Peregrinação

Faltam 30 dias para os 101 Peregrinos, 22 semanas para o UTMB, e a preparação não podia estar pior.

O tornozelo torcido nos Trilhos do Paleozóico veio atrasar um pouco a preparação para estas duas peregrinações e se para o UTMB nada está comprometido, para os 101 Peregrinos já não posso dizer o mesmo.

101peregrinos

A 30 dias da partida, esta paragem forçada de 15 dias vai fazer dos 101 Peregrinos isso mesmo: uma peregrinação. No fundo, é um pouco da continuação do ano de 2015 em que nunca consegui chegar a um pico de forma decente. Há que trabalhar e esperar que a boa sorte apareça e consiga inverter esta tendência até Agosto.

Assumindo que os 101 Peregrinos serão para ser feitos em modo de requisitos mínimos e que esta prova tem um nível de dificuldade ao de muitas outras provas que já completei, há que prepará-la com a mesma seriedade e rigor para mitigar todas as surpresas que uma prova de mais de 100 Km nos pode apresentar.

Tão importante como treinar, um dos passos para o sucesso é a preparação e o estudo efectivo dos detalhes da prova. O primeiro passe desta preparação começa aqui.

101Peregrinos3

Perfil da Prova

Distância Total: 102,00 km
Desnível positivo acumulado: 3721.32 m

Desnível negativo acumulado: 3717.04 m

Desnível acumulado: 7438,36 m

 Altura máxima : 1458.5 m
 Altura mínima : 379.9 m
 Racio de subida: 7.93 %
 Racio de descida : 7.65 %
 Desnível positivo por Km: 36.15 m
 Desnível negativo por Km: 36.11 m

101peregrinos2

Resumo de desníveis Km

 A Subir  Distância Km  Km totais em %
 Entre 15 e 30%  4.7  4.63
 Entre 10 e 15%  8.9  8.71
 Entre 5 e 10%  16.6  16.16
 Entre 1 e 5%  16.5  16.1
 Total  46.9  45.59
Plano
 Desnível até 1%  7.4  7.21
A Descer
 Entre 1 e 5%  18.0  17.56
 Entre 5 e 10%  16.9  16.46
 Entre 10 e 15%  8.5  8.35
 Entre 15 e 30%  4.9  4.84
 Total  48.5  47.2
Total track:   102.00  100 %

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Eu Maior

Eu Maior, um filme sobre autoconhecimento e busca da felicidade.

Quem sou eu? Para onde vou? O que sou eu?

Questões que me coloco frequentemente quando estou a correr longas horas na montanha. Não raramente, dou por mim surpreendido por ter completado troços de dezenas de quilómetros e não me recordar dos percursos e dos caminhos que ficaram para trás, tal a abstracção com que os meus pensamentos me envolvem, quase sempre sem resposta concreta e objectiva, num simples divagar da alma à procura de respostas para as quais não tenho conhecimento.

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As fotos deste artigo são originais do site de Waldemar Niclevicz (http://www.niclevicz.com.br/)

Eu Maior, é um documentário que conta também com o testemunho de desportistas, que apresentam pontos de vista com os quais me identifico a 100%.

Carlos Burle, é um surfista de ondas gigantes, o tal que bateu o record do McNamara na Nazaré, e que diz:

“Eu gosto de desafios. Se nos expomos de uma maneira louca, nós morremos. Se nos expomos de uma maneira preparada, nós aprendemos.”

É esta aprendizagem que eu procuro em todas as aventuras em que participo, e já agora na vida em geral. É o preparar-me, estudar e antecipar as possibilidades, estar apto a atingir os objectivos a que me propus, no fundo é aprender a conquistar desafios, a atingir metas, superar os meus objectivos e no fim poder mostrar um grande sorriso para partilhar a experiência.

Waldemar Niclevicz é um alpinista de renome mundial, que já escalou os principais cumes da Terra, uma espécie de João Garcia brasileiro. Diz ele no seu testemunho:

“Eu precisei de ir até à montanha para me encontrar, para poder me ver diante um espelho.

Você está na montanha desempenhando um esforço físico intenso, muitas vezes correndo risco, gera-se uma grande introspecção, você começa a pensar em tudo na sua vida, naquele momento que você está ali, é incrível com a minha cabeça viaja nesses momentos em que estou na montanha, e aí você começa a se conhecer, começa a resolver problemas dentro de você e ter forças para encarar o mundo, encarar pessoas, encarar situações, isso causa uma evolução, eu percebo que eu melhoro a partir do momento que eu vou para a montanha e volto para a cidade.”

