Teste ao Smartphone Quechua Phone 5″

O Smartphone Quechua Phone 5”, também conhecido como o telefone da Decathlon, foi enumera vezes tema de conversa entre mim e diversos companheiros de corridas que também apreciam estes gadgets tecnológicos. As opiniões acerca do equipamento dividiam-se, mas o que é certo que ninguém tinha experimentado na montanha este equipamento, pelo que as opiniões não eram esclarecedoras acerca da potencialidade do mesmo para este fim. Para satisfazer a curiosidade de muitos trail runners, propus à Decathlon que me cedesse um destes equipamentos para testá-lo, do ponto de vista do Trail Runner, durante os 107 Km do Gerês Trail Adventure e Ultra Trail de São Mamede, proposta que a Decathlon aceitou e assim torna possível este texto.

Análises descritivas das características do hardware deste equipamento há muitas e em diversos sites, pelo que se pretendem uma lista de características exactas do hardware deste telefone recomendo que vejam o site da Decathlon clicando aqui ou o site Quechua para este equipamento clicando aqui.

Do ponto de vista tecnológico este telefone não é o último grito de tecnologia. No entanto e na minha opinião, quem procura o último grito em tecnologia tem telefones da Apple, da Samsung, da HTC, só para referir algumas marcas, que irão fazer a delícia do utilizador e despertar a inveja aos seus amigos em termos de performance e design. Por seu lado o Quechua Phone 5” é um telefone para um nicho de mercado: os frequentadores da montanha. Assenta numa plataforma sólida e já testada, com hardware e software igualmente bem testados e sólidos, com uns upgrades aqui e ali que fornecem algumas características ímpares ao equipamento, sendo tudo “empacotado” numa caixa de aparência bem robusta, à prova de água e de poeiras. Disto isto, permitam-me regressar uns dias atrás, ao dia em que levantei este equipamento na Decathlon de Alfragide.

Uaaauuuu, foi a minha primeira palavra ao retirar o telefone da respectiva embalagem. Surpreendeu-me o peso do telefone, quase 500 gramas, e as suas dimensões. Eu que estou habituado a usar telefones pequenos, via-me agora obrigado a usar por alguns dias um verdadeiro “tijolo” com 15 cm de altura, 8 de largura e 1,2 de espessura. Estas dimensões são mais ou menos o standard do mercado nos telefones de 5”, apenas a generosa bateria de 3500 mAh explica a maior espessura e peso do telefone.

Enquanto utilizador habitual de smartphones devo dizer que as características gerais deste equipamento, não sendo o state of art, são bastante generosas e funcionais: Processador quad-core de 1.2 Ghz, 1 Gb + 4 Gb de memória, camara de 5 MP atrás e 2 MP à frente,  sistema operativo da Google Jelly Bean 4.1, e todo o tipo de conexões necessárias para ligar periféricos comuns dos nossos dias. 
A utilização diária do telefone faz-se tranquilamente quer ao nível de chamadas quer ao nível da utilização das diversas aplicações de internet que todos nós utilizamos.


Enquanto Trail Runner os itens que efectivamente pretendia testar e comprovar eram:
  • Duração da Bateria;
  • Fiabilidade do GPS e Altímetro Barométrico;
  • Usabilidade do ecrã em condições atmosféricas adversas;
  • Resistência ao choque e usabilidade geral em condições atmosféricas adversas.

Duração da Bateria

A bateria do Quechua Phone 5″ é uma verdadeira fonte de energia, que dura, dura e dura. É sem dúvida um dos pontos fortes deste telefone. O teste mais longo que acabei por fazer a este equipamento foi o Ultra Trail de São Mamede. Foram mais de 100 Km que corri em 21h50. Durante estas 21h50 o telefone foi sempre ligado e sempre com o GPS activo. Tirei cerca de 50 fotos e filmei 3 vídeos. Fiz diversas chamadas ao longo do percurso para familiares que me acompanhavam ao longe e para outros atletas que se encontravam em pontos distintos da prova, e no final da prova a bateria ainda apontava cerca de 23% de capacidade disponível.  No Gerês Trail Adventure a performance ao longo dos três dias da prova foi igualmente notável. Nos 60 Km do segundo dia deste desafio e após 14 horas de corrida e registo contínuo de GPS, igualmente com utilização do telefone e máquina fotográfica – ainda que não tão intensiva como no UTSM, a bateria apontava 51% de capacidade disponível.

