Os trilhos e os sarilhos

O tema do lixo nas provas de Trail Running é um tema recorrente e de resolução não muito fácil.

Para que não subsistam quaisquer dúvidas, sou completamente a favor de não deixar mais do que as minhas pegadas nos trilhos, seja em passeio, em treino, em prova ou em qualquer outra situação. Reconheço no entanto que há muitos, chamar-lhes-ia energúmenos, cujas preocupações com a natureza são mínimas ou nulas e que não têm qualquer problema em deixar no trilho ou em qualquer arbusto, o seu lixo não orgânico, como embalagens de géis, barritas ou outros indiferenciados.

Vem este intróito a propósito de uma comunicação da organização dos Trilhos do Paleozóico, que refere explicitamente que no caso do atleta se sentir incomodado com o seu próprio lixo, o poderá deixar no trilho da prova junto às marcações e para não “esconder” em qualquer outro local, que a organização recolherá o mesmo. Muitas vozes se levantaram, umas discordantes, outras assim assim, algumas com algumas soluções…

Do meu ponto de vista a comunicação em questão, serve apenas mais uma vez para alertar e consciencializar os prevaricadores para este problema. O regulamento dos Trilhos do Paleozóico, como a bem da verdade de quase todas as provas, prevê no seu ponto 2.11.c a desclassificação do atleta que suje ou detiore o meio por onde passe.

Não obstante o risco de desclassificação, nunca vi nenhum atleta ser desclassificado por este motivo nem sequer alguma vez me chegou a notícia de um atleta ter sido desclassificado por deixar lixo no meio das provas. A bem da verdade a única história que conheço com uma penalização deste tipo, foi a relatada na primeira pessoa pelo Carlos Sá acerca da sua participação na Jungle Marathon do ano passado.

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Nas provas é frequente encontrar embalagens de géis e barras energéticas consumidos pelos atletas, alguns nitidamente por descuido, outros nitidamente por despreocupação. Reconheço que é difícil efectuar um controlo deste tipo de situações ao longo de uma prova de 50 ou 100 quilómetros em plena montanha.

Já alguém propôs que seja obrigatória a apresentação das barras e géis que o atleta pensa usar numa determinada competição, sendo a organização responsável por identificar, escrevendo o número do dorsal por exemplo, no exterior da embalagem. Apesar de ser uma solução falível e de logisticamente requerer alguma adaptação de atletas e organizadores, pode ser um pequeno passo para a mitigação do problema.

Outra solução será a de não ter medo de aplicar o regulamento, e desclassificar quem for “apanhado” a prevaricar.

Outras ideias e soluções existirão, e gostaria que as partilhassem por aqui, para juntos tentarmos erradicar definitivamente o problema do lixo.

Até lá, a melhor solução continua ser a consciencialização de cada um de que quem perde somos nós, sempre que uma embalagem é deixada no meio da natureza.

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Com pontos de abastecimento mais ou menos de 10 em 10 quilómetros, não custa nada transportar por alguns minutos ou horas, as poucas gramas que estas embalagens pesam.

Deixo novamente o meu apelo: na nossa passagem pelos trilhos e pela natureza, vamos deixar apenas a nossa pegada.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Mais vale tarde que nunca…

Há uns dias escrevi por aqui que ainda estava de ressaca da minha participação no Andorra Ultra Trail.
Pois bem, é agora oficial que a ressaca acabou. Durou umas semanas valentes é certo, mas já passou.
Esta foi a minha primeira desistência em prova e, na realidade, apesar de me preparar psicologicamente para todos os cenários possíveis durante uma corrida, penso que não estava preparado para ter de desistir. Parece-me que desistir é mais penoso para um comum atleta de pelotão como eu, que vou correr pelo simples prazer de correr, pelo desafio de me superar a cada quilómetro, de conhecer novos lugares e novas pessoas, usufruir de estímulos fantásticos em percursos e paisagens mágicas completamente novas para mim, do que para um profissional que poderá encarar estes desafios como mais uma prova e mais uns quilómetros para o seu meio de subsistência.

