The show must go on…

Ter de desistir no Ultra Trail Mont Blanc foi como falhar o último penálti na final da Liga dos Campeões.

Foi sentir a festa, sentir todo o ambiente à volta da prova, partilhar momentos com muitos outras atletas, sentir as dificuldades e desfrutar das paisagens fantásticas do Monte Branco, e chegar ao fim e ver os outros levantarem a taça.

Não me sinto desiludido pois sei que fiz o melhor que consegui. Sinto-me chateado e irritado comigo próprio porque um erro estúpido, de rookie, mas de qual apenas sou o único responsável, comprometeu tudo o que ficou para trás.

E para trás não ficaram apenas os quase 100Km que corri no UTMB, ficaram também, os 1400 Km de treino específico para esta prova, os 150 Km do Ultra Trail Cotê d’Azur, os 115 Km do MIUT, os 82 Km do Arrábida Ultra Trail, e os mais de 3500Km com que preparei estas provas que me permitiram qualificar e participar no UTMB.

Sabia bem ao que ia, daquilo que fiz deu para perceber que o UTMB não é mais duro que o Ultra Trail Cotê d’Azur. Estava relativamente bem preparado (para o meu nível) e, nos 100Km que percorri, não cheguei a conhecer o homem da marreta. Muscularmente estava bem e tinha a percepção que podia ir mais longe sem problemas.

Literalmente, eu tinha a marreta nas mãos e deixei-a cair nos meus pés.

Decisão de última hora antes da partida, decidi calçar umas meias mais grossas do que aquelas com que treinei nos últimos meses. Pior do que isso, apesar das centenas de quilómetros que já corri com aquelas meias, nunca tinha experimentado o binómio meias + ténis com que iniciei o UTMB. O muito calor que se fez sentir e o acumular de quilómetros, fez com que os meus pés inchassem mais que o normal. Em conjunto com umas meias mais grossas que o habitual e os pensos que levava nos dedos, criei uma mistura explosiva que começou a surtir efeito logo a partir do Km 16 quando se iniciou a descida para Saint-Gervais. Não sentia os pés confortáveis, os dedos queriam sistematicamente ultrapassar a frente dos ténis, e ou os encolhia ou os deixava roçar na malha. Cheguei a Saint-Gervais com essa sensação de desconforto, mas os longos quilómetros seguintes sempre a subir atenuaram essa sensação de desconforto. O pior veio a seguir com a descida para Les Chapieux. Sem perceber bem porquê cheguei lá em baixo com os pés desfeitos e os dedos dos pés quase mortos. A subida seguinte atenuou novamente a dor, mas a descida até Lac Compal foi novamente demolidora e, sei agora, acabou com o que restava dos meus dedinhos. Cheguei a Lac Combal e fiz aquilo que já deveria ter feito há mais tempo, descalçar-me e trocar as meias. Too late. A unha de meu dedo grande do pé direito estava completamente em sangue e a cada passo a descer era como se me espetassem um prego quente na parte da frente do pé. Subi até ao Col du Mont-Favre a pensar no que seria a descida até Courmayeur  e quando comecei a descer foi simplesmente brutal, o misto de sentimentos entre a força para continuar e o sacrifício para descer eram contraditórios, e claro correr era impossível, e tive de me arrastar descida abaixo.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
22:38:45 18:24:28 96.94 5.27 34.92 6,060.20
hours hours km km/h km/h meters

Chegado a Courmayeur a queimar o tempo limite, apenas tive tempo para tomar um duche rápido e tratar dos pés o melhor que pude. A hora era de decisões: parar ou continuar. Decidi continuar. Tinha esperança que a subida que se seguia me animasse e animou. A subir não tinha dores por aí além e até ao refúgio Bertone ultrapassei umas boas dezenas de outros atletas. A triste realidade veio depois a caminho do refúgio Bonatti, num terreno relativamente rolante, as dores no dedo do pé aumentaram e impediam-me mesmo de correr. Comecei a fazer contas aos tempos e aos quilómetros e achei que o melhor era parar já que a situação do dedo do pé só iria piorar e dificilmente iria conseguir recuperar algum tempo naquelas condições.

