2015 – O ano desportivo em revista

Fazendo uma retrospectiva do ano desportivo, 2015 foi um ano de altos e baixos, bem diferente do que tinha desejado no final de 2014. Sendo um optimista por natureza, tinha desejado um ano de 2015 cheio de conquistas épicas, à minha dimensão é claro, mas quis o destino que andasse o ano com as voltas trocadas.

Eram três os objectivos a realizar em 2015:

– O Madeira Island Ultra Trail – 115Km 6900m D+

– O Mitic Andorra Ultra Trail – 112Km 9700m D+

– O Ultra Trail Côte d’Azur Mercantour – 140Km 10000m D+.

Concretizei dois dos objectivos a que me propus, não da maneira tranquila que desejava no início do ano mas, fruto das circunstâncias, sempre em condições de forma física mínimas. O positivo é que foi um ano de grande aprendizagem, não só de conhecimento prático do Ultra Trail em si, mas também de um grande auto conhecimento, que de certeza vai tornar 2016 um ano bem mais tranquilo nos desafios em que irei participar.

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A Hora do Esquilo, é um dos treinos em que mais gosto de participar, mas em 2015 foi para esquecer. Em Fevereiro num dos treinos mais tranquilos do ano, fiz por lá uma lesão no tornozelo que condicionou toda a preparação para o MIUT e, em boa verdade, acabou por condicionar todo o ano desportivo. Consegui terminar o MIUT, mas este foi feito com um nível de concentração altíssimo, sempre com muito cuidado a ver onde punha os pés, sobretudo nas descidas, que passaram de meu ponto forte em 2014 para ponto fraco em 2015. É uma prova a repetir, não já em 2016, de uma beleza impar e com um percurso fantástico. Adorei.

Feito o MIUT, tentei preparar o melhor que pude o MITIC. Estava em condições um pouco melhores para o MITIC do que quando iniciei o MIUT, mas torci o tornozelo ao quilómetro 28, e faltando ainda 84 Km com pouco menos de 7000m de desnível positivo para fazer, decidi tomar a decisão de abandonar e não por em risco a minha integridade física. Abandonar um objectivo é uma decisão muito difícil de se tomar, mas tento ser o mais consciente possível e tomar as decisões que penso serem as mais correctas. Foi um momento duro, mas que me permitiu subir alguns níveis na minha cognição.

Daqui ao Mercantour foi um pulinho. Foi a prova mais dura em que participei. No total foram 155Km com 10000m D+, num percurso fantástico e muito bonito pelos cumes dos Alpes Marítimos, mas impróprio para tornozelos mais frágeis. Foi igualmente uma prova de grande aprendizagem e de superação, onde chegar ao fim foi uma alegria imensa.

Depois vieram os disparates. Tentei fazer os 112Km do UTAX para compensar o tornozelo torcido em Andorra, mas depois do Mercantour não treinei nem recuperei em condições, pelo que apesar de sentir que com mais ou menos dificuldade poderia chegar ao fim, decidi abandonar ao quilómetro 50.

Depois de umas semanas de recuperação, regresso aos treinos e à Hora do Esquilo, mas continuo com algum “mau-olhado” nestes treinos, e acabei por dar lá o meu primeiro trambolhão em 4 anos de corridas, que me condicionou de novo o físico para os treinos de corrida.

Acabei por completar o ano de treinos em bicicleta, onde acabei por embarcar em mais uma aventura e completar os 200 Km de Tróia a Sagres em bicicleta de BTT, uma “missão” preparada em pouco mais de três semanas e que me deu muito gosto em concretizar.

Em resumo, em 2015 corri quase menos 800 quilómetros que em 2014, sem nunca conseguir atingir uma forma física consistente como cheguei a atingir em 2014. Por outro lado adicionei cerca de 700 Km em bicicleta o que acabou por compensar um pouco.

Principais lições do ano: definir objectivos é muito importante, treinar convenientemente para os objectivos definidos é fundamental, e descansar e recuperar entre desafios é indispensável.

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Grato por me ter cruzado com pessoas fantásticas em todos estes desafios, e pelas horas de treinos passadas em Monsanto, em Sintra, na Serra da Estrela, nos Alpes, nos Pirenéus, com novos e antigos amigos. Grato pelo apoio prestado pelo IMT Instituto de Medicina Tradicional e pelo Kalorias Club de Linda-a-Velha que tornaram este ano difícil bem mais fácil de transpor.

Venha agora 2016, com novos desafios e novas superações.

Um bom ano para todos vós!

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Se ainda não votaram no RunUltra Blogger Awards 2016 cliquem aqui e escolham o blog da vossa preferência, de preferência este Se for esse o caso, escolham o meu nome, sigam as instruções no final da página da votação e já está.