24-Saudação-ao-Makalu-Nepal.-Foto-de-Niclevicz
As fotos deste artigo são originais do site de Waldemar Niclevicz (http://www.niclevicz.com.br/)

É incrível a maneira como me revejo no que ele diz, e como consigo entender perfeitamente esta introspecção em que de facto os nossos pensamentos circulam a uma velocidade estonteante, onde temos ideias, soluções, descobrimos novos problemas, e nos perdemos na imensidão da alma.

Esta aprendizagem, conhecimento, introspecção, realização pessoal, ir buscar forças a um interior que muitas vezes desconhecemos, são ensinamentos que tenho vindo a apreender e a conhecer cada vez melhor.

2016 será um ano em que vou buscar ainda mais este auto conhecimento. Não me interessa competir mas sim realizar-me e ser feliz, e é nesta busca que parto para mais um ano de aventuras.

Reservem uma hora e meia do vosso tempo e vejam este filme que de facto não é tempo perdido. De preferência vejam acompanhados, é um documentário propício ao debate e à troca de ideias. Aqui não há respostas, até porque não as há, mas apenas perguntas, sobre nós e a nossa existência.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

II Dura Trail Proaventuras

Decidi participar no II Dura Trail ProAventuras à última da hora, como primeiro de dois treinos longos a cumprir no fim-de-semana. Foi nesta perspectiva mais descontraída que abordei esta prova, sendo o objectivo treinar e não fazer um tempo eventualmente mais rápido.

Sábado de madrugada lá acordei e rumei até aos Bombeiros Voluntários de Setúbal, local onde teria de levantar o dorsal e onde teria igualmente a partida desta prova.

A partida era às 9h00 e cheguei um pouco antes das 8h00, pelo que deu tempo de sobra para levantar o dorsal, agradecer ao Lívio Nuno que por se encontrar lesionado me cedeu o seu dorsal para a prova e, encontrar e conversar com uma série infindável de amigos das corridas, uns que iam participar na prova mais longa de 35 Km e outros que se iriam ficar pelos 22 Km.

Quase a chegarem as 9h00 e foi tempo de agrupar para o controlo zero e partir pouco depois. O dia estava bonito com o céu azul e o sol a brilhar no alto, a indicar que os 27º previstos iriam mesmo ser atingidos.

Soou o apito para a falsa partida e lá foram os cerca de quatrocentos atletas rumo à Serra da Arrábida; falsa partida porque antes da partida oficial ainda se rolou perto de 1600 metros entres os Bombeiros, a Av. Luísa Todi e a subida para o Forte de São Filipe. Aí soou de novo o apito e foi dada a partida oficial do Dura Trail.

A subida permitiu o pelotão alongar um pouco e entrámos em zonas de trilhos muito bonitos, com vista para o Rio Sado e a península de Tróia que fazem qualquer um sonhar acordado. A estratégia para a prova era rolar calmamente num ritmo controlado, pois se no Sábado eram 35 Km no Domingo iria correr mais 30 Km, e convinha chegar ao final do fim-de-semana inteiro e sem mazelas. A organização da prova foi muito boa, com todo o percurso bem sinalizado quer com fitas quer com um sem número de voluntários que ajudaram na organização, e ainda com abastecimentos muito completos que não permitem queixas aos atletas mais exigentes. A acompanhar o percurso existiam igualmente as famosas tabuletas com nomes tão sugestivos como Brutassauros por exemplo, que nos faziam antecipar um pouco aquilo que nos esperava nos metros ou quilómetros seguintes.

A minha corrida foi bastante tranquila, inicialmente mantive um ritmo razoável a subir e acelerei um pouco a descer, mas ao fim da terceira descida acentuada decidi acalmar e rolar mais calmamente até final. Com excepção de alguns dos single tracks já conhecia grande parte do percurso que corremos, mas curiosamente sempre o corri no sentido contrário ao que se fez nesta prova pelo que acabou sendo na mesma uma novidade. Já a subida para a Vigia, o ponto mais alto desta prova, não era novidade. Logo no início da subida encontrei o meu amigo Maré que andava a passear pela serra e ainda perdi uns 4 ou 5 minutos a por conversa em dia. Aí perdi o contacto com a atleta Ana Cristina com quem tinha ida até ali em modo: ora vais tu à frente ora vou eu, o que curiosamente também já tinha acontecido no Grande Trail da Serra d’Arga. A chegada à Vigia é sempre espetacular com uma vista fantástica de 360º, de onde se pode ver quase tudo entre Sintra e a Comporta. Depois foi quase sempre a descer até Setúbal, com destaque para duas coisas que detesto: atravessar ribeiros com areias soltas e calçadas romanas. Acumular areia dentro dos ténis é incomodativo e perturba-me um pouco a passada, pelo que tive de parar e retirar areia por duas vezes para voltar ao conforto de corrida habitual.

