42 Erros da Maratona – Parte III

Continuação da publicação 42 Erros da Maratona Parte I e Parte II.

6 Correr as séries curtas demasiado depressa
Para um corredor dedicado, fazer as séries curtas demasiado rápido pode trazer-lhe muitos problemas musculares e uma maior sobrecarga do fígado. Como consequência obtém-se um menor rendimento nas séries longas, uma maior fadiga muscular e a longo prazo desânimo, más sensações e dores musculares nas pernas.

Confesso que na preparação para a minha primeira maratona me baldei um pouco aos treinos de séries, pelo que não senti muito este problema. Agora que já estou a preparar a segunda maratona, e tenho respeitado o plano de treinos no que às séries diz respeito, percebo perfeitamente que se “esticar” mais um pouco do que o devido, as dores nas pernas fazem-se sentir. O treino de séries é benéfico mas temos de o fazer dentro dos nossos limites para não ser prejudicial.



8 Recuperar demasiado entre séries
As recuperações nas séries devem ser muito breves, cerca de um minuto (1 minuto e meio se é entre repetições mais longas) para que o treino seja mais real e para não fazer um ritmo demasiado forte. À medida que se melhora o nível de forma, incrementa-se também o número de pulsações recuperadas em um minuto.

Concordo, até porque após um período de recuperação mais longo entre séries custa muito mais apanhar de novo o ritmo em que estávamos anteriormente.
9 Ir ao limite nos treinos
Com o atingir do limite nos treinos, conseguem-se mais frustrações do que satisfações. O ir tantas vezes ao limite faz-nos render menos na competição. Há que ser frio e metódico e competir apenas quando se tem o dorsal.

Nunca sofri deste mal. Os meus treinos são sempre muito auto controlados e não faço por chegar ao limite. Parece-me perfeitamente plausível que quem treine sempre no limite, possa não conseguir fazer coincidir um pico de forma com a data da competição e assim render menos no dia da prova.
10 Fazer muitos treinos em superfícies inadequadas
Quando se realizam tantos quilómetros para preparar a maratona o ideal é treinar sobre vários tipos de superfície, mas sobretudo em piso de terra. O cimento e o asfalto são superfícies demasiados duras que se devem evitar dentro do possível.

Mais um ponto em que não posso dar uma opinião segura. Os meus treinos são geralmente em estrada e não tenho experiência de correr muitos quilómetros fora do asfalto.


11 Excesso de competições antes da maratona
Se se quer chegar na melhor forma à maratona e realizar a melhor marca possível, não se deve competir em todos os fins-de-semana anteriores à maratona, nem sequer em um de cada dois. O ideal é não competir mais de três vezes nas oito semanas anteriores ao dia da maratona.
Concordo com este ponto, no sentido de que se se for competir para dar o máximo os resultados do objectivo final podem depois não ser os melhores como foi explicado no ponto 9. Pessoalmente gosto de participar em provas, do ambiente que se vive nelas e de ver amigos que partilham o gosto da corrida. No entanto não participo nelas no seu lado competitivo mas antes adapto o meu ritmo ao treino que está previsto para esse dia. Deste modo tenho conseguido juntar o útil ao agradável e não sinto que alguma vez tenha prejudicado os treinos por isso.

Em breve publicarei as parte IV.
Qual a vossa opinião e experiência pessoal a preparar uma maratona? Deixem aqui o vosso comentário ou na nossa página do Facebook aqui.

42 Erros da Maratona – Parte II

Se leram a publicação 42 Erros da Maratona que publiquei aqui, apresento agora as justificações para os erros apresentados bem como a minha opinião pessoal, (de acordo com a minha experiência na preparação para a minha primeira maratona).
1 Treinar pouco
É muito difícil enfrentar uma maratona com êxito sem ter treinado um mínimo de 12 semanas, com três treinos por semana. Quanto mais se correr e treinar melhores serão os resultados.

Maratona de Sevilha 2013
Concordo com a explicação. Comecei a preparar a minha primeira maratona a 14 de Setembro de 2012 sendo a data da prova 24 de Fevereiro de 2013. Foram portanto 23 semanas de treino, geralmente com 5 ou 6 treinos por semana. Depois de terminar a maratona fiquei com a sensação de que devia ter treinado mais e melhor.