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Agradeço desde já a vossa participação.;)

Treino Nocturno na Arrábida

Como contei aqui, recebi o presente envenenado de ser o guia de um treino pela Serra da Arrábida que aconteceu na madrugada de Sábado para Domingo.
Entre confirmações e desistências de última hora, não sabia ao certo quem seriam os participantes efectivos neste treino. A única coisa certa é que este duraria entre 7 a 8 horas, e os quilómetros previstos para correr nos trilhos da Arrábida seriam algo entre os 50 e os 60. O track previsto era este, mas existiam vários pontos de escapatória para atalhar alguns troços, caso fosse essa a vontade do pessoal.
Quase 22h00 e começaram a aparecer os companheiros de treino. Primeiro o Paulo Martins, depois o Sommer, o Manuel e o Gonçalo, e por fim o Charrua, que fechou esta equipa de seis, para percorrer a Arrábida noite dentro. Curiosamente, de nós os seis, só eu e o Charrua não vamos participar na próxima edição do Ultra Trail Mont Blanc, mas ainda assim o treino serviu para propósitos diferentes para cada um de nós. Para mim para começar a meter quilómetros nas pernas depois da azarada etapa em Andorra; para o Charrua foi apenas um treino de adaptação a corrida nocturna com vista à participação no Ultra Trail Nocturno Lagoa de Óbidos da próxima semana; para o Paulo foi apenas para meter quilómetros nas pernas rumo ao Mont Blanc; e para o Sommer, Manuel e Gonçalo para treino de adaptação à segunda noite em prova para o UTMB, tendo estes iniciado este treino sem dormirem há já 37 horas.
Iniciámos assim o treino, todos diferentes na fase de preparação todos iguais na vontade de fazer quilómetros.
A noite estava brilhante com a lua quase cheia e o céu estrelado a fazer-nos companhia. A temperatura óptima para correr ajudou durante todo o percurso. Por vezes o vento assoprava para nós, mas sempre numa temperatura amena que nunca obrigou a vestir mais que a t-shirt inicial.
Começámos o treino com 8 quilómetros roladores para aquecer o corpinho, aqui e ali com um ritmo exagerado para o que se pretendia, o que chegou a assustar alguns dos presentes. Mas rapidamente chegámos à subida para o Formosinho, o pico mais alto da Serra da Arrábida, o que obrigou a acalmar esta energia bruta de início de treino. A subida para o Formosinho faz-se pelo lado interior da Serra, subindo pelo meio de trilhos empinados, sempre circuláveis mas com alguns troços de vegetação mais fechada. Quase no fim, um trilho mais empinado e voilá, chegamos ao pico mais alto da Serra da Arrábida, de onde se tem uma vista total de 360º. Por ser de noite via-mos apenas luzes, muitas luzinhas, que sabíamos que iam desde a Serra de Sintra, passando por Lisboa, toda a margem sul, Palmela, Setúbal, Tróia, até se perderem algures no infinito do Alentejo.

No ponto mais alto da Serra da Arrábida – Formosinho

Iniciámos a descida rumo à Praia de Alpertuche e foi este, talvez, o maior devaneio deste treino. Não pela descida do Formosinho a Alpertuche, mas sim por ter traçado o caminho por um trilho bem fechado, o que nos custou a todos bastante tempo, alguns arranhões e a mim uma t-shirt bem fixe agora cheia de buracos. Foi um quilómetro e meio por um trilho bem meu conhecido, que tem de ser corrido quase de cócoras, mas que agora no verão se encontra com a vegetação bem mais fechada do que o habitualmente já fechado. Bem tive de ouvir as reclamações de todos e a minha sorte foi que não ter levado comigo o livro vermelho, senão ainda teria a ASAE a bater à minha porta um destes dias… Terminado o “suplicio” deste trilho, percorremos a estrada nacional até ao início do trilho final que nos leva até à Praia de Alpertuche. Um trilho bem técnico a descer, que requer algum cuidado e onde quase todos demos umas escorregadelas valentes e batemos com o rabo no chão. Chegámos à praia e todos aproveitámos para comer qualquer coisa e reabastecer para a subida. Não desfazendo a companhia, estar à meia-noite na Praia de Alpertuche, com a lua quase cheia no céu estrelado, rodeado de mais cinco marmanjos é, digamos assim, muito pouco romântico… Romantismos à parte iniciámos a subida que há pouco tínhamos descido, desta vez rumo ao trilho que o Paulo denomina de Vale Encantado. Entrámos no trilho e foram meia dúzia de quilómetros pela zona dos Picheleiros e outra meia dúzia pelo Vale da Rasca, sempre num frenético sobe e desce, daqueles que não matam mas moem (e muito), típico da Serra da Arrábida. Como quem não quer a coisa chegámos ao Parque das Merendas, todos ávidos por reabastecer, já que os 30 quilómetros que já tínhamos percorrido esgotaram os líquidos que tínhamos connosco. Levávamos pouco menos de 5 horas de treino, e comecei a ouvir as primeiras vozes a pedir um atalho no track original.
A chegada ao Parque das Merendas foi bastante divertida. Poucos minutos antes das 3h da manhã e 6 “malucos” chegam a correr de frontal na cabeça, cada um com uma luz mais forte do que o outro. Uma meia dúzia de carros lá parqueados, onde avistamos um movimento frenético de bancos a endireitar e roupas a circular no interior das viaturas. Um casalinho teve mais azar que os outros. Estacionados a escassos dois metros da primeira torneira que nos apareceu à frente, teve de levar connosco por uns bons 15 minutos, até todos terminarmos de reabastecer e comer mais qualquer coisa para o resto da jornada.

