Dá Deus nozes a quem não tem dentes…

Há umas semanas atrás foi-me oferecida a possibilidade de testar um sistema de treino em altitude portátil, o Cloud 9 da Sportingedge.

Oportunidade fantástica, já que só consigo estar em altas altitudes quando me desloco a algumas provas no estrangeiro e daqui a 15 dias lá estarei à partida do Ultra Trail Mont Blanc, que vai andar muitas vezes acima dos 2500m de altitude. O ano passado no Andorra Ultra Trail, bem senti alguma dificuldade na aclimatação quando comecei a primeira subida grande, apesar de depois até ter conseguido controlar relativamente bem a situação.

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Como a minha capacidade atlética é limitada, não esperava tirar outra vantagem que não fosse uma mais rápida aclimatação no Monte Branco. Esta oportunidade de poder cumprir um protocolo de treino em altitude como muitos profissionais fazem, era de facto uma oportunidade fantástica e onde pensava poder aferir mais tarde as melhorias deste tipo de treino num atleta de pelotão como eu.

De um modo resumido o protocolo de treino passaria por dormir numa tenda aclimatizada durante um período de 8 semanas, onde a tenda seria climatizada para simular o ar em alta montanha.

Aparentemente estava tudo pronto para mais uma interessante experiência, mas como tudo tem um reverso, tive de abortar a experiência no final da segunda noite. É que este sistema funciona com base num compressor de ar que, digamos, faz algum ruído, (no limite da lei de ruído), e ao estar a funcionar durante a noite era um incómodo para toda a vizinhança. E morando eu num apartamento… está tudo dito.

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Espero num futuro ter oportunidade de voltar a testar durante um protocolo de treino completo e poder aferir realmente os benefícios e/ou resultados.

Se este é um tema que vos interessa posso colocá-los em contacto com o representante português deste sistema, para tal basta enviarem-me o vosso contacto a manifestar esse interesse. Podem consultar o site Altitude Training para lerem mais informações sobre estes equipamentos.

Continuação de bons treinos e boas aventuras!!!

 

Alcains Trail Camp – Dia 2

O segundo dia do Alcains Trail Camp prometia. Ia ser a minha estreia a correr na Serra da Gardunha.

O percurso foi preparado pelo Miguel Batista e o track apresentava cerca de 30 Km, a primeira metade sempre a subir, a segunda metade sempre a descer, e uma “ligeira” subida no final para acabar em beleza.

A noite foi bem dormida mas pouco dormida. Entre jantar, ir para o solo duro, cumprir a rotina de higiene, deitar e dormir, já seria mais de uma da manhã quando adormeci. A alvorada foi às 6h00.

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Actualmente este é um dos meus maiores pontos fracos, preciso dormir para recuperar e acordar fresquinho. Dormi um pouco menos de 5 horas pela terceira ou quarta noite consecutiva, e sentia um pouco de cansaço a esse nível. Mas olhando ao redor do pavilhão, parecia que ninguém se queria levantar para a jornada do dia, apesar de haver múltiplos alarmes a tocar.

Lá me levantei, fui à casa de banho e os meus olhos não enganavam, parecia aquele Pokémon de que não me lembro o nome, tal estavam os meus olhos inchados.

A jornada ia começar em Castelo Novo e lá nos pusemos todos a caminho. Mais uma vez todos nos atrasámos aqui e ali e mais uma vez começámos o treino um pouco atrasados. Tudo sem stress e todos bem-dispostos, com um espirito de camaradagem muito saudável.

Lá começamos o treino. As minhas pernas estavam bem considerando que tinha feito 50 Km no dia anterior. O pulmão também não se queixava. Mas os olhos estavam pesados… No fundo estava com uma preguiça transcendental, queria correr mas a cabeça não deixava, estava difícil de acordar.

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E assim os tubarões fugiram mais uma vez. Subiam que nem uns tubarões loucos a cheirar sangue fresco e rapidamente os perdi de vista, sobrando meia dúzia de carapaus de corrida lá mais para trás.

