Kiss the mountain & The ridge

Kiss the Mountain e The Ridge são duas revistas digitais espanholas sobre montanha e a cultura de montanha, que costumo acompanhar.

Nesta edição em particular, para além de uma entrevista com o François D’Haene, vencedor do UTMB deste ano e um dos melhores atletas de trail running da actualidade, há ainda fotos brutais do Tor de Geants sendo um dos protagonistas o nosso Carlos Sá, e uma foto reportagem sobre a Ultra Maratona PT281+ que decorre na nossa Beira Baixa.

Para ver em full screen e ficar deliciado…

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Wish me luck

Pessoalmente 2016 está a ser um ano especial e hoje a sorte no sorteio para o Ultra Trail Mont Blanc veio comprovar esta tendência.

A verdadeira aventura começa hoje e durará até 26 de Agosto. Vai ser necessário treinar muito bem, forte e feio, e ter alguma sorte para não surgir alguma indesejada lesão.

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Depois, às 18h00 de 26 de Agosto, terá início a jornada de 170 Km, repleta de muita emoção, superação, introspecção e felicidade, enquanto subo e desço os Alpes cruzando três países: França, Itália e Suíça.

Hoje é o primeiro dia desta grande aventura.

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Wish me luck. 😉

Eu Maior

Eu Maior, um filme sobre autoconhecimento e busca da felicidade.

Quem sou eu? Para onde vou? O que sou eu?

Questões que me coloco frequentemente quando estou a correr longas horas na montanha. Não raramente, dou por mim surpreendido por ter completado troços de dezenas de quilómetros e não me recordar dos percursos e dos caminhos que ficaram para trás, tal a abstracção com que os meus pensamentos me envolvem, quase sempre sem resposta concreta e objectiva, num simples divagar da alma à procura de respostas para as quais não tenho conhecimento.

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As fotos deste artigo são originais do site de Waldemar Niclevicz (http://www.niclevicz.com.br/)

Eu Maior, é um documentário que conta também com o testemunho de desportistas, que apresentam pontos de vista com os quais me identifico a 100%.

Carlos Burle, é um surfista de ondas gigantes, o tal que bateu o record do McNamara na Nazaré, e que diz:

“Eu gosto de desafios. Se nos expomos de uma maneira louca, nós morremos. Se nos expomos de uma maneira preparada, nós aprendemos.”

É esta aprendizagem que eu procuro em todas as aventuras em que participo, e já agora na vida em geral. É o preparar-me, estudar e antecipar as possibilidades, estar apto a atingir os objectivos a que me propus, no fundo é aprender a conquistar desafios, a atingir metas, superar os meus objectivos e no fim poder mostrar um grande sorriso para partilhar a experiência.

Waldemar Niclevicz é um alpinista de renome mundial, que já escalou os principais cumes da Terra, uma espécie de João Garcia brasileiro. Diz ele no seu testemunho:

“Eu precisei de ir até à montanha para me encontrar, para poder me ver diante um espelho.

Você está na montanha desempenhando um esforço físico intenso, muitas vezes correndo risco, gera-se uma grande introspecção, você começa a pensar em tudo na sua vida, naquele momento que você está ali, é incrível com a minha cabeça viaja nesses momentos em que estou na montanha, e aí você começa a se conhecer, começa a resolver problemas dentro de você e ter forças para encarar o mundo, encarar pessoas, encarar situações, isso causa uma evolução, eu percebo que eu melhoro a partir do momento que eu vou para a montanha e volto para a cidade.”

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As fotos deste artigo são originais do site de Waldemar Niclevicz (http://www.niclevicz.com.br/)

É incrível a maneira como me revejo no que ele diz, e como consigo entender perfeitamente esta introspecção em que de facto os nossos pensamentos circulam a uma velocidade estonteante, onde temos ideias, soluções, descobrimos novos problemas, e nos perdemos na imensidão da alma.

Esta aprendizagem, conhecimento, introspecção, realização pessoal, ir buscar forças a um interior que muitas vezes desconhecemos, são ensinamentos que tenho vindo a apreender e a conhecer cada vez melhor.