Deitei-me na relva a observar as montanhas e decidi dormitar 30 minutos. Não consegui dormir mas a beleza da paisagem valeu cada segundo ali dispensado. Prossegui em direcção ao Refúgio Bonatti lentamente e a desfrutar a montanha. Cheguei ao refúgio e abandonei a prova. Falhei o penálti mas a vida continua.

Hoje foi dia de regressar às corridas. O dedo do pé direito continua em recuperação, meio dormente, ainda não totalmente recuperado da aventura, mas já aguentou 10 quilómetros sem problemas.

The show must go on!

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

UTMB 2016, o adiar de um sonho…

A minha aventura no Ultra Trail do Mont Blanc teve de terminar a pouco mais de meio.

Detesto ter de desistir ou abortar a conquista de um objectivo a meio, custa muito ter a consciência de que se está a adiar um sonho, mas sendo a corrida um hobby, continuar a correr em condições físicas deficientes e/ou que poderiam colocar em risco mais grave o meu estado físico seria um enorme disparate, pelo que, ciente de todos os factos, sei que esta foi a decisão correcta a tomar.

Ainda assim foram quase 100 Km à volta do Monte Branco, com as pernas em muito bom estado, tendo sido atraiçoado pelos pezinhos de Cinderela que neste fim-de-semana não estavam para ali virados e, assim, sem poder correr ou andar em condições lá tive de abandonar.

Mas, na realidade, estou convencido que a culpa deste abandono foi do Vargas, que lá onde ele está, deve estar desconsolado com tudo isto.

Antes da partida tinha partilhado aqui que esta era a nossa corrida e que sabia que ele me ia ajudar nos momentos difíceis que surgissem durante a corrida.

Esperto como ele é, conhecedor que sou muito céptico acerca das ajudas divinas, estou convencido de que me mandou os pés dele cá para baixo, bem maiores que os meus, para me ajudar a ter mais aderência a subir e a descer. O malandro esqueceu-se foi de de me enviar um par de ténis 3 números acima, e assim a coisa não correu bem.

Para o ano, se tiver a sorte de lá voltar, não me vou esquecer desta possibilidade e assim trazer o “nosso colete de Finisher“!

Tenho centenas de mensagens de apoio de muitos familiares e amigos que agradeço desde já, e irei responder a todos assim que me for possível, pois hoje já é dia de regressar ao trabalho.

O sonho continua vivo e novas aventuras virão.

Ainda continuo a digerir toda esta aventura, mas se tiver sorte no sorteio para 2017, lá terei de voltar para fechar esta porta que se encontra escancarada.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Lets go to the party

Agora é ir, não há volta a dar.

Neste momento o peso da ansiedade contrasta com o peso da mochila que daqui a pouco vou levar às costas.

Vou só ali dar a volta ao Monte Branco e já volto, em 170km e 20000m de desnível acumulado. A aventura deve demorar pouco menos que dois dias.

Parto feliz à aventura mas parto incompleto. Quiseram as vicissitudes do destino que desta vez os que mais gosto não pudessem estar comigo aqui presentes. Não vou ter assim aquele doping espetacular, que são os sorrisos e os afectos quando se chega a uma base de vida, já para não falar da preciosa ajuda que é ter alguém para nos ajudar nesses pontos.

Parto também incompleto porque vou partir sozinho. Esta era a “nossa aventura”, minha e do Vargas, e o malandro baldou-se em grande estilo. Agora tenho de a fazer pelos dois. Onde quer que ele esteja sei que vai estar a puxar por mim como fez em muitas outras corridas, e sei que quando cruzar a meta a cruzaremos juntos e o meu colete de finisher será o dele também.

Daqui a pouco é hora de arrumar a trouxa e zarpar. Vamos lá atacar o Monte Branco!

Para seguirem esta aventura é clicar em aqui.

Obrigado desde já a todos os que têm enviado as mais diversas mensagens de apoio.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Sigam o 1134 (e os outros também)

Faltam menos de 24 horas para a partida.

Até lá ainda vou receber na meta alguns amigos que participaram no OCC e desejar boa sorte aos que partem de manhã no CCC.

Para acompanharem tudo online sobre as provas do UTMB, basta clicarem aqui e seguir o link do Live Trail.

Na barra da procura escrevam o número do dorsal ou o nome do participante e já está.

Domingo espero aqui chegar com o mesmo sorriso na cara

Para me seguirem a mim basta procurar por 1134 ou Giao, e terão acesso a toda a informação sobre a minha corrida.

