Alcains Trail Camp

Um dos fins de semana maus duros na preparação rumo ao UTMB é este mesmo. Enquanto uns rumam ao Algarve para umas merecidas férias, eu rumo até Alcains onde tem lugar a base do Alcains Trail Camp, organizado pelo meu amigo Didier dos MRT 

Vão ser 80km em dois dias, na Serra da Estrela e na Serra da Gardunha, onde mais de 30 atletas continuam a preparar as suas provas, uns rumo ao UTMB, outros rumo ao UTAT, outros só porque lhes apetece treinar.

Vai ser durinho mas no pain no gain.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Primeira Salamandra do Ano

Ontem foi o meu primeiro Trail da Salamandra em 2016, na sua edição CXXXIV.

Treino em ritmo suave, o que deu direito a muitas “piscinas” para compensar. Uma das “piscinas” incluiu uma subidinha à Pedra Amarela e deu para constatar o óbvio, de que ainda faltam muitos quilómetros para chegar a uma forma no mínimo aceitável. Mas o caminho faz-se caminhando e cá estou eu a caminhar.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
01:57:57 01:46:41 15.15 8.52 28.80 513.30
hours hours km km/h km/h meters

Nesta edição houve um recovery especial, uma canja quentinha, cozinhada pela Patrícia e pelo AP, que soube muito bem no final de uma noite fresquinha pela Serra de Sintra. Assim habituam mal o pessoal.

Não podia deixar de referir a battle de bolos de laranja entre a Carla Adro e a Tita Luís. Eu sei quem venceu mas não digo!…

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

2016 Um novo reinício

Um bom ano de 2016 para todos vocês!

O meu ano desportivo já começou e tem começado da melhor maneira. Treinos em ritmo suave e tranquilo, muito reforço muscular, e a preparar a máquina para daqui a umas semanas começar a treinar num ritmo mais forte e intenso. A agenda, no entanto, continua sempre preenchida.

Ontem foi dia de inaugurar mais um treino, o I Treino do Kalorias Runners, grupo dos sócios e amigos do Kalorias Club que para além do fitness também gostam de correr.

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Hoje é dia de participar no Trail Pirata do Amigos do Parque da Paz, mais uma cruzada pelos recantos de Almada e Cacilhas, com este excelente grupo de amigos.

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Dia 31 vai haver o primeiro UTNSS do ano e a celebrar o 3ºaniversário da primeira edição. De certeza que este Trail Noctuno na Serra de Sintra será mais um excelente treino, mas infelizmente vou faltar. A primeira edição foi assim:

Faltarei por um outro bom motivo é claro, vou ajudar o meu amigo Pedro Trigueira no treino longo de preparação para a sua estreia na distância da Maratona. Sempre que posso gosto de ajudar os meus amigos a atingirem os seus objectivos, assim como outros já me ajudaram e continuam a ajudar a mim.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Domingo de Sol, Mar e Serra

Hoje o track levou-me a fazer uma das minhas voltas preferidas, um percurso entre as arribas e a Serra de Sintra, uma versão reduzida do percurso do treino “Entre o Mar e a Serra” que em tempos foi dinamizado pelo amigo Xavier.

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Praia da Adraga 7h45, muito fresquinho. Nove graus e uma brisa fresca no ar, os raios de sol que se adivinham por trás da serra ainda não estavam altos o suficiente para me poderem aquecer. Na subida da praia para a arriba, pude então receber esse calor tão especial do sol ainda a nascer. O treino estava definido como lento, para aproveitar e desfrutar das cores fantásticas com que o sol outonal estimula esta paisagem.

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A praia da Adraga lentamente ficou para trás e as vistas do topo da arriba seguiam fantásticas, com o vermelho do sol, o azul do mar e o verde das plantas que circundavam o trilho, a provarem o porquê de estas cores primárias criarem toda uma palete de cores incríveis.

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Com este estado de espirito ficaram para trás as praias do Cavalo, do Carneiro, da Ursa e da Aroeira, onde o trilho foi um verdadeiro sobe e desce até ao Cabo da Roca. Uma pausa para mais umas fotos, e toca a descer o trilho do Cabo da Roca para voltar a subir do outro lado da encosta, como quem vai para a Praia de Assentiz. Mais um sobe e desce, num trilho não foi muito visitado nos últimos tempos e que por estar fechado causou alguns arranhões, até chegar às rochas sobre o mar, onde recordei a ventania e as fotos que tirei há uns meses atrás com o amigo Vargas, esse malandro…

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Era altura de subir em direcção à Peninha. Mudança de rumo, saí da arriba, e subi o trilho até ao Moinho do Dom Quixote, subindo ora pelo estradão ora pelos single tracks até à Peninha.