2016 será um ano em que vou buscar ainda mais este auto conhecimento. Não me interessa competir mas sim realizar-me e ser feliz, e é nesta busca que parto para mais um ano de aventuras.

Reservem uma hora e meia do vosso tempo e vejam este filme que de facto não é tempo perdido. De preferência vejam acompanhados, é um documentário propício ao debate e à troca de ideias. Aqui não há respostas, até porque não as há, mas apenas perguntas, sobre nós e a nossa existência.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Dia Internacional da Montanha

Hoje é o Dia Internacional da Montanha.

Cobrindo cerca de 22 por cento da superfície terrestre, as montanhas desempenham um papel fundamental no mover do mundo em direcção a um crescimento económico sustentável. Elas não oferecem apenas o sustento e o bem-estar a 915 milhões de pessoas que vivem nas montanhas ao redor do mundo e que representam cerca de 13 por cento da população global, mas indirectamente beneficiam mais biliões de pessoas.

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Em particular, as montanhas fornecem água doce, energia e alimentos – recursos que serão cada vez mais escassos nas próximas décadas. No entanto, as montanhas também têm uma alta incidência de pobreza e são extremamente vulneráveis à mudança climática, à desflorestação, à degradação da terra e desastres naturais. Na verdade, um em cada três povos de montanha de países em desenvolvimento é vulnerável à insegurança alimentar e enfrenta a pobreza e o isolamento.

O desafio global é identificar novas e sustentáveis oportunidades que apresentem benefícios para todas as comunidades que vivem nas montanhas e assim ajudar a erradicar a pobreza, sem contribuir para a degradação dos ecossistemas montanhosos frágeis.

Himalaias

Este dia é promovido pelas Nações Unidas e este ano o tema é a divulgação de produtos de montanha para uma vida melhor. Podem ver o catálogo desta acção clicando aqui.

No lado lúdico da montanha, é igualmente importante a consciencialização da necessidade de preservar todos os trilhos e caminhos, deixando apenas para trás as nossas pegadas.

Afinal, quando lá estamos, também fazemos parte da montanha. Celebremos este dia, conscientes de que a montanha é um património de todos e que beneficia toda a humanidade.

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aqui disse que adoro a montanha. O cume mais alto onde estive foi o Pico Coma Pedrosa a 2943 metros de altitude, muito longe dos 8848 metros do Pico do Evereste. Sou portanto um menino nestas andanças e tenho ainda muito para subir. Hajam pernas!…

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

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Se ainda não votaram no RunUltra Blogger Awards 2016 cliquem aqui e escolham o blog da vossa preferência, de preferência este :) Se for esse o caso, escolham o meu nome, sigam as instruções no final da página da votação e já está.

Agradeço desde já a vossa participação. 😉

Adoro a montanha…

Porque adoro a montanha? Não sei bem responder a esta questão.

Entre outras coisas a montanha tem uma faceta bela e selvagem, de aventura, de dificuldade, de perigo até, que faz despertar instintos que no dia-a-dia ficam escondidos algures.

É a necessidade constante de superação, seja para progredir numa subida vertiginosa, na lama ou na neve…

É o reaprender a respirar em altitudes bem mais elevadas daquelas a que estamos habituados…

UTMB 2013 CCC © The North Face¨ Ultra-Trail du Mont-Blanc¨ - Pascal Tournaire
Foto: UTMB 2013 CCC © The North Face¨ Ultra-Trail du Mont-Blanc¨ – Pascal Tournaire

É sentir a adrenalina a fluir a descer os trilhos mais radicais e escorregadios…

É o constante deslumbramento com paisagens que não imaginamos ver à nossa volta ou que só vimos na televisão…

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

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Se ainda não votaram no RunUltra Blogger Awards 2016 cliquem aqui e escolham o blog da vossa preferência, de preferência este 🙂 Se for esse o caso, escolham o meu nome, sigam as instruções no final da página da votação e já está.

