E este fim-de-semana foi a acompanhar o MIUT

Este foi um fim-de-semana cheio de emoções, não na primeira pessoa, mas sim a acompanhar todos os amigos que foram correr o Madeira Island Ultra Trail.

Uma primeira honra aos vencedores, Zack Miller que pulverizou a concorrência ao concluir os 115 Km em menos de 14 horas nos homens, e a francesa Caroline Chaverot com 15 horas de prova a vencer nas mulheres, tirando mais de 3 horas ao tempo da Ester Alves que venceu o ano passado. Ambos os tempos extraordinários face às edições anteriores.

Vejam o vídeo impressionante do abastecimento do Zack Miller, segundo consta o mais longo que fez ao longo da prova, clicando aqui.

Nos amigos, foram tantos a participar que não vou conseguir mencionar todos, pelo que da meia dúzia que me é possível agora lembrar destaco:

A Sofia Roquete e a Nádia Casteleiro, a primeira pelo excelente sexto lugar na classificação feminina e primeiro lugar entre as atletas portuguesas. É notável a sua evolução e aprendizagem ao longo dos últimos meses. Com método e alguma sorte ainda vai muito longo no Trail Running. A segunda pela perseverança e capacidade para ultrapassar os 115 Km em mais de 30 horas. Eu, por experiência própria, sei que não é nada fácil.

RPF
O Rui Pedro Julião a conquistar um fantástico 3ºLugar no seu escalão.

O Rui Pires, o Lourenço Bray e o Eduardo Pinto, que partiram com o sonho de chegar a Machico, mas que por motivos diversos foram forçados a abandonar a prova. Todos eles têm a certeza que num próximo ano irão de novo ao MIUT e vão chegar ao fim e, pessoalmente, não tenho nenhuma dúvida disso.

O Rui Pedro Julião e o Luís Roque, o primeiro por ter terminado em terceiro lugar no seu escalão, depois de tantas peripécias com o voo para o Funchal. É um verdadeiro exemplo para todos nós. O Luís porque foi o último atleta a cruzar a meta, com mais de 31 horas de corrida, a mostrar toda a fibra e coragem para chegar ao fim. Igualmente um verdadeiro exemplo para todos.

A todos os outros, muitos parabéns pela vitória que é terminar o MIUT, e para o ano há mais!

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

MIUT 2016 – Race Preview

Com a entrada do MIUT no Ultra-Trail World Tour, o número de atletas de topo participantes na edição deste ano aumentou significativamente.

Infelizmente não tenho disponibilidade no momento para fazer uma Race Preview ao melhor estilo do Ian Corless , mas repare-se na lista de atletas presentes:

miut-pro-runner

Luis Fernandes a defender o título conquistado o ano passado, Armando Teixeira a tentar reconquistar o primeiro lugar que já foi seu, e um cartaz de nomes sonantes do Ultra Trail mundial como Sange Sherpa, Jordi Bes, Iker Karrera, Zack Miller, Tofol Castaner, Miguel Heras-Hernandez ou Antoine Guillon, entre muitos outros. A luta pelo pódio será cerrada e, certamente, muito interessante de acompanhar.

Já no escalão feminino conseguirá a Ester Alves defender o título conquistado em 2015? A 12ª do ranking mundial, Carolina Chaverot, foi à Madeira para dar luta. Ou será que a suíça Andrea Huser que tem aparecido em grande forma em corridas recentes vai conseguir chegar ao primeiro. Será uma luta a acompanhar com interesse, já que há ainda mais três ou quatro atletas que poderão intrometer-se na luta pelo primeiro lugar, como a Emilie Lecomte, a Mélanie Rousset, a Juliet Blancher ou a Lucinda Sousa que venceu em 2014. Haverá ainda lugar para a Sofia Roquete, recente vencedora do UTAX, se afirmar no meio destas estrelas? Vamos aguardar e ver o que acontece.

Entretanto partilhem por aqui quais os vossos favoritos para o pódio desta edição do MIUT. Não há prémios para os apostadores mas haverão, pelo menos, momentos de boa disposição.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Acompanhar o MIUT 2016

O Madeira Island Ultra Trail é sem dúvida uma prova que marca qualquer atleta que por lá passa.

O ano passado tive a oportunidade de participar e claro, fiquei fã desta prova, pelo que este ano tenho-me deliciado a acompanhar todos os amigos que por lá vão iniciar a sua corrida mais logo.