GPS e Altímetro Barométrico

Um dos pontos que me desiludiu quando liguei este equipamento, foi a ausência de software específico para o mesmo. A publicidade da marca indicia que este seria fornecido com equipamento específico para as aventuras de montanha, mas na realidade apenas temos à nossa disposição todas as aplicações disponíveis na Google Play. Assim sendo optei por registar os três dias do Gerês Trail Adventure e o Ultra Trail de São Mamede, utilizando o meu já conhecido software Strava. Devo dizer que não consegui determinar a marca e modelo do chip do GPS utilizado neste telefone, mas que este é bastante rápido a adquirir um fix do sinal GPS, mesmo sem a ajuda do GPS assistido pela rede 3G. Todo o registo das quatro provas foi obtido utilizando apenas o GPS do telefone sem recurso a GPS assistido. Como handicap, devo dizer que o telefone foi sempre utilizado dentro do bolso traseiro da minha mochila, e sem especial cuidado no posicionamento do telefone, que por vezes pode ter favorecido a recepção do sinal GPS e certamente que noutras vezes não. O Strava utiliza um registo do percurso de GPS “inteligente” com registo de pontos de x em x segundos, e para comparação registei igualmente os percursos com o meu relógio Arival SQ-100. O registo no relógio foi efectuado de 2 em 2 segundo nas provas do Gerês Trail Adventure, e registo de 3 em 3 segundo do UTSM. Podem comparar a precisão dos track obtidos com a combinação Strava+Quechua e com o relógio, sendo que como esperado o relógio é seguramente mais preciso. No entanto o desempenho do Quechua é bastante positivo para este tipo de equipamentos. Diria que para o montanheiro o GPS é mais do que preciso para essa actividade, para o trail runner é um equipamento que não compromete no registo dos treinos/provas, mesmo nos percursos mais fechados e difíceis. Relativamente ao altímetro barométrico não tive oportunidade de testar em exclusivo esta funcionalidade. O seu funcionamento em conjunto com o GPS apresentou sempre a altimetria esperada para os locais onde estava.
Clicando nas imagens seguintes podem comparar em pormenor os tracks do Gerês Trail Adventure e do Ultra Trail de São Mamede no mapmyrun.com


Usabilidade do ecrã

Outro dos pontos que me despertava alguma curiosidade, era o anúncio do ecrã estar optimizado para uma boa visualização mesmo em condições de muita luminosidade. E confirmo essa mesma característica. A utilização do ecrã em ambientes com muito sol e muita luz, como aconteceu no UTSM, é bastante eficiente. Com um telefone “normal” a visualização do ecrã seria impraticável sob o sol do Alentejo, mas o Quechua passou com um satisfaz bastante mais este teste. Já a sua utilização sob chuva e bastante humidade, como aconteceu no Gerês, requer alguma habituação. O ecrã táctil apesar de funcionar molhado, perde alguma precisão ou pelo menos é necessário “apanhar o jeito” necessário a utilizar o ecrã táctil nestas condições. A camara traseira do telefone também sofre com a humidade, e não nos podemos esquecer de a limpar antes de a usar em ambientes húmidos ou as fotografias sairão “desfocadas” com a humidade na lente.
Resistência ao choque e usabilidade geral em condições atmosféricas adversas

Um dos testes que me abstive de efectuar foi o da resistência ao choque. Não deixei cair o

telefone nenhuma vez e a utilização diária foi normal. Durante as provas o telefone foi sempre transportado na bolsa traseira da minha mochila, sem qualquer cuidado no seu posicionamento, muitas vezes por cima dessa bolsa ainda seguiam os bastões que me ajudaram nas subidas mais ingremes e que em alguns troços poderão ter sido uma dificuldade acrescida à recepção do sinal GPS com o telefone. No Gerês apanhámos de tudo um pouco: nevoeiro, humidade intensa, chuva intensa, e também algum sol e calor. No UTSM apanhamos sobretudo muito sol e calor com temperaturas muito perto dos 30º. Confesso que apesar da caixa de aparência bastante sólida e robusta com que este telefone é equipado, tinha alguma desconfiança no que diz respeito às protecções das ranhuras para USB/auscultadores e simcard/SD card, mas após o teste à chuvada do Gerês tenho de admitir que funcionam bastante bem, pelo facto de não ter sido manifestado nenhum problema relacionado com estas ranhuras.