A recompensa no final do treino

Arrancamos de novo, desta vez em direcção à Quinta dos Moinhos. Subimos, descemos e chegamos à Estrada Nacional. Com 35 Km nas pernas, o pessoal que não dormia há mais horas começou a ficar impaciente, e talvez com uma espécie de birra do sono, queriam atalhar pela estrada directamente ao ponto de chegada. “Inconcebível” pensei eu, fazer este treino sem ir à “Vigia” seria um sacrilégio e estávamos já, mesmo ali, debaixo dela. Contámos quilómetros, lá convenci o resto do pessoal que a distância seria mais ou menos a mesma, e lá nos fizemos trilho fora rumo à Vigia. Em boa hora o fizemos. Foi mais uma subida bonita por trilho, técnica sem ser massacrante e chegados ao topo mais uma vez uma paisagem indescritível. Reagrupamos e descemos novamente a Serra, por entre trilhos e estradão, até à estrada que nos iria levar perto da Serra do Louro. Já estava decidido que iríamos abortar a escadaria do Bando, o que teria sido a cereja no topo do bolo, mas nem a Serra de Louro o pessoal quis subir. Até ali todos tínhamos sido umas vezes tubarões outras peixinhos, mas agora o ambiente era mais de peixinhos fora de água do que de outra coisa. Uns com dores aqui, outros com dores ali, outros com muito sono, quiseram atalhar directamente para Azeitão sem passar pela casa da partida, ou melhor sem subir a Serra do Louro, tendo sido corridos 5 quilómetros de estradão até ao Alto das Necessidades, onde o Sommer ainda se deixou dormir enquanto corria por três vezes, tendo o treino terminado “sem honra nem glória” com três quilómetros de alcatrão até Azeitão. Aqui parece que todos tinham ressuscitado, e foi quase um sprint estrada fora, com o Sr. Ribeiro, dorminhoco há uns minutos atrás, agora a liderar as hostes como se fosse salvar alguém da forca.
No final terminámos este treino com 50 quilómetros nas pernas, percorridos quase sempre com boa disposição, excepção feita à descida do Formosinho que foi feita com muitos impropérios!!!

50Km depois, já de manhã

Alongamentos feitos, banho de água gelada nas pernas na Fonte das Adegas, e estávamos prontos para o último sprint do treino até às tortas de Azeitão. Não sei se foi da fome mas penso que foi a melhor torta de azeitão que já comi até hoje.
Obrigado a aos cinco amigos pela excelente companhia , votos de boa sorte para os que vão estar no UTMB daqui a quatro semanas, e se gostaram apareçam também no II Summer Trail Camp.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Nota: Leiam também a excelente crónica do Sr. Ribeiro sobre este treino clicando aqui.

Ah e tal, um presente envenenado

Há uns dias atrás convidaram-me para um treino nocturno, a acontecer amanhã, pela Serra da Arrábida.

Ah e tal, vamos fazer o trilho do javali, são mais ou menos 30 quilómetros – disseram-me.

Não sei bem de onde, emergiram umas vozes: ah e tal, eu nesse dia tenho é de fazer um treino de 7 horas, não se arranja um track para as quatro horas seguintes?20141116 AUT 8

O organizador logo respondeu: ah e tal, é na boa, e eu até faço o resto desse treino contigo.

Entretanto já outras vozes tinham igualmente emergido: ah e tal, isso é que era fixe, um treino de 7 horas, vamos nessa.

Passaram uns dias, os candidatos a um treino de sete horas, a decorrer amanhã, à noite, na Serra da Arrábida, foram aumentando, mas eis que surge uma notícia perturbadora: o organizador afinal não vai poder guiar o treino que propôs.

Ouvem-se uns ruídos, uns resmungares silenciosos, umas interjeições de que vamos à mesma fazer o treino amanhã, e eis que de mero participante sou promovido a organizador!

Ah e tal, que belo presente envenenado que recebi!

sharktank

Usando a terminologia do Sr. Ribeiro, neste shark tank é desta vez um peixinho que vai guiar tubarões.

O treino começa às 22h00 de Sábado, e o track, perfil altimétrico e outras mariquices estão disponíveis clicando aqui.

Tem partida e chegada junto da Fonte das Adegas José Maria da Fonseca em Azeitão, e tentaremos que tenha um ritmo Allegro. São 57 quilómetros e 2000m D+, nada a que não estejamos habituados.

Deixo aqui o convite, para quem tiver as vacinas em dia e quiser aparecer para se juntar ao treino, será bem-vindo.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Arrábida Ultra Trail 2014

O Arrábida Ultra Trail (AUT), foi talvez, a prova a que assisti com um maior falatório pré prova, acerca das qualidades da mesma e da sua organização. Muitos comentários e muitas dúvidas pairavam no ar, alguns colocando mesmo em causa o desenrolar desta prova. Enquanto observador independente e sem qualquer ligação à organização mas enquanto atleta participante e interessado nesta prova, ia ouvido e processando tais informações e acompanhava tudo o que se dizia. No final devo dizer que a organização no cômputo geral correu bem, obviamente com pequenas falhas fruto de uma primeira edição de uma prova desta envergadura, e que o falatório prévio não teve qualquer razão se existir. Esta característica tão tuga de dividir para reinar ou de querer ser rei no seu quintal, continua a ser um dos grandes entraves ao desenvolvimento local e do nosso país em geral. Quando nos mobilizamos conseguimos fazer actos grandiosos e juntos seremos sempre mais fortes.

