Regresso aos 10Km

Nem de propósito, este artigo do sítio Corredores Anónimos sobre a perda de rendimento desportivo quando se falham treinos, veio parar à minha timeline.

Segundo o artigo, quando se falham 7 semanas de treino, a percentagem de perda de condição física vaia entre 90 a 100%, ou seja voltamos à estaca zero, quase como se nunca tivéssemos corrido na vida.

E é precisamente assim que me sinto, na estaca 0. Não foram 7 semanas mas antes 5 meses, com uma redução de carga de 100Km semanais para pouco mais de 10Km, e há dois meses atrás quando tinha retomado os treinos, aconteceu de novo uma entorse no tornozelo e lá foram os poucos treinos já efectuados por água abaixo.

Agora estou a retomar de novo, com a preciosa ajuda dos osteopatas do IMT que me colocaram literalmente os ossos todos no seu lugar, faltando ainda estabilizar a parte do ligamento, tradicionalmente mais morosa na recuperação.

Portanto tem sido um recomeço doloroso, com muito sacrifício, excesso de peso para queimar, sem muita carga quer nos quilómetros quer no ritmo de treino. Para já é o possível.

É neste cenário que amanhã vou participar na 12ª Corrida do Benfica, 10 Km que espero sejam divertidos, mas que antevejo penosos no que em termos de ritmo e resultado final diz respeito, ainda para mais considerando que a corrida começa às 11h15 e o calor vai fazer mossa.

Em 2012 esta foi a terceira corrida de 10 Km em que participei, podem reler esta memória clicando aqui e, amanhã, cinco anos e alguns milhares de quilómetros nas pernas depois, lá vou até Carnide, um lugar onde costumo ser feliz bastantes vezes.

Vamos juntos, nas calmas, e amanhã veremos o resultado.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Boa sorte no UTMB 2017

Hoje é dia de dar os parabéns a uma dezena de amigos que tiveram a fortuna de ser sorteados para participar na edição de 2017 do Ultra Trail Mont Blanc.

Mas sensações que se têm quando se é sorteado e se vai participar pela primeira vez são, penso eu, uma mistura de alegria e de temor.

Alegria porque se vai participar numa das provas mais famosas do mundo, temor por que sabemos que ainda só estamos a meio caminho e que ainda vai ser preciso treinar duro nos 8 meses que faltam até à partida.

Participar no UTMB para um mortal como eu, é sobretudo um grande privilégio, pelo que há que ir com dias para desfrutar o evento, toda a semana em que o evento decorre se possível.

Participar no UTMB é como se um “coxo” que só sabe dar dois toques na bola, tivesse a oportunidade de treinar toda uma semana com o Real Madrid e ser titular no Domingo seguinte ao lado do Cristiano Ronaldo e companhia. É poder partilhar eventos com os melhores atletas de trail running do mundo, +e poder correr, ou pelo menos partir, ao lado deles, é desfrutar de uma mega organização, super profissional, onde efectivamente nos parece que tudo está no sítio e a funcionar.

Participar no UTMB é mesmo esse privilégio, de desfrutar o ambiente do evento, de sentir a energia da partida, de usufruir da entreajuda ao longo do percurso.

O Monte Branco é fantástico, subir aqueles picos é enorme, as paisagens são fabulosas, a organização do UTMB é fabulosa.

Vão, divirtam-se e regressem com muitas histórias para contar.

Nota: Os ainda mais “malucos” que vão participar na maior prova do Ultra Trail Mont Blanc, a PTL 290Km pelas montanhas em auto-suficiência, a minha insana solidariedade. O Sr. Ribeiro, o Sr. Manel, o Sr. Julião, o Sr. Bruno, o Sr. Diogo, o Sr. Gonçalo, entre outros, têm o meu respeito e estão mesmo no topo da loucura! Força e vou acompanhar a vossa aventura à distância mas com muita atenção. O Sr. Ribeiro vai ter histórias para partilhar nos próximos 5 anos…

__________

Peço a vossa ajuda para votarem neste blogue no RunUltra Blogger Awards 2017.

Cliquem aqui ou na imagem em baixo, escolham o meu nome para votar no Off The Beaten Track, vão até ao final da página e sigam as instruções que lá estão para concluir a votação e já está.

Agradeço desde já a vossa participação.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

The show must go on…

Ter de desistir no Ultra Trail Mont Blanc foi como falhar o último penálti na final da Liga dos Campeões.

Foi sentir a festa, sentir todo o ambiente à volta da prova, partilhar momentos com muitos outras atletas, sentir as dificuldades e desfrutar das paisagens fantásticas do Monte Branco, e chegar ao fim e ver os outros levantarem a taça.