Os primeiros 14Km do percurso foram sempre a subir, sendo que os primeiros 9Km foram quase sempre por estradão, logo bastante “corriveis”. A partir do quilometro 9 entrámos numa das rotas da Serra da Gardunha, que percorre quase sempre a crista da serra, logo um percurso muito bonito. Fiz este troço sozinho, e tal como no primeiro dia tive de ir a navegar entre o GPS, as mariolas e as marcações da rota, e demorei mais tempo do que o previsto nesse troço, mas lá consegui chegar às antenas e ao marco geodésico instalados no ponto mais alto da serra. A descida foi muito interessante num trilho pelo meio de enormes barrocos de pedra. Descida muito técnica e bonita de se fazer.

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O percurso continuou sempre a descer até uma aldeola de nome Casal da Serra. O troço variou entre estradão e algum alcatrão e era propício a dar velocidade às pernas, mas a minha preguiça não me permitiu passar de um certo ritmo mais moderado. Chegado a Casal da Serra, não tendo encontrado uma fonte, fui à taberna local e bebi a primeira jola de hidratação, enquanto reabasteci os bidons com água. Na taberna um dos habitantes locais, ficou muito surpreso por eu vir das “antenas” e partilhou que nunca lá tinha ido, apesar de viver ali desde sempre!

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
06:19:58 05:14:50 33.45 6.38 16.56 1,252.00
hours hours km km/h km/h meters

Após esta paragem, recomecei o percurso em direcção a Louriçal do Campo. A par do troço pela crista da serra, este foi um troço de beleza impar. O trilho seguiu em grande parte paralelo ao Rio Ocreza, com muitas piscinas naturais onde apetecia dar um mergulho, com muitos vestígios e ruinas das azenhas que aí trabalhavam no passado, e uma vegetação muito luxuriante, tornando este troço um verdadeiro passeio de corrida. E chegado a Louriçal do Campo, já com 26 Km nas pernas, fiquei contente por não seguir em direcção ao Piodão que dista dali 72Km, mas sim em direcção a Castelo Novo à distância uns míseros 8Km. Estava já no estado de espirito em direcção a Castelo Novo, quando ao passar pelo café local vejo o Serradas Duarte, a Mariana e o Luis Matos, em animada tertúlia entre minis e tremoços. Lá tive de ficar com eles a hidratar mais um pouco, e assim atrasar a chegada a Castelo Novo.

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Arrancámos, muito a custo, os quatro, mas aquela última subida, o calor e a preguiça que nunca me largou, não me permitiram seguir com eles durante todo o troço até final.

Chegados a Castelo Novo, foi tempo de mergulhar na piscina fluvial e aproveitar a água geladinha para um tratamento rápido de crioterapia.

Foi um percurso muito bonito, com troços rápidos, troços técnicos, paisagens fabulosas, sem dúvida para repetir num dia destes.

O Trail Camp encerrou com um almoço nas piscinas de Alcains, onde quase todos tinham tanta fome como vontade de ir dormir uma sesta. Como já estávamos em período de recuperação ainda houve lugar a uma prova de queijos da região.

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Resta-me agradecer ao Didier Valente pela organização de todo este Trail Camp, e a todos os participantes pela boa companhia e momentos que proporcionaram

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Alcains Trail Camp – Dia 1

O primeiro dia do Alcains Trail Camp foi brutal.

O menu era apelativo: ponto de partida em Alvoco da Serra, subir o 1,5 Km vertical até à Torre, descer até à Loriga, mais 1 Km vertical até à Torre e descer 1 Km vertical até Alvoco da Serra. O total, cerca de 50Km e 3500m de desnível positivo pela Serra da Estrela.

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A alvorada foi às 5h00. A partida seria às 7h00, mas os mais de 30 bravos do pelotão foram-se atrasando aqui e ali, e acabámos por começar já depois da 8h00.

O grupo era de meter medo, tal o número de tubarões ali presentes, Miguel Batista, José Serrano, Bruno Fernandes, Didier Valente… só para citar alguns. Não iria ser fácil, ou melhor, não seria possível de todo segui-los, pelo que tinha o track bem estudado pois já previa que iria andar muito tempo sozinho na serra.

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Os primeiros 4km foram de aquecimento a descer em direcção ao ponto de início do 1,5Km vertical. O pelotão seguiu compacto apesar do ritmo já vivaço. Afinal a descer todos os santos ajudam e de certeza que ali ainda iam muitos santos a acompanhar-nos.

O pior foi depois.