2 Treinar em excesso
É muito comum entre os atletas mais entusiastas treinar muito mais do que o seu organismo é capaz de assimilar. Nestes casos a única coisa que se consegue é sobretreinar-se e com isso render por baixo das suas possibilidades na maratona. Pior do que isto, é que geralmente ultrapassado o limite, necessitam-se vários meses para recuperar a melhor forma.

Concordo com a explicação. Se não conhecermos os nossos limites podemos cometer o erro de puxar demais por nós e deitar semanas de treino a perder. O meu limite de treino seria nesta altura de +-65 quilómetros/semana. Na última semana de Dezembro, entre treinos e provas corri mais de 90 quilómetros, reflectindo-se este excesso de treino durante as primeiras três semanas de Janeiro, em que claramente senti que não conseguia treinar com o entusiasmo e intensidade dos meses anteriores. Felizmente ainda consegui recuperar a tempo.

3 Fazer poucos quilómetros
Preparar uma maratona requer treinar um mínimo de quilómetros por semana, caso contrário é muito difícil terminá-la (se é a primeira maratona que corres) ou fazer o tempo pretendido se és um atleta mais experiente. Como mínimo há que treinar três dias por semana e correr mais de 35 quilómetros.

Concordo com a explicação. Nas 23 semanas de treino que fiz de preparação para a maratona, corri uma média de 60 a 65 quilómetros por semana. Cada um deverá achar o seu tecto de quilómetros confortável, mas penso que será difícil terminar uma maratona (especialmente se for a primeira) correndo menos de 35 quilómetros por semana.

Terminar uma maratona é isto:


4 Fazer treinos demasiado longos numa só sessão

As sessões de treino demasiado longas, de mais de duas horas e meia, se se realizam com regularidade várias vezes antes da maratona, prejudicam mais do que beneficiam. Poderão bloquear o fígado e, com isso, a capacidade de assimilação de treinos do organismo.


Dou o benefício da dúvida. O plano de treinos que cumpri para preparar a maratona contemplava pelo menos mais três treinos longos do que aqueles que realizei. Não os fiz por motivos pontuais que surgiram na altura, e como tal não tenho experiência para constatar a causa/efeito indicada. Ainda assim, os três treinos longos que fiz, de 26, 29 e 32 quilómetros pareceram-me suficientes.


Em breve publicarei as partes seguintes.

Qual a vossa opinião e experiência pessoal a preparar uma maratona? Deixem aqui o vosso comentário ou na nossa página do Facebook aqui.

Começar a correr

Começar a correr…

As primeiras semanas foram como se tivesse morrido. Depois… bem, depois foi como se tivesse renascido!

É difícil atingir um objectivo sem sacrifícios. O meu objectivo começou por ser, e ainda é, perder os quilos que transporto a mais.
No longínquo 2010, algures antes do Verão, comecei esta luta. Com muita (alguma) vontade e outro tanto de determinação. Lembro-me que o meu primeiro treino foi no Paredão de Oeiras, 3,5 Km para cada lado. Sentia-me tão bem que decidi algures durante o treino que ia correr o paredão todo. Resultado, se corri os primeiros 3,5 Km, voltar para trás foi uma aventura e demorou uma eternidade. Foi a passo e demorei quase duas horas para fazer esses 7 Kms!!!

A minha estreia em corridas 🙂
Passou o verão e os treinos que fiz resultaram na perda dos quilinhos extra do extra que já tinha na altura. Motivador, mas correr para mim sempre foi chato e aborrecido, e nada melhor do que a chegada do frio e da chuva, para arranjar um bom motivo para fazer uma pausa nos treinos. Primeiro durou um dia, depois uma semana, depois chegou o Natal, a seguir a passagem de Ano, depois o Carnaval, a Páscoa e por aí fora, e quando dei por ela os quilos extra do extra não só tinham regressado, como trouxeram por afinidade outros quilinhos amigos extra do extra do extra. Na realidade passou um ano entre a meia dúzia de treinos que fiz em 2010 até começar a correr de novo em Outubro de 2011.

