Everest base camp

Everest base camp. As longas horas para aqui chegar manifestam-se na tensão acumulada em cada milímetro de músculo. Os 30 minutos de voo de Kathmandu para Lukla são uma verdadeira aventura, sobretudo aterrar naquele minúsculo aeroporto rodeado de nepaleses, mas nada comparado com os 6 dias de viagem a pé de Lukla até aqui. 6 dias necessários para o corpo se habituar a respirar acima dos 5000 metros de altitude e também para descobrir e visitar muitas aldeias nepalesas a caminho do acampamento.

Tengboche-Monastery
Mosteiro em Tengboche

O Mosteiro Budista em Tengboche e o Mosteiro em Pangboche que expõe o escalpe de um Yeti, foram algumas das paragens obrigatórias nesta viagem de 62 Km até ao acampamento. A hospitalidade e as inúmeras histórias que os Sherpas têm nos contar atenuam todas as dificuldades ao longo do percurso.

pangboche
Pangboche

Agora nos 5360 metros de altitude, é tempo de recuperar energias, sentir o cheiro da montanha, e desfrutar todas as paisagens inigualáveis que o Evereste e os Himalaias proporcionam. Afinal a aventura da Maratona do Evereste ainda está para começar…

Himalaias
Himalaias

Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!

Ainda o Andorra Ultra Trail

Um dos Portugueses que participou na Andorra Ultra Trail, mais precisamente nos 170 quilometros da Ronda del Cims, foi o meu amigo e Capitão de equipa na aventura solidária Toca a Todos: João Colaço.

Este ano foi o melhor português ao terminar a Ronda del Cims na 19º posição, mas ainda assim o final teve um trago ligeiramente amargo pela falta de fairplay de dois outros atletas, que aproveitaram um erro do João para o passarem mesmo no fim da prova. O “espírito do trail” contradiz de todo este tipo de atitudes, mas sendo o Trail Running uma disciplina cada vez mais competitiva e com um número de praticante a crescer enormemente todos os dias, não me espanta nada que o “espírito do trail” comece cada vez mais a rarear por esses trilhos fora.

Fica aqui o testemunho do João Colaço ao Jornal de Leiria.

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NOTA: Imagem retirada do facebook do João Colaço, com o artigo publicado no Jornal de Leiria

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Quem não vê caras não vê corações

Quem não vê caras não vê corações, e vem isto a propósito da descrição do João Mota da subida para o pico de Comapedrosa no Andorra Ultra Trail (a tal que dava direito ao peso em canja de galinha para o atleta mais rápido a subir). Diz ele a certo momento:

“Seriam 2kms e 1000 mts de desnível positivo. Brutalidade pura.

Do outro lado da montanha esperava-me uma dura e inclinada descida sempre serpenteando pela montanha.

A subida inicia-se num caminho com ervas e acentua-se progressivamente até entrar em pedra solta mas pesada. Muito rugoso, os cuidados tem que ser redobrados. A subida demora precisamente duas horas para fazer estes dois quilómetros.

Sempre, Sempre, Sempre a subir em direção ao Céu.”

(Podem ler o texto completo do João Mota acerca da sua participação na Ronda del Cims, clicando aqui.)

No meu caso particular até demorei um pouco menos de duas horas para completar a subida, mas também ainda não tinha 44 km nas pernas. Na minha prova a subida para o pico de Comapedrosa iniciava aos 15 km.

Curiosamente confesso que não me custou muito esta subida. Ou melhor, custar custou, mas tive duas grandes vantagens face ao João Mota:

1 – Não fui visitar esta “parede” antes da prova;

2 – Fiz esta parte do percurso durante a noite enquanto ele a fez durante o dia.

Comapedrosa
O trilho que fizemos (a laranja) de Pla de L’Estany ao Pico Comapedrosa. Para quê ir dar a volta se podemos ir a direito?… 🙂

O que “ganhei” eu com isso? Não tive o impacto visual de olhar “lá para cima” e ver uma parede interminável para subir.

E pode parecer que não, mas este aspecto meramente psicológico pode fazer alguma diferença na motivação de chegar lá acima. No meu caso sabia que o trilho era sempre a subir e subi, bem podia olhar para cima que apenas via, aqui e ali, umas luzinhas dos frontais de outros atletas. Não tinha de todo a noção da inclinação ou do trilho que havia para subir. A luz do frontal e a inclinação da subida limitavam o meu raio de visão a poucos metros à minha frente, e assim subi até ao topo do pico Comapedrosa, sem grandes expectativas nem preocupações, para o bem e para o mal.