Nesta estreia do MIUT no calendário do Ultra-Trail World Tour, a prova ainda não começou e muitas peripécias já aconteceram. Primeiro as chuvas e os ventos fortes que têm assolado a ilha da Madeira, começaram por fazer voar a tenda principal de apoio à organização da prova, sendo necessário encontrar uma alternativa de recurso pela organização, tarefa que já foi concluída com sucesso. Depois os atletas que planearam a sua viagem para a noite de ontem viram os seus voos cancelados, encontrando-se em viagem durante a manhã de hoje, o que obviamente vai roubar algum do repouso e tranquilidade previstos para o dia do início da prova.

Este mau tempo vai aumentar um pouco a dificuldade da prova e obrigar os atletas a ter cuidados redobrados no material que levam. A subida para os Estanquinhos deverá ser feita com particulares cuidados no que diz respeito ao equipamento que levam, já que vai ser feita de noite, e o vento e o frio vão-se fazer sentir bastante. O ano passado a noite estava primaveril, mas nos últimos 5 quilómetros da subida arrefeceu bastante, com ventos gelados e até algumas pingas. Não descurem mesmo esta subida nocturna. Se tiverem thermopads não hesitem em aquecerem-se, mas vale manterem-se quentinhos do que entrar em hipotermia.

miut2016_2

Não vou enumerar todos os amigos que vou acompanhar porque a lista seria exaustiva e ainda me ia esquecer de alguém, mas vou de certeza acompanhá-los na partida na RTP Madeira e online aqui, e vão-me ajudar a reviver toda a prova como se lá estivesse de novo.

Boa sorte a todos os que vão andar pelo MIUT. Divirta-se e não se constipem!

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

A primeira decisão para a época de 2016

Está tomada a primeira decisão para a época 2016 que, a bem da verdade, é a segunda.

Trocando por miúdos, o objectivo principal para 2015 seria a participação no Ultra Trail Mont Blanc. Tendo um azar natural em tudo o que não depende do mérito próprio e passa antes por jogos de sorte ou azar como são os sorteios, “naturalmente” não fui sorteado para participar na edição de 2015.

Este passou a ser o objectivo para a época desportiva de 2016, ir correr e desfrutar da mais mítica prova de Ultra Trail do mundo. Pelas regras definidas no regulamento do UTMB, terei no sorteio de 2016, o dobro das probabilidades de ser sorteado relativamente a 2015, na prática é como se tivesse dois bilhetes de lotaria no sorteio em vez de apenas um. No entanto creio que a minha falta de fortuna nestas coisas tem uma forte possibilidade de se continuar a manifestar e que o UTMB ficará lá para 2017, onde caso não tenha sorte no sorteio de 2016, terei entrada directa (isto se até lá não mudarem as regras).

AUT_CompedrosaEsta lenga-lenga toda para chegar à partilha convosco, de que caso a falta de sorte se continue a manifestar para o UTMB, já decidi que em 2016 irei repetir o Andorra Ultra Trail, não no Mitic Ultra Trail, mas desta vez nas 100 milhas mais duras da Europa na Ronda del Cims.

Esta descrição do João Mota (clicar aqui para ler o texto) ilustra excelentemente o que é a Ronda del Cims.

É um desafio brutal e só não é do outro mundo porque é mesmo ali em Andorra.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!!

Recomeçar…

Hoje foi dia de recomeçar. Premonitoriamente meti a mão no cesto das tshirts de corrida e coube-me em sorte esta:

A tshirt da Corrida do Tejo 2011, os meus primeiros 10 Km e a primeira corrida que fiz.

A um mês do MIUT e há quase duas semanas sem correr, a coisa não está fácil. Apesar de uma semana de treino funcional no Kalorias Club, onde já devo ser o Rei da Elíptica, tantos quilómetros lá fiz esta semana, correr na serra é outra coisa e é fundamental para estar pronto para a Madeira. Resta-me mesmo recomeçar e ir devagarinho, para chegar a bom porto, que é como quem diz a Porto Moniz, onde tudo vai começar e, tentar chegar a Machico inteiro, sorridente e feliz.

Parafraseando Miguel Torga:

“Recomeça…
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…”

E é nesta loucura que recomecei, ainda com tape funcional a ajudar a manter tudo no sítio, mas recomecei.

