Dedicated: Sage Canaday at UTMB 2015

Este mês tem sido profícuo em apresentação de filmes de atletas do topo do pelotão na sua participação no UTMB 2015.

Partilho convosco este filme sobre o atleta profissional (curiosamente também americano) Sage Canaday, patrocinado pela Hoka One One, e que infelizmente não conseguiu chegar ao fim do UTMB 2015 por motivo de lesão.

Promoção e publicidade à parte, tiram-se algumas lições motivacionais sobre o que é participar no UTMB e, também, a importante lição de que por vezes é necessário saber quando parar e desistir.

A nossa saúde e integridade física deve ser sempre a nossa prioridade principal, mesmo que estejamos a meio caminho de concretizar um sonho ou objectivo de vida.

E claro, como em quase todos os filmes sobre o UTMB as paisagens e trilhos da prova são deslumbrantes de se ver.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Desta já te safaste…

Quem participa regularmente em provas de ultras distâncias, será sempre na minha opinião, alguém que tem uma força de vontade, capacidade de sofrimento e resiliência acima do considerado “normal”. Apesar destas qualidades, a maior parte das vezes, serem positivas no desenvolvimento pessoal, muitas vezes se conjuntas com cansaço físico, muitas horas sem dormir, e alguma teimosia, podem reunir um cocktail perfeito para as coisas correrem menos bem.

Congratulo o meu amigo Paulo Martins por se ter safado desta, uma desidratação forte e feia que lhe valeu 10 dias no hospital, no seguimento da sua participação no Ultra Trail Mont Blanc. Dentro do menos bom as coisas acabaram por correr bem, mas podia não ter sido assim. Espero que recupere totalmente depressa para podermos fazer mais uns treinos pela Arrábida.

PM

Quem corre em montanha, seja ela qual for, mais alta ou mais baixa, menos perigosa ou mais perigosa, com mais assistência ou menos assistência, terá de ter ser sempre uma grande dose de auto critica e de auto avaliação, e perceber quando se deve parar por estar a colocar outras coisas mais valiosas em risco como a nossa saúde ou mesmo a nossa vida. Não há corrida que valha isso.

E já agora nunca esquecer que não somos imortais, como em tempos escrevi aqui.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Mais vale tarde que nunca…

Há uns dias escrevi por aqui que ainda estava de ressaca da minha participação no Andorra Ultra Trail.
Pois bem, é agora oficial que a ressaca acabou. Durou umas semanas valentes é certo, mas já passou.
Esta foi a minha primeira desistência em prova e, na realidade, apesar de me preparar psicologicamente para todos os cenários possíveis durante uma corrida, penso que não estava preparado para ter de desistir. Parece-me que desistir é mais penoso para um comum atleta de pelotão como eu, que vou correr pelo simples prazer de correr, pelo desafio de me superar a cada quilómetro, de conhecer novos lugares e novas pessoas, usufruir de estímulos fantásticos em percursos e paisagens mágicas completamente novas para mim, do que para um profissional que poderá encarar estes desafios como mais uma prova e mais uns quilómetros para o seu meio de subsistência.

É oficial: ressaca curada. Venha o Ultra Trail Cote d’Azur Mercantour

Depois de mais uma consulta no IMT – Instituto de Medicina Tradicional e com a garantia que está tudo no sítio, já regressei aos treinos devagarinho e com muita tranquilidade, mas em contagem decrescente a pensar no próximo desafio que terá início daqui a 53 dias, o Ultra Trail Cote d’Azur Mercantour.
É tempo de treinar com calma e aproveitar o verão, e tentar chegar na máxima forma em Setembro para este desafio.
Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Em Ordino respirou-se Trail

A base do Andorra Ultra Trail foi a cidade de Ordino. Durante quatro dias respirou-se trail, trail e mais trail por estas paragens. Só depois de lá ter chegado me apercebi que esta seria a minha estreia fora de Portugal em provas de Trail. Já corri algumas maratonas de estrada no estrangeiro, mas trilhos foi de facto a primeira prova. A envolvência de toda a cidade no Andorra Ultra Trail, em particular nos arredores da Igreja de Sant Corneli e Sant Cebrià – local de partida e chegada de todas as provas, foi de facto uma coisa fora do comum, em particular se considerarmos a falta de entusiasmo dos portugueses em geral para este tipo de eventos desportivos cá pelo burgo.

Outra coisa que me impressionou foi o perfil dos atletas ali presentes. Durante quatro dias desfilaram-se t-shirts de finisher de todas as cores e feitios, das mais diversas provas de Ultra Trail por esse mundo fora, arriscar-me-ia a dizer, cada uma mais difícil (e mais interessante) do que a outra. Não diria que todos tinham um ar de pró, mas todos eles aparentavam uma invejável forma física, ou pelo menos de corredor de ultra distâncias.

IMG_20150625_171829Durante três dias estive mesmo convencido que era o tipo mais gordo que estava em Andorra para participar no Ultra Trail. Não fosse a casualidade de ter desistido da prova e ter passado muitas horas na zona da meta à espera dos amigos que por lá andavam também, e não teria tido a oportunidade de assistir à chegada de um atleta bem mais gordinho que eu. Ainda assim, não abona muito a meu favor ser o segundo mais “forte” a correr no Andorra Ultra Trail, pelo que para o ano espero chegar lá em bem melhor forma para a vingança nos Pirenéus.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ressaca do Mitic Andorra Ultra Trail

Ainda estou a ressacar da minha participação no Mitic Andorra Ultra Trail.

Quilometro 28, uma descida algo traiçoeira na encosta de um vale, numa espécie de single track aberto por entre um pasto de relva alta, verde e húmida, fez-me pensar: “é preciso ter cuidado neste troço que é mesmo propício para escorregar e mandar um tralho”. Ora devo ter corrido uns 20 metros após este pensamento e o pé direito escorrega na relva fresquinha. Com a perna esquerda tentei equilibrar-me e evitar uma queda certa, e nesta tentativa infrutífera coloco mal o pé no chão e torço o tornozelo esquerdo. Enquanto isto continuo a voar sentado, numa espécie de triplo salto que faria inveja ao Nélson Évora. Quando chego com o rabo ao chão percebi que a minha corrida tinha terminado ali. Correr ou mesmo caminhar com um tornozelo em mau estado pelos 84 quilómetros que ainda faltavam, seria um esforço e um sofrimento desnecessários, que apenas serviriam para tentar terminar (sem garantia de que o conseguisse) esta prova, sem me estar a divertir e a desfrutar todo o percurso como gosto. Foi uma decisão difícil mas acertada. Ainda saí do ponto de controlo dos 31 quilómetros, (onde abandonei a prova), em direção ao ponto de controlo seguinte aos 44 quilómetros, mas após caminhar 500 metros percebi, sem dúvidas, de que não valia a pena continuar assim.

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O percurso do Mitic Andorra Ultra Trail

Acabei assim completando apenas 31 quilómetros e 3300 metros de desnível positivo do Mitic Andorra Ultra Trail.

Pontos positivos:

  • Toda a envolvência da prova
  • A organização de alto nível
  • A experiência de correr em alta montanha e aprender os seus efeitos
  • A subida ao pico de Comapedrosa a 3000m de altitude.

Agora é tempo de recuperar e começar a preparar a próxima prova: os 141 Km do Ultra-Trail Côte d’Azur Mercantour.

Até lá ainda irei escrever algumas coisas sobre o Andorra Ultra Trail, que é sem dúvida uma prova espectacular, e onde para o ano irei de novo participar para vingar o insucesso deste ano.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!