante o evento corresse do melhor modo para todos os que se juntaram a esta organização.

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6h00 e foi a entrada para o ferry. Nunca tinha visto tantas bicicletas juntas. O pessoal estava animado e entusiasmado como em muitas outras provas de corrida em que já participei. Para variar há sempre amigos que não preparam em condições as suas participações e, ainda antes de tudo começar, cedi a camara de ar que levava para qualquer eventualidade a uma mente menos preparada. Valeu-lhe a sorte de estar num grupo de engenheiros/mecânicos que durante a travessia de Setúbal para Tróia desmontaram pneu, trocaram camara de ar e voltaram a montar tudo em condições. Todos se queixavam do frio da madrugada, mas eu não notei nenhuma diferença para os outros dias em que treino aquela hora, apesar de estar fresquinho para mim estava tudo normal.

A minha estratégia para esta aventura estava definida desde há dois meses atrás: sair de Tróia por volta das 7h e chegar a Sagres ante do sol-pôr, o que equivale a dizer entre as 17h00 e as 18h00, sendo que o autocarro de regresso a Setúbal sairia de Sagres às 18h30. Pareceu-me exequível e desde há dois meses quando partilhei esta ideia e foram vários os que se juntaram com a intenção de participar nestas condições, à medida que não foram treinando foram abandonando a ideia ou definindo outros objectivos, pelo que acabei, mais uma vez, por ficar com Nelson Marques para partilhar o percurso. Já no ferry a Marta e o Taboas juntaram-se a nós e manifestaram intenção de fazer um ritmo parecido ao meu objectivo, pelo que acabámos por arrancar os quatro.

A saída do ferry foi, mais uma vez, em ambiente de festa. Eram centenas ou milhares de bicicletas a rolar do ferry para a estrada, milhares de luzinha a piscar na escuridão da madrugada. Chegados à estrada era muita a confusão. Centenas de carros, muitas outras centenas de ciclistas, tudo pronto para pedalar em direcção a Sagres. Eram tantas pessoas e bicicletas, que falhámos a foto de grupo da Bike & Nutrition e por sorte não nos perdemos uns dos outros. Não havia tempo a perder, estava fresquinho e era começar a pedalar rumo a sul. Partimos.

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Os primeiros quilómetros queriam-se tranquilos, para aquecer as pernas e habituar o corpo a um ritmo que iria aumentar nas horas seguintes. A multidão que estava concentrada em Tróia ia partindo dispersa em grupos mais pequenos e com ritmos variáveis. Os milhares de luzinhas brancas e vermelhas a circular eram um espectáculo dentro do espectáculo. Ao fim de três quilómetros já se conseguia rolar tranquilamente sem receio de nos misturarmos noutro pelotão e o Taboas propôs seguirmos em fila indiana para facilitar a pedalada. A intenção foi boa, mas arrancou logo para ritmos na ordem dos 30Km/h e ninguém estava quente o suficiente para aguentar aquele ritmo apenas com três quilómetros nas pernas. Por outro lado também não me sentia confortável o suficiente para seguir tão colado na roda de outro ciclista, faltam-me ainda muitas horas de prática e claro uma bike que permita pedalar a esses ritmos e que dê mais confiança. Rapidamente o nosso mini pelotão de quatro ficou partido e após meia dúzia de quilómetros o Taboas recuou para rebocar a Marta e eu e o Nelson seguimos nos nosso ritmo. Pouco antes de chegarmos à Comporta o sol começava a despontar no horizonte. Foi uma viagem tranquila onde deu para desfrutar uma paisagem em locais onde só costumo passar de carro. Comporta, Pinheiro da Cruz, Melides, Santo André e Sines ficaram para trás e chegámos ao quilómetro 70, onde estaria o carro de apoio à nossa espera para a primeira paragem. Aqui encontrámos o Luis Parro que também seguia nesta aventura no grupo da Bike & Nutrition. Depois de 3 horas a pedalar estávamos com fome e aproveitei para comer uma banana, um pão com passas e nozes e, o meu doping habitual, a famosa sandes de presunto. Hidratos recarregados e toca a partir rumo à próxima paragem programada em Rogil ao quilometro 140.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
10:43:05 09:18:37 200.64 21.55 51.12 1,531.40
hours hours km km/h km/h meters