Nascer do Sol – Foto de Rui Pires

 

Comecei a interessar-me pelo AUT quando ele foi anunciado em Junho, salvo erro. Faltavam-me dois pontos para obter os oito necessários à candidatura ao Ultra Trail Mont Blanc e até então a alternativa que tinha em mente era a participação numa prova no Parque Natural de Bruxelas, igualmente de 80K e com cerca de 1200 metros de desnível positivo. Esta prova na Bélgica não me entusiasmava particularmente, pois tudo nela indicava que seriam 80K muito rolantes e rápidos, quando a minha preferência iria para algo com mais desnível e com subidas longas, que apresentassem a possibilidade de recuperar folego nas subidas e acelerar mais nas descidas. O percurso original do AUT apresentava um perfil altimétrico de quase 2400m D+, com duas subidas à Vigia, o que encaixava muito melhor no perfil de prova que procurava, para além de ser aqui ao lado de casa e não ter assim custos extras com viagens e alojamento. Estava decidida a minha participação no AUT.

Para meu desalento mas sem grande surpresa, foi passada a informação pela organização do AUT poucas semanas antes da data da prova, de que o percurso tinha sofrido alterações sendo agora um pouco menor o desnível altimétrico e passando a prova a ter 82K no lugar dos 80 previstos. Esta alteração, na minha opinião, foi o ponto mais negativo de toda a organização. Todos os que acompanham há algum tempo o mundo do Trail Running, já terão ouvido falar das dificuldades e dos 1001 entraves que os Parques Naturais colocam a todos os que querem utilizar os trilhos dos parques para eventos deste tipo. Do Gerês à Arrábida as histórias repetem-se. Neste caso em particular parece-me que a organização do AUT não tinha desde o início em que delineou esta prova, a capacidade necessária para mobilizar o Parque Natural da Arrábida a autorizar a passagem por alguns trilhos mais sensíveis e terá tentado arrastar esta situação quase até ao início da prova. Não sei quais são os critérios do Parque Natural da Arrábida para autorizar tal passagem por trilhos protegidos, mas sou da opinião que a organização do AUT deveria ter investido e divulgado desde o início um percurso que não suscitasse dúvidas na sua exequibilidade. Dito isto, se o percurso previsto inicialmente com as duas subidas à Vigia já seria bem rolante, o novo percurso sem estas duas subidas apresentava-se como muito rolante e ainda mais rápido.

Vista da Serra da Arrábida – Foto de Rui Pires

 

Feito este pequeno prelúdio vamos lá falar da prova propriamente dita e da sua organização.

A organização do AUT foi na minha opinião positiva e falo da minha experiência pessoal enquanto participante na prova de 82K, sendo que existiram mais duas provas, uma de 14K e outra de 23K.

Para mim o ritual da prova começou no Sábado com o levantamento do dorsal de atleta no Castelo de Palmela. Duas salas para o efeito, divididas pela distância da prova em que se participava, permitiam um processo de entrega de dorsal e respectivo kit de atleta rápido e expedito. Já a falta de informação de que seria necessário levantar o chip para controlo de tempo numa outra sala noutro local do castelo, originou a que alguns atletas tivessem de lá regressar novamente ou no Domingo antes da partida, para levantar o respectivo chip. É claramente um ponto a melhorar e de fácil resolução em futuras edições da prova.

Um outro ponto a melhorar será o da comunicação via internet. O AUT apresenta um site bonito, de fácil navegação e onde as informações relevantes se encontravam disponíveis, mas para os aspectos de secretariado, como inscrições, resultados, consultas de inscrição, somos redireccionados para outro site. Acontece que ambos os sites tinham informações comuns, que a dada altura divergiam uma da outra, nomeadamente no que diz respeito ao regulamento da prova, o que poderia dar origem a algum problema para atletas que consultassem uma versão em detrimento da outra. Outro ponto de melhoria facilmente ultrapassável.

O kit de atleta para além do dorsal e de alguma publicidade, trazia uma t-shirt técnica (alusiva ao evento mas de baixa qualidade e não muito bonita), um lenço tipo buff (alusivo ao evento e de qualidade duvidosa), uma garrava de vinho da região, um gel energético e uma barra energética.

Trilho dos Moinhos – Foto de Move-Te Nutrition & Lifestyle

 

No final como “prémio” de finisher da prova mais longa foi entregue um crachá aos participantes, igualmente não muito bonito e igual para todos os participantes que finalizaram as três provas em disputa, e que irá destoar bastante ao lado das bonitas medalhas de finisher que tenho de outras maratonas e ultras. Neste aspecto esperava um pouco mais, uma vez que a promoção da prova tinha sido bem feita e apelativa e nada me faria prever que os restantes aspectos de marketing e promoção fugissem a esta regra. Uma t-shirt bonita que o pessoal gostasse de usar e um troféu de finisher em condições, são aspectos em que a organização poderá melhorar se assim o entender e que ajudarão a promover a prova.