É oficial: ressaca curada. Venha o Ultra Trail Cote d’Azur Mercantour

Depois de mais uma consulta no IMT – Instituto de Medicina Tradicional e com a garantia que está tudo no sítio, já regressei aos treinos devagarinho e com muita tranquilidade, mas em contagem decrescente a pensar no próximo desafio que terá início daqui a 53 dias, o Ultra Trail Cote d’Azur Mercantour.
É tempo de treinar com calma e aproveitar o verão, e tentar chegar na máxima forma em Setembro para este desafio.
Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Partida com ópera e fogo de artificio

A partida de todas as provas é sempre para mim um momento muito especial. Seja pelo nervoso miudinho (caso exista) que se dissipa naquele momento, seja pela espectacularidade que algumas delas apresentam.

A partida do Mitic Andorra Ultra Trail faz-se ao som de ópera, entre outras a Carmina Burana do Carl Orff, e de fogo de artificio, tendo sido um momento muito espectacular para mim. Um verdadeiro espectáculo dentro do espectáculo.

A partida da Ronda del Cims foi assim e a Mitic foi muito parecida só que de noite:

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Em Ordino respirou-se Trail

A base do Andorra Ultra Trail foi a cidade de Ordino. Durante quatro dias respirou-se trail, trail e mais trail por estas paragens. Só depois de lá ter chegado me apercebi que esta seria a minha estreia fora de Portugal em provas de Trail. Já corri algumas maratonas de estrada no estrangeiro, mas trilhos foi de facto a primeira prova. A envolvência de toda a cidade no Andorra Ultra Trail, em particular nos arredores da Igreja de Sant Corneli e Sant Cebrià – local de partida e chegada de todas as provas, foi de facto uma coisa fora do comum, em particular se considerarmos a falta de entusiasmo dos portugueses em geral para este tipo de eventos desportivos cá pelo burgo.

Outra coisa que me impressionou foi o perfil dos atletas ali presentes. Durante quatro dias desfilaram-se t-shirts de finisher de todas as cores e feitios, das mais diversas provas de Ultra Trail por esse mundo fora, arriscar-me-ia a dizer, cada uma mais difícil (e mais interessante) do que a outra. Não diria que todos tinham um ar de pró, mas todos eles aparentavam uma invejável forma física, ou pelo menos de corredor de ultra distâncias.

IMG_20150625_171829Durante três dias estive mesmo convencido que era o tipo mais gordo que estava em Andorra para participar no Ultra Trail. Não fosse a casualidade de ter desistido da prova e ter passado muitas horas na zona da meta à espera dos amigos que por lá andavam também, e não teria tido a oportunidade de assistir à chegada de um atleta bem mais gordinho que eu. Ainda assim, não abona muito a meu favor ser o segundo mais “forte” a correr no Andorra Ultra Trail, pelo que para o ano espero chegar lá em bem melhor forma para a vingança nos Pirenéus.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Não me estou a ver ali umas 40 horas a correr

A prova principal do Andorra Ultra Trail é a famosa Ronda Del Cims, corrida de 170 Km com 13000 metros de desnível positivo, considerada a mais dura corrida de 100 milhas da Europa.

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O grande campeão Armando Teixeira

Nela participaram alguns atletas portugueses, entre os quais o Armando Teixeira que em 2014 terminou a Ronda Del Cims em segundo lugar, o que consequentemente gerou alguma expectativa entre os amantes da modalidade acerca da sua participação na edição deste ano.

Infelizmente este ano não conseguiu repetir o feito, tendo abandonado a prova aos 60 km do percurso.

Já em Andorra junto à meta, tive oportunidade de conversar com ele e questioná-lo se se tinha lesionado ou tinha ocorrido algum azar que o tivesse levado a desistir, ao que me respondeu com a maior das naturalidades: “Está tudo bem, não me sentia nos meus dias e não me estava a ver ali umas 40 horas a correr”.

É esta a “pequena” diferença entre os atletas de topo como o Armando e os atletas de pelotão como eu, que se concluísse a prova de 112 Km e 9700m D+ em menos de 40 horas já ficaria satisfeito.

