Admiração e… “ódio”

Terminou há 5 dias a edição de 2016 da Transpyrenea, uma aventura de 866 Km e 65000m de desnível positivo, com um tempo limite de 400 horas para conclusão da prova e que percorre a GR 10 que liga o Mediterrâneo ao Oceano Atlântico através dos Pirenéus com picos entre os 2500 e os 3000 metros de altitude.

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A minha enorme admiração a todos os atletas que se propuseram a participar esta aventura, e sobretudo as 6 portugueses que participaram na mesma.

Um enorme destaque para o 10º lugar do super João Oliveira, mas não menos admiráveis os resultados do Jorge Serrazina, do João Colaço ou do Paulo Caparicas que concluíram com sucesso esta enorme aventura.

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Quem não acompanhou esta aventura pode rever os principais momentos clicando aqui, no grupo que o Orlando Duarte criou e manteve actualizado para o efeito.

Ao mesmo tempo cresce uma espécie de “ódio” dentro de mim, porque são tugas como estes que dão “ideias tristes” aos comuns como eu de se meterem em aventuras como esta!

Ainda há 5 anos tentava arrastar-me para cumprir a minha primeira corrida de 10Km e daqui a dias estou em Chamonix na partida para tentar completar a minha primeira aventura de 170Km.

Um dia destes acordo e estou a treinar para ir correr 866Km!

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Alcains Trail Camp

Um dos fins de semana maus duros na preparação rumo ao UTMB é este mesmo. Enquanto uns rumam ao Algarve para umas merecidas férias, eu rumo até Alcains onde tem lugar a base do Alcains Trail Camp, organizado pelo meu amigo Didier dos MRT 

Vão ser 80km em dois dias, na Serra da Estrela e na Serra da Gardunha, onde mais de 30 atletas continuam a preparar as suas provas, uns rumo ao UTMB, outros rumo ao UTAT, outros só porque lhes apetece treinar.

Vai ser durinho mas no pain no gain.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Mundo de Aventuras

À falta de condição para poder participar em aventuras iguais, gosto sempre de ir acompanhando à distância as grandes aventuras de amigos e conhecidos por este mundo fora, sempre com uma pontinha de inveja boa por não poder estar lá também a aventurar-me.

Neste momento acompanho a espectacular aventura do Carlos Sá na Travessia da Gronelândia,

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o desafio do Chema Martinez pelo Peru no Salkantay Trek em Machu Picchu,

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acompanho ainda com curiosidade a partida do Carlos Coelho para a Ultimate Jungle Ultra, 230Km pela Selva Amazónica do Peru

e ainda os últimos preparativos para mais uma aventura do Paulo Pires, desta vez pela Haute Route, percurso de 200 Km com 15.000 D+ que liga Chamonix a Zermatt.

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Aventuras, desafios, rotas, percursos fantásticos e ideias não faltam.

 

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Wish me luck

Pessoalmente 2016 está a ser um ano especial e hoje a sorte no sorteio para o Ultra Trail Mont Blanc veio comprovar esta tendência.

A verdadeira aventura começa hoje e durará até 26 de Agosto. Vai ser necessário treinar muito bem, forte e feio, e ter alguma sorte para não surgir alguma indesejada lesão.

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Depois, às 18h00 de 26 de Agosto, terá início a jornada de 170 Km, repleta de muita emoção, superação, introspecção e felicidade, enquanto subo e desço os Alpes cruzando três países: França, Itália e Suíça.

Hoje é o primeiro dia desta grande aventura.

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Wish me luck. 😉

Tróia – Sagres 2015

Há cerca de dois meses atrás decidi embarcar na aventura de fazer os 200 Km do evento Tróia – Sagres em bicicleta. Este é um evento não organizado em que participam alguns milhares de ciclistas e que é, talvez, um dos maiores eventos populares do ciclismo nacional.

Num evento em que participa uma massa tão grande de pessoas, porque considero que isto para mim é uma aventura? Por três factores simples:

  • Nunca fui ciclista e nunca tinha dado voltas maiores que talvez 10 a 15 Km;
  • Há cerca de 8 anos que não andava de bicicleta;
  • Não percebo nada de bicicletas e há dois meses atrás nem bicicleta tinha.

A meu favor tinha a consciência de que o kit de pernas é bom e a certeza de que não seria este que iria por em causa esta aventura.