Domingo, 4h45, alvorada e saída em direcção ao Castelo de Palmela onde teria início o AUT às 7h00. Muitas caras conhecidas e os habituais votos de boa prova a todos os amigos destas aventuras. Entretanto é anunciado um pequeno atraso na partida por motivo das forças de segurança ainda não se encontrarem no local, o que me fez pensar que alguma coisa poderia correr menos bem ao longo da prova. No entanto o desenrolar da prova veio provar que esse pensamento não teve qualquer razão de existir. A GNR esteve sempre presente em todos os pontos críticos de passagem por estradas onde existisse muito trafego e fosse mais perigoso correr ou atravessar em segurança, e fez um excelente trabalho que merece a minha avaliação muito positiva e o meu sincero agradecimento a todos os agentes que colaboraram com a organização.

O apito da partida soou por volta das 7h12 e lá fomos nós para a serra. O início da prova começou com uma descida, o que foi logico já que começámos num castelo, e percorremos um caminho romano que detesto mas que desta vez nos presenteou com um espectacular nascer do sol atrás do Sado, até entrarmos num single track para a primeira subida. A minha estratégia para esta corrida era a de manter um ritmo moderado ao longo do percurso, fosse a subir ou descer, uma vez que todo o percurso tinha muitas subidas e descidas curtas, e onde me pareceu que a estratégia de descansar a subir para acelerar a descer não iria resultar tão bem. O primeiro abastecimento encontrava-se ao km 15 junto do Teatro do Bando. Foram 15 Km num carrossel de sobe e desce, com alguns trilhos e dois troços de ligação algo longos em alcatrão. Cheguei aqui com menos de 1h40 de prova, sempre a controlar o ritmo para não me “esticar” e esgotar a energia cedo de mais, lá para o final da prova. À saída deste posto de controlo encontravam-se uns actores do Bando que à sua maneira desejavam boa sorte aos atletas, e que bem era precisa, pois a escadaria que nos levava de novo até ao cimo da Serra é muito traiçoeira e algo difícil de se subir.

Trilho dos Moinhos – Foto de Move-Te Nutrition & Lifestyle

 

Depois foram mais 15 Km a rolar num sobe e desce relativamente suave pela rota dos moinhos, até chegar ao segundo ponto de controlo/abastecimento por volta do km 30. Fiz uma paragem rápida mas aproveitei para tomar o pequeno-almoço e comer uma bela da sandes de presunto que faz parte do meu equipamento obrigatório para todas as provas de trail. O próximo abastecimento seria agora dali a 18 km e levava até então pouco mais que 3h30 de prova. Até aqui não encontrei nenhuma alma gémea que levasse um ritmo igual ao meu, e lá ia trocando de posições com o Pedro Cordas e com o Pedro Conceição. Este troço de 18 Km entre os pontos 2 e 3, foi de todos o mais chato na minha prova; longos troços de estradão, alguns troços de alcatrão, rectas infindáveis sem subida ou descida que se visse. Quilómetros que pareciam mesmo muitos quilómetros o que, para quem gosta de um pouco mais de adrenalina, era de facto muito monótono para não dizer penoso. Com a agravante psicológica de quer de um lado quer do outro da paisagem sermos presenteados com lindos trilhos para subir serra acima…

Não sei se era por ir com estes pensamentos menos positivos, se foi o acumular de manter um estilo de corrida lenta e uniforme até então, ou se foi apenas um abuso no ritmo dos treinos nas semanas anteriores, mas por volta do Km 35 apareceram-me as primeiras dores dos quadricípites em particular na perna esquerda. Os quilómetros seguintes foram uma longa e pesarosa reflexão interior sobre o real motivo desta dor, introspeção que demorou quase duas horas até chegar ao abastecimento do km 48, com pouco mais de 6 horas de prova. Nova paragem rápida, reenchi as garrafas de água e meti-me de novo ao caminho, tentando agora variar a passada que até ali tinha seguido com um ritmo muito constante. E resultou, os músculos não regeneraram totalmente mas agradeceram a mudança de passada e as mudanças de ritmo que me impos, melhorando a sua condição significativamente até final da prova. Esta quase segunda metade da prova também era a que apresentava as subidas e descidas mais acentuadas, e apesar de não haver nenhum subida a que pudesse-mos apelidar de “a subida”, ajudou bastante a quebrar a monotonia do percurso da corrida. Próximo abastecimento dali a 14 quilómetros ao km 62.

Este segmento do percurso levou-nos à famosa zona da Comenda. Três subidas mais duras, mas a maior dificuldade foi mesmo a muita lama que se encontrava no percurso. Andar com uma placa de barro agarrada à sola dos ténis não é nada positivo, e as zonas em que podíamos escorregar e dar um valente trambolhão eram mais que muitas. Por duas vezes ia indo ao tapete, mas com um equilíbrio de ninja e muita sorte à mistura lá me consegui escapar a tal desígnio. Por outro lado tentei atravessar todas as zonas de lama com as maiores precauções, mesmo sem correr, para evitar tais acidentes. Chegado ao Parque da Comenda, lá estava o abastecimento mais aguardado por todos, onde inclusive se podia comer uma canja quente. Era este o ponto em que quem tivesse entregue à partida um saco com outro equipamento ou ténis, poderia aproveitar para se mudar para os 20 quilómetros finais. Ia bem e apesar de bom aspecto não quis perder tempo com uma paragem prolongada. Fiz o checkpoint, comi uma laranja, levei três biscoitos para o caminho, e pus-me de novo ao caminho. Tinha lá a minha mochila com uns ténis e um equipamento limpo, mas não senti necessidade de trocar nada. Neste abastecimento apanhei o amigo Telmo que prometeu que me apanharia mais à frente mas desta vez a história da Serra de Arga não se repetiu. À saída ainda deu para agradecer as palavras de motivação oferecidas pelo amigo Serrano que desta vez fez gazeta e foi apenas apoiar o pessoal. Levava agora 8h10 de prova e o próximo ponto de abastecimento chegava aos 72 Km.