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Chegado ao ponto mais alto da aventura de hoje, iniciei a descida até ao carro, foram mais 10 quilómetros que se não foram sempre a descer foram quase. Downhill do trilho da Viúva, seguindo pelo trilho até Colares, um pouco de alcatrão e trilho de novo até Almoçageme, onde terminei com a famosa descida da duna até à Adraga.

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Uma volta 5 estrelas, com uma variedade de trilhos e single tracks fabulosos, daqueles que dão mesmo muita vontade de quase não correr e apenas desfrutar a paisagem.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
04:09:59 02:49:49 20.82 7.35 32.76 910.60
hours hours km km/h km/h meters

Hoje foi assim, uma manhã de ritmo calmo, a aproveitar o sol, o mar a serra, e absorver aquela energia tão boa que estes elementos nos conseguem transmitir.

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Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

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Não fiquem aborrecidos à espera dos atrasados. Se querem ir mais depressa vão de autocarro! 🙂

A corrida mais doce

No próximo Domingo enquanto o grosso do pelotão ruma a norte para correr a Maratona do Porto eu, como sou do contra, rumo a sul para ir experimentar os trilhos da Serra de Grândola. Tantas vezes que passei por Grândola, a vila morena, e confesso que desconhecia a existência da Serra de Grândola! Parece que o tempo até vai estar bom e como estou em inicio de época vou rolar pelos 25 quilómetros do Trail Longo e deixar os 50 quilómetros do Ultra Trail para outra edição.

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Muitos dos meus amigos utilizam a Maratona do Porto como pretexto para se irem encher com umas francesinhas antes e depois de prova. No meu caso, confesso que a oferta da entrada na Feira do Chocolate com a inscrição na prova, deu-me muita muita vontade de ir conhecer os trilhos de Grândola!

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Aproveitem que as inscrições encerram hoje.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Grande Trail Serra d’Arga 2015

Domingo estive no Grande Trail Serra d’Arga.

Segundo o meu planeamento para 2015 (definido em Novembro de 2014), esta deveria ser a última ultra da época, já em ritmo de passeio e para desfrutar o ambiente. Era esse o meu plano mas o destino quis trocar-me as voltas.

Uma entorse e o consequente abandono na Mitic Andorra Ultra Trail, deitou abaixo o meu objectivo de completar três ultras de três dígitos no ano de 2015. MIUT, MITIC e UTCAM eram os objectivos, e o azar no MITIC “ia” deitando tudo a perder. E agora digo “ia”, porque mais tarde decidi tentar completar o objectivo a que me propus para 2015, tentando finalizar o UTAX.

Os planos são feitos para se mudar, mas quando se tenta planear e preparar uma época de corridas penso que o útil será alterar o menos possível, para que o desempenho possa corresponder ao treino e objectivos definidos inicialmente e, o também esforço logístico tenha o menor impacto na vida pessoal.

Dito isto, Domingo estive no Grande Trail Serra d’Arga.

O Nuno bom queria fazer uma prova em ritmo treino, descansado e sem grande stresses, como último treino longo entre o UTCAM e o UTAX. O Nuno mau, por seu lado, queria fazer uma corrida mais rápida, onde no limite não fizesse pior tempo que na prova do ano passado. Foi assim que comecei a corrida, com esta dicotomia de pensamento.

Soou a partida com a última badalada das 8h00 no sino da Igreja de Dem, e lá fui eu com o restante pelotão lançados à Serra d’Arga.

