Mundo de Aventuras

À falta de condição para poder participar em aventuras iguais, gosto sempre de ir acompanhando à distância as grandes aventuras de amigos e conhecidos por este mundo fora, sempre com uma pontinha de inveja boa por não poder estar lá também a aventurar-me.

Neste momento acompanho a espectacular aventura do Carlos Sá na Travessia da Gronelândia,

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o desafio do Chema Martinez pelo Peru no Salkantay Trek em Machu Picchu,

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acompanho ainda com curiosidade a partida do Carlos Coelho para a Ultimate Jungle Ultra, 230Km pela Selva Amazónica do Peru

e ainda os últimos preparativos para mais uma aventura do Paulo Pires, desta vez pela Haute Route, percurso de 200 Km com 15.000 D+ que liga Chamonix a Zermatt.

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Aventuras, desafios, rotas, percursos fantásticos e ideias não faltam.

 

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Desta já te safaste…

Quem participa regularmente em provas de ultras distâncias, será sempre na minha opinião, alguém que tem uma força de vontade, capacidade de sofrimento e resiliência acima do considerado “normal”. Apesar destas qualidades, a maior parte das vezes, serem positivas no desenvolvimento pessoal, muitas vezes se conjuntas com cansaço físico, muitas horas sem dormir, e alguma teimosia, podem reunir um cocktail perfeito para as coisas correrem menos bem.

Congratulo o meu amigo Paulo Martins por se ter safado desta, uma desidratação forte e feia que lhe valeu 10 dias no hospital, no seguimento da sua participação no Ultra Trail Mont Blanc. Dentro do menos bom as coisas acabaram por correr bem, mas podia não ter sido assim. Espero que recupere totalmente depressa para podermos fazer mais uns treinos pela Arrábida.

PM

Quem corre em montanha, seja ela qual for, mais alta ou mais baixa, menos perigosa ou mais perigosa, com mais assistência ou menos assistência, terá de ter ser sempre uma grande dose de auto critica e de auto avaliação, e perceber quando se deve parar por estar a colocar outras coisas mais valiosas em risco como a nossa saúde ou mesmo a nossa vida. Não há corrida que valha isso.

E já agora nunca esquecer que não somos imortais, como em tempos escrevi aqui.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Inveja da boa

Começou a festa.

Melhor, começaram as festas!

Esta semana e as seguintes, concentram um sem número de provas de Ultra Trail tão famosas e interessantes, que se todas elas fossem transmitidas na televisão seria uma espécie de Campeonato do Mundo de Futebol, com provas todos os dias e a todas as horas.

UTMBO interessante aqui, é que há tantos amigos a participar nestas provas que o esforço necessário para as acompanhar e para saber novidades das mesmas é quase mínimo, tal a velocidade da informação que circula pelos mais diferentes meios virtuais.

Ora isto acaba por causar alguma inveja, inveja da boa entenda-se, tal o número de fotos de paisagens e trilhos espectaculares, em lugares remotos, em lugares famosos, com estrelas das corridas…

GRP

É amigos na PT281+, é amigos no Grand Raid des Pyrénées, é amigos já em Chamonix para o Ultra Trail Mont Blanc que começa no final da semana, é amigos a caminho do Tor de Geans, é amigos um pouco por todo o mundo…

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Bem vistas as coisas também eu estou em contagem decrescente para o Ultra Trail Cotê d’Azur Mercantour, em quinze dias lá estarei na partida para o empeno e será a minha altura de causar inveja da boa a alguém.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

O Ciclista

O que fazer quando se apanha um ciclista desprevenido a subir devagarinho por Monsanto?

Tenta-se apanhá-lo é claro!