Já quanto à calçada romana não há qualquer hipótese de gostar; e a citação “estes romanos devem estar louco” aplica-se na perfeição quando imagino o romano que planeou tais caminhos. Aqui não tive outra solução que não a de abrandar e desejar que a tal calçada terminasse o mais depressa possível para voltar a correr em condições. Depois de todo este sobe e desce ainda houve tempo para um single track rápido até à praia, de onde faltavam cerca de 2 Km até à meta. Foram dois quilómetros partilhados entre a areia da praia e o passeio marítimo, a fazer-me relembrar por instantes a dureza da Ultra Maratona Atlântica, mas o cheiro a meta era já tão forte que já nada me impedia de manter o ritmo forte até à meta.

No final foram 38 Km e não os 35 anunciados, que cumpri em 4h51, perfeitamente dentro do que tinha estabelecido como objectivo para esta prova.

Já não cheguei a tempo da aula de zumba, mas cheguei muito a tempo de comer uma fantástica massa de peixe oferecida pela organização.

Em resumo o Dura Trail é uma prova muito bem organizada, num percurso de beleza ímpar e que certamente todos os que gostam de trail running deveriam experimentar. Para o ano há mais!!!

Fica aqui um cheirinho do Dura Trail 2014 captado pela câmara do atleta Pedro Cavaco:

E para quem gosta destas coisas o link com o percurso e com a minha participação.

Continuação de bons treinos e boas provas!!! 😉

UTSM – Ultra Trail de São Mamede – Live

É já às 00h00 deste Sábado dia 17, que terá inicio os 100 Km do Ultra Trail de São Mamede.


Esta é a terceira edição desta já mitica prova, e será a minha estreia em provas com três digitos.

O treino está feito e lá mais para o final da tarde de Sábado já poderei dizer se foi ou não suficiente para completar este desafio com sucesso.

A organização do UTSM proporciona uma plataforma online onde poderão acompanhar o desempenho dos participantes nas provas dos 100 Km. É a primeira vez que esta plataforma vai funcionar nesta prova e não há garantia que funcione a 100%, mas vale a pena passar por lá e tentar acompanhar a prova dos amigos e conhecidos.

Para acederem à plataforma cliquem aqui.

Também podem acompanhar todos os desenvolvimentos da prova no Facebook do UTSM, para tal cliquem aqui.

No Twitter também podem acompanhar com #UTSM.

Desta vez a equipa ACCVCAVI é composta por mim, pelo Vargas e pelo Mata.

Os nossos dorsais são:
493 Nuno Gião
492 João Vargas
556 João Mata


Sigam também outros amigos que aparecem de vez em quando em algumas aventuras partilhadas aqui no blog:

137 Hugo Fragoso
594 Nelson Marques
313 Paulo Raposo
399 Carlos Caetano
293 João Veiga
225 Bruno Regalo


A todos os participantes no UTSM votos de boa sorte e que chegem ao fim sem um empeno muito grande!!! 🙂

Inatel Ultra Trail do Piodão

Grande prova esta do Inatel Trail do Piodão. Tardou aqui o merecido comentário, mas umas últimas semanas muito movimentadas não me deixaram muito espaço para por a escrita em dia.

Paisagens sempre espectaculares!!!

Voltando ao Piodão, foi um fim de semana muito divertido, numa prova de 50 Km muito bem organizada, e com muita sorte com a meteorologia, o que permitiu competir descontraidamente e ao mesmo tempo desfrutar as belas paisagens que cruzámos no bonito percurso que se percorreu.

Passagem por Chãs d’Égua


Relativamente à organização nada a apontar. O percurso excelentemente marcado, impossível de perder o trilho correcto em qualquer ponto onde pudesse existir uma mínima dúvida. Os abastecimentos, dentro do que tinha sido anunciado, com líquidos, fruta, batatas fritas, marmelada, frutos secos. O percurso algo duro, muita pedra para correr em cima a amassar literalmente os pés, e algumas subidas de respeito que no total perfizeram pouco mais de 3300 metros de desnível positivo. A meteorologia ajudou bastante à beleza da prova, com um dia de sol mas sem excesso de calor, o que permitiu ainda vislumbrar a neve no ponto mais alto do percurso. No dia seguinte fomos visitar de carro o alto do Monte do Cucurinho e um vento e frio brutais contrastaram com o sol sereno do dia anterior. Se tivéssemos apanhado um dia com tempo assim, o dia da prova teria sido de uma dificuldade significativamente acrescida.


Ajuda divina?