Quando partilhei a ideia da participação no Tróia – Sagres o ruido foi o do costume, uns chamaram-me maluco, outros disseram que seria impossível, outros acharam piada e alguns até se quiseram juntar à aventura. Nos menos optimistas retive sobretudo as palavras sábias do Miguel Pisco, que me disse que esta ideia tinha tudo para correr menos bem, mas que me apontou vários caminhos para que pudesse mitigar a falta de experiencia nas duas rodas, os quais lhe agradeço e me foram bastante úteis para a aventura de ontem.

A cerca de um mês do evento, quis o destino que no passatempo de aniversário da Decathlon Portugal, fosse presenteado com uma bicicleta. Uma bicicleta de BTT de entrada de gama, com dois pedais e duas rodas, os requisitos mínimos para me lançar até Sagres. Se tivesse de baptizar esta bicicleta como muitos dos meus amigos fazem, teria de lhe chamar o “Chaço”. Não tenho a mínima dúvida de que tive de dar ao pedal muito mais do que outros companheiros de jornada com bicicletas um pouco melhores, já para não falar daqueles que têm máquinas todas artilhadas, que até parece que não precisam de ninguém a pedalar para voarem pelo alcatrão fora.

Tinha agora três semanas para treinar no “Chaço”, adaptar-me a passar algumas horas no selim da bicicleta e tentar treinar ritmos superiores a 20Km/h, porque o objectivo do Tróia – Sagres é também chegar a Sagres antes do sol-pôr. Nestas três semanas rolei 540Km e não tive dificuldades de adaptação ao Chaço. Fiz treinos mais longos, alguns em condições adversas, e tudo correu da melhor maneira, pelo que estava optimista para o dia de ontem.

O ponto de encontro para Tróia foi o parque de estacionamento do ferry em Setúbal, às 5h30 da manhã para apanhar o ferry das 6h15. Para facilitar a logística aderi ao grupo da Bike & Nutrition Shop, que organizou tudo para que a viagem de regresso e o apoio durante o evento corresse do melhor modo para todos os que se juntaram a esta organização.

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6h00 e foi a entrada para o ferry. Nunca tinha visto tantas bicicletas juntas. O pessoal estava animado e entusiasmado como em muitas outras provas de corrida em que já participei. Para variar há sempre amigos que não preparam em condições as suas participações e, ainda antes de tudo começar, cedi a camara de ar que levava para qualquer eventualidade a uma mente menos preparada. Valeu-lhe a sorte de estar num grupo de engenheiros/mecânicos que durante a travessia de Setúbal para Tróia desmontaram pneu, trocaram camara de ar e voltaram a montar tudo em condições. Todos se queixavam do frio da madrugada, mas eu não notei nenhuma diferença para os outros dias em que treino aquela hora, apesar de estar fresquinho para mim estava tudo normal.

A minha estratégia para esta aventura estava definida desde há dois meses atrás: sair de Tróia por volta das 7h e chegar a Sagres ante do sol-pôr, o que equivale a dizer entre as 17h00 e as 18h00, sendo que o autocarro de regresso a Setúbal sairia de Sagres às 18h30. Pareceu-me exequível e desde há dois meses quando partilhei esta ideia e foram vários os que se juntaram com a intenção de participar nestas condições, à medida que não foram treinando foram abandonando a ideia ou definindo outros objectivos, pelo que acabei, mais uma vez, por ficar com Nelson Marques para partilhar o percurso. Já no ferry a Marta e o Taboas juntaram-se a nós e manifestaram intenção de fazer um ritmo parecido ao meu objectivo, pelo que acabámos por arrancar os quatro.

A saída do ferry foi, mais uma vez, em ambiente de festa. Eram centenas ou milhares de bicicletas a rolar do ferry para a estrada, milhares de luzinha a piscar na escuridão da madrugada. Chegados à estrada era muita a confusão. Centenas de carros, muitas outras centenas de ciclistas, tudo pronto para pedalar em direcção a Sagres. Eram tantas pessoas e bicicletas, que falhámos a foto de grupo da Bike & Nutrition e por sorte não nos perdemos uns dos outros. Não havia tempo a perder, estava fresquinho e era começar a pedalar rumo a sul. Partimos.

