Amigos na Comrades 2016

A Comrades Marathon é uma das corridas mais famosas do mundo, e é a ultra maratona mais antiga de que há memória. Decorre todos os anos na África do Sul, com a distância de 87/89 quilómetros entre as cidades de Durban e Pietermaritzburg. Cada ano a corrida é num sentido diferente, sendo que este ano decorreu no sentido Pietermaritzburg – Durban que tem 89 quilómetros. A corrida no sentido Durban – Pietermaritzburg tem 87 quilómetros.

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Ontem, dois grandes amigos (o Bruno e o Joost) estiveram a correr esta prova, ambos com a ambição de ganhar a prestigiada medalha de prata, medalha atribuída a todos os atletas que terminam este desafio entre 6h00 e 7h30 de prova, e se há alguém com coragem, determinação, força de vontade e capacidade para atingir este objectivo, são estes dois atletas.

A título de curiosidade a distribuição das medalhas é a seguinte:

  • Medalha de Ouro para os primeiros 10 homens e mulheres;
  • Medalha Wally Hayward (centro em prata e anel exterior em ouro): da 11ªposição até às sub 6h00 de prova;
  • Medalha de Prata para os classificados entre 6h00 e 7h30 de prova;
  • Medalha Bill Rowan (centro em prata e anel exterior em bronze), para os classificados entre 7h30 até sub 9h00.
  • Medalha de Bronze para os classificados entre 9h00 e sub 11h00 de prova; e
  • Medalha Vic Clapham (cobre), para os classificados entre 11h00 e sub 12h00 de prova.

Desta vez quer o Bruno quer o Joost não conseguiram chegar à medalha de prata. O Joost por muito pouco, por apenas 11 segundos depois das 7h30. Apesar de só lhe vermos as costas, é perceptível na transmissão (a partir das 7h03m40) a frustração de ter falhado a prata por tão pouco.

O Bruno, apesar do excelente resultado, terminou com 7h54 e ficou um pouco mais longe da prata, mas não duvido que “teimoso” como ele é, não vá lá novamente para tentar concretizar esse sonho.

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Medalhas à parte, foi um excelente resultado quer para o Bruno quer para o Joost, pelo que estão ambos de parabéns!!!

Foi bravo o desafio que completaram.

Continuação de bons treinos e de boa aventuras!!!

 

De bazófia em bazófia até à Comrades

Desde que comecei nisto das corridas, muitas foram as pessoas que se cruzaram comigo e que deixaram/deixam marcas da sua passagem.

Uma delas é o meu amigo Bruno, que juntamente comigo, com o Vargas, e com o Perdigão nos auto intitulámos os Ai Cristo Cristo Vem Cá Abaixo Ver Isto.

O nosso ponto em comum foi a aplicação Micoach da Adidas. Foi através dos desafios que essa aplicação promovia que acabámos os quatro a competir virtualmente uns com os outros, que mais tarde promoveu o encontro pessoal e fomentou a amizade entre os quatro.

Dos quatro, o Vargas fartou-se de esperar que o Cristo viesse cá abaixo e foi lá acima para reclamar com Ele; o Perdigão que tinha a mania dos minimalistas 5 Fingers e era conhecido por “Carmelita” quase deixou de correr e agora é conhecido como OGQNC (o gajo que não corre), eu é o que vão lendo por este blogue, e o Bruno tinha (e continua a ter) a alcunha de “Bazófias”!

E Bazófias porquê? Porque quer ser sempre o primeiro, porque o “Mestre” é ele, porque se eu correr 100 Km ele vai correr 200 Km, e se eu correr 200 Km ele vai correr 500 Km!!!

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Brincadeiras à parte, de há uns tempos a esta parte, focou-se num objectivo que passava por corridas de estrada e em particular na distância da maratona, onde conseguiu com muito e bom trabalho entrar na casa das sub 2h59 de prova. Mais tarde decidiu ir correr uma das Ultra Maratonas de estrada mais lendárias do Mundo, a Comrades na África do Sul.

É esta a prova que ele vai fazer na próxima semana e para a qual eu lhe desejo a melhor das sortes e, tenho a certeza, que vai conseguir correr os 89 Km de prova dentro dos objectivos que definiu.

Como bom bazófias que é, não se podia limitar a partilhar esta aventura em Português numa qualquer rede social por aí. Está a fazê-lo em inglês no sítio do Micoach que foi o ponto de partida para tudo isto.