Não me sinto desiludido pois sei que fiz o melhor que consegui. Sinto-me chateado e irritado comigo próprio porque um erro estúpido, de rookie, mas de qual apenas sou o único responsável, comprometeu tudo o que ficou para trás.

E para trás não ficaram apenas os quase 100Km que corri no UTMB, ficaram também, os 1400 Km de treino específico para esta prova, os 150 Km do Ultra Trail Cotê d’Azur, os 115 Km do MIUT, os 82 Km do Arrábida Ultra Trail, e os mais de 3500Km com que preparei estas provas que me permitiram qualificar e participar no UTMB.

Sabia bem ao que ia, daquilo que fiz deu para perceber que o UTMB não é mais duro que o Ultra Trail Cotê d’Azur. Estava relativamente bem preparado (para o meu nível) e, nos 100Km que percorri, não cheguei a conhecer o homem da marreta. Muscularmente estava bem e tinha a percepção que podia ir mais longe sem problemas.

Literalmente, eu tinha a marreta nas mãos e deixei-a cair nos meus pés.

Decisão de última hora antes da partida, decidi calçar umas meias mais grossas do que aquelas com que treinei nos últimos meses. Pior do que isso, apesar das centenas de quilómetros que já corri com aquelas meias, nunca tinha experimentado o binómio meias + ténis com que iniciei o UTMB. O muito calor que se fez sentir e o acumular de quilómetros, fez com que os meus pés inchassem mais que o normal. Em conjunto com umas meias mais grossas que o habitual e os pensos que levava nos dedos, criei uma mistura explosiva que começou a surtir efeito logo a partir do Km 16 quando se iniciou a descida para Saint-Gervais. Não sentia os pés confortáveis, os dedos queriam sistematicamente ultrapassar a frente dos ténis, e ou os encolhia ou os deixava roçar na malha. Cheguei a Saint-Gervais com essa sensação de desconforto, mas os longos quilómetros seguintes sempre a subir atenuaram essa sensação de desconforto. O pior veio a seguir com a descida para Les Chapieux. Sem perceber bem porquê cheguei lá em baixo com os pés desfeitos e os dedos dos pés quase mortos. A subida seguinte atenuou novamente a dor, mas a descida até Lac Compal foi novamente demolidora e, sei agora, acabou com o que restava dos meus dedinhos. Cheguei a Lac Combal e fiz aquilo que já deveria ter feito há mais tempo, descalçar-me e trocar as meias. Too late. A unha de meu dedo grande do pé direito estava completamente em sangue e a cada passo a descer era como se me espetassem um prego quente na parte da frente do pé. Subi até ao Col du Mont-Favre a pensar no que seria a descida até Courmayeur  e quando comecei a descer foi simplesmente brutal, o misto de sentimentos entre a força para continuar e o sacrifício para descer eram contraditórios, e claro correr era impossível, e tive de me arrastar descida abaixo.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
22:38:45 18:24:28 96.94 5.27 34.92 6,060.20
hours hours km km/h km/h meters

Chegado a Courmayeur a queimar o tempo limite, apenas tive tempo para tomar um duche rápido e tratar dos pés o melhor que pude. A hora era de decisões: parar ou continuar. Decidi continuar. Tinha esperança que a subida que se seguia me animasse e animou. A subir não tinha dores por aí além e até ao refúgio Bertone ultrapassei umas boas dezenas de outros atletas. A triste realidade veio depois a caminho do refúgio Bonatti, num terreno relativamente rolante, as dores no dedo do pé aumentaram e impediam-me mesmo de correr. Comecei a fazer contas aos tempos e aos quilómetros e achei que o melhor era parar já que a situação do dedo do pé só iria piorar e dificilmente iria conseguir recuperar algum tempo naquelas condições.

Deitei-me na relva a observar as montanhas e decidi dormitar 30 minutos. Não consegui dormir mas a beleza da paisagem valeu cada segundo ali dispensado. Prossegui em direcção ao Refúgio Bonatti lentamente e a desfrutar a montanha. Cheguei ao refúgio e abandonei a prova. Falhei o penálti mas a vida continua.

Hoje foi dia de regressar às corridas. O dedo do pé direito continua em recuperação, meio dormente, ainda não totalmente recuperado da aventura, mas já aguentou 10 quilómetros sem problemas.

The show must go on!

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

UTMB 2016, o adiar de um sonho…

A minha aventura no Ultra Trail do Mont Blanc teve de terminar a pouco mais de meio.