Agradeço desde já a vossa participação. 😉

Everest base camp

Everest base camp. As longas horas para aqui chegar manifestam-se na tensão acumulada em cada milímetro de músculo. Os 30 minutos de voo de Kathmandu para Lukla são uma verdadeira aventura, sobretudo aterrar naquele minúsculo aeroporto rodeado de nepaleses, mas nada comparado com os 6 dias de viagem a pé de Lukla até aqui. 6 dias necessários para o corpo se habituar a respirar acima dos 5000 metros de altitude e também para descobrir e visitar muitas aldeias nepalesas a caminho do acampamento.

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Mosteiro em Tengboche

O Mosteiro Budista em Tengboche e o Mosteiro em Pangboche que expõe o escalpe de um Yeti, foram algumas das paragens obrigatórias nesta viagem de 62 Km até ao acampamento. A hospitalidade e as inúmeras histórias que os Sherpas têm nos contar atenuam todas as dificuldades ao longo do percurso.

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Pangboche

Agora nos 5360 metros de altitude, é tempo de recuperar energias, sentir o cheiro da montanha, e desfrutar todas as paisagens inigualáveis que o Evereste e os Himalaias proporcionam. Afinal a aventura da Maratona do Evereste ainda está para começar…

Himalaias
Himalaias

Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!

Subir a montanha

Faltam 9 dias para iniciar a minha ultima grande aventura de 2015, os 112Km do UTAX.

Já aqui me “queixei” que até ao final do ano é correr em modo de serviços mínimos, mas espero ainda arranjar a força nas pernas necessária para completar o UTAX.

Olhando para o perfil altimétrico dos desafios de 2015, aparentemente o UTAX seria aquele que menos preocupações deveria causar, mas no entanto passa-se precisamente o contrário.

O objectivo que defini há cerca de 11 meses atrás foi o de completar três provas acima de 100 Km em 2015. Escolhi para concretizar esse objectivo o MIUT (a amarelo na imagem), o Andorra Ultra Trail Mitic (a castanho) e o Ultra Trail Côte d’Azur Mercantour (a violeta).

E onde entra o Ultra Trail Aldeias de Xisto (a verde)?

altimetria 2015
MIUT, AUT Mitic, UTCAM, UTAX

Pois é, não deveria entrar, mas com a entorse e respectivo abandono aos 31Km do AUT Mitic, o UTAX surgiu como a alternativa de não falhar o objectivo de 2015.

Comparando o perfil das quatro provas, o UTAX até parece fácil, mas não o vai ser de todo. O piso vai ser muito duro, possivelmente muito escorregadio e molhado, o que vai tornar a progressão difícil e obviamente muitas cautelas na corrida.

Por outro lado a recuperação do UTCAM ainda não está completamente concretizada. O plano de recuperação e de treinos não foi o melhor, no curto espaço de tempo entre as duas provas, e a energia nas pernas está longe dos 100%. Sinto-me agora como se estivesse a começar a época, com as dificuldades inerentes a quem recomeça a correr, e a quem ir correr 112 km de seguida parece uma autêntica miragem.

Veremos se a experiência acumulada nas últimas provas vai ser útil na gestão desta corrida e assim consigo chegar ao fim com sucesso.

Até lá são 8 dias de treino de força e recuperação no Kalorias, com algumas corridas à mistura e muita vontade que chegue a hora da partida. O UTAX pode parecer uma brincadeira ao pé das outras, mas não o será de certeza absoluta.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Inveja da boa

Começou a festa.

Melhor, começaram as festas!

Esta semana e as seguintes, concentram um sem número de provas de Ultra Trail tão famosas e interessantes, que se todas elas fossem transmitidas na televisão seria uma espécie de Campeonato do Mundo de Futebol, com provas todos os dias e a todas as horas.

UTMBO interessante aqui, é que há tantos amigos a participar nestas provas que o esforço necessário para as acompanhar e para saber novidades das mesmas é quase mínimo, tal a velocidade da informação que circula pelos mais diferentes meios virtuais.