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Os primeiros quilómetros queriam-se tranquilos, para aquecer as pernas e habituar o corpo a um ritmo que iria aumentar nas horas seguintes. A multidão que estava concentrada em Tróia ia partindo dispersa em grupos mais pequenos e com ritmos variáveis. Os milhares de luzinhas brancas e vermelhas a circular eram um espectáculo dentro do espectáculo. Ao fim de três quilómetros já se conseguia rolar tranquilamente sem receio de nos misturarmos noutro pelotão e o Taboas propôs seguirmos em fila indiana para facilitar a pedalada. A intenção foi boa, mas arrancou logo para ritmos na ordem dos 30Km/h e ninguém estava quente o suficiente para aguentar aquele ritmo apenas com três quilómetros nas pernas. Por outro lado também não me sentia confortável o suficiente para seguir tão colado na roda de outro ciclista, faltam-me ainda muitas horas de prática e claro uma bike que permita pedalar a esses ritmos e que dê mais confiança. Rapidamente o nosso mini pelotão de quatro ficou partido e após meia dúzia de quilómetros o Taboas recuou para rebocar a Marta e eu e o Nelson seguimos nos nosso ritmo. Pouco antes de chegarmos à Comporta o sol começava a despontar no horizonte. Foi uma viagem tranquila onde deu para desfrutar uma paisagem em locais onde só costumo passar de carro. Comporta, Pinheiro da Cruz, Melides, Santo André e Sines ficaram para trás e chegámos ao quilómetro 70, onde estaria o carro de apoio à nossa espera para a primeira paragem. Aqui encontrámos o Luis Parro que também seguia nesta aventura no grupo da Bike & Nutrition. Depois de 3 horas a pedalar estávamos com fome e aproveitei para comer uma banana, um pão com passas e nozes e, o meu doping habitual, a famosa sandes de presunto. Hidratos recarregados e toca a partir rumo à próxima paragem programada em Rogil ao quilometro 140.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
10:43:05 09:18:37 200.64 21.55 51.12 1,531.40
hours hours km km/h km/h meters

Partimos de novo em bom ritmo. Vários pelotões passavam por nós a ritmos alucinantes enquanto nós íamos rolando ao nosso ritmo, ora sozinhos ora extemporaneamente na companhia de pequenos grupos de outros ciclistas que seguiam num ritmo parecido ao nosso. Depois de passar Porto Covo dei conta de que tinha perdido o Nelson. Decidiu parar para beber café e outras necessidades e não me avisou, pelo que no meio de tantos ciclistas, todo o ruido do vento e da velocidade, é difícil perceber se quem vem atrás de nós fica para trás se não nos avisar. Entretanto apanho novamente o Parro, que tinha parado para reabastecer, e parei também para ver se o Nelson aparecia. Esperei uns minutos, passaram centenas de ciclistas e nem sinal dele. Arranquei com o Parro e seguimos os dois até Vila Nova de Mil Fontes, onde o Parro se atrasou um pouco na subida seguinte à ponte que atravessa o Rio Mira. Entretanto continuava preocupado com o desaparecimento do Nelson e à passagem do Almograve decidi parar para lhe ligar, estava no quilómetro 106. Entretanto passa o Parro e mandei-o seguir que já o apanhava. Sabendo agora que o Nelson estava 3 quilómetros atrás de mim, segui num ritmo mais moderado na esperança que ele recolasse. Foi então que cheguei ao fatídico quilómetro 109.

Seguia a rolar calmamente junto à berma da estrada, quando um pelotão com alguma dezena de ciclistas vai a passar a alta velocidade por mim. Num piscar de olhos, um dos ciclistas desse pelotão cai e gera-se o caos. Só tinha assistido a quedas destas na televisão e para ser sincero foi uma experiência brutal num sentido menos positivo. Tinha bem presentes as palavras do Pisco acerca da falta de experiência de rolar em pelotão, e por esse motivo tentei sempre seguir ou com o Nelson ou em pequenos grupos de 3 ou 4 ciclistas. Ia ali eu sozinho com os meus pensamentos e de repente vem um ciclista a rebolar no chão do meio da faixa de rodagem para a minha frente. O barulho das bicicletas no chão e do trambolhão de mais 3 ou 4 ciclistas que não conseguiram evitar a queda por cima do ciclista que caiu primeiro parecia um trovão a irromper o céu. Nem tive tempo de exclamar um FO..-… Num segundo tinha o ciclista à minha frente e apesar de travar violentamente e me desviar o mais que pude, acertei-lhe em cheio com a roda da frente no capacete. Nem percebi como consegui não cair também e felizmente ninguém mais veio para cima de mim. Isto pensei eu, porque o “Chaço” deve ter levado uma pancada bem forte que não percebi. O grupo em que seguia o ciclista acidentado ficou a cuidar dele, e depois de garantir que estava tudo controlado dei seguimento à minha jornada. Recoloco a corrente nos carretos, pedalo uns metros, e sou abordado por outro ciclista que tinha assistido a tudo a questionar-me se também tinha caído. Disse-lhe que não e ele relatou-me o que originou a queda e avisou-me que devia ter um problema na bike, pois ele vinha atrás de mim e antes do acidente a roda estava boa e agora estava toda empenada. Desta vez tive tempo para exclamar um Fo..-..! Desmonto o Chaço e constato efectivamente que a roda de trás estava agora em modo “bailarina” completamente empenada. Pior ainda verifico que a da frente estava em igual estado. Verifiquei que apesar do empeno as rodas não batiam nos travões e decidi prosseguir viagem.