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Começa a subida, os tubarões mantiveram o ritmo vivaço, e o pelotão lá se foi partindo aqui e ali formando-se diversos grupos a diversos ritmos. O quilómetro e meio vertical tem pouco menos de 12Km de distância, e dizem as más-línguas que os tubarões subiram em cerca de duas horas. As mentes, pernas e/ou pulmões menos preparados, demoraram quase três. (Treinasses!…)

O troço da Torre até Loriga foi talvez o mais confuso. O track disponibilizado não tinha muitos pontos e quase deixava à imaginação de cada um a direcção a seguir, pelo que aqui houve enumeras variantes seguidas por cada um dos pequenos pelotões que se formaram.

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Eu ia ao meu ritmo e acabei seguindo sozinho neste troço. Segui as “minhas” regras básicas de orientação: tentar seguir o rumo que o GPS me dava entre pontos, seguir as marcações da rota do Vale Glaciar da Loriga, e seguir as mariolas para perceber e/ou descobrir o trilho, e assim consegui nunca me perder, consequência que muitos outros amigos tiveram talvez por efectuarem uma orientação menos atenta.

O reverso da medalha foi o de que com tanta orientação não conseguia manter um ritmo de corrida consistente, mas nesta altura do campeonato o que me interessa é chegar inteiro a Chamonix.

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O Vale Glaciar da Loriga é espectacular. Apesar de estar no programa há muito tempo, nos últimos dois anos os fogos andaram lá perto e impediram sempre que fizesse este percurso por altura dos meus Trail Camps. Trilhos técnicos qb, algumas partes rolantes, cães a guardar rebanhos aqui e ali, alguns turistas a fazerem caminhadas, cruzei-me com um pouco de tudo neste troço. Cheguei à Loriga e o grupo dos tubarões já tinha almoçado e iniciava o percurso de regresso. Deixei-os ir e aproveitei para comer qualquer coisa também.

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Fiz-me ao caminho de volta que não queria chegar muito atrasado

A subida de Loriga para a Torre, pela hora do calor, custou bem mais que a descida da Torre à Loriga. Na subida inicial do troço Loriga – Torre, cruzo-me de novo com um grupo de caminheiros com quem já me tinha cruzado perto da central hidroeléctrica enquanto fotografavam um rebanho, os cães da serra e o pastor que os guardava. Cinco ou seis homens já barrigudos, equipados com máquinas fotográficas e objectivas quase proporcionais às suas barrigas. A caminho da Loriga passei por eles a correr, cumprimentei-os com um “bom dia”, que eles simpaticamente retribuíram enquanto pensavam “olha para este maluco aqui a correr”. Não comentaram mas de certeza que o pensaram. No regresso à Torre, antes de mim passou por eles o grupo dos Tubarões e quando se cruzaram de novo comigo não resistiram a comentar entre gargalhadas: “Você tenha juízo!!! Vai aí um grupo de malucos a correr serra acima… são doidos!!!” Desmanchei-me a rir enquanto visualizava tão bem esta imagem e só consegui responder: “não se preocupem que quem tem a chave do carro sou eu”.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
11:04:22 08:42:03 45.85 5.27 16.56 3,103.30
hours hours km km/h km/h meters

Enquanto subi à Torre fui-me cruzando com outros amigos que seguiam em direcção à Loriga. Uns porque se perderam, outros porque iam mais devagar, e afinal só sobrava eu para além dos tubarões a fazer o percurso inverso até Alvoco da Serra. Apesar da subida dura e do calor, segui tranquilo até à Torre, onde me aguardavam umas nuvens e vento fresco que me acompanharam na descida até ao Alvoco. Desci o quilómetro vertical tranquilamente para não danificar o material, e quando cheguei ao Alvoco já os tubarões tinham desfrutado da piscina e iam partir rumo à base em Alcains. Não tive outro remédio senão continuar a “correr”, enquanto mudei de roupa e me coloquei no encalço dos tubarões. Só vos posso dizer que de carro é bem mais fácil ir atrás deles, ou não fosse o meu apelido Gião.

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O repasto na Tasca do Manel foi mais uma vez muito bom, já na recepção de 6ªfeira o tinha sido também, e recuperámos as calorias entre um rolo de carne e uns tentáculos de polvo, com diversas guarnições à mistura. O recolher aconteceu já depois da meia-noite e muitos foram dormir com um ratinho no estômago com o desejo de ter comido uma fartura, que não havia na festa de Escalos de Cima.