Ora isto acaba por causar alguma inveja, inveja da boa entenda-se, tal o número de fotos de paisagens e trilhos espectaculares, em lugares remotos, em lugares famosos, com estrelas das corridas…

GRP

É amigos na PT281+, é amigos no Grand Raid des Pyrénées, é amigos já em Chamonix para o Ultra Trail Mont Blanc que começa no final da semana, é amigos a caminho do Tor de Geans, é amigos um pouco por todo o mundo…

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Bem vistas as coisas também eu estou em contagem decrescente para o Ultra Trail Cotê d’Azur Mercantour, em quinze dias lá estarei na partida para o empeno e será a minha altura de causar inveja da boa a alguém.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Ainda o Andorra Ultra Trail

Um dos Portugueses que participou na Andorra Ultra Trail, mais precisamente nos 170 quilometros da Ronda del Cims, foi o meu amigo e Capitão de equipa na aventura solidária Toca a Todos: João Colaço.

Este ano foi o melhor português ao terminar a Ronda del Cims na 19º posição, mas ainda assim o final teve um trago ligeiramente amargo pela falta de fairplay de dois outros atletas, que aproveitaram um erro do João para o passarem mesmo no fim da prova. O “espírito do trail” contradiz de todo este tipo de atitudes, mas sendo o Trail Running uma disciplina cada vez mais competitiva e com um número de praticante a crescer enormemente todos os dias, não me espanta nada que o “espírito do trail” comece cada vez mais a rarear por esses trilhos fora.

Fica aqui o testemunho do João Colaço ao Jornal de Leiria.

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NOTA: Imagem retirada do facebook do João Colaço, com o artigo publicado no Jornal de Leiria

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Quem não vê caras não vê corações

Quem não vê caras não vê corações, e vem isto a propósito da descrição do João Mota da subida para o pico de Comapedrosa no Andorra Ultra Trail (a tal que dava direito ao peso em canja de galinha para o atleta mais rápido a subir). Diz ele a certo momento:

“Seriam 2kms e 1000 mts de desnível positivo. Brutalidade pura.

Do outro lado da montanha esperava-me uma dura e inclinada descida sempre serpenteando pela montanha.

A subida inicia-se num caminho com ervas e acentua-se progressivamente até entrar em pedra solta mas pesada. Muito rugoso, os cuidados tem que ser redobrados. A subida demora precisamente duas horas para fazer estes dois quilómetros.

Sempre, Sempre, Sempre a subir em direção ao Céu.”

(Podem ler o texto completo do João Mota acerca da sua participação na Ronda del Cims, clicando aqui.)

No meu caso particular até demorei um pouco menos de duas horas para completar a subida, mas também ainda não tinha 44 km nas pernas. Na minha prova a subida para o pico de Comapedrosa iniciava aos 15 km.

Curiosamente confesso que não me custou muito esta subida. Ou melhor, custar custou, mas tive duas grandes vantagens face ao João Mota:

1 – Não fui visitar esta “parede” antes da prova;

2 – Fiz esta parte do percurso durante a noite enquanto ele a fez durante o dia.

Comapedrosa
O trilho que fizemos (a laranja) de Pla de L’Estany ao Pico Comapedrosa. Para quê ir dar a volta se podemos ir a direito?… 🙂

O que “ganhei” eu com isso? Não tive o impacto visual de olhar “lá para cima” e ver uma parede interminável para subir.

E pode parecer que não, mas este aspecto meramente psicológico pode fazer alguma diferença na motivação de chegar lá acima. No meu caso sabia que o trilho era sempre a subir e subi, bem podia olhar para cima que apenas via, aqui e ali, umas luzinhas dos frontais de outros atletas. Não tinha de todo a noção da inclinação ou do trilho que havia para subir. A luz do frontal e a inclinação da subida limitavam o meu raio de visão a poucos metros à minha frente, e assim subi até ao topo do pico Comapedrosa, sem grandes expectativas nem preocupações, para o bem e para o mal.

Quem não vê caras não vê corações ou, neste caso, quem não vê trilhos não vê inclinações.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!