 

No IMT disseram-me que podia recomeçar com calma. Recomeçar com 21 quilómetros lentos, numa manhã solarenga de sábado à beira Tejo, pareceu-me suficientemente calmo.

Faltam 34 dias para a primeira aventura do ano, vou sem angústias e sem pressas, mas vou querer todos os quilómetros do MIUT, mesmo que o fruto esteja verde, quero colher esta ilusão.

Continuação de bons treinos e de boas provas!!! 😉

DDD ou Dia de Decisão Difícil…

O bom planeamento de uma época desportiva é, talvez, um dos pontos mais importantes para o sucesso na concretização dos objectivos a que nos propomos atingir e, como em todos os planos, aparecem sempre decisões difíceis de tomar.

É certo que todos gostávamos de ir a todas as provas que existem por este país fora, houvesse tempo, dinheiro e sobretudo pernas para isso, mas quando falamos de ultra distâncias e provas separadas por poucos dias ou semanas, é impreterível termos de fazer uma opção.

Foi o que aconteceu comigo a planear o mês de Abril de próximo ano, duas provas míticas mas de características muito diferentes e, onde gostaria muito de participar em ambas: o Peneda-Gerês  Trail Adventure ou o Madeira Island Ultra Trail.

O Peneda-Gerês Trail Adventure são 280Km com cerca de 16000m de desnível positivo distribuídos em 8 etapas pela Peneda e pelo Gerês, locais com trilhos fantásticos para correr, e uma organização experiente e certamente ao nível das que já conhecemos e reconhecemos ao Carlos Sá.

O MIUT são 115Km numa única etapa, com 6848m de desnível positivo, e que atravessa a ilha da Madeira de Porto Moniz ao Machico por trilhos e locais igualmente de uma beleza extraordinária. Em 2015 será a 7ªedição desta prova, que pela primeira vez fará parte da Ultra-Trail World Tour.

Decisão difícil de tomar… mas desta vez a decisão foi pela participação no MIUT.

Vejam o vídeo de apresentação da prova e deliciem-se com os trilhos por onde iremos passar…

E Abril está já à porta!..

Arrábida Ultra Trail 2014

O Arrábida Ultra Trail (AUT), foi talvez, a prova a que assisti com um maior falatório pré prova, acerca das qualidades da mesma e da sua organização. Muitos comentários e muitas dúvidas pairavam no ar, alguns colocando mesmo em causa o desenrolar desta prova. Enquanto observador independente e sem qualquer ligação à organização mas enquanto atleta participante e interessado nesta prova, ia ouvido e processando tais informações e acompanhava tudo o que se dizia. No final devo dizer que a organização no cômputo geral correu bem, obviamente com pequenas falhas fruto de uma primeira edição de uma prova desta envergadura, e que o falatório prévio não teve qualquer razão se existir. Esta característica tão tuga de dividir para reinar ou de querer ser rei no seu quintal, continua a ser um dos grandes entraves ao desenvolvimento local e do nosso país em geral. Quando nos mobilizamos conseguimos fazer actos grandiosos e juntos seremos sempre mais fortes.

Nascer do Sol – Foto de Rui Pires

 

Comecei a interessar-me pelo AUT quando ele foi anunciado em Junho, salvo erro. Faltavam-me dois pontos para obter os oito necessários à candidatura ao Ultra Trail Mont Blanc e até então a alternativa que tinha em mente era a participação numa prova no Parque Natural de Bruxelas, igualmente de 80K e com cerca de 1200 metros de desnível positivo. Esta prova na Bélgica não me entusiasmava particularmente, pois tudo nela indicava que seriam 80K muito rolantes e rápidos, quando a minha preferência iria para algo com mais desnível e com subidas longas, que apresentassem a possibilidade de recuperar folego nas subidas e acelerar mais nas descidas. O percurso original do AUT apresentava um perfil altimétrico de quase 2400m D+, com duas subidas à Vigia, o que encaixava muito melhor no perfil de prova que procurava, para além de ser aqui ao lado de casa e não ter assim custos extras com viagens e alojamento. Estava decidida a minha participação no AUT.