Confesso que já não tinha grandes memórias do percurso, tinha uma ideia das subidas e descidas, mas já me lembrava de onde exactamente estava o quê. Mas, com o início de cada troço, a prova do ano passado ia-se reavivando na memória e ia-me relembrando de cada momento que vivi em 2014. Subi assim o primeiro troço. O Sr. Ribeiro andava por lá a puxar por atletas e gozava comigo por constatar que ia fazer a prova grande, em vez de recuperar depois do UTCAM. Fui pensando nisso, enquanto o Nuno mau fazia com que puxasse mais um pouco. O ritmo estava razoável mas ia a perder algum tempo face a 2014. A subir não havia problema, mas a descer, num percurso que apela ao ritmo forte e à velocidade, ia a perder algum tempo. Com os problemas que ocorreram no tornozelo esta época, começa agora a reaparecer a confiança para “colocar o pé” e correr sem medo, mas esta ainda não está restabelecida a 100%. O Nuno bom queria acalmar e relaxar um pouco, mas o Nuno mau não o permitia, e foi assim a controlar o relógio que fiz as subidas e descidas até à subida do quilómetro vertical, que subi já com algum cansaço mas sem dificuldade.

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Chegado lá acima, Km 28, aproveitei para refrescar o chapéu e a cabeça que o calor que se fazia sentir era muito. Ia a perder cerca de 20 minutos para 2014 e recomecei a correr rumo a São Gonçalo de Montaria. Seriam 5 Km planos e a descer até lá até que os quadricípites começaram a reclamar do esforço que ia a fazer até ali. Momentos de “porrada” entre o Nuno bom e o Nuno mau. Um queria abrandar e seguir confortável, outro queria continuar no mesmo ritmo… Paragem para reflectir, ouvir o corpo e não dei razão nem a um nem a outro, decidi seguir calmamente até São Gonçalo de Montaria e ficar por ali aos 33 Km, afinal o objectivo do ano ainda está por cumprir e só faltam 3 semanas para o UTAX.

Nunca fico satisfeito quando tenho de encurtar ou abandonar um objectivo, mas a recuperação do UTCAM não foi tão rápida quanto o previa e há que ter a consciência de que não somos imortais. Ficou feito o Grande Trail da Serra d’Arga, desta vez em prova curta de 33Km. A prova em si continua bem organizada e a corresponder ao anunciado, apanágio das provas do Carlos Sá. Foi uma grande festa do Trail e quem não conhece esta prova não perca a edição de 2016.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

II Summer Trail Camp – Dia 1

O primeiro dia do II Summer Trail Camp decorreu conforme o previsto. Estava planeado fazer um treino de cerca de 25 quilómetros, pelo que aproveitámos para seguir o track do trail curto do Estrela Grande Trail organizado pelo Armando Teixeira, que seguia em grande parte a Rota do Carvão e cumpria os requisitos que pretendíamos.

Fomos cinco os que efectuámos este treino, que teve início em Manteigas e começou logo com a famosa subida às Penhas Douradas, onde subimos 750 metros em pouco mais de 6 quilómetros. Seguimos por um trilho muito bonito e verdejante até à Represa de Vale do Rossim que circundámos e, onde aproveitámos para reabastecer aos 11 quilómetros de treino. O dia estava quente, o sol brilhava lá no alto, e esta pausa técnica para reabastecer soube bem. Desfrutar, ainda que por poucos minutos, do espelho de água de Vale do Rossim é sempre de uma satisfação imensa. Seguimos em direcção à Nave Mestra por um trilho inóspito, com muito vegetação rasteira e seca, e algumas subidas e descidas pelos barrocos do maciço central da Serra da Estrela, o que deu alguma emoção ao percurso.

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Represa do Vale do Rossim

A Nave da Mestra encontra-se num local isolado da Serra da Estrela a cerca de 1650 metros de altitude. É apenas acessível pé e é dominado por um colossal bloco granítico. Reza a história, que apaixonado pelo local, um juiz de Manteigas mandou construir na base do grande bloco granítico, em 1910, uma pequena casa de férias. A sua construção foi concretizada pela mão-de-obra vinda de Manteigas em cima de mulas por um caminho que ainda hoje existe, ajudada por macacos hidráulicos utilizados para levantar as gigantes pedras, incluindo aquela que faz de telhado à casa. Esta obra é comprovada pela inscrição que ainda se pode ler na construção principal por cima da porta, “Dr. J.Matos – Barca Hirminius – 1910”.