Pormenor de um abastecimento – Foto de Rui Pires

 

Este percurso foi marcado por um troço de lama a fazer lembrar-me os Trilhos do Almourol. Atravessei a lama com algum cuidado e apanhei outro atleta que seguia já com alguma dificuldade. Queixava-se que já ia com cãibras, sobretudo nos membros superiores, o que foi algo surpreendente. Ainda rolámos juntos uns quilómetros mas depois tive de seguir sem que ele me conseguisse acompanhar. Ultrapassei alguns atletas que já conhecia de vista do início da prova e começava já a desejar a chegada do abastecimento. Eis que entretanto nem queria acreditar que estava a apanhar de novo o Pedro Conceição. Juntei-me a ele e corremos mais meia dúzia de quilómetros até ao abastecimento do km 72 que afinal se encontrava no km 74. Neste aspecto esta foi a única falha da organização. Toda a marcação da prova estava muito bem feita, com fitas normais e reflectoras a partir do Km 56, e todo o percurso condizia quase milimetricamente ao que foi previamente anunciado. Os abastecimentos encontravam-se todos no quilómetro anunciado excepto este que se encontrava dois quilómetros mais à frente, o que no meu caso não causou constrangimentos de maior, mas que é sempre desagradável para quem tem de gerir os líquidos que transporta consigo e se arrisca a ter de correr mais 15 ou 20 minutos sem água. Relativamente aos abastecimentos estes estavam todos muito bem servidos com líquidos, fruta, bolos e biscoitos, e penso que terá sido mais do que suficiente para todos os atletas. Chegados ao Km 74 eu e o Pedro íamos apostados em fazer um pitstop rápido. Ele meteu um gel e enquanto eu terminava de preparar a minha água com sais e comia uma laranja ele estava despachado e arrancou, nunca mais o tendo conseguido apanhar.

Arranquei também e fiz-me ao último troço do percurso. Levava agora um pouco menos de 10 horas de prova e faltavam oito quilómetros para o final. Finalizar e amealhar os dois pontos que me faltavam para o UTMB era o objectivo principal, mas levava dois objectivos pessoais que iria tentar cumprir também:  1) chegar ao fim ainda de dia 2) tentar finalizar em menos de 11 horas de prova.

Terminar de dia era quase impossível, a prova já começou atrasada e termina pouco depois das 17 horas, pelo que implicava correr a prova em cerca de 10 horas. Num dia perfeito poderia ter acontecido, mas ontem não era o dia.

Já terminar em menos de 11 horas era perfeitamente possível, mas confesso que desanimei um pouco quando por volta do km 79 tive de me resignar à entrada num trilho completamente fechado e fui forçado a retirar o frontal da mochila e usá-lo até ao final da prova. A lama barrenta que existia novamente nos trilhos finais, obrigaram-me a redobrar a atenção e acalmar ainda mais o ritmo nas duas subidas e descidas que faltavam até à meta. Foram 8 Km sem grandes sobressaltos e onde ainda consegui ultrapassar uns três outros atletas.

No final cheguei à meta com 11h06’30”, um excelente resultado para mim apesar de ter ficado um pouco acima das 11 horas. Um papelinho com o resultado dado pela organização ainda me induziu em erro e por alguns minutos ainda pensei que tinha feito mesmo menos de 11 horas, mas afinal aquele tempo estava errado.

Depois foi tempo de recovery. À chegada havia um bom repasto à espera dos atletas, com massa, carne assada, salada, pão, torta de laranja, gelatina, sopa e cerveja à descrição. Comi e bebi bem e recuperei as energias num instante. Soube-me tudo muito bem, não sei se era da fome se era mesmo da qualidade da refeição. A ajuda da Bo Irik também foi preciosa, pois foi-me buscar as mochilas que levava no local onde elas se encontravam, o que teria sido uma tarefa muito árdua para mim naquele momento. Desisti de tomar banho no local e vim para casa onde aí me pude tratar como um rei.

Em resumo foi uma prova positiva pelo resultado que consegui, com uma organização com pontos a melhorar mas a que dou uma nota positiva sem qualquer tipo de dúvida. O percurso não é o mais interessante, pelos motivos que referi anteriormente, e sofre da falta de um ponto mais irreverente. Uma subida à Vigia ou ao Formosinho, e um ou outro trilho no lugar dos longos estradões, dariam um pouco mais de emoção e beleza a esta prova. Pensem e trabalhem nisso para futuras edições.

Os 8 pontos necessários para candidatar-me ao Ultra Trail Mont Blanc já cá cantam. Wish me luck…

Quem gosta de “cuscar” o percurso da prova e outros detalhes da minha corrida pode clicar aqui para o ver.