Quanto à prova foi efectuada num ritmo tranquilo, sempre na companhia do Vargas, para treinarmos a participação em equipa nos 107 Km do Gerês Trail Adventure. Uma primeira parte da prova mais rápida, mas as duras subidas e os quase 60 Km que já tinha nas pernas dos treinos da semana, começaram a fazer-se sentir e tive de abrandar um pouco na segunda metade da prova para não comprometer a qualidade dos treinos necessários até ao grande objectivo que é o UTSM. Tive de refrear um pouco o ritmo do Vargas, mas penso que foi bom para ambos não esticarmos muito o ritmo. No final foram 51 Km e 3334 metros de desnível positivo, percorridos em 9h10.














O fim-de-semana foi ainda marcado pela excelente hospitalidade e gastronomia locais. A aldeia de Chãs d’Égua recebeu-me a mim e a mais quase duas dezenas de atletas e acompanhantes de braços abertos, e para o ano se repetir esta prova será aí novamente a base para toda a prova.

Sempre a puxar pelo Vargas!!!

Um agradecimento especial às minhas amigas Kwendettes, que aproveitaram o fim-de-semana para descansar pelo Piodão e aproveitaram para fazer claque às equipas Ai Cristo Cristo Vem Cá Abaixo Ver Isto. Vejam o vídeo e vejam porque receberam o prémio de melhor claque da prova!



Continuação de boas corridas e de boas provas!!!

Chegámos!!!


Preparar o Inatel Piodão Trail Running

A três dias do Inatel Piodão Trail Running, constato que há muitos amigos e participantes que ainda não sabem bem como deverão encarar as condições meteorológicas que iremos apanhar na média montanha.
Próximo destino: Piodão
Os conselhos e partilha de informações pelos atletas mais experientes fazem parte do processo de aprendizagem dos atletas menos experientes. Estes conselhos podem ser muito importantes nas opções a tomar antes da prova e influenciar não só o desempenho durante a corrida mas também o sucesso no resultado final.

Aqui ficam dois conselhos que considero importantes e que deverão ser levados em conta:

“O vento gelado que se faz sentir nas cristas da serra, adicionado ao corpo molhado pela chuva ou pelo suor, são factores a ter em conta, também fazer uma prova com o esforço controlado não ir ao limite, previne a hipotermia, que geralmente se dá quando todas as reservas energéticas estão esgotadas…outro conselho, é abastecer bem nos abastecimentos e só sair quando se sentir em condições físicas e mentais para ultrapassar os obstáculos que vão ter pela frente, clima e o traçado do terreno em particular os 50km….”, conselho do experiente atleta Vitorino Coragem.
Perfil altimétrico da prova de 50 Km
“Próximo destino…. Piódão….
Com o vestuário para enfrentar temperaturas negativas em média Montanha.
Gorro, Luvas, Buff, meias altas de lã, manta térmica, Corta-vento com forro polar, calças, comida e bebida energética, mochila, telemóvel.
Prevendo-se queda de neve a partir dos 1200 metros nos próximos dias, vamos passar por três picos a cima desta altitude, Colcurinho, S. Pedro do Açor, Pico de Cebola…. e ali a Serra da Estrela tão perto…
Aliás é o material que te aconselho para o Trail Inatel Piódão…”, conselho do experiente atleta Rui Simões.
Perfil altimétrico da prova de 21 Km
E é isto, ou como se costuma dizer: quem vai para o mar avia-se em terra.

Podem consultar toda a informação da prova no site da mesma clicando aqui. Lá encontram informação sobre o secretariado, material obrigatório, abastecimentos, etc., etc..

Será que vai nevar no próximo sábado?
Continuação de bons treinos e até Sábado no Piodão!!!

O último grande teste antes do UTSM

Está definido o plano de treinos em modo competição, para preparação para o Ultra Trail de São Mamede.


São duas as provas em que irei testar a força nas pernas e na cabeça antes da grande aventura do UTSM:
  • Primeiro os 50Km do Ultra Trail do Piodão;
  • E a seguir os 105Km (em três dias) do Carlos Sá – Gerês Trail Adventure.

Se este último desafio for concluído com sucesso, estou convicto que a participação no UTSM será tranquila.

O Carlos Sá – Gerês Trail Adventure contará com duas equipas ACCVCAVI que na realidade serão só uma, eu, o João Vargas, o Rui Alegre e o Hugo Fragoso, iremos tentar completar este desafio levando connosco todo o espírito de entreajuda necessário a que os quatro cheguem ao fim com os 105 Km nas pernas.


Até lá ainda falta correr a Maratona de Sevilha cuja preparação tem sido cheia de percalços.
Ainda assim, mais depressa ou mais devagar, Sevilha será um passeio tranquilo e certamente mais rápido que a estreia do ano passado.

Continuação de bons treinos e boas provas!!!