Nave Mestra

Íamos com cerca de 16 quilómetros de treino e foi aqui que alterámos o rumo do nosso treino, agora novamente em direcção a Manteigas. Tal como até à Nave Mestra, seguimos por um trilho de vegetação rasteira, até chegarmos a uma descida técnica e bastante inclinada que deu muita adrenalina a fazer. Este era o primeiro dia do II Summer Trail Camp e não devíamos abusar, pelo que o ritmo da descida foi “moderado” a poupar para os dias seguintes, mas imagino o pessoal no EGT a fazer esta descida a “abrir”, deve ter sido brutal! Por aqui já conseguíamos desfrutar a paisagem do Vale Glaciar do Zêzere e de alguns pontos já avistávamos Manteigas. Terminada esta descida, corremos mais umas centenas de metros, e somos brindados com outra descida acentuada, bastante técnica pelo meio de barrocos, pinhas e caruma, que acabou por nos levar ao Vale Glaciar a caminho de Manteigas, onde terminámos o nosso treino.

Os 5 Magníficos

 

 

Em resumo foram 27,6 quilómetros neste primeiro dia, com pouco mais de 3000 metros de desnível acumulado, que foram percorridos em ritmo moderado em cerca de 4 horas. Para os curiosos o percurso efectuado neste primeiro dia está disponível clicando aqui.

Um obrigado especial ao Bruno, ao Rui, à Fátima e à Nia, por terem contribuído com energia para este empeno.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

II Summer Trail Camp – O início

A ideia do Summer Trail Camp surgiu o ano passado, com a minha necessidade de treinar com maiores desníveis em montanha antes dos desafios que pretendia concluir com sucesso, nomeadamente o Grande Trail Serra d’Arga e o Arrábida Ultra Trail. O desafio foi colocado à última hora, e em 2014 fomos apenas dois a realizar o Summer Trail Camp. Este ano, apesar de ter sido eu o único a completar os pouco mais de 188 Km de treinos na semana do Summer Trail Camp, foram 18 os participantes que em um ou mais dias passaram pelos treinos do Trail Camp, um aumento de 900% face a 2014.

A edição deste ano teve novamente base no Skiparque, que reúne todas as condições para uma semana de treinos em montanha, conjuntamente com muita descontracção, ar puro, praia e boa onda entre amigos. A semana ficou igualmente marcada pelos fogos no Parque Natural da Serra da Estrela, que apesar de se encontrarem longe do Skiparque e nunca nos terem colocado em risco de segurança, acabaram por limitar alguns dos percursos que tinha inicialmente definido, acabando apenas por fazer uma subida à Torre em vez das duas programadas. Mas, quando se está preparado para reagir a estes imprevistos, tudo acontece naturalmente e o Summer Trail Camp acabou por contemplar na mesma cerca de 188 quilómetros de treino e 19000 metros de desnível acumulado, tendo sido uma semana de treinos muito importante, para mim e para outros participantes, na preparação para os desafios que se avizinham.

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Foi interessante constatar, que para além do grupo do Summer Trail Camp passaram pelo Skiparque pelo menos mais 3 grupos de pessoal que foi treinar para os trilhos da Serra da Estrela, aproveitando assim alguns dos bonitos recursos naturais que o nosso país tem para dar.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Treino Nocturno na Arrábida