Corria tranquilo no meu treino por Monsanto, em plena Estrada da Serafina, a preparar-me mentalmente para enfrentar a subida da Estrada da Belavista, e a equacionar se pararia para beber um golo de água no Parque da Pedra antes de tal subida. Estava calor, contava já com cerca de 8 quilómetros de sobe e desce, mas queria fazer os 13 quilómetros definidos no plano de treino a rolar sem parar. Como não sentia sede segui sem paragens. Corro os primeiros metros da Estrada da Belavista, faço a primeira curva à esquerda, e vislumbro um ciclista montado numa fininha, uns bons 150 metros à minha frente. A primeira subida tem cerca de 500 metros e já levava uns 150 de atraso, mas o ciclista pedalava num registo tão leve e monótono, quase que parecia em dificuldade, que me pareceu perfeitamente possível alcança-lo. E aí parti eu, tal galgo atrás de um coelho, atrás do ciclista desprevenido. Baixei uma mudança para a subida e acelerei. Corria e aproximava-me do ciclista. Não era uma aproximação brutal, daquelas rápidas que permitiria fazer uma ultrapassagem sem o ciclista perceber o que tinha acontecido, mas antes ia aproximando-me em modo stealth, para me chegar a ele e ganhar aquela corrida injusta, eu a pé ele na bike, que só eu sabia que acontecia. Corri e recuperei, ganhei metros, muitos metros, aproximei-me a uns curtos 20 metros do ciclista. Aí chegado a estrada faz uma pequena inflexão no seu desnível e desce durante uns bons 80 ou 100 metros, tendo o ciclista aproveitado para pedalar mais vigorosamente, ganhando uma velocidade que seria impossível de acompanhar e afastou-se de mim novamente. Tinha perdido esta corrida pensava eu, convencido de que não mais veria o ciclista até ao final do meu treino. Mas afinal estava enganado! Termino a curva à direita, já em nova subida rumo ao Restaurante Panorâmico, e lá estava o ciclista de novo naquele ritmo de quem vai cair da bicicleta a qualquer momento. Faltavam agora uns 600 metros a subir até ao Panorâmico e pensei: Desta não me escapas! Subi, subi, corri, corri, e aproximei-me. Aproximei-me tanto que o modo stealth tinha passado a modo motor a gasóleo (e daqueles antigos) a subir em primeira. A minha expiração bufava ruidosamente e fazia-se ouvir num bom raio de acção. Agora a um metro do ciclista, de certeza que ele a ouviria muito bem. Ele olha para trás e talvez pensasse que quem o perseguia era outro igual, montado numa bicicleta e a esforçar-se por subir a Belavista a pedalar. Mas não, viu-me e surpreendeu-se, e percebeu naquele instante que aquilo era uma corrida, e não a quis perder também. Tarde de mais. Estávamos à porta do Panorâmico. Três raparigas que talvez tenham ido ver a paisagem desde aquele edifício, olhavam para nós como quem via a final Olímpica dos 100 metros. Haveriam mais uns nove ou dez metros para subir, o ciclista levanta-se e lança a mão ao manípulo das mudanças. Ouço o estalar do carreto na bicicleta e preparo-me para acelerar até ao limite. Para sorte minha o “crack” do carreto foi um “crack crack crack”. O ciclista falhou a mudança, atrapalhou-se e eu venci a corrida com uma ultrapassagem no último momento, sem necessidade de recurso ao photofinish. Não levantei os braços em sinal de vitória, mas ria-me muito por dentro, pela reacção que o ciclista teve quando me viu a apanhá-lo. Nisto o ciclista passa por mim, encosta e bebe um golo do bidon que seguia no quadro da bicicleta, enquanto me observava a passar por ele de novo. Disfarçou bem esta derrota. Continuei o meu treino a correr a descida final da Estrada da Belavista. Entretanto, o ciclista passa por mim a alta velocidade e nunca mais o vi.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ir ao mecânico

Segunda-feira foi dia de ir ao mecânico, que é como quem diz, ir ao Instituto de Medicina Tradicional para recolocar os “ossos” no sítio.

Consegui fazer os 115 Km do MIUT sem agravar o estado do tornozelo, o que já não foi mau, mas ainda assim foi quase 1h30 a pôr as “peças” no seu devido lugar.

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Agora é mais uma a duas semanas a treinar com calma, para manter tudo no devido lugar e esperar que no fim o chassi esteja mais afinadinho. Depois é recomeçar a treinar o motor para os próximos desafios.