Resta acrescentar que o primeiro classificado terminou os 170Km com 13000m D+ em 31:08:58 e o último classificado terminou em 64:39:08. O tempo médio para conclusão da prova dos 162 finishers deste ano foi de 51:35:14.

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João Mota e João Colaço na sombra dos Japoneses 🙂

O primeiro português a cruzar a meta da Ronda del Cims de 2015 foi o João Colaço, na 19ª posição, com o tempo de 40:29:38. O João Mota com quem tive oportunidade de fazer a viagem para esta aventura, concluiu num brilhante 54º lugar, com 48:53:58 de prova.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ressaca do Mitic Andorra Ultra Trail

Ainda estou a ressacar da minha participação no Mitic Andorra Ultra Trail.

Quilometro 28, uma descida algo traiçoeira na encosta de um vale, numa espécie de single track aberto por entre um pasto de relva alta, verde e húmida, fez-me pensar: “é preciso ter cuidado neste troço que é mesmo propício para escorregar e mandar um tralho”. Ora devo ter corrido uns 20 metros após este pensamento e o pé direito escorrega na relva fresquinha. Com a perna esquerda tentei equilibrar-me e evitar uma queda certa, e nesta tentativa infrutífera coloco mal o pé no chão e torço o tornozelo esquerdo. Enquanto isto continuo a voar sentado, numa espécie de triplo salto que faria inveja ao Nélson Évora. Quando chego com o rabo ao chão percebi que a minha corrida tinha terminado ali. Correr ou mesmo caminhar com um tornozelo em mau estado pelos 84 quilómetros que ainda faltavam, seria um esforço e um sofrimento desnecessários, que apenas serviriam para tentar terminar (sem garantia de que o conseguisse) esta prova, sem me estar a divertir e a desfrutar todo o percurso como gosto. Foi uma decisão difícil mas acertada. Ainda saí do ponto de controlo dos 31 quilómetros, (onde abandonei a prova), em direção ao ponto de controlo seguinte aos 44 quilómetros, mas após caminhar 500 metros percebi, sem dúvidas, de que não valia a pena continuar assim.

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O percurso do Mitic Andorra Ultra Trail

Acabei assim completando apenas 31 quilómetros e 3300 metros de desnível positivo do Mitic Andorra Ultra Trail.

Pontos positivos:

  • Toda a envolvência da prova
  • A organização de alto nível
  • A experiência de correr em alta montanha e aprender os seus efeitos
  • A subida ao pico de Comapedrosa a 3000m de altitude.

Agora é tempo de recuperar e começar a preparar a próxima prova: os 141 Km do Ultra-Trail Côte d’Azur Mercantour.

Até lá ainda irei escrever algumas coisas sobre o Andorra Ultra Trail, que é sem dúvida uma prova espectacular, e onde para o ano irei de novo participar para vingar o insucesso deste ano.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Mitic Andorra Ultra Trail Here We Go!

Faltam pouco mais de 3 horas para o início do Mitic Andorra Ultra Trail

Vou correr com o dorsal número 1211 e podem seguir a minha prova online clicando aqui.

Podem também acompanhar as actualizações automática no facebook e tweeter no meu perfil ou com a hashtag #AndorraUT

A minha cábula para esta prova será esta:

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Agora é descansar e relaxar estas últimas horas antes da prova.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Respeito pelo ambiente

Uma das coisas que me chateia de sobremaneira em algumas provas é a quantidade de lixo que fica espalhado pelos trilhos e na natureza, lixo este deixado pelos atletas e que do meu ponto de vista não é admissível qualquer que seja a justificação.

aut17O Andorra Ultra Trail também, como em muitas outras provas, solicita o respeito pela natureza (e não só) ao longo da prova com a seguinte mensagem: “Be respectful of the environment as well as of the other runners, volunteers and yourself.”

Daqui a uns dias estarei em condições de fazer esta avaliação e comparar o respeito pela natureza pelos atletas participantes desta prova.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!