Mais uns quilómetros rolados e constato que as mudanças também ficaram desafinadas e que os travões fazem agora uns barulhos esquisitos. O que até ali tinha sido um passeio requeria agora cuidados redobrados para chegar ao fim. Muitas vezes pensei se o Chaço se iria aguentar até Sagres, em cada descida que fazia pensava se os travões não iriam falhar ou se a corrente não iria saltar, mas o Chaço acabou por se portar bem e resistir como um bravo até ao fim. O que acabou mesmo foi o conforto. Se já não era muito, a partir do quilómetro 109 passei a sentir cada imperfeição da estrada nos braço e infelizmente os 90 quilómetros que faltavam eram talvez aqueles com pior piso. Cada 10 ou 15 quilómetros que andava, tinha agora de parar para descansar e relaxar braços e mãos que teimavam em ir ficando dormentes. Parava cinco minutos, ficava tudo ok e retomava a jornada.

Entretanto o Nelson apanha-me pouco antes da subida de Odeceixe. Aqui a falha da Bike & Nutrition que indicou que o carro de apoio estaria no quilómetro 140, antes desta subida, e erro meu que não validei que o Rogil era ao quilómetro 145 depois desta subida. Felizmente tinha a alimentação controlada e não houve stress para fazer esta subida. Bem, não houve quase stress, porque a meio da subida saltou a corrente e lá tive de parar para recolocar tudo no lugar e retomar a subida a meio, situação que seja de carro ou de bicicleta nunca é a melhor. Mais um esforço e lá avistamos o Rogil já ao quilómetro 145. Paramos e lá estava o Parro também a reabastecer. Se na paragem anterior chegámos com 1h30 de avanço, aqui chegámos com 1h00 de atraso. Ponto positivo para a Bike & Nutrition que esperou por nós. Entretanto avisaram-nos de que o Taboas e a Marta iriam abandonar e ficar pelo Rogil quando lá chegassem.

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O Parro sai, eu e o Nelson ainda reabastecemos e recuperamos mais um pouco mas saímos pouco depois. Passados uns metros vem o Parro em sentido contrário a dizer que estava com cãibras e que iria ficar por ali. Seguimos eu e o Nelson rumo a Sagres. Faltavam 50 quilómetros e já sentíamos que só um grande azar nos faria não chegar a Sagres ainda de dia. Desta vez o Nelson seguiu à frente e eu ia parando de 15 em 15 quilómetros para relaxar os braços. Também não tinha todas as mudanças e não conseguia rolar à velocidade máxima que o Chaço permitia, pelo que ia resignado ao meu destino e rolava conforme a bike deixava. Uma palavra de apreço para outros carros de apoio que esperavam pelos seus atletas e que me atestaram o bidon de água sempre que foi necessário. Passei Aljezur, a Carrapateira e a Vila do Bispo e alguns quilómetros à frente lá estava o Nelson à minha espera para seguirmos juntos até Sagres. Foi rolar até ao Posto de Turismo de Sagres e chagar ao fim feliz por mais uma aventura conquistada. Tiradas as fotos da praxe, ainda pedalámos até ao Parque de Campismo da Orbitur, para tomar um duche, comer uma bolonhesa que muito bem nos soube e onde a restante comitiva nos esperava para o regresso a Setúbal.

No total foram 200 quilómetros a pedalar em 9h18 (paragens não contabilizadas), numa experiência inolvidável e que será certamente para repetir.

Obrigado à Bike & Nutrition pela organização dos carros de apoio e pela viagem de regresso.

Uma bjoka especial para a Filipa Vilar que sofreu um acidente, infelizmente com algumas consequências físicas, mas que ainda assim prosseguiu estoicamente até Sagres. Votos de rápida recuperação Filipa.