Para meu desalento mas sem grande surpresa, foi passada a informação pela organização do AUT poucas semanas antes da data da prova, de que o percurso tinha sofrido alterações sendo agora um pouco menor o desnível altimétrico e passando a prova a ter 82K no lugar dos 80 previstos. Esta alteração, na minha opinião, foi o ponto mais negativo de toda a organização. Todos os que acompanham há algum tempo o mundo do Trail Running, já terão ouvido falar das dificuldades e dos 1001 entraves que os Parques Naturais colocam a todos os que querem utilizar os trilhos dos parques para eventos deste tipo. Do Gerês à Arrábida as histórias repetem-se. Neste caso em particular parece-me que a organização do AUT não tinha desde o início em que delineou esta prova, a capacidade necessária para mobilizar o Parque Natural da Arrábida a autorizar a passagem por alguns trilhos mais sensíveis e terá tentado arrastar esta situação quase até ao início da prova. Não sei quais são os critérios do Parque Natural da Arrábida para autorizar tal passagem por trilhos protegidos, mas sou da opinião que a organização do AUT deveria ter investido e divulgado desde o início um percurso que não suscitasse dúvidas na sua exequibilidade. Dito isto, se o percurso previsto inicialmente com as duas subidas à Vigia já seria bem rolante, o novo percurso sem estas duas subidas apresentava-se como muito rolante e ainda mais rápido.

Vista da Serra da Arrábida – Foto de Rui Pires

 

Feito este pequeno prelúdio vamos lá falar da prova propriamente dita e da sua organização.

A organização do AUT foi na minha opinião positiva e falo da minha experiência pessoal enquanto participante na prova de 82K, sendo que existiram mais duas provas, uma de 14K e outra de 23K.

Para mim o ritual da prova começou no Sábado com o levantamento do dorsal de atleta no Castelo de Palmela. Duas salas para o efeito, divididas pela distância da prova em que se participava, permitiam um processo de entrega de dorsal e respectivo kit de atleta rápido e expedito. Já a falta de informação de que seria necessário levantar o chip para controlo de tempo numa outra sala noutro local do castelo, originou a que alguns atletas tivessem de lá regressar novamente ou no Domingo antes da partida, para levantar o respectivo chip. É claramente um ponto a melhorar e de fácil resolução em futuras edições da prova.

Um outro ponto a melhorar será o da comunicação via internet. O AUT apresenta um site bonito, de fácil navegação e onde as informações relevantes se encontravam disponíveis, mas para os aspectos de secretariado, como inscrições, resultados, consultas de inscrição, somos redireccionados para outro site. Acontece que ambos os sites tinham informações comuns, que a dada altura divergiam uma da outra, nomeadamente no que diz respeito ao regulamento da prova, o que poderia dar origem a algum problema para atletas que consultassem uma versão em detrimento da outra. Outro ponto de melhoria facilmente ultrapassável.

O kit de atleta para além do dorsal e de alguma publicidade, trazia uma t-shirt técnica (alusiva ao evento mas de baixa qualidade e não muito bonita), um lenço tipo buff (alusivo ao evento e de qualidade duvidosa), uma garrava de vinho da região, um gel energético e uma barra energética.

Trilho dos Moinhos – Foto de Move-Te Nutrition & Lifestyle

 

No final como “prémio” de finisher da prova mais longa foi entregue um crachá aos participantes, igualmente não muito bonito e igual para todos os participantes que finalizaram as três provas em disputa, e que irá destoar bastante ao lado das bonitas medalhas de finisher que tenho de outras maratonas e ultras. Neste aspecto esperava um pouco mais, uma vez que a promoção da prova tinha sido bem feita e apelativa e nada me faria prever que os restantes aspectos de marketing e promoção fugissem a esta regra. Uma t-shirt bonita que o pessoal gostasse de usar e um troféu de finisher em condições, são aspectos em que a organização poderá melhorar se assim o entender e que ajudarão a promover a prova.

Domingo, 4h45, alvorada e saída em direcção ao Castelo de Palmela onde teria início o AUT às 7h00. Muitas caras conhecidas e os habituais votos de boa prova a todos os amigos destas aventuras. Entretanto é anunciado um pequeno atraso na partida por motivo das forças de segurança ainda não se encontrarem no local, o que me fez pensar que alguma coisa poderia correr menos bem ao longo da prova. No entanto o desenrolar da prova veio provar que esse pensamento não teve qualquer razão de existir. A GNR esteve sempre presente em todos os pontos críticos de passagem por estradas onde existisse muito trafego e fosse mais perigoso correr ou atravessar em segurança, e fez um excelente trabalho que merece a minha avaliação muito positiva e o meu sincero agradecimento a todos os agentes que colaboraram com a organização.