Para que gosta de ver outros planos mais engraçados e brincar com mapas e vistas, também me pode seguir na pagina do GPS em tempo real clicando aqui.

Também há a opção de seguir os vossos amigos ou atletas preferidos na APP LiveTrail, disponível para Apple e Android, assim podem acompanhar tudo em qualquer lado.

Por fim, podem ainda seguir o brilhante acompanhamento e estatísticas de toda a participação lusa nas provas do UTMB, que o Orlando Duarte faz no grupo Armada Lusa no UTMB 2016 clicando aqui.

A todos os que de algum modo me irão acompanhar e têm enviado energia positiva, deixo desde já o meu muito obrigado.

Boa sorte para todos os amigos que vão partir comigo mais logo no UTMB.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Teste ao Relógio Geonaute OnMove 200

Tive a oportunidade de experimentar por uns dias o relógio Geonaute OnMove 200, relógio com GPS direccionado para a prática da corrida, posicionando-se este relógio na entrada de gama dos relógios para este fim.

O aspecto exterior do relógio é algo que pessoalmente não me agrada. O seu design circular e cilíndrico oferece, na minha opinião, uma imagem algo “pesada” ao equipamento, aparentando ser mais alto e maior do que aquilo que efectivamente é. A construção parece-me robusta apesar do equipamento ser todo de plástico. O relógio cumpre a norma de impermeabilidade IPX7, e a borracha que fecha a porta micro USB para carregar ou ligar ao PC, parece-me bastante sólida e vedante. A construção em plástico torna este relógio bastante leve, pesa apenas 51 gramas, e quase não se dá por ele quando está no pulso. A bracelete é feita de uma borracha muito maleável, envolve todo o corpo do relógio e tem uma aparência algo frágil.

O OnMove 200 e o meu velhinho Garmin 610 lado a lado

Ligado o relógio a sua utilização é bastante fácil e intuitiva, tendo a possibilidade de que todos os menus sejam em português. Diria que OnMove 200 é o relógio indicado para quem não tem muita paciência para configurar equipamentos, definir menus de utilização, perder algum tempo de volta de 1001 funcionalidades. É ligar o relógio, a tecnologia FastFix capta o sinal GPS em menos de 60 segundos, e começar a correr. Os menus são de simples leitura e compreensão. Basicamente podem-se ver um ou dois parâmetros em simultâneo no visor, como a distância, velocidade instantânea e média, passada instantânea e média, calorias, zona-alvo, voltas, tempo decorrido, ou batimentos cardíacos, em cada um dos três ecrãs possíveis de configurar. O visor é grande e permite uma boa visibilidade dos dados.

Os botões do relógio são de baixo perfil e talvez até algo “duros”, mas por outro lado é bastante difícil pausar ou parar o registo de uma actividade quando se dobra o pulso, algo que acontece com relativa facilidade em alguns outros relógios.

Perfil do OnMove 200

A bateria deste relógio tem capacidade para cerca de 7 horas de utilização, tempo mais do que suficiente para a generalidade dos treinos ou corridas.

Para gerir as actividades registadas com o OnMove 200 é necessário descarregar e instalar o software da Geonaute no PC, a partir do sítio de suporte na internet. O processo foi simples e decorreu sem erros. Também se pode efectuar essa operação num telemóvel ou tablet com sistema operativo Android 4.3 ou superior, ou iPhone 4S ou superior. Para tal basta emparelhar com Bluetooth o relógio e o telefone, e ter instalada a aplicação MyGeonaute.

A aplicação MyGeonaute tem as funcionalidades básicas comuns a quase todas as aplicações sobre corridas e permite a transferência das actividades para um ficheiro GPX, o que permite o upload das actividades noutros sítios de internet sobre corridas, mais populares que o MyGeonaute.

Este relógio pode ser adquirido nas lojas Decathlon por 89,95 € (preço no sitio internet da Decathlon à data desta publicação).

A conectividade é uma mais valia do OnMove 200

Em resumo, gostei neste relógio da facilidade de configuração e utilização, ideal para quem não tem muita paciência para configurar zingarelhos. A conectividade via bluetooth e a possibilidade de interagir directamente com o smartphone ou com o tablet é sem dúvida uma mais valia. Gostei menos do design e do aspecto algo volumoso do relógio. A qualidade de construção é solida mas tudo em plástico.