Como contei aqui, recebi o presente envenenado de ser o guia de um treino pela Serra da Arrábida que aconteceu na madrugada de Sábado para Domingo.
Entre confirmações e desistências de última hora, não sabia ao certo quem seriam os participantes efectivos neste treino. A única coisa certa é que este duraria entre 7 a 8 horas, e os quilómetros previstos para correr nos trilhos da Arrábida seriam algo entre os 50 e os 60. O track previsto era este, mas existiam vários pontos de escapatória para atalhar alguns troços, caso fosse essa a vontade do pessoal.
Quase 22h00 e começaram a aparecer os companheiros de treino. Primeiro o Paulo Martins, depois o Sommer, o Manuel e o Gonçalo, e por fim o Charrua, que fechou esta equipa de seis, para percorrer a Arrábida noite dentro. Curiosamente, de nós os seis, só eu e o Charrua não vamos participar na próxima edição do Ultra Trail Mont Blanc, mas ainda assim o treino serviu para propósitos diferentes para cada um de nós. Para mim para começar a meter quilómetros nas pernas depois da azarada etapa em Andorra; para o Charrua foi apenas um treino de adaptação a corrida nocturna com vista à participação no Ultra Trail Nocturno Lagoa de Óbidos da próxima semana; para o Paulo foi apenas para meter quilómetros nas pernas rumo ao Mont Blanc; e para o Sommer, Manuel e Gonçalo para treino de adaptação à segunda noite em prova para o UTMB, tendo estes iniciado este treino sem dormirem há já 37 horas.
Iniciámos assim o treino, todos diferentes na fase de preparação todos iguais na vontade de fazer quilómetros.
A noite estava brilhante com a lua quase cheia e o céu estrelado a fazer-nos companhia. A temperatura óptima para correr ajudou durante todo o percurso. Por vezes o vento assoprava para nós, mas sempre numa temperatura amena que nunca obrigou a vestir mais que a t-shirt inicial.
Começámos o treino com 8 quilómetros roladores para aquecer o corpinho, aqui e ali com um ritmo exagerado para o que se pretendia, o que chegou a assustar alguns dos presentes. Mas rapidamente chegámos à subida para o Formosinho, o pico mais alto da Serra da Arrábida, o que obrigou a acalmar esta energia bruta de início de treino. A subida para o Formosinho faz-se pelo lado interior da Serra, subindo pelo meio de trilhos empinados, sempre circuláveis mas com alguns troços de vegetação mais fechada. Quase no fim, um trilho mais empinado e voilá, chegamos ao pico mais alto da Serra da Arrábida, de onde se tem uma vista total de 360º. Por ser de noite via-mos apenas luzes, muitas luzinhas, que sabíamos que iam desde a Serra de Sintra, passando por Lisboa, toda a margem sul, Palmela, Setúbal, Tróia, até se perderem algures no infinito do Alentejo.

No ponto mais alto da Serra da Arrábida – Formosinho

Iniciámos a descida rumo à Praia de Alpertuche e foi este, talvez, o maior devaneio deste treino. Não pela descida do Formosinho a Alpertuche, mas sim por ter traçado o caminho por um trilho bem fechado, o que nos custou a todos bastante tempo, alguns arranhões e a mim uma t-shirt bem fixe agora cheia de buracos. Foi um quilómetro e meio por um trilho bem meu conhecido, que tem de ser corrido quase de cócoras, mas que agora no verão se encontra com a vegetação bem mais fechada do que o habitualmente já fechado. Bem tive de ouvir as reclamações de todos e a minha sorte foi que não ter levado comigo o livro vermelho, senão ainda teria a ASAE a bater à minha porta um destes dias… Terminado o “suplicio” deste trilho, percorremos a estrada nacional até ao início do trilho final que nos leva até à Praia de Alpertuche. Um trilho bem técnico a descer, que requer algum cuidado e onde quase todos demos umas escorregadelas valentes e batemos com o rabo no chão. Chegámos à praia e todos aproveitámos para comer qualquer coisa e reabastecer para a subida. Não desfazendo a companhia, estar à meia-noite na Praia de Alpertuche, com a lua quase cheia no céu estrelado, rodeado de mais cinco marmanjos é, digamos assim, muito pouco romântico… Romantismos à parte iniciámos a subida que há pouco tínhamos descido, desta vez rumo ao trilho que o Paulo denomina de Vale Encantado. Entrámos no trilho e foram meia dúzia de quilómetros pela zona dos Picheleiros e outra meia dúzia pelo Vale da Rasca, sempre num frenético sobe e desce, daqueles que não matam mas moem (e muito), típico da Serra da Arrábida. Como quem não quer a coisa chegámos ao Parque das Merendas, todos ávidos por reabastecer, já que os 30 quilómetros que já tínhamos percorrido esgotaram os líquidos que tínhamos connosco. Levávamos pouco menos de 5 horas de treino, e comecei a ouvir as primeiras vozes a pedir um atalho no track original.
A chegada ao Parque das Merendas foi bastante divertida. Poucos minutos antes das 3h da manhã e 6 “malucos” chegam a correr de frontal na cabeça, cada um com uma luz mais forte do que o outro. Uma meia dúzia de carros lá parqueados, onde avistamos um movimento frenético de bancos a endireitar e roupas a circular no interior das viaturas. Um casalinho teve mais azar que os outros. Estacionados a escassos dois metros da primeira torneira que nos apareceu à frente, teve de levar connosco por uns bons 15 minutos, até todos terminarmos de reabastecer e comer mais qualquer coisa para o resto da jornada.