O apito da partida soou por volta das 7h12 e lá fomos nós para a serra. O início da prova começou com uma descida, o que foi logico já que começámos num castelo, e percorremos um caminho romano que detesto mas que desta vez nos presenteou com um espectacular nascer do sol atrás do Sado, até entrarmos num single track para a primeira subida. A minha estratégia para esta corrida era a de manter um ritmo moderado ao longo do percurso, fosse a subir ou descer, uma vez que todo o percurso tinha muitas subidas e descidas curtas, e onde me pareceu que a estratégia de descansar a subir para acelerar a descer não iria resultar tão bem. O primeiro abastecimento encontrava-se ao km 15 junto do Teatro do Bando. Foram 15 Km num carrossel de sobe e desce, com alguns trilhos e dois troços de ligação algo longos em alcatrão. Cheguei aqui com menos de 1h40 de prova, sempre a controlar o ritmo para não me “esticar” e esgotar a energia cedo de mais, lá para o final da prova. À saída deste posto de controlo encontravam-se uns actores do Bando que à sua maneira desejavam boa sorte aos atletas, e que bem era precisa, pois a escadaria que nos levava de novo até ao cimo da Serra é muito traiçoeira e algo difícil de se subir.

Trilho dos Moinhos – Foto de Move-Te Nutrition & Lifestyle

 

Depois foram mais 15 Km a rolar num sobe e desce relativamente suave pela rota dos moinhos, até chegar ao segundo ponto de controlo/abastecimento por volta do km 30. Fiz uma paragem rápida mas aproveitei para tomar o pequeno-almoço e comer uma bela da sandes de presunto que faz parte do meu equipamento obrigatório para todas as provas de trail. O próximo abastecimento seria agora dali a 18 km e levava até então pouco mais que 3h30 de prova. Até aqui não encontrei nenhuma alma gémea que levasse um ritmo igual ao meu, e lá ia trocando de posições com o Pedro Cordas e com o Pedro Conceição. Este troço de 18 Km entre os pontos 2 e 3, foi de todos o mais chato na minha prova; longos troços de estradão, alguns troços de alcatrão, rectas infindáveis sem subida ou descida que se visse. Quilómetros que pareciam mesmo muitos quilómetros o que, para quem gosta de um pouco mais de adrenalina, era de facto muito monótono para não dizer penoso. Com a agravante psicológica de quer de um lado quer do outro da paisagem sermos presenteados com lindos trilhos para subir serra acima…

Não sei se era por ir com estes pensamentos menos positivos, se foi o acumular de manter um estilo de corrida lenta e uniforme até então, ou se foi apenas um abuso no ritmo dos treinos nas semanas anteriores, mas por volta do Km 35 apareceram-me as primeiras dores dos quadricípites em particular na perna esquerda. Os quilómetros seguintes foram uma longa e pesarosa reflexão interior sobre o real motivo desta dor, introspeção que demorou quase duas horas até chegar ao abastecimento do km 48, com pouco mais de 6 horas de prova. Nova paragem rápida, reenchi as garrafas de água e meti-me de novo ao caminho, tentando agora variar a passada que até ali tinha seguido com um ritmo muito constante. E resultou, os músculos não regeneraram totalmente mas agradeceram a mudança de passada e as mudanças de ritmo que me impos, melhorando a sua condição significativamente até final da prova. Esta quase segunda metade da prova também era a que apresentava as subidas e descidas mais acentuadas, e apesar de não haver nenhum subida a que pudesse-mos apelidar de “a subida”, ajudou bastante a quebrar a monotonia do percurso da corrida. Próximo abastecimento dali a 14 quilómetros ao km 62.

