10 Conselhos para correr uma Ultra

1 – A Distância

Nota mental: Não é a distância por si própria que nos irá “matar”. O que a distância faz é combinar um acumular de situações com que temos de lidar. Existem sempre diversas situações a acontecer e essas situações vão repetir-se vezes e vezes sem conta. Isto quer dizer que uma situação que consideremos irrelevante nas primeiras duas horas de corrida pode vir a torna-se bastante arreliadora ou desafiante oito, dez ou mais horas depois.

2 – Os pés

Aprender a amar os teus pés. Cortar as unhas rentes e direitas, eliminar calosidades e manter a pele flexível. A prevenção é sempre melhor que os melhores cuidados de emergência durante a prova.

3 – Fricção

Analisar o que pode causar assaduras e/ou bolhas com diferentes tipos de equipamentos, a diferentes níveis de esforço e com condições atmosféricas diversas. Se não o fizermos o dia prova poderá redundar num falhanço total. A única maneira de fazer isso? Experimentando.

4 – Publicidade

Não acreditar em tudo o que a publicidade diz. Só porque dizem para tomar três géis por hora não quer dizer que, na realidade, necessitemos de os tomar. Lembrem-se que quem definiu essa regra foram precisamente os diversos fabricantes de géis.

5 – Correr leve

Só porque temos uma mochila nova e espectacular, não significa que temos de a encher de tralha e equipamento para uma prova. E, com tanto equipamento disponível, é muito fácil isso acontecer. Controlar bem o que se leva na mochila e/ou experimentar correr com uma mochila mais pequena ou um cinto, é fundamental para redescobrir aquela sensação de leveza durante a corrida.

6 – Sentir-nos bem

Uma óptima maneira de abstrair a mente dos nossos próprios problemas é acompanharmos outro atleta um pouco mais lento ou com menos experiência e ajudá-lo durante a prova ou segmento da prova. Partilhar a nossa própria experiência e ajudar outros atletas faz sempre sentir-nos úteis.

7 – Perder tempo

Se nos vai fazer perder tempo, não vamos fazê-lo. Organizar a mochila de modo a alcançar o equipamento que precisamos quando precisarmos desse equipamento. É importante utilizar todas as bolsas e bolsos suplementares da melhor maneira possível.

8 – Mitos das corridas

Não acreditar na publicidade enganosa: Na linha de partida todos os atletas ou não treinaram o suficiente, ou estão lesionados, ou planeiam ir num ritmo calmo. E se se acreditar nisso…

9 – Ser líder da própria corrida

Nunca assumir que o atleta à nossa frente sabe o percurso ou para onde está a ir. Devemos preparar e planear a nossa prova, e estar preparados para “navegar” da melhor maneira para nós próprios.

10 – Recuperar

É absolutamente possível não correr nos 10 dias anteriores a uma corrida de 100 quilómetros, após torcer um tornozelo na recta final dos treinos. Acreditem em mim que eu sei.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Trail Lousa – Capital do Queijo Fresco

Não estava no meu programa participar no I Trail Lousa – Capital do Queijo Fresco, mas já que não pude participar no Estrela Grande Trail no fim de semana passado e Lousa é mesmo aqui ao lado, vou cumprir mais uma etapa do meu plano de treinos pelos simpáticos 23 quilómetros de sobe e desce na Capital do Queijo Fresco.

20150531 Trail Lousa 2

Apareçam também e venham divertir-se nesta prova que promete muita diversão.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Fear of the Dark

Este é um artigo com banda sonora. Um bom Heavy Metal, anos 80 no seu melhor, para acompanhar um artigo também ele algo pesado para os atletas, ou não fosse abordar o tema das lesões.

Seja para os desportistas profissionais, seja para estes “malucos” que correm, acontecer uma lesão, por mais pequena que ela seja, é sempre um contratempo com uma dimensão estratosférica. Se para os desportistas profissionais é um contratempo porque não podem exercer a sua profissão e eventualmente ganhar auferir menos por isso, para os “malucos” que correm é um contratempo porque mexe com o seu bem-estar físico e psíquico, com a sua agenda social, e não raras vezes com o investimento que se fez, para ir correr em turismo num lugar distante do local de treinos habitual. Os “malucos” que correm costumam por isso ficar rezingões, chatos e implicativos quando não podem correr. Ao fim de dois dias sem correr parecem crianças com sarampo, quando não podem sair de casa nem brincar com os amigos.

Depois uns dias, semanas, ou meses depois, recupera-se da lesão e volta-se a poder correr, mas aí… surge (quase sempre) a fase do medo. Uma espécie de, como diz a canção, medo do escuro, de não olhar para o lado porque sentimos algo a observar-nos. É um pouco, um tipo torce o tornozelo, recomeça a correr nos trilhos, mas não dá a passada forte que dava anteriormente, não pula para aqui e para ali porque parece que ainda sente qualquer coisa…

E se calhar até sente, porque os “malucos” que correm recomeçam quase todos a treinar antes de curar a 100% as lesões…

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Aproveito para desejar boa sorte a todos os amigos que vão participar este fim-de-semana no Gerês Trail Adventure. É com muita pena que este ano não posso participar, mas a experiência do ano passado, na primeira edição do GTA, foi brutal. Divirtam-se e boa prova para todos.