O primeiro artigo já está aqui, visitem que vale muito a pena ouvir o testemunho do Bruno (mais não seja para se rirem com as fotos dele no inicio de tudo com 85Kg e agora com 64Kg), e continuem a acompanhar os futuros artigos.

Olhando para todo o percurso realizado desde que nos encontrámos no Micoach há cinco anos atrás, concordo plenamente quando diz: “…I’m not longer the same person, not only in the outside but also deeply inside!”.

Boa sorte “Bazófias” e não te esqueças que o “Mestre” sou eu!!!

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

A última corrida

Há apenas uma corrida, onde por melhores atletas que sejamos, a derrota está assegurada. A corrida da vida, mais tarde ou mais cedo, verga-nos à sua vontade e a partida para o “outro lado” será sempre a nossa derrota.
É claro que cabe-nos a nós lutar por ir o mais longe possível nesta corrida contra o tempo, e ir vivendo nas melhores condições até onde a qualidade de vida nos permita desfrutar com qualidade todos os momentos e alegrias.

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Quis o destino que o meu amigo João Vargas cruza-se mais cedo a meta desta corrida. Uma corrida que não sabe a vitória, mas antes tem um sabor esquisito, assim como se alguém nos pregasse uma rasteira e fossemos obrigados a abandonar a prova.
Partilhámos muitos quilómetros, muitas conversas, muitas parvoíces e muitas coisas sérias, e muitos outros quilómetros, provas, conversas e parvoíces ficaram por partilhar.

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Onde quer que estejas Vargas, continua a contagiar todos com a tua alegria de viver e vamos continuar juntos contigo, a correr estradas, serras e montanhas por aí.

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Até sempre Vargas!!!

Até Sempre…

Começou o Tic Tax

O tic tax, como muitos comentam por aí, já começou que é como quem diz a contagem decrescente para o Ultra Trail Aldeias de Xisto.

Às 00h00 de Sábado lá estarei na partida para mais 112 quilómetros, assim consiga chegar ao fim sem problemas de maior. O objectivo é mesmo chegar ao fim dentro do tempo limite, não existindo de todo expectativas para a obtenção de um melhor resultado desportivo que não esse. Mesmo assim uma coisa é certa: não será fácil; quer pelo tipo de piso, quer pelas condições atmosféricas que se vão verificar, quer pela forma física actual, será tudo menos fácil, mas espero que os 112 Km e as paisagens fantásticas que vou cruzar, sejam feitos em modo de retiro espiritual, para relaxar, descontrair e ganhar já motivação para os desafios de 2016.

utax15Se calhar se fosse fazer uma massagem o resultado era o mesmo, mas correr 112 Km no meio da serra tem outro encanto!…

Vou correr com o dorsal 43 e podem seguir-me e aos outros atletas no Follow Me clicando aqui.

Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!

Serviços mínimos

O ano passado por esta altura, estava num nível de forma muito bom para mim, o que foi sustentado pelos resultados que obtive no Grande Trail Serra d’Arga, na Maratona do Porto e no Arrábida Ultra Trail. Este ano, fruto do azar de duas entorses num dos tornozelos, tenho feito bastantes quilómetros em treino, mas com bastantes quebras no plano de treinos e longe da intensidade que pretendia para continuar a melhorar os meus resultados. É neste cenário que olho para o lado e constato que grande parte dos meus amigos atletas está num momento de forma invejável.

Grande Trail Serra d'Arga

É vê-los a fazer tempos na casa da 1h30 na Meia Maratona das Lampas, é vê-los a percorrerem o Tor de Geants com grande nível, é vê-los aplicados nos treinos e a preparar os próximos desafios com grande intensidade, e é constatar que dificilmente conseguirei acompanhar o ritmo de quase todos eles nos desafios que se avizinham, o Grande Trail Serra d’Arga e o UTAX. 2015 tem sido um ano de serviços mínimos, simplesmente completar os desafios a que me propus. Resta continuar a treinar e esperar que 2016 me reserve melhor sorte no que diz respeito a lesões, para poder treinar com intensidade e continuar a melhorar os resultados.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Desta já te safaste…

Quem participa regularmente em provas de ultras distâncias, será sempre na minha opinião, alguém que tem uma força de vontade, capacidade de sofrimento e resiliência acima do considerado “normal”. Apesar destas qualidades, a maior parte das vezes, serem positivas no desenvolvimento pessoal, muitas vezes se conjuntas com cansaço físico, muitas horas sem dormir, e alguma teimosia, podem reunir um cocktail perfeito para as coisas correrem menos bem.