Continuação de bons treinos e boas provas!!!

Toca a Todos, a nós tocou-nos 0,1%

Faz hoje duas semanas que participei na Ultra Maratona Solidária Toca a Todos. Se não sabem do que estou a falar, podem relembrar o âmbito desta acção solidária aqui e aqui.

Não sendo este desafio uma prova competitiva mas antes uma acção solidária, vou resumir-me ao que de bom teve esta acção solidária.

Let’s Party!!! Leiria, Lisboa é já ali…

 

Segundo o que tem sido divulgado pela RTP/Antena 3, os promotores oficiais desta acção, foram angariados cerca de 410000 Euros para ajudar a combater a pobreza infantil. Eu, o Nélson e a Sandra, com a nossa “venda” de quilómetros a favor desta causa, contribuímos com pouco mais de 0,1% desse valor. Na verdade foram os nossos amigos que contribuíram na maior parte, ao comprarem os quilómetros que iriamos correr de Leiria a Lisboa, e a eles o nosso muito obrigado. Nunca é demais agradecer e repetir o nome deles:

Vânia Silva • Liliana Silva • Sónia Tubal • Cláudia Pargana • Henrique Ruivo • Paulo Jorge • Céu Carvalho • Patrícia Gomes • Zé Lourenço • Sandra Simões • Paula Veiga • Paula Carvalho • Sofia Agostinho • Nélson Marques • João Valente • Patrícia Mar • Joaquina Reforço • João Gião • João Vargas • Krzysztof Waberski • Luís Antunes • José Rodrigues • Mustafa Kilic • Augusto Pereira • Francisca Reforço • Alexandre Perdigão • Susana Lourenço • Sónia Teixeira • Jorge Esteves • Pedro Simões • Fernando Simões • Marcos Ribeiro • Ana Varejão • Sofia Coelho • Daniela Rocha • Patrícia Marques • Lilian Kato • D. Rosa • Joana Sena • Clara Rianço • João Gaspar • Jorge Esteves • Pedro Carvalho • Maria Emília Janela • Mafalda Faria • Carlo Martins • Marlene Silva • José Caldeirinha • Patrícia Encarnação • Ana Isaías • Nuno Gião • Sandra Antunes • Flávia Dionísio • Mónica Lousada • Francisco Fernandes • Pedro Machado • Manuela Machado • Guilherme Nalha • Gustavo Nalha • Duarte Martinho • Francisco Fernandes • Patrícia Candeias • Lídia Marques • Isabel Tempero • Sara Ali.

Entrega do donativo de todos nós à caixa dos Ultra Maratonistas

 

Da aventura desportiva de Leiria a Lisboa, tenho sobretudo a realçar o companheirismo e a amizade com que decorreu toda esta aventura. Foi bom partilhar muitos quilómetros de corrida com verdadeiros campeões, e foi bom sentir o calor de tantos amigos à partida e a chegada.

Também houve direito a descansar 😉

 

Correndo o risco de me esquecer de alguém, quero agradecer a todos os que apareceram em Leiria na partida, no Terreiro do Paço à chegada, ou foram enviando mensagens de motivação ao longo da noite: o Bagorro, a Paulinha, a Isabel, a Vânia, a Lili, o Krzysztof, a Sara, a Marisa, o Luís, o Miguel, a Bernardete, o Marco, a Emília, a Catarina, o Victor, o João, a Carla, a Nur, a Andreia, a Cristina, a Susana, a Joaninha, e aqueles de que me esqueci agora de referir. Um abraço especial ao Zé Lourenço e à Elena que se juntaram a todos os atletas nos últimos quilómetros desta aventura.

Amigos 🙂

 

E mais amigos 🙂

 

O líder do grupo que partiu de Leiria foi o grande campeão João Colaço, e a ele quero também agradecer a partilha de experiência e a oportunidade de correremos juntos. Ao André Goucha que o acompanhou e deu apoio a muitos atletas, eu incluído, e ao Paulo Costa atleta que se esforçou por correr a maior distância entre todos, um especial obrigado.