Até o dormir foi a correr pois a alvorada para o segundo dia seria às 6h00.

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Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Pneus novos rumo ao UTMB

Quem costuma acompanhar as minhas aventuras, sabe que há cerca de 4 anos me converti aos ténis minimalistas e com drop 0. Este tipo de sapatilha, na minha opinião, quer em estrada quer em trilhos proporciona a forma mais natural de correr.

Para correr em estrada a escolha dos pneus esteve pacifica até há quase dois anos atrás, quando a Mizuno descontinuou o modelo Cursoris e fiquei sem uma alternativa económica e com que me sinta 100% satisfeito a correr. Actualmente utilizo os modelos Runfree da Nike, que não são de todo a mesma coisa que os Mizuno, mas dentro do género são dos mais económicos que consigo comprar no mercado.

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Uns Mizuno Wave Evo Ferus com que fiz os 100Km do UTSM, drop zero e 8mm de sola para amortecimento

Nos trilhos a história é parecida. A única preocupação adicional é que aqui tenho de escolher um modelo que igualmente proteja bem os pés. Utilizei diferentes marcas e diversos modelos com baixo perfil e drop abaixo de 4mm, até que o ano passado experimentei os Altra Lone Peak. A Altra é uma marca americana que produz ténis com drop zero e com um formato natural do pé, permitindo correr com uma movimentação do pé completamente livre. A sensação que tive quando experimentei os Lone Peak foi a mesma de quando calcei os Mizuno Cursoris pela primeira vez, parecia que estava a correr de pantufas. Fiz mais de 1000 Km com os Lone Peak 2.0, já vou em mais de 400 com a terceira geração deste modelo, os Lone Peak 2.5, mas nas distâncias grandes sentia que ainda me faltava qualquer coisa. Não sou propriamente levezinho e os especialistas recomendavam algo com mais amortecimento.

Um pouco na dúvida e um pouco a medo resolvi comprar uns Altra Olympus 2.0. Este é o modelo com mais amortecimento da Altra e observados de fora parece que se vai calçar uns antigos sapatos de plataforma. As características que tanto aprecio do drop zero e do formato natural para o pé estão lá, e as questões estéticas são as que menos importam na escolha acertada de umas sapatilhas.

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Os Altra Olympus 2.0 com que irei fazer os 170Km do UTMB, drop zero e 36mm de sola para amortecimento

E não é que gostei?! Pensei que a altura da sola ia ser um problema para os meus tornozelos mas pelo contrário é uma sapatilha com bastante estabilidade, talvez aquela em que senti mais resistência para evitar torcer os mesmos. Corre-se bem, sem qualquer tipo de problema devido à altura da sola, e consigo correr de novo sem medos nos locais mais técnicos, seja a subir seja a descer. No Trail da Salamandra da noite passada tive a oportunidade de fazer uma descida de downhill a alta velocidade e que bem que me soube, já há muito tempo que não fazia uma coisa destas.

Ainda continua a estudar e a perceber este modelo, mas sem dúvida que já conquistaram a minha confiança para os utilizar no UTMB.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Louzan Trail – Trilho do Cuco

O Trilho do Cuco foi-me apresentado como sendo a grande subida do Ultra Louzan Trail. Do gráfico da altimetria que a organização forneceu dava para constatar que a inclinação desta subida seria de cerca de 20%, mas confesso que só fiz estas contas agora.

O meu estudo prévio das provas faço-o com o track da mesma, mas como este não foi fornecido pela organização… acabei por não fazer o estudo pormenorizado da prova. Sabia que as subidas, todas elas, deviam ser muito inclinadas e pronto, isso serviu para esta aventura.

O Trilho do Cuco começou sensivelmente aos 35 Km de prova, com início na Cerdeira e final no ponto mais alto da Serra da Lousã: Trevim ou as antenas como muitos de nós nos referimos, em alusão às antenas da RTP que lá existem e que actualmente se encontram desactivadas.