O que mudou entretanto? Apenas um clique. O que em 2010 era uma intenção, em 2011 transformou-se num objectivo, e decidi que iria fazer os sacrifícios necessários para cumprir esse objectivo. Adquiri um zingarelho para monitorizar os meus treinos, o famoso Adidas Micoach, e comecei a participar em corridas. Estreei-me nos 10Km da Corrida do Tejo de 2011, com literalmente meia dúzia de treinos nas pernas. A alegria de cortar a meta foi indescritível, mas quando ao cortar a meta olhei para o cronómetro e vi 1h02, imediatamente defini o objectivo seguinte: correr os 10km em menos de uma hora. O novo objectivo foi concretizado dois meses depois na São Silvestre de Lisboa, onde tirei cercar de 6 minutos ao meu tempo de estreia nos 10Km. E é assim que de corrida em corrida e de objectivo em objectivo, tenho continuado a correr e a perseguir o objectivo principal, o tal de perder os quilos extra.

Sacrifícios, sim são necessários. Primeiro aprendi a viver morto-vivo nos primeiros meses de treinos. Depois tive de trocar muitas jantaradas, saídas com amigos, eventos, aniversários, tempo com a família, e outras actividades que habitualmente fazia, por horas de treino, alimentação mais saudável e descanso. Na prática tive de redefinir um novo equilíbrio pessoal e relacional com todos os meus amigos, família e até comigo próprio, tarefa que acreditem que não foi/é fácil.
O último objectivo cumprido: correr uma maratona.
Por outro lado a sensação de ter renascido ao fim de uns meses de treinos e o sabor indescritível de cumprir os objectivos a que me proponho, são a motivação que me levam a correr todos os dias um bocadinho mais ou um pouco mais depressa. Sem pressões e sem loucuras, dando pequenos passos de cada vez e cruzando metas todos os dias em busca do objectivo final.

As primeiras semanas foram como se tivesse morrido. Depois… bem, depois foi como se tivesse renascido!

42 Erros da Maratona

Na Maratona de Sevilha de 2013 foi distribuída pela organização uma revista com toda a informação da prova e alguns artigos interessantes. Um dos artigos que me chamou à atenção, talvez por ser a minha estreia na distância, foi o 42 Erros da Maratona. Este artigo resume muito bem muitas das máximas que por aí se dizem nos mais diversos fóruns e publicações, e podem ser uma ajuda preciosa a quem pensa começar a treinar para correr a maratona. Na minha opinião estes erros são comuns a qualquer corrida mais longa, digamos de Meia Maratona para cima, pelo que devem estar sempre na nossa mente.
Então aqui ficam os 42 erros mais comuns:

Treinos de Corrida
1 Treinar pouco
2 Treinar em excesso
3 Fazer poucos quilómetros
4 Fazer treinos demasiado longos numa só sessão
5 Trocar a planificação ou método de treino a meio da preparação para a corrida
6 Correr as séries curtas demasiado depressa
7 Correr sempre depressa
8 Recuperar demasiado entre séries
9 Ir ao limite nos treinos
10 Fazer muitos treinos em superfícies inadequadas
11 Excesso de competições antes da maratona
12 Não competir antes da maratona

Treino Complementar
13 Não fazer alongamentos
14 Não fazer abdominais
15 Descansar pouco
16 Não fazer exercícios de tornozelos
17 Não fazer exercícios com pesos
18 Sofrer nos treinos

Eu e João Vargas depois de terminarmos a Maratona de Sevilha 2013


Psicologia e Lesões
19 Não ter os objectivos claros
20 Não saber qual é a marca real a que se pode aspirar
21 Obsessão com a marca a realizar
22 Não adaptar os treinos à sua própria realidade
23 As posturas incorrectas do quotidiano também podem causar lesões
24 Falta de recuperação após uma lesão

Alimentação
25 Pouca hidratação durante os treinos
26 Hidratar-se pouco ou em excesso durante a corrida
27 Não tomar o pequeno-almoço antes da maratona
28 Alimentação pouco variada
29 Querer perder peso para correr mais



Equipamento
30 Estrear os ténis na maratona
31 Estrear as meias na maratona
32 Não usar vaselina nas axilas, virilhas e mamilos (homens)
33 Usar vestuário inadequado
34 Competir com ténis demasiado leves

Durante a Maratona
35 Tomar gel ou ampolas de assimilação rápida na maratona
36 Dar mudanças de ritmo na maratona
37 Correr a primeira parte mais rápida do que a segunda
38 Não adaptar-se ao clima do dia da corrida
39 Correr a maratona sem estar motivado
40 Competir a maratona constipado
41 Competir a maratona lesionado

42 Não descansar depois da maratona