A equipa sempre acompanhada de campeões 🙂

 

É claro que toda esta aventura só começou por ser possível, por um tipo ainda mais maluco que eu e de seu nome Nélson Marques, me ter desafiado a participar em tal gloriosa jornada. E como quando corre um maluco português, juntam-se logo mais dois ou três, não faltou também a Sandra Simões para compor o ramalhete de pessoal que não tinha mais nada para fazer numa sexta-feira à noite, senão ir a correr de Leiria a Lisboa… E tudo isto acabou sendo possível por se terem juntado ao grupo duas peças fundamentais, a Lilian e o Kiko, que fizeram um excelente serviço de carro de apoio, sem o qual não teria sido possível cumprir esta jornada de tantos quilómetros. A todos vocês um obrigado enorme, daqueles que não cabe em palavras.

Corre, que estás quase a chegar…

 

Por fim o obrigado mais especial de todos: para a minha Mãe, e já agora para todas as Mães.

Na paragem na Marinha Grande, terra do campeão João Colaço, lá estavam os seus pais a desejar-lhe boa sorte, mas também a lembrar-lhe que ele é de carne e osso, e com as preocupações que todas as mães e pais têm para com os seus filhos. É sempre giro constatar que as preocupações dos progenitores são comuns para com os seus rebentos, sejam eles campeões ou atletas de pelotão.

Um beijinho especial 🙂

 

Foi reconfortante lembrar-me que dali a pouco mais de 130 quilómetros, teria também a minha Mãe à espera. Um grande beijinho para ti.

Sigam a Ultra Maratona Solidária

Faltam pouco menos de 24 horas para ter inicio a minha participação na Ultra Maratona Solidária Toca a Todos.

Vão ser cerca de 150 Km, de Leiria até ao Terreiro do Paço em Lisboa, a acompanhar os melhores dos melhores da Ultra Maratona. Espero ter pernas para completar tal desafio sem problemas.

Já apresentei e expliquei a iniciativa Toca a Todos noutro artigo, pelo que se ainda não conhecem ou não ouviram falar, façam favor de revisitar o que escrevi clicando aqui.

Paralelamente à iniciativa oficial, eu, o Nélson Marques e a Sandra Simões, decidimos “vender” simbolicamente a 1 Euro os quilómetros que vamos percorrer nesta iniciativa, eu e Nélson aproximadamente 150 Km cada um, e a Sandra cerca de 30 Km.

Os nossos amigos e familiares são uns porreiraços e, em poucas horas, ultrapassamos a barreira dos 330 Km que tínhamos ambicionado.

Até ao momento contribuíram para a causa Toca a Todos os nossos amigos:

Vânia Silva • Liliana Silva • Sónia Tubal • Cláudia Pargana  • Henrique Ruivo  • Paulo Jorge • Céu Carvalho  • Patrícia Gomes • Zé Lourenço • Sandra Simões • Paula Veiga • Paula Carvalho • Sofia Agostinho • Nélson Marques • João Valente • Patrícia Mar • Joaquina Reforço • João Gião • João Vargas • Krzysztof Waberski • Luís Antunes • José Rodrigues • Mustafa Kilic • Augusto Pereira • Francisca Reforço • Alexandre Perdigão • Susana Lourenço • Sónia Teixeira • Jorge Esteves • Pedro Simões • Fernando Simões • Marcos Ribeiro • Ana Varejão • Sofia Coelho  • Daniela Rocha • Pat Marques • Lilian Kato • João Gaspar • Jorge Esteves • Pedro Carvalho • Maria Emília Janela • Mafalda Faria • Carlo Martins • Marlene Silva • José Caldeirinha • Patrícia Encarnação • Ana Isaías • Nuno Gião • Sandra Antunes • Flávia Dionísio • Francisco Fernandes,

aos quais desde já endereço o nosso grande muito obrigado, e que nos permitiram angariar para esta causa e até ao momento, a quantia de 350 Euros.