E um agradecimento especial ao Kalorias de Linda-a-Velha e ao IMT Instituto de Medicina Tracional que proporcionam que afine a forma para concretizar com sucesso estes desafios.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

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Se ainda não votaram no RunUltra Blogger Awards 2016 cliquem aqui e escolham o blog da vossa preferência, de preferência este Se for esse o caso, escolham o meu nome, sigam as instruções no final da página da votação e já está.

Agradeço desde já a vossa participação. 😉

Discovery Underground Lisboa

Foi hoje divulgada a lista dos 100 atletas escolhidos para participar no Discovery Underground Lisboa, a decorrer no próximo dia 12. Para quem desconhece, este evento é promovido pelo canal Discovery, destina-se a promover a candidatura de Madrid dos Jogos Olímpicos de 2020, e consiste numa corrida de 10 km pelos túneis do metro, no caso de Lisboa entre as estações de São Sebastião e a do Aeroporto. Depois do enorme sucesso que foram os eventos similares no metro de Madrid e de Barcelona, seria de esperar uma enorme adesão ao evento lisboeta, o que se veio a verificar com mais de 3000 candidaturas, mas que hoje ao ser divulgada a lista de escolhidos causou alguma decepção aos atletas tugas, uma vez que dos 100 lugares disponíveis cerca de 1/4 foram atribuídos a participantes espanhóis. Também fiquei entre os candidatos não escolhidos, mas isso não me “chateia” muito, pois apesar de gostar de participar neste evento, este coincide com o raid Tróia – Sagres para o qual tenho andado a treinar, e assim facilita-me a vida no que diz respeito a tomar “decisões difíceis”.

Por outro lado já nos idos anos 90 tive uma experiência parecida com este evento. Não consigo precisar exactamente o ano, mas ia eu para a Faculdade de Ciências para mais um dia de aulas, quando o metro, algures entre a Cidade Universitária e o Campo Grande, ficou sem energia. Após uma espera de mais de 30 minutos, eu e bem mais de 100 clientes do Metropolitano de Lisboa, fomos convidados a participar numa verdadeira aventura. Tudo começou por, às escuras e com luzes de presença mínimas, descermos pela porta traseira de cada carruagem um lanço íngreme adaptado de 3 ou 4 degraus de madeira, para o estreito caminho que separa a carruagem da parede do túnel. Mandaram-nos andar para o fim do comboio. Chegados ao fim da última carruagem, grupos de 20 a 30 pessoas, partiam ajudados pela luz de uma pequena lanterna de um funcionário do metro, à procura da luz ao fundo do túnel. Sim, ainda sou do tempo em que os telemóveis eram raros, e os que existiam ainda não eram “portáteis” nem tinham luz, portanto estávamos mesmo cingidos à luz da pequena lanterna, a ínfimas luzes de presença que não iluminavam o túnel e aos isqueiros dos passageiros fumadores. O caminho que nos indicaram para fazer foi para trás, em direcção à estação da Cidade Universitária. Circulámos assim algumas centenas de metros pelo túnel do metro, talvez mais de um quilometro, em ritmo lento mas divertido pelo inesperado da experiência, até chegarmos à estação da Cidade Universitária. Na altura ainda não corria nem ligava a estes pormenores, mas durante este pequeno trajecto deu para ter uma boa percepção de que de facto há algum desnível no percurso entre estações, que há vários “caminhos” que se podem percorrer com relativa facilidade, e sobretudo que o túnel é escuro, muito escuro.

Aos participantes no Underground Lisboa, que se divirtam com a experiência.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Rota Vicentina: Vila Nova de Milfontes – Almograve

No final do trilho à chegada a Milfontes tinha o Rui e Sandra à minha espera. Enquanto corri de Porto Covo a Milfontes, estas duas “peças” foram beber café e encheram-se de bolas de Berlim para “ganharem força” para o início da primeira etapa para eles, verdadeira comida de atletas. No entanto o trilho propriamente dito termina pouco antes da Praia do Porto das Barcas e daí até ao fim do percurso desta etapa faltam ainda cerca de três quilómetros, entre estradão e novas zonas em fase de urbanização, o que leva a que o percurso tenha algumas falhas na marcação nesta zona, mas como tinha o track no relógio foi pacífico não me perder. Cheguei assim ao centro de Vila Nova de Mil Fontes, onde tive oportunidade para reabastecer os bidons com água e sentar-me para tirar dois quilos de areia que transportava no interior dos ténis.