O OnMove 200 é uma proposta simpática para relógios nesta gama de preço. Vão encontrar muitos outros relógios dentro do intervalo 80 € -100 €, cada um com as suas especificidades. O OnMove 200 certamente não desiludirá quem procura um relógio de fácil utilização e conectividade.

Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!

Teste ao Smartphone Quechua Phone 5″

O Smartphone Quechua Phone 5”, também conhecido como o telefone da Decathlon, foi enumera vezes tema de conversa entre mim e diversos companheiros de corridas que também apreciam estes gadgets tecnológicos. As opiniões acerca do equipamento dividiam-se, mas o que é certo que ninguém tinha experimentado na montanha este equipamento, pelo que as opiniões não eram esclarecedoras acerca da potencialidade do mesmo para este fim. Para satisfazer a curiosidade de muitos trail runners, propus à Decathlon que me cedesse um destes equipamentos para testá-lo, do ponto de vista do Trail Runner, durante os 107 Km do Gerês Trail Adventure e Ultra Trail de São Mamede, proposta que a Decathlon aceitou e assim torna possível este texto.

Análises descritivas das características do hardware deste equipamento há muitas e em diversos sites, pelo que se pretendem uma lista de características exactas do hardware deste telefone recomendo que vejam o site da Decathlon clicando aqui ou o site Quechua para este equipamento clicando aqui.

Do ponto de vista tecnológico este telefone não é o último grito de tecnologia. No entanto e na minha opinião, quem procura o último grito em tecnologia tem telefones da Apple, da Samsung, da HTC, só para referir algumas marcas, que irão fazer a delícia do utilizador e despertar a inveja aos seus amigos em termos de performance e design. Por seu lado o Quechua Phone 5” é um telefone para um nicho de mercado: os frequentadores da montanha. Assenta numa plataforma sólida e já testada, com hardware e software igualmente bem testados e sólidos, com uns upgrades aqui e ali que fornecem algumas características ímpares ao equipamento, sendo tudo “empacotado” numa caixa de aparência bem robusta, à prova de água e de poeiras. Disto isto, permitam-me regressar uns dias atrás, ao dia em que levantei este equipamento na Decathlon de Alfragide.

Uaaauuuu, foi a minha primeira palavra ao retirar o telefone da respectiva embalagem. Surpreendeu-me o peso do telefone, quase 500 gramas, e as suas dimensões. Eu que estou habituado a usar telefones pequenos, via-me agora obrigado a usar por alguns dias um verdadeiro “tijolo” com 15 cm de altura, 8 de largura e 1,2 de espessura. Estas dimensões são mais ou menos o standard do mercado nos telefones de 5”, apenas a generosa bateria de 3500 mAh explica a maior espessura e peso do telefone.

Enquanto utilizador habitual de smartphones devo dizer que as características gerais deste equipamento, não sendo o state of art, são bastante generosas e funcionais: Processador quad-core de 1.2 Ghz, 1 Gb + 4 Gb de memória, camara de 5 MP atrás e 2 MP à frente,  sistema operativo da Google Jelly Bean 4.1, e todo o tipo de conexões necessárias para ligar periféricos comuns dos nossos dias. 
A utilização diária do telefone faz-se tranquilamente quer ao nível de chamadas quer ao nível da utilização das diversas aplicações de internet que todos nós utilizamos.


Enquanto Trail Runner os itens que efectivamente pretendia testar e comprovar eram:
  • Duração da Bateria;
  • Fiabilidade do GPS e Altímetro Barométrico;
  • Usabilidade do ecrã em condições atmosféricas adversas;
  • Resistência ao choque e usabilidade geral em condições atmosféricas adversas.

Duração da Bateria

A bateria do Quechua Phone 5″ é uma verdadeira fonte de energia, que dura, dura e dura. É sem dúvida um dos pontos fortes deste telefone. O teste mais longo que acabei por fazer a este equipamento foi o Ultra Trail de São Mamede. Foram mais de 100 Km que corri em 21h50. Durante estas 21h50 o telefone foi sempre ligado e sempre com o GPS activo. Tirei cerca de 50 fotos e filmei 3 vídeos. Fiz diversas chamadas ao longo do percurso para familiares que me acompanhavam ao longe e para outros atletas que se encontravam em pontos distintos da prova, e no final da prova a bateria ainda apontava cerca de 23% de capacidade disponível.  No Gerês Trail Adventure a performance ao longo dos três dias da prova foi igualmente notável. Nos 60 Km do segundo dia deste desafio e após 14 horas de corrida e registo contínuo de GPS, igualmente com utilização do telefone e máquina fotográfica – ainda que não tão intensiva como no UTSM, a bateria apontava 51% de capacidade disponível.