Conclusões

Este não é um equipamento para quem quer o último grito de tecnologia. Pela sua dimensão e peso também não é um equipamento ideal para quem quer registar treinos e/ou corridas de estrada. Como pontos menos fortes deste equipamento destaco o tamanho e o peso; a ausência de software específico, o que obriga a alguma pesquisa pela loja da Google; a resolução do ecrã que poderia ser um pouco melhor.
É um equipamento com um desempenho diário “normal” bastante razoável ou bom, e um desempenho em montanha muito bom. O GPS é rápido é fiável, o altímetro barométrico pode ser de grande utilidade em provas ou passeios na alta montanha, o ecrã tem um bom desempenho debaixo de sol e uma utilização regular quando húmido ou molhado, e a bateria e respectiva autonomia são o ponto mais forte deste equipamento. Na minha opinião para passeios de montanha e treinos/provas de trail running onde se leve uma mochila ou cinto, este é um equipamento com bastante potencial, e que poderá substituir o transporte de outros equipamentos, carregadores e baterias.

Quero agradecer à Decathlon a possibilidade que me deu de testar este equipamento, e assim poder partilhar convosco todas as potencialidades do mesmo de um ponto de vista do corredor de trilhos.

Continuação de bons treinos e de melhores corridas!!!

UTSM – Ultra Trail de São Mamede – Live

É já às 00h00 deste Sábado dia 17, que terá inicio os 100 Km do Ultra Trail de São Mamede.


Esta é a terceira edição desta já mitica prova, e será a minha estreia em provas com três digitos.

O treino está feito e lá mais para o final da tarde de Sábado já poderei dizer se foi ou não suficiente para completar este desafio com sucesso.

A organização do UTSM proporciona uma plataforma online onde poderão acompanhar o desempenho dos participantes nas provas dos 100 Km. É a primeira vez que esta plataforma vai funcionar nesta prova e não há garantia que funcione a 100%, mas vale a pena passar por lá e tentar acompanhar a prova dos amigos e conhecidos.

Para acederem à plataforma cliquem aqui.

Também podem acompanhar todos os desenvolvimentos da prova no Facebook do UTSM, para tal cliquem aqui.

No Twitter também podem acompanhar com #UTSM.

Desta vez a equipa ACCVCAVI é composta por mim, pelo Vargas e pelo Mata.

Os nossos dorsais são:
493 Nuno Gião
492 João Vargas
556 João Mata


Sigam também outros amigos que aparecem de vez em quando em algumas aventuras partilhadas aqui no blog:

137 Hugo Fragoso
594 Nelson Marques
313 Paulo Raposo
399 Carlos Caetano
293 João Veiga
225 Bruno Regalo


A todos os participantes no UTSM votos de boa sorte e que chegem ao fim sem um empeno muito grande!!! 🙂

Resumo dos meses de Março e Abril

Os meses de Março e Abril foram destinados a preparar a participação nos 100 Km do Ultra Trail de São Mamede. Treinos sobretudo em ambiente de trilhos, a treinar desníveis acentuados, resistência física e mental, espirito de equipa e testar equipamentos. A complementar os treinos habituais, a participação nos 50 Km do Inatel Trail do Piodão, nos 42 Km dos Trilhos do Almourol e nos 107 Km do Carlos Sá Gerês Trail Adventure. Provas brutais que permitiram testar os mais diversos pisos e ambientes, desde lama a rocha dura, desde calor intenso a frio e neve, desde quilómetros rolantes a subidas e descidas insanas.

Carlos Sá Gerês Trail Adventure

Para a história do mês de Março ficam os seguintes números:

Contagem: 19 Actividades + 1 Prova
Distância: 347,70 km
Hora: 46:37:51 h:m:s
Ganho de elevação: 10759 m
Velocidade média: 7,5 km/h
Calorias: 6811 C

Trilhos do Almourol
Para a história do mês de Abril ficam os seguintes números:
Contagem: 13 Actividades + 2 Provas
Distância: 332,11 km
Hora: 49:59:31 h:m:s
Ganho de elevação: 12004 m
Velocidade média: 6,6 km/h
Calorias: 8460 C

Inatel Trail do Piodão
A nove dias do Ultra Trail de São Mamede o que havia a treinar está treinado. Agora é manter a forma, não cometer excessos nem de treino nem alimentares, e manter o ritmo até à partida.
Continuação de bons treinos e boas provas!!!