Vila Nova de Mil Fontes estava em festa e na foto em baixo ao meu lado, está uma das muitas personagens que se encontravam espalhadas por diversos pontos da vila.

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Entretanto o Rui e Sandra juntam-se de novo a mim, desta vez prontos para iniciarmos esta etapa. Ultimas verificações de material e lá vamos nós a correr em direcção ao Almograve.

Os primeiros 2,5 quilómetros deste percurso são percorridos em alcatrão, pelo centro de Vila Nova de Mil Fontes e pela estrada Nacional, o que requer atenção redobrada por causa do trânsito. Atravessada a ponte sobre o Rio Mira, faltam ainda 500 metros até se chegar a um portão que, uma vez cruzado, nos dá acesso ao trilho deste percurso. Existiam diversos avisos para termos cuidado com o gado neste troço entre o portão e a praia das furnas, mas desta vez não tivemos nenhum encontro com algum bicharoco.

O troço até à praia das furnas é em estradão pode fazer-se a bom ritmo e, chegados à praia das Furnas, aproveitou-se para observar a bonita Vila Nova de Milfontes da outra margem do rio e recuperar algum folego. Este troço são mais 2,5 quilómetros e termina com uma subida em alcatrão, que nos indica a saída da praia e nos leva até à entrada de novo trilho pela arriba da falésia. Os cerca de 10 quilómetros que nos separam de Almograve serão agora percorridos sempre em trilho junto à falésia. A principal surpresa foi a de que, excepção feita aos cerca de 500 metros do perímetro de rega do Mira, todo o restante percurso era bastante arenoso e com passagem por diversas dunas de areia, o que obviamente dificultava a progressão.

O perímetro de rega do Mira tem área enorme, mas o extremo onde passamos permite apenas vislumbrar uma área de mais ou menos 500m x 200m. Nesta altura estava apenas com relva e fazia lembrar três ou quatro campos de futebol lado a lado com uma relva verde e bonita. Como não havia placas para não pisar a relva, corri este troço muito bem por este manto verde e fofo .

rv_etapa2Entretanto surgiu a fome, e meti o meu “gel” de pão, queijo e presunto para refuel.

As paisagens ao longo da falésia são muito bonitas e quase sempre com o mar azul como pano de fundo. Mais uma vez avistam-se uma quantidade de praias enorme. Desde a Praia das Furnas contei pelo menos a Praia da Angra do Cozinhadouro, a Praia da Angra do Navio de Trigo, a Praia do Cavalo, a Praia do Brejo Largo, a Praia dos Picos, a Praia da Angra do Travesso, a Praia da Angra das Melancias e a Praia da Foz dos Ouriços, como dá para perceber há muito para descobrir ao longo do percurso.

Ao longo desta etapa cruzámo-nos com bastantes caminheiros, na sua maior parte estrangeiros, e pelo que percebemos de países francófonos. É uma pena os portugueses não terem estes hábitos de passear e desfrutar a natureza, ainda para mais com zonas tão bonitas, e muitas delas bem marcadas, para o fazer ao longo de todo o país.

A Praia da Foz dos Ouriços era a última praia antes da chega a Almograve. Nesta zona há duas rotas que partilham o mesmo percurso, a Vicentina que estávamos a fazer e outra de que não me recordo o nome. A Rota Vicentina segue um trilho um pouco mais longo que circunda Almograve, enquanto a outra rota segue um trilho mais directo para a vila. Seguimos o nosso percurso e eis que chegámos a Almograve.

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Nova paragem técnica, desta vez num dos cafés da vila, onde pudemos reencher os bidons, comer mais uma sandocha e beber uma jola fresquinha. Foi tempo também para pensar na questão logística de como regressar a Vila Nova de Milfontes, local onde tinha ficado o nosso carro, e nos 22 quilómetros que nos faltavam até à Zambujeira do Mar.

Mas estas histórias já vão ser num outro artigo.

A primeira parte desta aventura pela Rota Vicentina esta está disponível clicando aqui, e a história da etapa Porto Covo – Vila Nova de Milfontes está disponível clicando aqui.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Rota Vicentina: Porto Covo – Vila Nova de Milfontes

Se não leram a primeira parte desta aventura pela Rota Vicentina, esta está disponível clicando aqui.

Eramos três à aventura, mas esta primeira etapa Porto Covo – Vila Nova de Milfontes foi feita a solo por mim. O Rui e a Sandra não se sentiam com vontade de fazer os 60 quilómetros previstos e, sendo esta (em teoria) a etapa mais difícil, foram ter comigo a Vila Nova de Mil Fontes.