Congratulo o meu amigo Paulo Martins por se ter safado desta, uma desidratação forte e feia que lhe valeu 10 dias no hospital, no seguimento da sua participação no Ultra Trail Mont Blanc. Dentro do menos bom as coisas acabaram por correr bem, mas podia não ter sido assim. Espero que recupere totalmente depressa para podermos fazer mais uns treinos pela Arrábida.

PM

Quem corre em montanha, seja ela qual for, mais alta ou mais baixa, menos perigosa ou mais perigosa, com mais assistência ou menos assistência, terá de ter ser sempre uma grande dose de auto critica e de auto avaliação, e perceber quando se deve parar por estar a colocar outras coisas mais valiosas em risco como a nossa saúde ou mesmo a nossa vida. Não há corrida que valha isso.

E já agora nunca esquecer que não somos imortais, como em tempos escrevi aqui.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

II Summer Trail Camp – Dia 1

O primeiro dia do II Summer Trail Camp decorreu conforme o previsto. Estava planeado fazer um treino de cerca de 25 quilómetros, pelo que aproveitámos para seguir o track do trail curto do Estrela Grande Trail organizado pelo Armando Teixeira, que seguia em grande parte a Rota do Carvão e cumpria os requisitos que pretendíamos.

Fomos cinco os que efectuámos este treino, que teve início em Manteigas e começou logo com a famosa subida às Penhas Douradas, onde subimos 750 metros em pouco mais de 6 quilómetros. Seguimos por um trilho muito bonito e verdejante até à Represa de Vale do Rossim que circundámos e, onde aproveitámos para reabastecer aos 11 quilómetros de treino. O dia estava quente, o sol brilhava lá no alto, e esta pausa técnica para reabastecer soube bem. Desfrutar, ainda que por poucos minutos, do espelho de água de Vale do Rossim é sempre de uma satisfação imensa. Seguimos em direcção à Nave Mestra por um trilho inóspito, com muito vegetação rasteira e seca, e algumas subidas e descidas pelos barrocos do maciço central da Serra da Estrela, o que deu alguma emoção ao percurso.

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Represa do Vale do Rossim

A Nave da Mestra encontra-se num local isolado da Serra da Estrela a cerca de 1650 metros de altitude. É apenas acessível pé e é dominado por um colossal bloco granítico. Reza a história, que apaixonado pelo local, um juiz de Manteigas mandou construir na base do grande bloco granítico, em 1910, uma pequena casa de férias. A sua construção foi concretizada pela mão-de-obra vinda de Manteigas em cima de mulas por um caminho que ainda hoje existe, ajudada por macacos hidráulicos utilizados para levantar as gigantes pedras, incluindo aquela que faz de telhado à casa. Esta obra é comprovada pela inscrição que ainda se pode ler na construção principal por cima da porta, “Dr. J.Matos – Barca Hirminius – 1910”.

Nave Mestra

Íamos com cerca de 16 quilómetros de treino e foi aqui que alterámos o rumo do nosso treino, agora novamente em direcção a Manteigas. Tal como até à Nave Mestra, seguimos por um trilho de vegetação rasteira, até chegarmos a uma descida técnica e bastante inclinada que deu muita adrenalina a fazer. Este era o primeiro dia do II Summer Trail Camp e não devíamos abusar, pelo que o ritmo da descida foi “moderado” a poupar para os dias seguintes, mas imagino o pessoal no EGT a fazer esta descida a “abrir”, deve ter sido brutal! Por aqui já conseguíamos desfrutar a paisagem do Vale Glaciar do Zêzere e de alguns pontos já avistávamos Manteigas. Terminada esta descida, corremos mais umas centenas de metros, e somos brindados com outra descida acentuada, bastante técnica pelo meio de barrocos, pinhas e caruma, que acabou por nos levar ao Vale Glaciar a caminho de Manteigas, onde terminámos o nosso treino.