Detesto ter de desistir ou abortar a conquista de um objectivo a meio, custa muito ter a consciência de que se está a adiar um sonho, mas sendo a corrida um hobby, continuar a correr em condições físicas deficientes e/ou que poderiam colocar em risco mais grave o meu estado físico seria um enorme disparate, pelo que, ciente de todos os factos, sei que esta foi a decisão correcta a tomar.

Ainda assim foram quase 100 Km à volta do Monte Branco, com as pernas em muito bom estado, tendo sido atraiçoado pelos pezinhos de Cinderela que neste fim-de-semana não estavam para ali virados e, assim, sem poder correr ou andar em condições lá tive de abandonar.

Mas, na realidade, estou convencido que a culpa deste abandono foi do Vargas, que lá onde ele está, deve estar desconsolado com tudo isto.

Antes da partida tinha partilhado aqui que esta era a nossa corrida e que sabia que ele me ia ajudar nos momentos difíceis que surgissem durante a corrida.

Esperto como ele é, conhecedor que sou muito céptico acerca das ajudas divinas, estou convencido de que me mandou os pés dele cá para baixo, bem maiores que os meus, para me ajudar a ter mais aderência a subir e a descer. O malandro esqueceu-se foi de de me enviar um par de ténis 3 números acima, e assim a coisa não correu bem.

Para o ano, se tiver a sorte de lá voltar, não me vou esquecer desta possibilidade e assim trazer o “nosso colete de Finisher“!

Tenho centenas de mensagens de apoio de muitos familiares e amigos que agradeço desde já, e irei responder a todos assim que me for possível, pois hoje já é dia de regressar ao trabalho.

O sonho continua vivo e novas aventuras virão.

Ainda continuo a digerir toda esta aventura, mas se tiver sorte no sorteio para 2017, lá terei de voltar para fechar esta porta que se encontra escancarada.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Lets go to the party

Agora é ir, não há volta a dar.

Neste momento o peso da ansiedade contrasta com o peso da mochila que daqui a pouco vou levar às costas.

Vou só ali dar a volta ao Monte Branco e já volto, em 170km e 20000m de desnível acumulado. A aventura deve demorar pouco menos que dois dias.

Parto feliz à aventura mas parto incompleto. Quiseram as vicissitudes do destino que desta vez os que mais gosto não pudessem estar comigo aqui presentes. Não vou ter assim aquele doping espetacular, que são os sorrisos e os afectos quando se chega a uma base de vida, já para não falar da preciosa ajuda que é ter alguém para nos ajudar nesses pontos.

Parto também incompleto porque vou partir sozinho. Esta era a “nossa aventura”, minha e do Vargas, e o malandro baldou-se em grande estilo. Agora tenho de a fazer pelos dois. Onde quer que ele esteja sei que vai estar a puxar por mim como fez em muitas outras corridas, e sei que quando cruzar a meta a cruzaremos juntos e o meu colete de finisher será o dele também.

Daqui a pouco é hora de arrumar a trouxa e zarpar. Vamos lá atacar o Monte Branco!

Para seguirem esta aventura é clicar em aqui.

Obrigado desde já a todos os que têm enviado as mais diversas mensagens de apoio.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Sigam o 1134 (e os outros também)

Faltam menos de 24 horas para a partida.

Até lá ainda vou receber na meta alguns amigos que participaram no OCC e desejar boa sorte aos que partem de manhã no CCC.

Para acompanharem tudo online sobre as provas do UTMB, basta clicarem aqui e seguir o link do Live Trail.

Na barra da procura escrevam o número do dorsal ou o nome do participante e já está.

Domingo espero aqui chegar com o mesmo sorriso na cara

Para me seguirem a mim basta procurar por 1134 ou Giao, e terão acesso a toda a informação sobre a minha corrida.

Para que gosta de ver outros planos mais engraçados e brincar com mapas e vistas, também me pode seguir na pagina do GPS em tempo real clicando aqui.

Também há a opção de seguir os vossos amigos ou atletas preferidos na APP LiveTrail, disponível para Apple e Android, assim podem acompanhar tudo em qualquer lado.

Por fim, podem ainda seguir o brilhante acompanhamento e estatísticas de toda a participação lusa nas provas do UTMB, que o Orlando Duarte faz no grupo Armada Lusa no UTMB 2016 clicando aqui.

A todos os que de algum modo me irão acompanhar e têm enviado energia positiva, deixo desde já o meu muito obrigado.

Boa sorte para todos os amigos que vão partir comigo mais logo no UTMB.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Antes e depois da pulseira vermelha

​Chamonix, dia 2, ou seja ontem.