Continuação de bons treinos e boas provas!!!

II Dura Trail Proaventuras

Decidi participar no II Dura Trail ProAventuras à última da hora, como primeiro de dois treinos longos a cumprir no fim-de-semana. Foi nesta perspectiva mais descontraída que abordei esta prova, sendo o objectivo treinar e não fazer um tempo eventualmente mais rápido.

Sábado de madrugada lá acordei e rumei até aos Bombeiros Voluntários de Setúbal, local onde teria de levantar o dorsal e onde teria igualmente a partida desta prova.

A partida era às 9h00 e cheguei um pouco antes das 8h00, pelo que deu tempo de sobra para levantar o dorsal, agradecer ao Lívio Nuno que por se encontrar lesionado me cedeu o seu dorsal para a prova e, encontrar e conversar com uma série infindável de amigos das corridas, uns que iam participar na prova mais longa de 35 Km e outros que se iriam ficar pelos 22 Km.

Quase a chegarem as 9h00 e foi tempo de agrupar para o controlo zero e partir pouco depois. O dia estava bonito com o céu azul e o sol a brilhar no alto, a indicar que os 27º previstos iriam mesmo ser atingidos.

Soou o apito para a falsa partida e lá foram os cerca de quatrocentos atletas rumo à Serra da Arrábida; falsa partida porque antes da partida oficial ainda se rolou perto de 1600 metros entres os Bombeiros, a Av. Luísa Todi e a subida para o Forte de São Filipe. Aí soou de novo o apito e foi dada a partida oficial do Dura Trail.

A subida permitiu o pelotão alongar um pouco e entrámos em zonas de trilhos muito bonitos, com vista para o Rio Sado e a península de Tróia que fazem qualquer um sonhar acordado. A estratégia para a prova era rolar calmamente num ritmo controlado, pois se no Sábado eram 35 Km no Domingo iria correr mais 30 Km, e convinha chegar ao final do fim-de-semana inteiro e sem mazelas. A organização da prova foi muito boa, com todo o percurso bem sinalizado quer com fitas quer com um sem número de voluntários que ajudaram na organização, e ainda com abastecimentos muito completos que não permitem queixas aos atletas mais exigentes. A acompanhar o percurso existiam igualmente as famosas tabuletas com nomes tão sugestivos como Brutassauros por exemplo, que nos faziam antecipar um pouco aquilo que nos esperava nos metros ou quilómetros seguintes.

A minha corrida foi bastante tranquila, inicialmente mantive um ritmo razoável a subir e acelerei um pouco a descer, mas ao fim da terceira descida acentuada decidi acalmar e rolar mais calmamente até final. Com excepção de alguns dos single tracks já conhecia grande parte do percurso que corremos, mas curiosamente sempre o corri no sentido contrário ao que se fez nesta prova pelo que acabou sendo na mesma uma novidade. Já a subida para a Vigia, o ponto mais alto desta prova, não era novidade. Logo no início da subida encontrei o meu amigo Maré que andava a passear pela serra e ainda perdi uns 4 ou 5 minutos a por conversa em dia. Aí perdi o contacto com a atleta Ana Cristina com quem tinha ida até ali em modo: ora vais tu à frente ora vou eu, o que curiosamente também já tinha acontecido no Grande Trail da Serra d’Arga. A chegada à Vigia é sempre espetacular com uma vista fantástica de 360º, de onde se pode ver quase tudo entre Sintra e a Comporta. Depois foi quase sempre a descer até Setúbal, com destaque para duas coisas que detesto: atravessar ribeiros com areias soltas e calçadas romanas. Acumular areia dentro dos ténis é incomodativo e perturba-me um pouco a passada, pelo que tive de parar e retirar areia por duas vezes para voltar ao conforto de corrida habitual.

Já quanto à calçada romana não há qualquer hipótese de gostar; e a citação “estes romanos devem estar louco” aplica-se na perfeição quando imagino o romano que planeou tais caminhos. Aqui não tive outra solução que não a de abrandar e desejar que a tal calçada terminasse o mais depressa possível para voltar a correr em condições. Depois de todo este sobe e desce ainda houve tempo para um single track rápido até à praia, de onde faltavam cerca de 2 Km até à meta. Foram dois quilómetros partilhados entre a areia da praia e o passeio marítimo, a fazer-me relembrar por instantes a dureza da Ultra Maratona Atlântica, mas o cheiro a meta era já tão forte que já nada me impedia de manter o ritmo forte até à meta.

No final foram 38 Km e não os 35 anunciados, que cumpri em 4h51, perfeitamente dentro do que tinha estabelecido como objectivo para esta prova.

Já não cheguei a tempo da aula de zumba, mas cheguei muito a tempo de comer uma fantástica massa de peixe oferecida pela organização.

Em resumo o Dura Trail é uma prova muito bem organizada, num percurso de beleza ímpar e que certamente todos os que gostam de trail running deveriam experimentar. Para o ano há mais!!!

Fica aqui um cheirinho do Dura Trail 2014 captado pela câmara do atleta Pedro Cavaco:

E para quem gosta destas coisas o link com o percurso e com a minha participação.