Inatel Ultra Trail do Piodão

Grande prova esta do Inatel Trail do Piodão. Tardou aqui o merecido comentário, mas umas últimas semanas muito movimentadas não me deixaram muito espaço para por a escrita em dia.

Paisagens sempre espectaculares!!!

Voltando ao Piodão, foi um fim de semana muito divertido, numa prova de 50 Km muito bem organizada, e com muita sorte com a meteorologia, o que permitiu competir descontraidamente e ao mesmo tempo desfrutar as belas paisagens que cruzámos no bonito percurso que se percorreu.

Passagem por Chãs d’Égua


Relativamente à organização nada a apontar. O percurso excelentemente marcado, impossível de perder o trilho correcto em qualquer ponto onde pudesse existir uma mínima dúvida. Os abastecimentos, dentro do que tinha sido anunciado, com líquidos, fruta, batatas fritas, marmelada, frutos secos. O percurso algo duro, muita pedra para correr em cima a amassar literalmente os pés, e algumas subidas de respeito que no total perfizeram pouco mais de 3300 metros de desnível positivo. A meteorologia ajudou bastante à beleza da prova, com um dia de sol mas sem excesso de calor, o que permitiu ainda vislumbrar a neve no ponto mais alto do percurso. No dia seguinte fomos visitar de carro o alto do Monte do Cucurinho e um vento e frio brutais contrastaram com o sol sereno do dia anterior. Se tivéssemos apanhado um dia com tempo assim, o dia da prova teria sido de uma dificuldade significativamente acrescida.


Ajuda divina?


Quanto à prova foi efectuada num ritmo tranquilo, sempre na companhia do Vargas, para treinarmos a participação em equipa nos 107 Km do Gerês Trail Adventure. Uma primeira parte da prova mais rápida, mas as duras subidas e os quase 60 Km que já tinha nas pernas dos treinos da semana, começaram a fazer-se sentir e tive de abrandar um pouco na segunda metade da prova para não comprometer a qualidade dos treinos necessários até ao grande objectivo que é o UTSM. Tive de refrear um pouco o ritmo do Vargas, mas penso que foi bom para ambos não esticarmos muito o ritmo. No final foram 51 Km e 3334 metros de desnível positivo, percorridos em 9h10.














O fim-de-semana foi ainda marcado pela excelente hospitalidade e gastronomia locais. A aldeia de Chãs d’Égua recebeu-me a mim e a mais quase duas dezenas de atletas e acompanhantes de braços abertos, e para o ano se repetir esta prova será aí novamente a base para toda a prova.

Sempre a puxar pelo Vargas!!!

Um agradecimento especial às minhas amigas Kwendettes, que aproveitaram o fim-de-semana para descansar pelo Piodão e aproveitaram para fazer claque às equipas Ai Cristo Cristo Vem Cá Abaixo Ver Isto. Vejam o vídeo e vejam porque receberam o prémio de melhor claque da prova!



Continuação de boas corridas e de boas provas!!!

Chegámos!!!


Treino dos Trilhos sem Destino

Este é o primeiro fim-de-semana de uma série deles até Maio, em que existirá dose dupla de treinos mais ou menos longos. Hoje o objectivo era correr 4 horas.

Sempre a subir

Também tivemos de molhar os pés!!!


Para não fazer mais um treino a solo, aproveitei para me juntar ao treino dos Lunáticos da Corrida, que tinha por objectivo correr 30 Km sem destino pela Serra de Sintra.
Às 8h00 da matina e ainda meio ensonado lá estava na Barragem do Rio Mula, ponto de encontro onde cerca de 15 aventureiros e aventureiras partiram à conquista dos 30 Kms.
Como íamos sem destino, começamos por estradões, mas depressa nos desviamos para “trilhos” à espera de serem desbravados. Felizmente não foi tão violento como no treino da semana passada, mas uma coisa é certa, o Xavier não pode ir à frente a escolher caminhos nos treinos. A frase famosa dele é “o trilho está a 200 metros”!!!