Partimos de novo em bom ritmo. Vários pelotões passavam por nós a ritmos alucinantes enquanto nós íamos rolando ao nosso ritmo, ora sozinhos ora extemporaneamente na companhia de pequenos grupos de outros ciclistas que seguiam num ritmo parecido ao nosso. Depois de passar Porto Covo dei conta de que tinha perdido o Nelson. Decidiu parar para beber café e outras necessidades e não me avisou, pelo que no meio de tantos ciclistas, todo o ruido do vento e da velocidade, é difícil perceber se quem vem atrás de nós fica para trás se não nos avisar. Entretanto apanho novamente o Parro, que tinha parado para reabastecer, e parei também para ver se o Nelson aparecia. Esperei uns minutos, passaram centenas de ciclistas e nem sinal dele. Arranquei com o Parro e seguimos os dois até Vila Nova de Mil Fontes, onde o Parro se atrasou um pouco na subida seguinte à ponte que atravessa o Rio Mira. Entretanto continuava preocupado com o desaparecimento do Nelson e à passagem do Almograve decidi parar para lhe ligar, estava no quilómetro 106. Entretanto passa o Parro e mandei-o seguir que já o apanhava. Sabendo agora que o Nelson estava 3 quilómetros atrás de mim, segui num ritmo mais moderado na esperança que ele recolasse. Foi então que cheguei ao fatídico quilómetro 109.

Seguia a rolar calmamente junto à berma da estrada, quando um pelotão com alguma dezena de ciclistas vai a passar a alta velocidade por mim. Num piscar de olhos, um dos ciclistas desse pelotão cai e gera-se o caos. Só tinha assistido a quedas destas na televisão e para ser sincero foi uma experiência brutal num sentido menos positivo. Tinha bem presentes as palavras do Pisco acerca da falta de experiência de rolar em pelotão, e por esse motivo tentei sempre seguir ou com o Nelson ou em pequenos grupos de 3 ou 4 ciclistas. Ia ali eu sozinho com os meus pensamentos e de repente vem um ciclista a rebolar no chão do meio da faixa de rodagem para a minha frente. O barulho das bicicletas no chão e do trambolhão de mais 3 ou 4 ciclistas que não conseguiram evitar a queda por cima do ciclista que caiu primeiro parecia um trovão a irromper o céu. Nem tive tempo de exclamar um FO..-… Num segundo tinha o ciclista à minha frente e apesar de travar violentamente e me desviar o mais que pude, acertei-lhe em cheio com a roda da frente no capacete. Nem percebi como consegui não cair também e felizmente ninguém mais veio para cima de mim. Isto pensei eu, porque o “Chaço” deve ter levado uma pancada bem forte que não percebi. O grupo em que seguia o ciclista acidentado ficou a cuidar dele, e depois de garantir que estava tudo controlado dei seguimento à minha jornada. Recoloco a corrente nos carretos, pedalo uns metros, e sou abordado por outro ciclista que tinha assistido a tudo a questionar-me se também tinha caído. Disse-lhe que não e ele relatou-me o que originou a queda e avisou-me que devia ter um problema na bike, pois ele vinha atrás de mim e antes do acidente a roda estava boa e agora estava toda empenada. Desta vez tive tempo para exclamar um Fo..-..! Desmonto o Chaço e constato efectivamente que a roda de trás estava agora em modo “bailarina” completamente empenada. Pior ainda verifico que a da frente estava em igual estado. Verifiquei que apesar do empeno as rodas não batiam nos travões e decidi prosseguir viagem.