A recompensa no final do treino

Arrancamos de novo, desta vez em direcção à Quinta dos Moinhos. Subimos, descemos e chegamos à Estrada Nacional. Com 35 Km nas pernas, o pessoal que não dormia há mais horas começou a ficar impaciente, e talvez com uma espécie de birra do sono, queriam atalhar pela estrada directamente ao ponto de chegada. “Inconcebível” pensei eu, fazer este treino sem ir à “Vigia” seria um sacrilégio e estávamos já, mesmo ali, debaixo dela. Contámos quilómetros, lá convenci o resto do pessoal que a distância seria mais ou menos a mesma, e lá nos fizemos trilho fora rumo à Vigia. Em boa hora o fizemos. Foi mais uma subida bonita por trilho, técnica sem ser massacrante e chegados ao topo mais uma vez uma paisagem indescritível. Reagrupamos e descemos novamente a Serra, por entre trilhos e estradão, até à estrada que nos iria levar perto da Serra do Louro. Já estava decidido que iríamos abortar a escadaria do Bando, o que teria sido a cereja no topo do bolo, mas nem a Serra de Louro o pessoal quis subir. Até ali todos tínhamos sido umas vezes tubarões outras peixinhos, mas agora o ambiente era mais de peixinhos fora de água do que de outra coisa. Uns com dores aqui, outros com dores ali, outros com muito sono, quiseram atalhar directamente para Azeitão sem passar pela casa da partida, ou melhor sem subir a Serra do Louro, tendo sido corridos 5 quilómetros de estradão até ao Alto das Necessidades, onde o Sommer ainda se deixou dormir enquanto corria por três vezes, tendo o treino terminado “sem honra nem glória” com três quilómetros de alcatrão até Azeitão. Aqui parece que todos tinham ressuscitado, e foi quase um sprint estrada fora, com o Sr. Ribeiro, dorminhoco há uns minutos atrás, agora a liderar as hostes como se fosse salvar alguém da forca.
No final terminámos este treino com 50 quilómetros nas pernas, percorridos quase sempre com boa disposição, excepção feita à descida do Formosinho que foi feita com muitos impropérios!!!

50Km depois, já de manhã

Alongamentos feitos, banho de água gelada nas pernas na Fonte das Adegas, e estávamos prontos para o último sprint do treino até às tortas de Azeitão. Não sei se foi da fome mas penso que foi a melhor torta de azeitão que já comi até hoje.
Obrigado a aos cinco amigos pela excelente companhia , votos de boa sorte para os que vão estar no UTMB daqui a quatro semanas, e se gostaram apareçam também no II Summer Trail Camp.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Nota: Leiam também a excelente crónica do Sr. Ribeiro sobre este treino clicando aqui.

Ah e tal, um presente envenenado

Há uns dias atrás convidaram-me para um treino nocturno, a acontecer amanhã, pela Serra da Arrábida.

Ah e tal, vamos fazer o trilho do javali, são mais ou menos 30 quilómetros – disseram-me.

Não sei bem de onde, emergiram umas vozes: ah e tal, eu nesse dia tenho é de fazer um treino de 7 horas, não se arranja um track para as quatro horas seguintes?20141116 AUT 8

O organizador logo respondeu: ah e tal, é na boa, e eu até faço o resto desse treino contigo.

Entretanto já outras vozes tinham igualmente emergido: ah e tal, isso é que era fixe, um treino de 7 horas, vamos nessa.

Passaram uns dias, os candidatos a um treino de sete horas, a decorrer amanhã, à noite, na Serra da Arrábida, foram aumentando, mas eis que surge uma notícia perturbadora: o organizador afinal não vai poder guiar o treino que propôs.

Ouvem-se uns ruídos, uns resmungares silenciosos, umas interjeições de que vamos à mesma fazer o treino amanhã, e eis que de mero participante sou promovido a organizador!

Ah e tal, que belo presente envenenado que recebi!

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Usando a terminologia do Sr. Ribeiro, neste shark tank é desta vez um peixinho que vai guiar tubarões.

O treino começa às 22h00 de Sábado, e o track, perfil altimétrico e outras mariquices estão disponíveis clicando aqui.

Tem partida e chegada junto da Fonte das Adegas José Maria da Fonseca em Azeitão, e tentaremos que tenha um ritmo Allegro. São 57 quilómetros e 2000m D+, nada a que não estejamos habituados.

Deixo aqui o convite, para quem tiver as vacinas em dia e quiser aparecer para se juntar ao treino, será bem-vindo.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!