Como ainda não sei bem os nomes e os caminhos da Serra de Sintra, sei que passámos pelos Capuchos, pela Peninha, pela Pedra Amarela, pela Quinta do Pisão, e pouco mais. Mas o percurso do treino está aqui por baixo, pelo que se quiserem mesmo saber é espreitarem.

A variedade do percurso colocou mais uma vez à prova os meus ténis Evo Ferus, da gama minimalista da Mizuno. Fosse a subir, a descer, nos estradões, na lama, nos riachos, novamente na lama, nas pedras, nunca perderam a fiabilidade e tracção, apesar de ainda necessitar de adaptar melhor a minha passada.
Santuário da Peninha, fantástico nesta manhã de sol.

Foi dia também de testar a mochila Raidlight Ultra Olmo 12 com mais carga que a semana passada. Mochila carregada com 3 litros de líquidos, comida, roupa, telefone e mais alguns acessórios, colocada às costas na totalidade do treino, nunca se fez sentir desconfortável ou com qualquer impacto menos positivo durante o treino. Falta fazer um teste ainda mais longo com a mochila igualmente carregada, mas parece-me que irá passar novamente com distinção. Em breve colocarei aqui o resultado dos testes.

Por entre árvores e ramos 🙂 Cortesia das fotos: Iosif Bletan.

No final e após algumas voltas pela Serra, o treino terminou apenas com pouco mais de 28 Kms e 977 metros de desnível positivo. Todo o pessoal chegou bem-disposto e animado, e ainda houve tempo para um convívio final, onde as atletas presentes mostraram que para além de excelentes atletas são igualmente excelentes cozinheiras/doceiras.


Amanhã há mais no Treino Trilhar Lisboa.

Continuação de bons treinos e de boas provas.

Resumo do mês de Julho

O sprint final na Ultra Maratona Atlântica – foto amma
O mês de Julho fica marcado pela minha estreia nas Ultra Maratonas. Ao nível de treinos foi um mês  regular, onde sobretudo cumpri o plano de treinos estabelecido para a estreia na Ultra Maratona Atlântica. Muitos treinos na areia aumentaram o esforço, mas necessariamente baixaram o ritmo médio mensal que vinha sendo regular nos últimos três meses.
A única prova em que participei no mês de Julho foi a Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia, de que podem ler o relato aqui. Foi uma prova bonita, em ritmo lento e de aprendizagem para as próximas edições, onde demorei 6h47 para percorrer os 43 Km do areal Melides – Tróia. Mais do que físico foi essencialmente um teste psicológico, resultado de correr em condições diferente das habituais (diria quase adversas) durante tanto tempo.
Entre treinos na areia, fartleks e séries, tenho de destacar o Treino Temático de homenagem a Francisco Lázaro do qual podem reler a história aqui.
Na Rua Francisco Lázaro em Lisboa


Os números do mês de Julho:

• Contagem: 24 Treinos + 1 Prova
• Distância percorrida: 249,52 km
• Tempo: 26:41:14 h:m:s
• Ganho de elevação: 1410 m
• Velocidade Média: 9,3 km/h
• Ritmo Cardíaco Médio: 152 bpm
• Calorias Gastas: 18939 Cal


Julho já passou e foi um mês bastante positivo pelo objectivo UMA alcançado. O inicio de Agosto antevê-se calmo para dar algumas férias às pernas, e o final será mais forte para entrar na nova época desportiva com um bom resultado na Meia Maratona de São João das Lampas, dia 7 de Setembro.


Boas férias, bons treinos e melhores corridas!!!

Há sempre UMA primeira vez…

E minha primeira vez na Ultra Maratona Atlântica foi no passado Domingo dia 28/7.

A cruzar a praia do Carvalhal – Foto da AMMA
Muito se fala e se escreve acerca da Ultra Maratona Atlântica Melides – Tróia, mas uma coisa é certa: é preciso passar por ela, sentir a areia nos pés, o mar a bater nas pernas, percorrer um metro a parecer-nos que corremos um quilómetro… é preciso participar para sentir e perceber todo o esplendor dos 43Km desta prova. 
E se mais fosse necessário para comprovar a espectacularidade e misticidade desta prova, basta contar o número de posts, comentários, fotos, etc., etc., que uma prova com um número reduzido de participantes (460) gerou entre Domingo e hoje nas diversas redes sociais.