Este segmento do percurso levou-nos à famosa zona da Comenda. Três subidas mais duras, mas a maior dificuldade foi mesmo a muita lama que se encontrava no percurso. Andar com uma placa de barro agarrada à sola dos ténis não é nada positivo, e as zonas em que podíamos escorregar e dar um valente trambolhão eram mais que muitas. Por duas vezes ia indo ao tapete, mas com um equilíbrio de ninja e muita sorte à mistura lá me consegui escapar a tal desígnio. Por outro lado tentei atravessar todas as zonas de lama com as maiores precauções, mesmo sem correr, para evitar tais acidentes. Chegado ao Parque da Comenda, lá estava o abastecimento mais aguardado por todos, onde inclusive se podia comer uma canja quente. Era este o ponto em que quem tivesse entregue à partida um saco com outro equipamento ou ténis, poderia aproveitar para se mudar para os 20 quilómetros finais. Ia bem e apesar de bom aspecto não quis perder tempo com uma paragem prolongada. Fiz o checkpoint, comi uma laranja, levei três biscoitos para o caminho, e pus-me de novo ao caminho. Tinha lá a minha mochila com uns ténis e um equipamento limpo, mas não senti necessidade de trocar nada. Neste abastecimento apanhei o amigo Telmo que prometeu que me apanharia mais à frente mas desta vez a história da Serra de Arga não se repetiu. À saída ainda deu para agradecer as palavras de motivação oferecidas pelo amigo Serrano que desta vez fez gazeta e foi apenas apoiar o pessoal. Levava agora 8h10 de prova e o próximo ponto de abastecimento chegava aos 72 Km.

Pormenor de um abastecimento – Foto de Rui Pires

 

Este percurso foi marcado por um troço de lama a fazer lembrar-me os Trilhos do Almourol. Atravessei a lama com algum cuidado e apanhei outro atleta que seguia já com alguma dificuldade. Queixava-se que já ia com cãibras, sobretudo nos membros superiores, o que foi algo surpreendente. Ainda rolámos juntos uns quilómetros mas depois tive de seguir sem que ele me conseguisse acompanhar. Ultrapassei alguns atletas que já conhecia de vista do início da prova e começava já a desejar a chegada do abastecimento. Eis que entretanto nem queria acreditar que estava a apanhar de novo o Pedro Conceição. Juntei-me a ele e corremos mais meia dúzia de quilómetros até ao abastecimento do km 72 que afinal se encontrava no km 74. Neste aspecto esta foi a única falha da organização. Toda a marcação da prova estava muito bem feita, com fitas normais e reflectoras a partir do Km 56, e todo o percurso condizia quase milimetricamente ao que foi previamente anunciado. Os abastecimentos encontravam-se todos no quilómetro anunciado excepto este que se encontrava dois quilómetros mais à frente, o que no meu caso não causou constrangimentos de maior, mas que é sempre desagradável para quem tem de gerir os líquidos que transporta consigo e se arrisca a ter de correr mais 15 ou 20 minutos sem água. Relativamente aos abastecimentos estes estavam todos muito bem servidos com líquidos, fruta, bolos e biscoitos, e penso que terá sido mais do que suficiente para todos os atletas. Chegados ao Km 74 eu e o Pedro íamos apostados em fazer um pitstop rápido. Ele meteu um gel e enquanto eu terminava de preparar a minha água com sais e comia uma laranja ele estava despachado e arrancou, nunca mais o tendo conseguido apanhar.

Arranquei também e fiz-me ao último troço do percurso. Levava agora um pouco menos de 10 horas de prova e faltavam oito quilómetros para o final. Finalizar e amealhar os dois pontos que me faltavam para o UTMB era o objectivo principal, mas levava dois objectivos pessoais que iria tentar cumprir também:  1) chegar ao fim ainda de dia 2) tentar finalizar em menos de 11 horas de prova.

Terminar de dia era quase impossível, a prova já começou atrasada e termina pouco depois das 17 horas, pelo que implicava correr a prova em cerca de 10 horas. Num dia perfeito poderia ter acontecido, mas ontem não era o dia.

Já terminar em menos de 11 horas era perfeitamente possível, mas confesso que desanimei um pouco quando por volta do km 79 tive de me resignar à entrada num trilho completamente fechado e fui forçado a retirar o frontal da mochila e usá-lo até ao final da prova. A lama barrenta que existia novamente nos trilhos finais, obrigaram-me a redobrar a atenção e acalmar ainda mais o ritmo nas duas subidas e descidas que faltavam até à meta. Foram 8 Km sem grandes sobressaltos e onde ainda consegui ultrapassar uns três outros atletas.

No final cheguei à meta com 11h06’30”, um excelente resultado para mim apesar de ter ficado um pouco acima das 11 horas. Um papelinho com o resultado dado pela organização ainda me induziu em erro e por alguns minutos ainda pensei que tinha feito mesmo menos de 11 horas, mas afinal aquele tempo estava errado.