GPS e Altímetro Barométrico

Um dos pontos que me desiludiu quando liguei este equipamento, foi a ausência de software específico para o mesmo. A publicidade da marca indicia que este seria fornecido com equipamento específico para as aventuras de montanha, mas na realidade apenas temos à nossa disposição todas as aplicações disponíveis na Google Play. Assim sendo optei por registar os três dias do Gerês Trail Adventure e o Ultra Trail de São Mamede, utilizando o meu já conhecido software Strava. Devo dizer que não consegui determinar a marca e modelo do chip do GPS utilizado neste telefone, mas que este é bastante rápido a adquirir um fix do sinal GPS, mesmo sem a ajuda do GPS assistido pela rede 3G. Todo o registo das quatro provas foi obtido utilizando apenas o GPS do telefone sem recurso a GPS assistido. Como handicap, devo dizer que o telefone foi sempre utilizado dentro do bolso traseiro da minha mochila, e sem especial cuidado no posicionamento do telefone, que por vezes pode ter favorecido a recepção do sinal GPS e certamente que noutras vezes não. O Strava utiliza um registo do percurso de GPS “inteligente” com registo de pontos de x em x segundos, e para comparação registei igualmente os percursos com o meu relógio Arival SQ-100. O registo no relógio foi efectuado de 2 em 2 segundo nas provas do Gerês Trail Adventure, e registo de 3 em 3 segundo do UTSM. Podem comparar a precisão dos track obtidos com a combinação Strava+Quechua e com o relógio, sendo que como esperado o relógio é seguramente mais preciso. No entanto o desempenho do Quechua é bastante positivo para este tipo de equipamentos. Diria que para o montanheiro o GPS é mais do que preciso para essa actividade, para o trail runner é um equipamento que não compromete no registo dos treinos/provas, mesmo nos percursos mais fechados e difíceis. Relativamente ao altímetro barométrico não tive oportunidade de testar em exclusivo esta funcionalidade. O seu funcionamento em conjunto com o GPS apresentou sempre a altimetria esperada para os locais onde estava.
Clicando nas imagens seguintes podem comparar em pormenor os tracks do Gerês Trail Adventure e do Ultra Trail de São Mamede no mapmyrun.com


Usabilidade do ecrã

Outro dos pontos que me despertava alguma curiosidade, era o anúncio do ecrã estar optimizado para uma boa visualização mesmo em condições de muita luminosidade. E confirmo essa mesma característica. A utilização do ecrã em ambientes com muito sol e muita luz, como aconteceu no UTSM, é bastante eficiente. Com um telefone “normal” a visualização do ecrã seria impraticável sob o sol do Alentejo, mas o Quechua passou com um satisfaz bastante mais este teste. Já a sua utilização sob chuva e bastante humidade, como aconteceu no Gerês, requer alguma habituação. O ecrã táctil apesar de funcionar molhado, perde alguma precisão ou pelo menos é necessário “apanhar o jeito” necessário a utilizar o ecrã táctil nestas condições. A camara traseira do telefone também sofre com a humidade, e não nos podemos esquecer de a limpar antes de a usar em ambientes húmidos ou as fotografias sairão “desfocadas” com a humidade na lente.
Resistência ao choque e usabilidade geral em condições atmosféricas adversas

Um dos testes que me abstive de efectuar foi o da resistência ao choque. Não deixei cair o

telefone nenhuma vez e a utilização diária foi normal. Durante as provas o telefone foi sempre transportado na bolsa traseira da minha mochila, sem qualquer cuidado no seu posicionamento, muitas vezes por cima dessa bolsa ainda seguiam os bastões que me ajudaram nas subidas mais ingremes e que em alguns troços poderão ter sido uma dificuldade acrescida à recepção do sinal GPS com o telefone. No Gerês apanhámos de tudo um pouco: nevoeiro, humidade intensa, chuva intensa, e também algum sol e calor. No UTSM apanhamos sobretudo muito sol e calor com temperaturas muito perto dos 30º. Confesso que apesar da caixa de aparência bastante sólida e robusta com que este telefone é equipado, tinha alguma desconfiança no que diz respeito às protecções das ranhuras para USB/auscultadores e simcard/SD card, mas após o teste à chuvada do Gerês tenho de admitir que funcionam bastante bem, pelo facto de não ter sido manifestado nenhum problema relacionado com estas ranhuras.