Se esta prova era UMA ideia quejá não me saía da cabeça desde Fevereiro/Março, depois de participar nela só posso acrescentar que fiquei fã e que em 2014 lá estarei de novo (se não existirem percalços de maior até lá).

Depois de decidida a participação na UMA e de concluída a participação na Maratona do Luxemburgo, dei início à preparação propriamente dita, com o plano de treinos possível para as sete semanas que separaram estas duas provas. Treinos na areia foram apenas cerca de 100 Km nas areias da Costa da Caparica e do Meco. Não foi muito nem pouco foi apenas o suficiente para perceber que a prova ia ser dura, e que não seria possível para mim fazê-la em cerca de 4 horas como as anteriores maratonas. 
Estabeleci como objectivo principal terminar a prova, objectivo este que tinha a certeza de conseguir, e objectivo secundário fazer um tempo entre as 5h e as 5h30, objectivo que irei depender de muitos factores externos e que apenas saberia ser ou não possível de atingir quando começasse a correr.

Com os companheiros ACCVCAVI Vargas e Bruno nos preparativos para a partida
Até ao dia da corrida muita coisa se passou. Li e reli os textos do Fernando Andrade que já anteriormente me tinham feito apaixonar por esta prova, os do Luís Parro, e mais uns quantos de outros blogs que vou acompanhado, talvez na esperança vã de encontrar a luz que me guiasse nas escolhas certas para a minha primeira UMA. Uma conclusão era certa, pelo menos nos últimos 10 anos não aconteceram duas corridas de características iguais e sei agora que a deste ano também não fugiu à regra. Mas foi assim com opiniões daqui e a dali que escolhi o meu equipamento e decidi a minha táctica de corrida, opções que (sei agora), foram ambas erradas.

Domingo, dia da prova, dia de mais um erro cometido. Acordar às 4h da manhã para começar a correr às 9h, foi manifestamente um erro. Dormi cerca de 3h e participar numa prova com estas características de resistência sem uma boa noite de sono/descanso é um belo disparate.
Dei boleia ao Bruno e encontramo-nos com o Vargas na área de serviço do Seixal perto da 5h da manhã. A viagem até Setúbal foi tranquila e em amena cavaqueira, até apanharmos o catamaran que nos levou até Tróia na outra margem do Sado. À saída do barco fui entrevistado pelo pessoal da ETIC, vídeo que mais dia, menos dia deverá aparecer aqui pelo blog. Aí apanhamos o autocarro que nos levou até Melides, e numa curta viagem aí estávamos nós no local da partida para esta aventura. Deveriam ser cerca das 7h30 quando chegámos a Melides, mas o tempo passou num abrir e fechar de olhos até à hora da partida. Entre levantar o dorsal, equipar, cumprimentar todos os amigos e conhecidos que vamos encontrado, verificar pela 639ª vez o equipamento, ir à casa de banho, ver o estado da areia, etc., etc, essa hora e meia esfumou-se.

Aqui com o apoio incansável da Marta e do Daniel – Foto AMMA
Chegou a hora da partida e dirigimo-nos para zona da largada. O Campeão Olímpico Carlos Lopes disparou a pistola e aí fomos nós mais os outros 457 em direcção a Tróia. E só já nos separavam da chegada 43Km menos uns metros.

A minha táctica de corrida passava por correr em linha recta e junto à linha de água os primeiros 10 a 18 Km da prova (reconhecidos por todos como os mais difíceis), onde tradicionalmente a areia é fofa e não ajuda a progressão de pessoas mais pesadas como eu. Por outro lado junto à linha de água, a areia é mais inclinada mas supostamente seria menos mole. Por isso optei por correr com uma sandálias Rockland Hawaii, de modo a correr “com os elementos”, uma vez que estas sandálias permitiam a circulação da areia e da água sem incomodarem a minha corrida.