Quem não vê caras não vê corações ou, neste caso, quem não vê trilhos não vê inclinações.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Mais vale tarde que nunca…

Há uns dias escrevi por aqui que ainda estava de ressaca da minha participação no Andorra Ultra Trail.
Pois bem, é agora oficial que a ressaca acabou. Durou umas semanas valentes é certo, mas já passou.
Esta foi a minha primeira desistência em prova e, na realidade, apesar de me preparar psicologicamente para todos os cenários possíveis durante uma corrida, penso que não estava preparado para ter de desistir. Parece-me que desistir é mais penoso para um comum atleta de pelotão como eu, que vou correr pelo simples prazer de correr, pelo desafio de me superar a cada quilómetro, de conhecer novos lugares e novas pessoas, usufruir de estímulos fantásticos em percursos e paisagens mágicas completamente novas para mim, do que para um profissional que poderá encarar estes desafios como mais uma prova e mais uns quilómetros para o seu meio de subsistência.

É oficial: ressaca curada. Venha o Ultra Trail Cote d’Azur Mercantour

Depois de mais uma consulta no IMT – Instituto de Medicina Tradicional e com a garantia que está tudo no sítio, já regressei aos treinos devagarinho e com muita tranquilidade, mas em contagem decrescente a pensar no próximo desafio que terá início daqui a 53 dias, o Ultra Trail Cote d’Azur Mercantour.
É tempo de treinar com calma e aproveitar o verão, e tentar chegar na máxima forma em Setembro para este desafio.
Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Partida com ópera e fogo de artificio

A partida de todas as provas é sempre para mim um momento muito especial. Seja pelo nervoso miudinho (caso exista) que se dissipa naquele momento, seja pela espectacularidade que algumas delas apresentam.

A partida do Mitic Andorra Ultra Trail faz-se ao som de ópera, entre outras a Carmina Burana do Carl Orff, e de fogo de artificio, tendo sido um momento muito espectacular para mim. Um verdadeiro espectáculo dentro do espectáculo.

A partida da Ronda del Cims foi assim e a Mitic foi muito parecida só que de noite:

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Em Ordino respirou-se Trail

A base do Andorra Ultra Trail foi a cidade de Ordino. Durante quatro dias respirou-se trail, trail e mais trail por estas paragens. Só depois de lá ter chegado me apercebi que esta seria a minha estreia fora de Portugal em provas de Trail. Já corri algumas maratonas de estrada no estrangeiro, mas trilhos foi de facto a primeira prova. A envolvência de toda a cidade no Andorra Ultra Trail, em particular nos arredores da Igreja de Sant Corneli e Sant Cebrià – local de partida e chegada de todas as provas, foi de facto uma coisa fora do comum, em particular se considerarmos a falta de entusiasmo dos portugueses em geral para este tipo de eventos desportivos cá pelo burgo.

Outra coisa que me impressionou foi o perfil dos atletas ali presentes. Durante quatro dias desfilaram-se t-shirts de finisher de todas as cores e feitios, das mais diversas provas de Ultra Trail por esse mundo fora, arriscar-me-ia a dizer, cada uma mais difícil (e mais interessante) do que a outra. Não diria que todos tinham um ar de pró, mas todos eles aparentavam uma invejável forma física, ou pelo menos de corredor de ultra distâncias.

IMG_20150625_171829Durante três dias estive mesmo convencido que era o tipo mais gordo que estava em Andorra para participar no Ultra Trail. Não fosse a casualidade de ter desistido da prova e ter passado muitas horas na zona da meta à espera dos amigos que por lá andavam também, e não teria tido a oportunidade de assistir à chegada de um atleta bem mais gordinho que eu. Ainda assim, não abona muito a meu favor ser o segundo mais “forte” a correr no Andorra Ultra Trail, pelo que para o ano espero chegar lá em bem melhor forma para a vingança nos Pirenéus.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Não me estou a ver ali umas 40 horas a correr

A prova principal do Andorra Ultra Trail é a famosa Ronda Del Cims, corrida de 170 Km com 13000 metros de desnível positivo, considerada a mais dura corrida de 100 milhas da Europa.

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O grande campeão Armando Teixeira

Nela participaram alguns atletas portugueses, entre os quais o Armando Teixeira que em 2014 terminou a Ronda Del Cims em segundo lugar, o que consequentemente gerou alguma expectativa entre os amantes da modalidade acerca da sua participação na edição deste ano.

Infelizmente este ano não conseguiu repetir o feito, tendo abandonado a prova aos 60 km do percurso.