O perfil típico do Trail Runner que circula por Chamonix não é muito diferente do seguinte estereótipo: ténis ou chinelos quase sempre da Salomon. A Hoka é também uma das marcas mais populares. T-shirt de finisher de uma prova qualquer com muitos quilómetros algures num local distante, quanto mais exótica melhor. Calções de corrida, muitos de compressão, como se fossem correr dali a minutos, e Garmin Fénix 3 ou Suunto no pulso.

Eu, por opção, ia trajado um pouco off the beaten track: Crocs nos pés, calções de passeio, t-shirt do Super Homem (sim sou fã do Super Homem), e sem relógio no pulso.

Com Anton Kupricka, um dos mais famosos atletas do mundo

Tanto ontem como anteontem, circulei várias vezes pela feira do UTMB onde há um corredor, talvez com 300 metros, dedicado apenas aos organizadores das mais diversas provas pelo mundo fora. Enquanto por lá circulava, os expositores olhavam para mim e ficavam na dúvida: será este um corredor ou andará apenas a passear?!

Uns arriscavam e vinham falar comigo, entregavam-me flyers ou outros materiais, mas a maior parte optava pela segunda opção, pensariam que andava em Chamonix a veranear e não faziam qualquer tipo de abordagem.

Porém ontem depois das 14h tudo mudou.

Levantado o dorsal, pulseira vermelha de atleta do UTMB no pulso, e com o mesmo traje off the beaten track era agora ver todos os expositores a meterem conversa e a entregarem todos os materiais e mais alguns sobre as suas provas.

A diferença entre ter ou não uma pulseira vermelha no pulso…

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Chegada a Chamonix

Nesta etapa final rumo ao UTMB, ontem foi dia de viajar para Chamonix, alojar-me e desfrutar um pouco do ambiente ao redor de toda a prova.

A viagem foi tranquila, o alojamento é simpático, e o ambiente que se vive em Chamonix é fantástico.

Aproveitei para visitar a feira do UTMB e só vos digo uma coisa, é impressionante!

Uma feira talvez com perto de uma centena de expositores, desde os patrocinadores, a todos os fabricantes de equipamentos e acessórios, passando por dezenas de expositores de organizadores de provas onde o difícil é escolher a próxima aventura! O MIUT e os Abutres também estão cá representados e mostram a vitalidade de algumas organizações portuguesas.

Depois os expositores de equipamentos… Era ter um crédito ilimitado e encher umas malas com material que só de ver apetece comprar… Infelizmente por aqui, a nota dos trocos é a de 20, para não dizer a de 50, e como tal resta ir poupando e sonhando!

Tenho agora pouco mais de 48 horas para desentorpecer as pernas, descansar e também passear um pouco.

Hoje é dia de ir levantar o dorsal e o GPS, e tenho de levar a mochila com todo o material obrigatório. Para o efeito foi tudo colocado “ao molho” e a mochila ficou cheia. Para sexta feira sem dúvida que terá de ir tudo muito melhor acondicionado. Será também um bom desafio…

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Agora é voar e desfrutar

Está terminada a minha preparação para o UTMB. Terminada não será o termo mais exacto, já que até 6ªfeira ainda há lugar a mais duas corridinhas para desentorpecer os músculos, e isso também é preparação.

Mas o trabalho duro e o menos duro está feito. Ao longo de 16 semanas foram 1424Km de treino com 40000 metros de desnível positivo, horas de reforço muscular e de alongamentos.

IMG-20160807-WA0002

Podia ter sido melhor? Podia. Reconheço que podia, sobretudo, ter sido mais eficiente na qualidade do treino.

Não foram meses de treino fáceis, com muitos condicionalismos profissionais e pessoais, mas tenho a consciência que fiz o possível para tentar concluir com UTMB com alguma tranquilidade.

Domingo espero colocar aqui a foto do meu colete de finisher. Wish me luck.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Portugueses pelo Mont Blanc

O contingente português nesta semana do Ultra Trail Mont Blanc é enorme, só no UTMB são cerca de cinco dezenas de atletas portugueses.

Pelo interesse que o UTMB e as restantes provas que compõem esta semana dedicada ao Trail Running despertam, multiplicam-se nas redes sociais os canais e projectos que vão dando diversas perspectivas sobre este evento.

Um desses canais é o canal de TV Portugueses pelo Mont Blanc, que está disponível no Facebook clicando aqui e no Youtube clicando aqui.

Fui convidado a participar no episódio deste canal dedicado à preparação e às expectativas da participação no UTMB.

Apareço aqui lá para o minuto 14:50, no meio de diversos atletas portugueses de muita categoria, e é interessante constatar que todos nos preparamos de maneiras diferentes mas todos temos sonhos do tamanho do mundo.

Boa sorte a todos os amigos e portugueses que vão participar em qualquer uma das provas do UTMB.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!