Conclusões

Este não é um equipamento para quem quer o último grito de tecnologia. Pela sua dimensão e peso também não é um equipamento ideal para quem quer registar treinos e/ou corridas de estrada. Como pontos menos fortes deste equipamento destaco o tamanho e o peso; a ausência de software específico, o que obriga a alguma pesquisa pela loja da Google; a resolução do ecrã que poderia ser um pouco melhor.
É um equipamento com um desempenho diário “normal” bastante razoável ou bom, e um desempenho em montanha muito bom. O GPS é rápido é fiável, o altímetro barométrico pode ser de grande utilidade em provas ou passeios na alta montanha, o ecrã tem um bom desempenho debaixo de sol e uma utilização regular quando húmido ou molhado, e a bateria e respectiva autonomia são o ponto mais forte deste equipamento. Na minha opinião para passeios de montanha e treinos/provas de trail running onde se leve uma mochila ou cinto, este é um equipamento com bastante potencial, e que poderá substituir o transporte de outros equipamentos, carregadores e baterias.

Quero agradecer à Decathlon a possibilidade que me deu de testar este equipamento, e assim poder partilhar convosco todas as potencialidades do mesmo de um ponto de vista do corredor de trilhos.

Continuação de bons treinos e de melhores corridas!!!

23ª Meia Maratona de Lisboa – 2013

Foto do site oficial da Meia Maratona de Lisboa
A Meia Maratona de Lisboa tem um significado especial para mim, pois foi há precisamente um ano nesta prova, que corri pela primeira vez a distância de 21 Km. Esta prova, em 2012, foi a minha terceira corrida desta curta “carreira” desportiva, (depois da Corrida do Tejo 2011 e São Silvestre de Lisboa 2011, ambas de 10 Km), o que me leva a questionar: quanto vale um ano de treinos e corridas?


A prova

Apesar de ter um significado especial por ter sido a minha estreia na distância, está longe de ser uma das minhas provas favoritas. A logística de pré corrida tem de estar afinada; há muitos participantes quer da Meia quer da Mini, e a ponte não é assim tão larga para uma partida confortável para todos os ritmos. O percurso é agradável, mas com muitas zonas estreitas o que dificulta quem corre no meio do pelotão, pois é necessário desacelerar para não atropelar outros participantes, perdendo-se assim algum tempo. Ainda assim e no que diz respeito à zona da Partida no garrafão da Ponte, este ano pareceu-me que foram introduzidas melhorias nos acessos e zonas de partida propriamente dita, beneficiando os participantes da Meia Maratona.