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A subida são cerca de 2,5 Km com 500 metros de desnível positivo, o que dá o belo número de 20% de inclinação. Não levei bastões para a prova e como tal também esta subida foi feita com o exclusivo esforço das pernas. Acabou por ser relativamente tranquila, e teria sido mais, não tivesse feito esta subida debaixo da torreira do sol, o que causou um desgaste adicional.
O nome de Trilho do Cuco surge da lenda da existência de um cuco que cantava noite e dia aquando da construção do sistema de antenas que se encontra no topo da serra. Garantiram-nos que o cuco ainda poderia por lá andar e receber alguns dos atletas com as boas vindas ao Trevim, mas quando lá cheguei do cuco não havia sinal, nem do filho e nem do neto do cuco, que aquelas antenas já têm um ar velhinho e a existir um cuco certamente não seria o mesmo!

O trilho em si começou ladeado de abundante vegetação mas rápidamente no expos a uma subida ingreme em rocha e barrocos até ao topo completamente exposta, no caso deste Domingo, ao sol. Demorei cerca de 45 minutos a fazer estes 2,5 Km, o que até foi menos mau para o meu momento actual.

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Quem vai à procura do Cuco arrisca-se a ficar assim!

Como partilhei no artigo sobre o Louzan Trail trouxe-me muitas memórias de outras provas. Apesar do Trilho do Cuco ser bruto com os seus 20% de inclinação, não chegou para me fazer lembrar a mítica subida para Comapedrosa que fiz em Andorra com os seus 31% de inclinação. O Trilho do Cuco é duro mas ainda não chegou para destronar Comapedrosa como a subida mais dura que já fiz.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Louzan Trail – Trilho Licor Beirão

Um dos troços emblemáticos que fizeram parte do Louzan Trail 2016 está baptizado de Trilho Licor Beirão.

O Trilho do Licor Beirão foi fácil de identificar, era aquele onde imediatamente antes do início de uma descida vertiginosa eramos convidados a beber um shot do dito licor.

Neste momento e após leitura deste pequeno introito, já há mais 103 adeptos do trail running e 24 já questionaram quando abrem as inscrições para a edição de 2017!…

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Na realidade não havia shots de Licor Beirão, nem sequer uma garrafinha para amostra, ou um caipirão, ou um morangão, ou uma das muitas bebidas com nome terminado em “ão” e que utilizam o Licor Beirão na sua composição. E com o calor que estava um Caipirão fresquinho até tinha sabido muito bem!

Fica a ideia, para quem sabe, a organização implementar numa edição futura…

Reza então a história que o nome deste trilho tem origem num grande outdoor de publicidade ao Licor Beirão, um dos primeiros (senão o primeiro) a surgir em Portugal, e que existiu em tempos perto do topo deste trilho.

O trilho propriamente dito, foi percorrido no sentido descente, sendo quase um single track ladeado de árvores e vegetação de ambos os lados, num piso muito macio propício a descidas a grande velocidade. A inclinação é moderada e foi muito simpático de correr.

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O Licor Beirão que nasceu na Lousã no século XIX, foi um dos patrocinadores do Louzan Trail 2016, e presenteou os participantes com um lenço tipo “Buff” alusivo à marca.

Ainda disponibilizou o código de oferta “LOUZANTRAIL”, que oferece 10% de desconto em compras efectuadas na loja online do Licor Beirão (válido por 30 dias).

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Em breve partilho aqui algo sobre o outro troço emblemático do Louzan Trail: o Trilho do Cuco.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Louzan Trail 2016 – Diversão Pura

Devo confessar que foi com alguma desconfiança que há uns meses atrás me inscrevi para participar no Louzan Trail 2016. Tinha lido muitas opiniões sobre a edição de 2015, nem todas muito abonatórias à organização do anto transacto, e isso suscitou-me algumas dúvidas.

Por outro lado o meu calendário de provas de 2016 está totalmente condicionado pelo meu plano de treinos rumo ao UTMB, e o Louzan Trail enquadrava-se na perfeição do treino de 50Km que deveria fazer no fim-de-semana da semana 24. Feita uma pequena ponderação e não havendo outras alternativas que se previssem melhores lá me inscrevi na edição deste ano do Louzan Trail. E, sei agora responder, foi a melhor opção que podia ter tomado.