Já perto da meta com o Luís, Andreia, Ricardo, Elisabete e Paulinha – foto AMMA
A cerca de 10 metros da meta 🙂
Passada uma centena de metros dirigi-me para perto da linha de água, e lá chegado percebi passada outra centena de metros que a primeira surpresa tinha chegado: a maré estava cheia, (o que não era surpresa), mas estava também “viva”, esta sim a surpresa do dia! Assim em cada seis ondas, cinco vinham com uma rebentação normal que pouco ultrapassava a altura dos tornozelos, mas a seguinte vinha com uma força e altura que frequentemente chegava à minha cintura e que assim me obrigava a abrandar e a parar. Por outro lado a ondulação tinha produzido umas dunas malandrinhas que faziam um carrossel de sobe e desce para quem corria junto ao mar. Insisti durante uns longos 4 a 5 km em cumprir esta táctica, mas verifiquei (talvez tarde de mais) que este não seria o dia para a utilizar. Dirigi-me assim para o topo da duna, onde a areia mole reinava, mas felizmente estava preparado mentalmente para mudar de tácticas e improvisar as vezes que fossem necessárias. Continuei num ritmo lento na esperança que a areia mole desse lugar a uma areia mais sólida dali a mais 5 ou 6 Km para finalmente começar a “correr”. Esperança vã, uma vez que a areia mole durou, durou e durou, até muito perto dos 18 Km. Eis que por volta do Km 12 a Marta Andrade e o Daniel Ramos que tinham prometido ir apoiar durante a corrida apareceram e ajudaram-me a aumentar um pouco o meu ritmo até perto da Praia do Carvalhal. Foi uma ajuda preciosa e uma boa companhia que muito agradeci durante aqueles quilómetros. Entretanto e como a areia mole não terminava, decidi experimentar correr descalço uns quilómetros, o que se revelou uma excelente opção. Fui descalço até perto do Km 31, altura em que a areia estava agora mais dura. Decidi calçar novamente as sandálias e que bem que me soube. 


A combinação do calçado e da areia dura fez efeito e acelerei para um ritmo pouco mais rápido que 6 min/km. Passei pelo Miguel Pinhal que queria bater o seu record pessoal e tentei que viesse atrás de mim, mas já não conseguiu. Pensei para mim, vamos lá fazer jus ao dizer “a maratona é uma corrida de 10 Km que começa aos 32” e vamos meter um ritmo de corrida nestes quilómetros finais. Ainda estava com estes pensamentos e passados 3 Km mais uma zona de areia mole e cheia de algas. 
O segundo objectivo estava há muito perdido, e restava-me chegar ao fim com dignidade. Meti um ritmo mais lento de cruzeiro e assim fui até ao Bico das Lulas em Tróia, onde se encontrava a meta. Há minha espera estavam o Bruno e o Vargas que já tinham terminado há cerca de 1h15 atrás, e uma série de amigos que me foram apoiar nesta prova. Ainda tive a presença da minha mãe que cruzou a meta comigo, eufórica como se eu tivesse ganho a prova!
Um abraço especial à chegada
No final foram 43,2 Km de areia, percorridos em 6 horas e 47 minutos, mas sempre com muito boa disposição e um sorriso na cara. No final tinha a certeza que para o ano lá estarei de novo, e para melhorar o tempo desta estreia.

Quero agradecer a todos os amigos que me desejaram boa sorte e que de uma maneira ou de outra, estiveram presentes no apoio a esta minha estreia nas Ultra Maratonas. Em particular agradeço à Voni, à Joana, à Gabi, à Paula, à Isabel, à Elisabete, à Andreia, à Rute, ao Ricardo, ao Luís, à Jica, e à minha Mãe, pelo apoio em diferentes momentos da prova. Um agradecimento muito especial para a Marta e o Daniel que me acompanharam por longos quilómetros, e que ficaram com o bichinho da UMA atrás da orelha, (para o ano vamos todos juntos). E por fim agradeço a três loucos que, mesmo dizendo cobras e lagartos, se deixaram contagiar pelo meu entusiasmo e que se vieram estrear na Ultra Maratona Atlântica comigo: o Bruno, o Vargas e o João Campos.

Quem quiser consultar o registo da minha prova pode fazê-lo clicando aqui.

ACCVCAVI por ordem de chegada (ou talvez não) 😀
Um abraço, bons treinos e melhores corridas!!!