A quantia que apurarmos até amanhã, será depositada na caixa para o efeito, no estúdio transparente, à nossa chegada ao Terreiro do Paço pelas 16h30 de Sábado.

Podem continuar a contribuir para ajudar a combater a pobreza infantil em Portugal por estes meios:

Para acompanharem a nossa aventura em tempo real podem fazê-lo em:

  • Site da RTP com mapa e localização em tempo real dos Grupos participantes, clicando aqui.
  • Página do Facebook onde tentarei ir actualizando os locais por onde andamos, clicando aqui.

Mais coisa menos coisa, o Grupo liderado pelo João Colaço e onde eu vou inserido terá este horário:

Localidade Dia Hora Km Parciais Km Totais Latitude Longitude
Leiria 05-Dez 22:00 0 0  39°44’40.52″N   8°48’28.99″W
Marinha Grande 06-Dez 01:30 12 12  39°44’49.19″N   8°56’1.91″W
Nazaré 06-Dez 03:15 18 30  39°36’59.89″N   9° 3’31.52″W
Caldas da Rainha 06-Dez 06:00 27 57  39°24’7.82″N   9° 8’9.97″W
Casais do Caniço 06-Dez 07:40 17 74  39°16’22.56″N   9° 2’54.08″W
Aveiras de Cima 06-Dez 09:45 21 95  39° 8’26.89″N   8°53’58.95″W
N3 06-Dez 10:00 3 98  39° 7’9.95″N   8°52’48.40″W
Aveiras de Baixo 06-Dez 10:06 1 99  39° 6’37.64″N   8°52’8.24″W
Azambuja 06-Dez 10:42 6 105  39° 4’15.78″N   8°51’49.46″W
Vila Franca de Xira 06-Dez 12:30 17 122  38°57’31.54″N   8°59’11.96″W
Expo-Pala Pav. Portugal 06-Dez 15:30 25 147  38°45’47.45″N   9° 5’45.49″W
Praça do Comércio 06-Dez 16:30 7 154  38°42’27.06″N   9° 8’11.58″W

Na Marinha Grande, há a junção do nosso grupo com o Grupo que vem de Caminha liderado pelo Carlos Sá, e com o Grupo que vem do Porto liderado pelos “Cães da Avenida”.

Em Vila Franca de Xira estes três grupos reúnem-se com os Grupos que vem de Manteigas liderado pelo Armando Teixeira, e o que vem de Sagres liderado pelo Miguel Reis e Silva.

 

Todos juntos, encontraremos muitos outros atletas e grupos de corrida no Parque das Nações, para nos acompanharem até ao destino final no Terreiro do Paço.

O Miguel Reis e Silva e o Carlos Sá já estão a caminho de Lisboa. Boa viagem para os vossos grupos.

Daqui a pouco estaremos todos juntos.

Esperamos por todos vós no Terreiro do Paço, Sábado por volta das 16h30. Até lá 😉

Ultra Maratona Solidária

Por vezes há desafios a que temos de dizer que sim, apenas porque são por uma boa causa.

No âmbito do repto que a RTP lançou à sociedade civil para a criação de iniciativas com o objectivo de combater a pobreza infantil, alguns dos principais grupos de maratonistas do nosso país juntaram-se para organizar uma ultra maratona solidária. Vão sair dos pontos mais extremos de Portugal em direcção à Praça do Comércio. E é relevante a acção unir os pontos mais extremos de Portugal. Da simbologia de Sagres, de Caminha e do ponto mais alto do país, a Serra da Estrela. Ao todo serão percorridos mais de 1000 km por esta causa.

O desafio é também que pontualmente em cada zona de passagem, mesmo que por alguns Kms apenas, muitos portugueses a eles se associem. E eles vão pedir a todos quantos queiram endereçar a cada um dos Grupos Líder, donativos, eles deixarão o dinheiro recolhido pelo caminho, no “Estúdio de Vidro” da Praça do Comércio, numa chegada que será transmitida em directo na rádio e televisão, depois das 3 da tarde de Sábado.