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O percurso

O ponto forte de tudo é, sem dúvida, o percurso que a organização escolheu para a prova deste ano. É um percurso brutal para que gosta da natureza no seu esplendor, para quem gosta de correr e de alguma aventura, adequado para os que gostam de arriscar mas perfeitamente tranquilo para quem o quiser fazer mais nas calmas. Os trilhos desta edição do Louzan Trail são divertidos, sobretudo isso, divertidos, e dão um enorme gozo a correr. São também tão variados que a comparação que me ocorre é de os considerar uma espécie de Portugal dos Pequeninos do Trail, tais as lembranças que alguns troços me trouxeram do Peneda Gerês Trail Adventure, do MIUT, do Piodão, do UTSM, da Serra d’Arga e da Serra da Estrela. Tudo isto misturado nestes 50Km pela Serra da Lousã, onde invariavelmente ainda se cruzam as Aldeias de Xisto, muito bom mesmo. Se foi duro? Sim foi duro. Mas quando se olha para o cartaz de uma prova e são anunciados pouco menos de 50 Km e 6800m de desnível acumulado, não se pode estar à espera de um passeio à beira mar.

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As marcações do percurso, um dos pontos fracos de 2015, estavam este ano impecáveis, na minha opinião até em excesso, demonstrando um enorme esforço de melhoria neste aspecto. Isso não invalidou que seguisse por caminhos errados por três vezes, mas a culpa foi totalmente aqui do totó, pois é o que dá quando se perde a concentração no trilho e ficamos a observar as paisagens que nos rodeiam. O estrago não foi muito, cerca de mais 2Km a somar aos 48 da prova.

A organização.

A informação disponibilizada antes da prova correspondeu ao que aconteceu durante a prova, o levantamento dos dorsais for simples e expedito, o briefing na véspera foi claro sobre o que íamos encontrar. Continua a faltar a disponibilização do track da prova. Não percebo esta mania “tuga” de sonegar este tipo de informação que pode ser útil a quem gosta de fazer um estudo prévio mais pormenorizado da sua corrida.

Os voluntários estiveram sempre em número suficiente em muitas zonas do percurso e do que vi foram sempre prestáveis e atenciosos com os atletas. Nos abastecimentos tentaram sempre ajudar o que foi simpático. Continuam é, quase sempre, a não saber a resposta para a tradicional pergunta: Em que quilómetro estamos? Talvez uma reunião prévia das equipas de apoio ajudasse a esclarecer esta resposta, nesta e em muitas outras provas nacionais. O GIPS da GNR esteve igualmente presente no troço do Trilho do Escorrega, e actuou de uma forma preventiva a ajudar os atletas.

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Os abastecimentos, tal como as marcações, foram um dos pontos que tinham sido alvo de crítica na organização de 2015. Pois este ano, de acordo com o que constatei, tudo mudou, e a quantidade de comida disponível em muitos pontos de controlo apenas pecou pelo exagero. Água, isotónico e coca-cola com fartura, frutos secos, barras, sandes mistas, croissants, sandes de panado, tosta com nutella, minis, gomas, laranjas, bananas, melancia, marmelada, e muitas outras coisas das quais me estou a esquecer, tudo em quantidade “industrial” que certamente daria para alimentar pelo menos o triplo dos participantes! Uma coisa era certa, de fome ninguém morreria.

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O lado menos positivo, o meu amigo Rui Cortes teve um acidente durante a prova de 25Km que resultou num tornozelo partido. Teve algumas dificuldades em obter o número da apólice do seguro da prova, o que me parece inadmissível numa organização desta dimensão, situação entretanto já ultrapassada. Não consigo perceber a ausência deste tipo de informação, (o número da apólice do seguro), no regulamento da prova e que o mesmo não seja disponibilizado de imediato a quem dele necessite.

No geral considero o saldo da organização bastante positivo.

A minha prova

O objectivo inicialmente previsto passava por concluir a prova em cerca de 10 horas e continuar a ganhar forma rumo ao UTMB sem dar cabo do corpinho. Estrategicamente optei por não levar bastões para a prova, o que no meu caso se revelou a decisão correcta. Os tornozelos e os joelhos aguentaram-se bem, e não foi preciso dosear o esforço entre as duas pernas. Apesar das muitas cautelas, já corri uma boa parte sem me preocupar com a posição dos pés e dos tornozelos, o que a continuar assim é um excelente sinal. Na parte final, fruto do cansaço acumulado e do muito calor que se fez sentir, optei por arriscar menos na velocidade e preservar a integridade de todas as articulações, pelo que acabei demorando 1h20 a mais do que tinha planeado. No cômputo geral foi um bom teste a pouco mais de 2 meses do UTMB, mas nunca me podendo esquecer de que o UTMB é um pouco mais que três Louzan Trail seguidos e que é necessário continuar a trabalhar forte.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
11:18:13 09:01:37 49.44 5.48 15.48 3,727.80
hours hours km km/h km/h meters