Depois foi tempo de recovery. À chegada havia um bom repasto à espera dos atletas, com massa, carne assada, salada, pão, torta de laranja, gelatina, sopa e cerveja à descrição. Comi e bebi bem e recuperei as energias num instante. Soube-me tudo muito bem, não sei se era da fome se era mesmo da qualidade da refeição. A ajuda da Bo Irik também foi preciosa, pois foi-me buscar as mochilas que levava no local onde elas se encontravam, o que teria sido uma tarefa muito árdua para mim naquele momento. Desisti de tomar banho no local e vim para casa onde aí me pude tratar como um rei.

Em resumo foi uma prova positiva pelo resultado que consegui, com uma organização com pontos a melhorar mas a que dou uma nota positiva sem qualquer tipo de dúvida. O percurso não é o mais interessante, pelos motivos que referi anteriormente, e sofre da falta de um ponto mais irreverente. Uma subida à Vigia ou ao Formosinho, e um ou outro trilho no lugar dos longos estradões, dariam um pouco mais de emoção e beleza a esta prova. Pensem e trabalhem nisso para futuras edições.

Os 8 pontos necessários para candidatar-me ao Ultra Trail Mont Blanc já cá cantam. Wish me luck…

Quem gosta de “cuscar” o percurso da prova e outros detalhes da minha corrida pode clicar aqui para o ver.

Continuação de bons treinos e boas provas!!!

Os irredutíveis Gauleses no Ultra Trail de São Mamede


Vou correr 100 Km. A frase apesar de curta parece interminável e, quando dita assim, a seco, assusta quase tudo e quase todos. Mas há sempre aqueles que procuram um novo desafio, uma nova aventura, uma luta contra eles próprios em que só eles sairão vencedores, uma empreitada louca e irresistível em que o resultado final supera toda a imaginação até então conhecida. Como um bando de irredutíveis Gauleses, eu,o Vargas, o Hugo, o Nélson, o Paulo, o Camané, o Veiga, o Bruno e o Mata, fomos a Portalegre na certeza que iriamos derrotar os romanos, personalizados nos 100 Km do Ultra Trail de São Mamede. E nem foi preciso poção mágica. A raça, o querer e a ambição de superar este desafio, tornaram estes estreantes em provas com três dígitos, em dignos e orgulhosos Finishers dos 100 Km do Ultra Trail de São Mamede.

10 Trail Runners à Partida, 10 Trail Runners à Chegada. Thats the way I like it!!!
Parabéns a nós por termos cumprido este fantástico objectivo!!!

Continuação de bons treinos e boas corridas!!

UTSM – Ultra Trail de São Mamede – Live

É já às 00h00 deste Sábado dia 17, que terá inicio os 100 Km do Ultra Trail de São Mamede.


Esta é a terceira edição desta já mitica prova, e será a minha estreia em provas com três digitos.

O treino está feito e lá mais para o final da tarde de Sábado já poderei dizer se foi ou não suficiente para completar este desafio com sucesso.

A organização do UTSM proporciona uma plataforma online onde poderão acompanhar o desempenho dos participantes nas provas dos 100 Km. É a primeira vez que esta plataforma vai funcionar nesta prova e não há garantia que funcione a 100%, mas vale a pena passar por lá e tentar acompanhar a prova dos amigos e conhecidos.

Para acederem à plataforma cliquem aqui.

Também podem acompanhar todos os desenvolvimentos da prova no Facebook do UTSM, para tal cliquem aqui.

No Twitter também podem acompanhar com #UTSM.

Desta vez a equipa ACCVCAVI é composta por mim, pelo Vargas e pelo Mata.

Os nossos dorsais são:
493 Nuno Gião
492 João Vargas
556 João Mata


Sigam também outros amigos que aparecem de vez em quando em algumas aventuras partilhadas aqui no blog:

137 Hugo Fragoso
594 Nelson Marques
313 Paulo Raposo
399 Carlos Caetano
293 João Veiga
225 Bruno Regalo


A todos os participantes no UTSM votos de boa sorte e que chegem ao fim sem um empeno muito grande!!! 🙂

Gerês Trail Adventure a aquecer

A apresentação Pública do Gerês Trail Adventure decorreu no passado dia 15 na Vila do Gerês. Este evento irá decorrer nos próximos dias 25, 26 e 27 de Abril.

Nós vamos lá estar entre os melhores e vocês?

A equipa ACCVCAVI dos cotas 🙂


A equipa ACCVCAVI dos putos 🙂
O video da apresentação pública:


Continuação de bons treinos e de boas corridas!!!