Irei juntar-me a esta acção e farei parte do grupo liderado pelo João Colaço que irá partir do centro (Leiria) na próxima 6ªfeira pelas 21h30.
Na Marinha Grande iremos juntar-nos aos grupos que vêm de Caminha e do Porto, liderados pelo Carlos Sá e pelos Cães da Avenida respectivamente, mais tarde aos grupos que vêm do interior (Manteigas) e do sul (Sagres), liderados pelo Armando Teixeira e Miguel Reis e Silva.
Porque em Portugal uma em cada três crianças está em risco de pobreza, unimo-nos e juntos vamos ajudar a chamar à atenção de todos para ajudar a resolver este problema.

Vamos rumo à Praça do Comércio em Lisboa onde deixaremos o contributo em dinheiro de todos os que nesta viagem se queiram encontrar connosco, correr e contribuir financeiramente para esta causa.

Juntos! Todos os Ultra Maratonistas de Portugal.

É uma iniciativa da sociedade civil, associada à mega operação Toca a Todos da Antena 3 e do Grupo RTP, de 3 a 6 de Dezembro. Toda a informação sobre a acção Toca a Todos disponível clicando aqui.

Podem acompanhar as minhas actualizações desta aventura na minha página clicando aqui.

Partilha! Passa a palavra!

Os Imortais

Quantos de nós, que corremos em trilhos e montanha, que já ultrapassámos desafios inimagináveis para muitos e para nós próprios, que corremos distâncias absurdas de 50, 100, 200 e mais quilómetros, que subimos a picos gelados e corremos na areia quente do deserto, quantos de nós nunca ultrapassámos os limites da segurança por uma vez que fosse, ou nunca apanhámos um susto – maior ou mais pequeno, ou nunca reflectimos após uma qualquer acção mais tresloucada: desta vez até correu bem…

Vem esta pequena reflexão a propósito do João Marinho se encontrar desaparecido nos Picos da Europa, atleta que não conheço pessoalmente, mas que a julgar pelas palavras de amigos que o conhecem, só pode ser uma excelente pessoa e um excelente atleta.

Não sei se o João Marinho teve um qualquer percalço ou não, nem de que modo planeou e preparou a sua aventura.

A reflexão que pretendo fazer é que todos nós já arriscámos aqui e ali, seja num trilho urbano à porta de casa, na serra que corremos todas as semanas, ou no estrangeiro num local desconhecido. Já todos tivemos percalços, acidentes, azares e sorte, muitas vezes sem consequências, outras com pequenas mazelas, e por vezes com resultados menos felizes.

Estudem bem e preparem ainda melhor as vossas aventuras. Invistam na vossa própria segurança como fazem no restante equipamento; hoje é muito fácil poder ser localizado em tempo real em quase todo o mundo.

E quando tiverem que se aventurar aventurem, quando tiverem de arriscar arrisquem, mas nunca que se esqueçam que não somos imortais…

“Nothing is as important as passion. No matter what you want to do with your life, be passionate”, o pessoal espera-te de volta João.

II Dura Trail Proaventuras

Decidi participar no II Dura Trail ProAventuras à última da hora, como primeiro de dois treinos longos a cumprir no fim-de-semana. Foi nesta perspectiva mais descontraída que abordei esta prova, sendo o objectivo treinar e não fazer um tempo eventualmente mais rápido.

Sábado de madrugada lá acordei e rumei até aos Bombeiros Voluntários de Setúbal, local onde teria de levantar o dorsal e onde teria igualmente a partida desta prova.

A partida era às 9h00 e cheguei um pouco antes das 8h00, pelo que deu tempo de sobra para levantar o dorsal, agradecer ao Lívio Nuno que por se encontrar lesionado me cedeu o seu dorsal para a prova e, encontrar e conversar com uma série infindável de amigos das corridas, uns que iam participar na prova mais longa de 35 Km e outros que se iriam ficar pelos 22 Km.

Quase a chegarem as 9h00 e foi tempo de agrupar para o controlo zero e partir pouco depois. O dia estava bonito com o céu azul e o sol a brilhar no alto, a indicar que os 27º previstos iriam mesmo ser atingidos.