Mais uns quilómetros rolados e constato que as mudanças também ficaram desafinadas e que os travões fazem agora uns barulhos esquisitos. O que até ali tinha sido um passeio requeria agora cuidados redobrados para chegar ao fim. Muitas vezes pensei se o Chaço se iria aguentar até Sagres, em cada descida que fazia pensava se os travões não iriam falhar ou se a corrente não iria saltar, mas o Chaço acabou por se portar bem e resistir como um bravo até ao fim. O que acabou mesmo foi o conforto. Se já não era muito, a partir do quilómetro 109 passei a sentir cada imperfeição da estrada nos braço e infelizmente os 90 quilómetros que faltavam eram talvez aqueles com pior piso. Cada 10 ou 15 quilómetros que andava, tinha agora de parar para descansar e relaxar braços e mãos que teimavam em ir ficando dormentes. Parava cinco minutos, ficava tudo ok e retomava a jornada.

Entretanto o Nelson apanha-me pouco antes da subida de Odeceixe. Aqui a falha da Bike & Nutrition que indicou que o carro de apoio estaria no quilómetro 140, antes desta subida, e erro meu que não validei que o Rogil era ao quilómetro 145 depois desta subida. Felizmente tinha a alimentação controlada e não houve stress para fazer esta subida. Bem, não houve quase stress, porque a meio da subida saltou a corrente e lá tive de parar para recolocar tudo no lugar e retomar a subida a meio, situação que seja de carro ou de bicicleta nunca é a melhor. Mais um esforço e lá avistamos o Rogil já ao quilómetro 145. Paramos e lá estava o Parro também a reabastecer. Se na paragem anterior chegámos com 1h30 de avanço, aqui chegámos com 1h00 de atraso. Ponto positivo para a Bike & Nutrition que esperou por nós. Entretanto avisaram-nos de que o Taboas e a Marta iriam abandonar e ficar pelo Rogil quando lá chegassem.

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O Parro sai, eu e o Nelson ainda reabastecemos e recuperamos mais um pouco mas saímos pouco depois. Passados uns metros vem o Parro em sentido contrário a dizer que estava com cãibras e que iria ficar por ali. Seguimos eu e o Nelson rumo a Sagres. Faltavam 50 quilómetros e já sentíamos que só um grande azar nos faria não chegar a Sagres ainda de dia. Desta vez o Nelson seguiu à frente e eu ia parando de 15 em 15 quilómetros para relaxar os braços. Também não tinha todas as mudanças e não conseguia rolar à velocidade máxima que o Chaço permitia, pelo que ia resignado ao meu destino e rolava conforme a bike deixava. Uma palavra de apreço para outros carros de apoio que esperavam pelos seus atletas e que me atestaram o bidon de água sempre que foi necessário. Passei Aljezur, a Carrapateira e a Vila do Bispo e alguns quilómetros à frente lá estava o Nelson à minha espera para seguirmos juntos até Sagres. Foi rolar até ao Posto de Turismo de Sagres e chagar ao fim feliz por mais uma aventura conquistada. Tiradas as fotos da praxe, ainda pedalámos até ao Parque de Campismo da Orbitur, para tomar um duche, comer uma bolonhesa que muito bem nos soube e onde a restante comitiva nos esperava para o regresso a Setúbal.

No total foram 200 quilómetros a pedalar em 9h18 (paragens não contabilizadas), numa experiência inolvidável e que será certamente para repetir.

Obrigado à Bike & Nutrition pela organização dos carros de apoio e pela viagem de regresso.

Uma bjoka especial para a Filipa Vilar que sofreu um acidente, infelizmente com algumas consequências físicas, mas que ainda assim prosseguiu estoicamente até Sagres. Votos de rápida recuperação Filipa.

E um agradecimento especial ao Kalorias de Linda-a-Velha e ao IMT Instituto de Medicina Tracional que proporcionam que afine a forma para concretizar com sucesso estes desafios.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

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Agradeço desde já a vossa participação. 😉