Continuação de bons treinos e boas provas!!! 😉

Reconhecimento ao AUT – 1ª Parte

A minha próxima grande prova será os 80 Km do Arrábida Ultra Trail. O estudo mais ou menos detalhado deste tipo de provas faz já parte da minha rotina pré prova e sendo esta quase ao lado de casa, permite o reconhecimento inloco do terreno e do percurso. Após o reconhecimento dos primeiros 20 Km da prova, fiquei com uma certeza: vai ser uma prova durinha.

A partida do AUT será aqui. Créditos da foto: Pedro Oliveira

Para início de conversa temos logo uma calçada romana para os pés se prepararem para o que ainda há-de vir. Depois há uns single tracks que ora sobem ora descem num piso que prevejo lamacento, a não ser que o verão se aguente até meados de Novembro. Com uma chuvas moderadas o piso ficará normalmente enlameado e se considerar as centenas de atletas que lá passarão antes de mim o cenário será ainda pior.

Pelos entretantos uns troços com muita pedra no piso, o que não ajudará a ganhar velocidade nem a descer nem a subir pois o cuidado de ver onde se pisa terá de ser redobrado.

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Tudo isto interligado com uns troços de ligação de alcatrão onde apetece acelerar para ajudar a limpar a lama dos ténis, e onde quem se distrair com ritmos mais rápidos possivelmente irá pagar mais tarde este esforço inicial, que no principio de uma prova desta distância parece sempre irrelevante.

Ainda há lugar a uns “brindes” como a subida à Vigia e a “escadaria do Bando”. O primeiro brinde deixei para outro dia que ainda há poucos dias por lá passei e hoje o tempo disponível era curto, mas por outro lado foi a minha estreia a subir a escadaria do Bando para a Serra do Louro. E que escadaria… Com tempo seco deve-se subir bem, mas com as travessas de madeira que a compõem todas molhadas como se encontravam hoje, o mais pequeno descuido e pode ser um trambolhão certo.

No total foi um treino de 22 Km em modo muito tranquilo que a semana já vai longa, e que podem ver aqui:

http://www.strava.com/activities/208849790/embed/c4ef9652c7afe04134c48c797b4fdd4455c43d92

Ficam a faltar reconhecer cerca de 65 Km do AUT.

Nota: Não pertenço à organização do AUT e estou apenas a seguir um track que está publicado na internet como sendo desta prova. Não tenho qualquer conhecimento se este percurso é oficial e/ou definitivo.

Continuação de bons treinos!!!

Resumo do mês de Agosto

Agosto foi um mês para esquecer!… 

Treino na Serra da Arrábida
Dos cerca de 320 Km previstos para o mês de Agosto, apenas consegui correr pouco mais de 165 Km. A primeira quinzena serviu para dar um pouco de descanso às pernas, mas tinha previsto uma segunda quinzena com treinos à seria para preparar convenientemente as maratonas de Lisboa e Porto que se avizinham. Infelizmente uma pequena lesão no músculo tibial anterior, que só agora está perto de debelar, deitou todos os meus planos por água a abaixo, e não me permitiu treinar durante duas semanas. Como consequência principal, terei de redefinir os meus objectivos para a Maratona de Lisboa: tinha previsto correr esta maratona para perto das 3h30, mas com este contratempo irei correr para a terminar e se possível fazer menos de 4h. Será uma maratona ao estilo de um treino longo e transfiro assim os objectivos de Lisboa, e se entretanto conseguir recuperar a forma perdida, para a Maratona do Porto.

Mesmo com contratempos ainda consegui fazer dois treinos interessantes no mês de Agosto:

  • Um treino longo de 41Km pela Serra da Arrábida, que serviu como iniciação ao (light) Trail, e que corri na companhia, entre outros, do Paulo Pires que à data estava a fazer os últimos treinos antes da sua participação no UTMB. Foi um treino forte, onde fiquei sem água a cerca de 10Km do fim, e que por esse motivo se veio a revelar algo penoso de terminar. Ainda assim gostei bastante da experiência e brevemente espero voltar de novo à serra.

Alguns dos companheiros no treino pela Serra da Arrábida

  • Um treino de preparação para São João da Lampas, com rampas e mais rampas para subir a um ritmo forte, onde corri cerca de 22Km. Foi um bom treino, organizado pelo Miguel Pinho, e com uma participação numerosa de pessoal muito bem-disposto.


Treino de preparação para a MM de São João das Lampas
Para a história os números do mês de Agosto:
• Contagem: 12 Treinos
• Distância percorrida: 167,14 km
• Tempo: 16:51:09 h:m:s
• Ganho de elevação: 2370 m
• Velocidade Média: 9,9 km/h
• Ritmo Cardíaco Médio: 141 bpm
• Calorias Gastas: 12558 Cal
Agosto foi para esquecer, mas venha agora a Meia Maratona de São João das Lampas já no próximo Sábado. Vai ser o meu primeiro verdadeiro teste pós lesão, pelo que o ritmo vai ser moderado e sem grandes aventuras. Ainda assim será para bater o meu PB 🙂
A equipa ACCVCAVI deverá contar com 9 atletas nesta prova, um verdadeiro recorde de participações!!!
  

Bons treinos e melhores corridas!!!