Os 5 Magníficos

 

 

Em resumo foram 27,6 quilómetros neste primeiro dia, com pouco mais de 3000 metros de desnível acumulado, que foram percorridos em ritmo moderado em cerca de 4 horas. Para os curiosos o percurso efectuado neste primeiro dia está disponível clicando aqui.

Um obrigado especial ao Bruno, ao Rui, à Fátima e à Nia, por terem contribuído com energia para este empeno.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

II Summer Trail Camp – O início

A ideia do Summer Trail Camp surgiu o ano passado, com a minha necessidade de treinar com maiores desníveis em montanha antes dos desafios que pretendia concluir com sucesso, nomeadamente o Grande Trail Serra d’Arga e o Arrábida Ultra Trail. O desafio foi colocado à última hora, e em 2014 fomos apenas dois a realizar o Summer Trail Camp. Este ano, apesar de ter sido eu o único a completar os pouco mais de 188 Km de treinos na semana do Summer Trail Camp, foram 18 os participantes que em um ou mais dias passaram pelos treinos do Trail Camp, um aumento de 900% face a 2014.

A edição deste ano teve novamente base no Skiparque, que reúne todas as condições para uma semana de treinos em montanha, conjuntamente com muita descontracção, ar puro, praia e boa onda entre amigos. A semana ficou igualmente marcada pelos fogos no Parque Natural da Serra da Estrela, que apesar de se encontrarem longe do Skiparque e nunca nos terem colocado em risco de segurança, acabaram por limitar alguns dos percursos que tinha inicialmente definido, acabando apenas por fazer uma subida à Torre em vez das duas programadas. Mas, quando se está preparado para reagir a estes imprevistos, tudo acontece naturalmente e o Summer Trail Camp acabou por contemplar na mesma cerca de 188 quilómetros de treino e 19000 metros de desnível acumulado, tendo sido uma semana de treinos muito importante, para mim e para outros participantes, na preparação para os desafios que se avizinham.

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Foi interessante constatar, que para além do grupo do Summer Trail Camp passaram pelo Skiparque pelo menos mais 3 grupos de pessoal que foi treinar para os trilhos da Serra da Estrela, aproveitando assim alguns dos bonitos recursos naturais que o nosso país tem para dar.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

A primeira decisão para a época de 2016

Está tomada a primeira decisão para a época 2016 que, a bem da verdade, é a segunda.

Trocando por miúdos, o objectivo principal para 2015 seria a participação no Ultra Trail Mont Blanc. Tendo um azar natural em tudo o que não depende do mérito próprio e passa antes por jogos de sorte ou azar como são os sorteios, “naturalmente” não fui sorteado para participar na edição de 2015.

Este passou a ser o objectivo para a época desportiva de 2016, ir correr e desfrutar da mais mítica prova de Ultra Trail do mundo. Pelas regras definidas no regulamento do UTMB, terei no sorteio de 2016, o dobro das probabilidades de ser sorteado relativamente a 2015, na prática é como se tivesse dois bilhetes de lotaria no sorteio em vez de apenas um. No entanto creio que a minha falta de fortuna nestas coisas tem uma forte possibilidade de se continuar a manifestar e que o UTMB ficará lá para 2017, onde caso não tenha sorte no sorteio de 2016, terei entrada directa (isto se até lá não mudarem as regras).

AUT_CompedrosaEsta lenga-lenga toda para chegar à partilha convosco, de que caso a falta de sorte se continue a manifestar para o UTMB, já decidi que em 2016 irei repetir o Andorra Ultra Trail, não no Mitic Ultra Trail, mas desta vez nas 100 milhas mais duras da Europa na Ronda del Cims.

Esta descrição do João Mota (clicar aqui para ler o texto) ilustra excelentemente o que é a Ronda del Cims.

É um desafio brutal e só não é do outro mundo porque é mesmo ali em Andorra.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Uma manhã pelos trilhos de Lousa

Nota mental: evitar fazer treinos intensos de Cross Ramp na véspera de uma corrida de trilhos.

Como já tinha referido aqui, este Domingo tive oportunidade de participar no I Trail Lousa – Capital do Queijo Fresco. A organização prometia 23 quilómetros de trilhos, com início e fim da prova em Lousa, e num constante sobe e desce que resultavam em cerca de 1000 metros de desnível positivo.

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Antes da partida com os amigos Salamandrecos

Lousa é uma freguesia do concelho de Loures pelo que fica aqui à porta de casa, e conhecendo já alguns trilhos para aquelas bandas como os que corri no Trail Run Socorro e Archeira, na realidade nunca tinha corrido por Lousa e arredores.