O equipamento e os zingarelhos

Foto do site oficial da Meia Maratona de Lisboa
Há um ano era a minha estreia na distância e, apesar de confiante de que ia acabar nem que fosse a rastejar, o nervoso miudinho da estreia faz-nos sempre pensar em como será correr 21 Km. Um ano depois, a certeza de que acabaria a corrida era de 100%, excepto se algum imprevisto acontecesse durante a prova. Arrisquei até tentar correr para um novo PBT, o que não veio a acontecer.
Em 2012 era tão verdinho nestas coisas das corridas, que com medo da chuva resolvi correr de camisola de inverno e de manga comprida. Como extra levava ainda uma cinta de aquecimento, pois não gostava de sentir o “pneu” aos saltos enquanto corria! Esta combinação veio a mostrar-se um erro tremendo, pois a meio da prova o sol apareceu em força, e metade da prova foi suar e desidratar a uma velocidade bem mais rápida do que aquela a que conseguia correr. Este ano foi tudo mais tranquilo, com o tradicional calção, t-shirt de corrida e nada mais. Novamente este ano o tempo foi diverso: chuva, vento, sol e calor, mas uma t-shirt de corrida chega e sobra para todas as variantes climatéricas.
Os zingarelhos que utilizo também mudaram radicalmente de 2012 para 2013. Há um ano acompanhou-me o meu telefone com a aplicação Adidas Micoach. Era neste conjunto que fazia fé para fazer uma boa corrida! Para um rookie das corridas, ter uma treinadora ao ouvido a informar-nos se devemos acelerar ou desacelerar, e termos a noção exacta do ritmo que levamos e se está de acordo com o que foi treinado ou não, é uma mais-valia que só quem não conhece não pode apreciar. Pois para meu azar o zingarelho do GPS do telefone deixou de funcionar 300 metros depois da partida e apenas regressou à vida por volta dos 8 km, e mesmo assim apenas se manteve vivo a espaços entre os 8 km e a chegada. Neste capítulo dos zingarelhos fiz uma corrida quase às escuras e possivelmente se tudo tivesse funcionado a 100% poderia ter gerido o esforço duma maneira muito mais eficiente. Este ano troquei o zingarelho telefónico por um relógio com GPS, que apesar de não ter a treinadora ao ouvido a dar-me instruções, permite igualmente ter toda a informação em tempo real e assim gerir melhor a corrida. O GPS do relógio é bem mais sensível que o do telefone, e neste aspecto penso ser uma mais-valia interessante, pois ganhei fiabilidade de informação durante a corrida. Por outro lado após um ano de treinos, a dependência dos zingarelhos já é bem menor, e caso o zingarelho deixasse de funcionar o stress seria agora mínimo.


A corrida

Foto do site oficial da Meia Maratona de Lisboa
Finalmente o que mais interessa, como correu a corrida. Há um ano foi a corrida de estreia e nos poucos meses em que tinha começado esta aventura de correr, teria nas pernas pouco mais de centena e meia de quilómetros. Estava apostado em terminar a corrida e eventualmente conseguir um tempo entre as 2h05 e as 2h15. Comecei a corrida um pouco “abananado” pois as pernas ressentiram-se da hora de espera em que estive no garrafão em pé à espera do tiro de partida, sem me puder mexer e muito menos aquecer. Depois o zingarelho deixou de funcionar e deixou-me às escuras sem poder controlar o ritmo como estava habituado nos treinos. Depois a história do equipamento, que no final já se tornava um verdadeiro martírio. No entanto a vontade de chegar ao fim foi sempre maior, e sem outros sobressaltos dignos de registo terminei a corrida em 2h19’38”, um pouco acima do que tinha previsto inicialmente, mas o sabor de terminar a primeira Meia Maratona sobrepôs-se a qualquer tempo que pudesse ter realizado. Este ano esperava uma corrida tranquila, já com mais sete Meia Maratonas e uma Maratona de experiência, e sobretudo com mais 2000 Km corridos em treinos e provas nas pernas. O meu PBT da Meia Maratona é 1h52’ e arrisquei propor-me o tempo de 1h50 como limite para esta corrida. No entanto após os 5 Km de corrida percebi que não seria hoje que ia baixar o PBT. Por alguma falta de concentração não me conseguia focar no ritmo de corrida, e os 5’10”/Km que tinha apontado como ritmo constante para toda a corrida, teimavam em subir para algo entre os 5’30” e os 6’00”, o que originou toda uma corrida aos repelões e cheia de mudanças de ritmo, o que geralmente não beneficia muito a minha corrida. A multidão desta prova também não ajuda, pois os zigzagues para quem corre no meio do pelotão são uma inevitabilidade do início ao fim da corrida. Acabei assim esta corrida em ritmo de treino e com o tempo de 1h58’06”.


O Alexandre e eu após finalizarmos a Meia Maratona de Lisboa
Em resumo, em um ano de treinos e corridas a melhoria foi de 21’32” o que não deixa de ser significativo. O acumular de quilómetros nas pernas, e a experiência de um ano na preparação de treinos e corridas, na escolha dos equipamentos e dos zingarelhos, revela-se assim de relevante preponderância para quem encara as corridas como objectivos pessoais, sejam eles de cronómetro ou de desenvolvimento pessoal. Citando Oscar Wild, a experiência é o nome que damos aos nossos erros, e sem dúvida que um ano nos permite adquirir muito conhecimento e corrigir muitos erros.
  
Continuação de bons treinos e boas corridas!