Passavam uns 10 minutos das 8 horas da manhã e sentia-se um vento ligeiro e fresquinho. O sol escondia-se algures atrás das nuvens e à excepção de um ou dois turistas madrugadores não se via mais ninguém na rua. Carrego no “start” e começo a seguir o track desta etapa no relógio.

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A partida de Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro

Comecei logo com uma voltinha desnecessária, já que me encontrava junto ao mar e o track enviou-me para o Largo do Mercado e de novo para junto ao mar perto do porto de pesca. Serviram estes metros para aquecer um pouco e revisitar o centro de Porto Covo, que há muito tempo não visitava.

Vinte quilómetros separavam-me de Vila Nova de Mil Fontes. Esta é a etapa das praias, o que se traduz em que quase toda a etapa é percorrida em areia ou em solo muito arenoso, e daí ser considerada a mais difícil.

Assim foi. Corri particamente os vinte quilómetros em areia, numa progressão lenta mas que ao mesmo tempo me deu muito prazer, a fazer relembrar os treinos para a Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia. A paisagem é fabulosa e é um privilégio poder desfrutar da imagem do oceano azul vivo em contraste com a areia dourada das praias. Descobrem-se muitas pequenas praias em todo o percurso, sem dúvida para as redescobrir numa outra oportunidade em passeio de praia mesmo.

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Uma das praias “secretas” que se descobrem a pé

Não sei se por ainda ser relativamente cedo ou por o tempo estar fresco e encoberto, não me cruzei com muitas pessoas durante esta etapa. Recordo o ar de espanto de meia dúzia de surfistas ao me verem chegar perto de uma enseada onde estavam acampados nas suas “pão de forma”, um outro estrangeiro que fazia o seu jogging matinal no estradão da Ilha do Pessegueiro, e um caminheiro com quem me cruzei já à chegada a Milfontes e que iniciava a etapa no sentido a Porto Covo.

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Correr à margem da falésia

À chegada a Milfontes tive ainda o encontro imediato com uma cobra que descansava no meio do trilho. Já vi várias cobras vivas e já estive com algumas na mão, mas se bem me recordo foi a primeira vez que vi uma cobra viva em pleno habitat natural. A coitada fugiu à minha passagem e nem deu tempo para tirar uma foto.

Gostei muito e desfrutei bastante desta etapa. Os extensos areais das praias da Ilha do Pessegueiro, Aivados e Malhão, as muitas e pequenas enseadas desertas ao longo de todo o trajecto, as cegonhas, a biodiversidade ao longo de todo o percurso, fizeram-me sentir cheio de energia positiva e foi uma excelente forma de começar esta aventura.

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Um dos muitos ninhos de cegonhas

Demorei cerca de três hora em ritmo lento, mas poder-se-á fazer a correr mais rápido. Quem apenas quiser caminhar o tempo previsto para concluir esta etapa é de cerca de 7 horas.

Podem obter mais dicas sobre esta etapa no site da Rota Vicentina, clicando aqui.

Em breve a história da segunda etapa: Vila Nova de Milfontes – Almograve.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ir à Aventura e ajudar o Nepal

Manifesto o meu apoio à iniciativa dos meus amigos Diogo Tavares, Hugo Rocha e Aires Barata.

Pretendem correr, andar e muitas vezes escalar os 300km com 26000D+ no imponente maciço do Mont Blanc que dá pelo nome de LA PETITE TROTTE À LÉON.

La Petite Trotte à Léon é um evento de ultra-resistência, em equipa, de dificuldade extrema, que se  realiza em alta montanha longe de caminhos trilhados. Este evento não é uma corrida, é uma experiência. Uma longa jornada de orientação realizada em autonomia total por uma equipa determinada de 3 amigos. A aventura consiste em contornar a totalidade do maciço do Monte Branco em equipa, passando por três países: França, Itália e Suíça, durante 300km e 26000m de desnível positivo, pelas zonas mais inóspitas da montanha. Atravessa-se em corrida, a passo e muitas vezes em escalada, paisagens únicas, aldeias de montanha, lagos, glaciares e os mais emblemáticos picos do maciço alpino. O tempo máximo para terminar esta aventura são 142 horas.

Os aventureiros


De facto vai ser dramático. Assustador e ao mesmo tempo fascinante. Uma oportunidade única de estar num local tão inóspito como maravilhoso e testar ao limite todas as capacidades físicas e mentais que o ser humano pode ter.