Num fim-de-semana em que existiram 17 (ou mais) provas de Trail Running de norte a sul do país, foi com alguma curiosidade que me cheguei a Lousa para levantar o meu dorsal e perceber a dimensão do pelotão desta prova. Não tendo números oficiais, diria que estariam cerca de 80 participantes para a prova de 23 Km, o que não considero mau para um fim-de-semana com tantas alternativas.

A prova teve o seu início religiosamente à hora anunciada, 9h30, o que considero um ponto a favor, tal é a raridade com que isto se verifica na generalidade das provas.

Saímos de Lousa com um ligeira subida, que serviu de aquecimento para um single track de cerca de 1 quilómetro e 200m de desnível positivo que apareceu logo de seguida. O trilho não estava muito aberto o que me originou alguns arranhões sobretudo nos membros superiores. Ou isso ou sou eu que sou grande demais para este troço do percurso. Como é habitual nos single tracks há sempre alguma acumulação de atletas em algum ponto e, como as ultrapassagens são difíceis, acaba por se perder algum tempo atrás de outros atletas mais lentos a subir. Foi o que aconteceu aqui também, mas sem grande stress porque o objectivo para mim era rolar e divertir-me a fazer mais uns quilómetros. Conquistada a primeira subida, foi altura de começar a descer num troço de 1,5 quilómetros. O tornozelo estava a portar-se bem e desci em modo teste, já com alguma velocidade e arriscando um pouco mais que nas últimas semanas de treinos. Era o último de um comboio de meia dúzia de atletas que desciam com este ritmo interessante, e ia mais concentrado no meu tornozelo e satisfeito por estar a correr bem, que me esqueci e não cumpri uma das minhas regras das corridas de trail: Nunca assumir que os atletas que vão à minha frente sabem para onde vão. Como resultado, que ia à frente deste grupo não viu as fitas para mudar de direcção, e lá continuamos a descer mais uns 150 metros do que o previsto, o que resultou numa subida de mais 150 metros que o previsto. Íamos aqui com cerca de 5 quilómetros de prova, e numa subida ligeira até ao moinho e num movimento mais brusco, o tornozelo resolveu dar o primeiro sinal da sua existência.

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A chegada à meta

Foi o sinal para acalmar o ritmo e rolar nas calmas para não virem a existir danos colaterais. E assim foi, sentia as pernas pesadas do treino de Sábado, mas sentia-me bem e poderia puxar se fosse necessário, mas deixei apenas os quilómetros rolarem sob as pernas. Mais uma subida e descida até aos 7 quilómetros e depois foi descer até aos 10 onde se encontrava um dos três pontos de abastecimentos da prova. Seguiu-se uma subida de 2,5 quilómetros e mesmo no topo da subida o tornozelo resolveu apitar outra vez. Nem ia a subir depressa mas se o corpo manda, lá tive de me conter novamente. Uma ligeira descida e uma nova subida em pedra e rocha até ao ponto mais alto de toda a prova, e as principais dificuldades da prova estavam ultrapassadas. Faltavam cerca de 8 quilómetros até à meta e foi rolar nas calmas, ainda com mais algumas subidas e descidas. No final foram 2h56 de prova, num ritmo suave e sem esforçar muito o tornozelo. Para quem gosta de cuscar estas coisas, cliquem aqui para ver o percurso e perfil da prova.

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No recovery com as campeãs Sofia e Goreti 🙂

À chegada esperava aos atletas um autêntico repasto, pelo menos para quem gosta de queijo! Queijo fresco, requeijão, outras qualidades de queijo de que não sei o nome, doce de abóbora, doce de morango, pão fresquinho, vinho branco… Um autêntico festim que repôs em excesso as calorias perdidas durante a prova. Mas que soube bem soube.

Em resumo foi uma prova bem organizada, com trilhos bons para correr e paisagens muito bonitas, marcações do percurso que não deixavam dúvidas e uma festa final muito bem conseguida. A promoção a Lousa e à sua indústria do queijo foi muito bem conseguida. Se faltaram este ano, a não perder na segunda edição. Um obrigado ao IMT – Instituto de Medicina Tradicional e ao Kalorias Linda-a-Velha por mais um apoio à participação nesta prova.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!