Soou o apito para a falsa partida e lá foram os cerca de quatrocentos atletas rumo à Serra da Arrábida; falsa partida porque antes da partida oficial ainda se rolou perto de 1600 metros entres os Bombeiros, a Av. Luísa Todi e a subida para o Forte de São Filipe. Aí soou de novo o apito e foi dada a partida oficial do Dura Trail.

A subida permitiu o pelotão alongar um pouco e entrámos em zonas de trilhos muito bonitos, com vista para o Rio Sado e a península de Tróia que fazem qualquer um sonhar acordado. A estratégia para a prova era rolar calmamente num ritmo controlado, pois se no Sábado eram 35 Km no Domingo iria correr mais 30 Km, e convinha chegar ao final do fim-de-semana inteiro e sem mazelas. A organização da prova foi muito boa, com todo o percurso bem sinalizado quer com fitas quer com um sem número de voluntários que ajudaram na organização, e ainda com abastecimentos muito completos que não permitem queixas aos atletas mais exigentes. A acompanhar o percurso existiam igualmente as famosas tabuletas com nomes tão sugestivos como Brutassauros por exemplo, que nos faziam antecipar um pouco aquilo que nos esperava nos metros ou quilómetros seguintes.

A minha corrida foi bastante tranquila, inicialmente mantive um ritmo razoável a subir e acelerei um pouco a descer, mas ao fim da terceira descida acentuada decidi acalmar e rolar mais calmamente até final. Com excepção de alguns dos single tracks já conhecia grande parte do percurso que corremos, mas curiosamente sempre o corri no sentido contrário ao que se fez nesta prova pelo que acabou sendo na mesma uma novidade. Já a subida para a Vigia, o ponto mais alto desta prova, não era novidade. Logo no início da subida encontrei o meu amigo Maré que andava a passear pela serra e ainda perdi uns 4 ou 5 minutos a por conversa em dia. Aí perdi o contacto com a atleta Ana Cristina com quem tinha ida até ali em modo: ora vais tu à frente ora vou eu, o que curiosamente também já tinha acontecido no Grande Trail da Serra d’Arga. A chegada à Vigia é sempre espetacular com uma vista fantástica de 360º, de onde se pode ver quase tudo entre Sintra e a Comporta. Depois foi quase sempre a descer até Setúbal, com destaque para duas coisas que detesto: atravessar ribeiros com areias soltas e calçadas romanas. Acumular areia dentro dos ténis é incomodativo e perturba-me um pouco a passada, pelo que tive de parar e retirar areia por duas vezes para voltar ao conforto de corrida habitual.

Já quanto à calçada romana não há qualquer hipótese de gostar; e a citação “estes romanos devem estar louco” aplica-se na perfeição quando imagino o romano que planeou tais caminhos. Aqui não tive outra solução que não a de abrandar e desejar que a tal calçada terminasse o mais depressa possível para voltar a correr em condições. Depois de todo este sobe e desce ainda houve tempo para um single track rápido até à praia, de onde faltavam cerca de 2 Km até à meta. Foram dois quilómetros partilhados entre a areia da praia e o passeio marítimo, a fazer-me relembrar por instantes a dureza da Ultra Maratona Atlântica, mas o cheiro a meta era já tão forte que já nada me impedia de manter o ritmo forte até à meta.

No final foram 38 Km e não os 35 anunciados, que cumpri em 4h51, perfeitamente dentro do que tinha estabelecido como objectivo para esta prova.

Já não cheguei a tempo da aula de zumba, mas cheguei muito a tempo de comer uma fantástica massa de peixe oferecida pela organização.

Em resumo o Dura Trail é uma prova muito bem organizada, num percurso de beleza ímpar e que certamente todos os que gostam de trail running deveriam experimentar. Para o ano há mais!!!

Fica aqui um cheirinho do Dura Trail 2014 captado pela câmara do atleta Pedro Cavaco:

E para quem gosta destas coisas o link com o percurso e com a minha participação.

Continuação de bons treinos e boas provas!!! 😉