Pontos de Interesse

As Aldeias de Xisto são um património a que recomendo a visita. Qualquer uma delas tem alojamentos onde se pode pernoitar e passar um fim-de-semana agradável a passear pela Serra da Lousã.

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Os trilhos; há muitos e bons trilhos para correr na Serra da Lousã. Peguem num track, vão até lá descobri-los e terão uma agradável surpresa. O Trilho do Cuco ou o Trilho do Licor Beirão são um bom exemplo disso mesmo.

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A natureza; a Serra da Lousã tem sítios espectaculares. Paisagens, cascatas, cursos de água, praias fluviais, fauna (até com uma cobra me cruzei), vegetação, um verdadeiro pitéu para quem gosta de passar uns dias na natureza.

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Parabéns a todos os concluíram este duro Louzan Trail e, para quem gosta de um bom desafio, em 2017 é um boa prova a considerar no calendário.

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Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

O meu lugar

Há semanas assim, com dias fora de casa e longas horas de trabalho chato e aborrecido, fechado 8 ou mais horas numa qualquer sala a olhar para as letras miudinhas de um monitor de computador portátil.

Parece que o mundo acaba, que nada faz sentido, que não há sol, que não há lua, que não há calor nem frio, nem chuva ou vento, nem mar nem deserto, apenas o sentimento de que estamos a deprimir numa sala fechada, à luz de dezenas de lâmpadas que se esforçam por recriar a luz natural, e onde apenas se sente que aquele não é o nosso lugar, que não pertencemos ali, que temos de fugir para o outro sitio onde de facto pertencemos, o nosso lugar.

O meu sítio, o meu lugar, o meu spot, pode ser qualquer um. Uma praia, uma floresta, um deserto, um jardim, uma serra, faça chuva faça sol, esteja calor ou frio, um lugar onde possa usufruir da natureza, dos elementos, onde possa encontrar a paz de espirito que é sugada por quatro paredes de um escritório.

Este fim-de-semana o meu lugar é aqui, no meio da serra:

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A acordar com o chilrear dos pássaros…

IMG_20160618_120051a  ouvir a água que corre em pequenas cascatas…

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a explorar caminhos improváveis…

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a desfrutar a natureza, o lugar onde pertenço.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Um empeno à porta…

Já há umas boas semanas que não apanho um bom empeno, mais propriamente desde a prova dos 101 Peregrinos.

A semana passada foi madrasta, muitos feriados, muitas actividades familiares, e uma semana de treino prevista com muita carga viu-se reduzida a metade.

Esta semana de treinos é uma semana soft, pelo menos até Domingo. Domingo é dia de treino longo e escolhi, das provas disponíveis, aquela que se enquadrava mais nos 50Km que deveria fazer: O Louzan Trail, com cerca de 47Km. Se a distância não será grande problema, já o desnível positivo anunciado em 3400 metros de D+ (tanto como o desnível positivos nos 101 Km dos Peregrinos), pode causar algumas mossas, já que o treino rumo ao UTMB ainda se encontra a meio caminho. Ou seja, vem aí mais um empeno!

A prova antevê-se mais para o duro. E se a isto juntar a temperatura prevista de 27 graus, temos o cocktail perfeito para uma prova mortífera. Por outro lado de certeza que será um bom treino.

A prova ira passar por muitas aldeias que integram a rota das aldeias do Xisto: Casal Novo, Talasnal, Vaqueirinho, Candal e Cerdeira e percorrer alguns dos mais belos trilhos que serpenteiam a serra da Lousã.

Vamos também fazer a „famosa“ subida dos Cucos, que escrevo entre aspas porque como a desconheço vai ser uma surpresa para mim, mas se dizem que é famosa eu acredito.

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O importante mesmo é poder continuar a treinar com dedicação e sem lesões rumo ao UTMB.

Até Domingo na Lousã.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!