Já em Andorra junto à meta, tive oportunidade de conversar com ele e questioná-lo se se tinha lesionado ou tinha ocorrido algum azar que o tivesse levado a desistir, ao que me respondeu com a maior das naturalidades: “Está tudo bem, não me sentia nos meus dias e não me estava a ver ali umas 40 horas a correr”.

É esta a “pequena” diferença entre os atletas de topo como o Armando e os atletas de pelotão como eu, que se concluísse a prova de 112 Km e 9700m D+ em menos de 40 horas já ficaria satisfeito.

Resta acrescentar que o primeiro classificado terminou os 170Km com 13000m D+ em 31:08:58 e o último classificado terminou em 64:39:08. O tempo médio para conclusão da prova dos 162 finishers deste ano foi de 51:35:14.

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João Mota e João Colaço na sombra dos Japoneses 🙂

O primeiro português a cruzar a meta da Ronda del Cims de 2015 foi o João Colaço, na 19ª posição, com o tempo de 40:29:38. O João Mota com quem tive oportunidade de fazer a viagem para esta aventura, concluiu num brilhante 54º lugar, com 48:53:58 de prova.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ressaca do Mitic Andorra Ultra Trail

Ainda estou a ressacar da minha participação no Mitic Andorra Ultra Trail.

Quilometro 28, uma descida algo traiçoeira na encosta de um vale, numa espécie de single track aberto por entre um pasto de relva alta, verde e húmida, fez-me pensar: “é preciso ter cuidado neste troço que é mesmo propício para escorregar e mandar um tralho”. Ora devo ter corrido uns 20 metros após este pensamento e o pé direito escorrega na relva fresquinha. Com a perna esquerda tentei equilibrar-me e evitar uma queda certa, e nesta tentativa infrutífera coloco mal o pé no chão e torço o tornozelo esquerdo. Enquanto isto continuo a voar sentado, numa espécie de triplo salto que faria inveja ao Nélson Évora. Quando chego com o rabo ao chão percebi que a minha corrida tinha terminado ali. Correr ou mesmo caminhar com um tornozelo em mau estado pelos 84 quilómetros que ainda faltavam, seria um esforço e um sofrimento desnecessários, que apenas serviriam para tentar terminar (sem garantia de que o conseguisse) esta prova, sem me estar a divertir e a desfrutar todo o percurso como gosto. Foi uma decisão difícil mas acertada. Ainda saí do ponto de controlo dos 31 quilómetros, (onde abandonei a prova), em direção ao ponto de controlo seguinte aos 44 quilómetros, mas após caminhar 500 metros percebi, sem dúvidas, de que não valia a pena continuar assim.

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O percurso do Mitic Andorra Ultra Trail

Acabei assim completando apenas 31 quilómetros e 3300 metros de desnível positivo do Mitic Andorra Ultra Trail.

Pontos positivos:

  • Toda a envolvência da prova
  • A organização de alto nível
  • A experiência de correr em alta montanha e aprender os seus efeitos
  • A subida ao pico de Comapedrosa a 3000m de altitude.

Agora é tempo de recuperar e começar a preparar a próxima prova: os 141 Km do Ultra-Trail Côte d’Azur Mercantour.

Até lá ainda irei escrever algumas coisas sobre o Andorra Ultra Trail, que é sem dúvida uma prova espectacular, e onde para o ano irei de novo participar para vingar o insucesso deste ano.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Mitic Andorra Ultra Trail Here We Go!

Faltam pouco mais de 3 horas para o início do Mitic Andorra Ultra Trail

Vou correr com o dorsal número 1211 e podem seguir a minha prova online clicando aqui.

Podem também acompanhar as actualizações automática no facebook e tweeter no meu perfil ou com a hashtag #AndorraUT

A minha cábula para esta prova será esta:

MITIC

Agora é descansar e relaxar estas últimas horas antes da prova.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Destination Andorra

Estes últimos dias têm sido particularmente viajados: Lisboa – Roma – Palermo – Roma – Lisboa – Porto – Lisboa – Madrid – Lisboa – Andorra.

Muitas viagens implicam logo um cansaço extra de tanta movimentação fora da rotina habitual. A somar a isso os treinos acabam por ser deficientes face ao inicialmente previsto no plano de treinos, e a alimentação é também pior, uma vez que fora de casa, pelo menos eu, acabo sempre cometendo alguns excessos gastronómicos.

Chegado ao destino final, resta agora dar o meu melhor e divertir-me ao máximo nesta uma aventura gigantesca que vai ser o Ultra Trail de Andorra.

Wish me luck!

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!