É necessária a ajuda de todos!

Calcula-se que será uma experiência inesquecível.
Vamos correr pelo Nepal. Como objectivo paralelo pretendem oferecer 10% de toda a colecta directamente aos bravos e incansáveis portugueses Lourenço Macedo Santos e Pedro Queirós que dão a dinamizar o Obrigado Portugal, nós também somos Nepal.

Está em curso uma campanha de financiamento colaborativo (Crowdfunding) para angariação de fundos na plataforma PPL com o objectivo de suportar os custos de logística e equipamento que uma aventura destas comporta.

Para ajudarem o Diogo, o Aires e o Hugo, acedam à plataforma PPL clicando aqui.

Para consultarem toda a informação sobre este projecto cliquem aqui.

Obrigado a todos os que ajudam e boa sorte aos aventureiros!!!

 

Rota Vicentina

Há dias em que apetecer parar tudo e partir à aventura. Desafiam-se alguns amigos, há sempre alguns doidos que se gostam de juntar a estes devaneios, e aí vamos nós.

O Last Minute Challenge que propus para a aventura do feriado de ontem, foi começar a percorrer o Trilho dos Pescadores da Rota Vicentina, rota esta que há muito estava nos meus planos começar a percorrer.

A Rota Vicentina é um percurso pedestre ao longo da costa Sudoeste de Portugal, com mais de 350 quilómetros para percorrer a pé, ou para quem preferir é claro, a correr. Divide-se em três tipos de percursos:

mapa_secciones2– O Trilho dos Pescadores: que contempla percursos entre Porto Covo e o Cabo de São Vicente, sempre junto ao mar, seguindo os caminhos usados pelos locais para acesso às praias e pesqueiros. Trata-se de um single track percorrível apenas a pé, ao longo das falésias, com muita areia e por isso mais exigente do ponto de vista físico. Um desafio ao contacto permanente com o vento do mar, à rudeza da paisagem costeira e à presença de uma natureza selvagem e persistente. Inclui um total de 4 etapas e 5 circuitos complementares, num total de 120 km.

– O Caminho Histórico: que percorre as principais vilas e aldeias num itinerário rural com vários séculos de história. Constituído maioritariamente por caminhos rurais, trata-se de uma clássica Grande Rota (GR), totalmente percorrível a pé e de BTT, com troços de montado, serra, vales, rios e ribeiras, numa viagem pelo tempo, pela cultura local e pelos trilhos da natureza. Inclui um total de 12 etapas e 230 quilómetros, entre Santiago do Cacém e o Cabo de São Vicente.

– Percursos Circulares: São percursos curtos com início e final no mesmo local, para que seja ainda mais fácil descobrir o prazer de caminhar no Sudoeste de Portugal. Actualmente existem cinco destes percursos, no Almograve, S. Luís, Troviscais, Santa Clara e Sabóia, que complementam e enriquecem os clássicos Caminho Histórico e Trilho dos Pescadores.

A proposta indecente que coloquei, como já referi, foi para iniciar a percorrer o Trilho dos Pescadores, e aproveitar o feriado para fazer as primeiras três etapas deste trilho, a contar de norte para sul. Assim as três etapas a percorrer foram: Porto Covo – Vila Nova de Mil Fontes; Vila Nova de Mil Fontes – Almograve; e Almograve – Zambujeira do Mar, num total de cerca de 60 quilómetros.

A ideia era a de fazer estas três etapas e terminar com um belo dia de praia na Zambujeira do Mar, mas o São Pedro não estava de acordo com isso e deve ter pensado: Já que estes doidos vão correr, não lhes vou dar sol para não se cansarem demais, mas vou proporcionar-lhes um bom clima para uma óptima corrida. E assim foi, o dia para a praia estava péssimo, mas o dia para correr estava óptimo.

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A alvorada foi às 5h00, nada melhor que acordar às 5h00 num feriado a meio da semana, pouco depois das 6h00 eu o Rui e a Sandra já rumávamos a Porto Covo para dar início a esta aventura, e pouco depois das 8h00 já se corria a primeira etapa do Trilho dos Pescadores.

Esta rota brinda-nos com cenários e paisagens espectaculares, daquelas de cortar a respiração, e não é por irmos a correr depressa demais ou correr em dunas enterrados na areia pelos tornozelos. É mesmo a beleza natural com que somos brindados, as enseadas, as praias secretas, o mar azul, os ninhos de cegonhas no topo das rochas, e muitas muitas outras coisas.

Continua…

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!