Sabes tudo sobre o UTMB?

A contagem decrescente para o UTMB não para.

Faltam menos de 20 dias para a partida e o UTMB começa cada vez mais a ser o tópico de conversa entre amigos e atletas.

Mas será que sabem tudo sobre o UTMB, a sua história, os seus números, a edição de 2016?

Testem os vossos conhecimentos neste pequeno quiz e descubram se sabem mesmo tudo!

Não se esqueçam de partilhar aqui os vossos resultados 🙂

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Alcains Trail Camp

Um dos fins de semana maus duros na preparação rumo ao UTMB é este mesmo. Enquanto uns rumam ao Algarve para umas merecidas férias, eu rumo até Alcains onde tem lugar a base do Alcains Trail Camp, organizado pelo meu amigo Didier dos MRT 

Vão ser 80km em dois dias, na Serra da Estrela e na Serra da Gardunha, onde mais de 30 atletas continuam a preparar as suas provas, uns rumo ao UTMB, outros rumo ao UTAT, outros só porque lhes apetece treinar.

Vai ser durinho mas no pain no gain.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

Pneus novos rumo ao UTMB

Quem costuma acompanhar as minhas aventuras, sabe que há cerca de 4 anos me converti aos ténis minimalistas e com drop 0. Este tipo de sapatilha, na minha opinião, quer em estrada quer em trilhos proporciona a forma mais natural de correr.

Para correr em estrada a escolha dos pneus esteve pacifica até há quase dois anos atrás, quando a Mizuno descontinuou o modelo Cursoris e fiquei sem uma alternativa económica e com que me sinta 100% satisfeito a correr. Actualmente utilizo os modelos Runfree da Nike, que não são de todo a mesma coisa que os Mizuno, mas dentro do género são dos mais económicos que consigo comprar no mercado.

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Uns Mizuno Wave Evo Ferus com que fiz os 100Km do UTSM, drop zero e 8mm de sola para amortecimento

Nos trilhos a história é parecida. A única preocupação adicional é que aqui tenho de escolher um modelo que igualmente proteja bem os pés. Utilizei diferentes marcas e diversos modelos com baixo perfil e drop abaixo de 4mm, até que o ano passado experimentei os Altra Lone Peak. A Altra é uma marca americana que produz ténis com drop zero e com um formato natural do pé, permitindo correr com uma movimentação do pé completamente livre. A sensação que tive quando experimentei os Lone Peak foi a mesma de quando calcei os Mizuno Cursoris pela primeira vez, parecia que estava a correr de pantufas. Fiz mais de 1000 Km com os Lone Peak 2.0, já vou em mais de 400 com a terceira geração deste modelo, os Lone Peak 2.5, mas nas distâncias grandes sentia que ainda me faltava qualquer coisa. Não sou propriamente levezinho e os especialistas recomendavam algo com mais amortecimento.

Um pouco na dúvida e um pouco a medo resolvi comprar uns Altra Olympus 2.0. Este é o modelo com mais amortecimento da Altra e observados de fora parece que se vai calçar uns antigos sapatos de plataforma. As características que tanto aprecio do drop zero e do formato natural para o pé estão lá, e as questões estéticas são as que menos importam na escolha acertada de umas sapatilhas.

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Os Altra Olympus 2.0 com que irei fazer os 170Km do UTMB, drop zero e 36mm de sola para amortecimento

E não é que gostei?! Pensei que a altura da sola ia ser um problema para os meus tornozelos mas pelo contrário é uma sapatilha com bastante estabilidade, talvez aquela em que senti mais resistência para evitar torcer os mesmos. Corre-se bem, sem qualquer tipo de problema devido à altura da sola, e consigo correr de novo sem medos nos locais mais técnicos, seja a subir seja a descer. No Trail da Salamandra da noite passada tive a oportunidade de fazer uma descida de downhill a alta velocidade e que bem que me soube, já há muito tempo que não fazia uma coisa destas.

Ainda continua a estudar e a perceber este modelo, mas sem dúvida que já conquistaram a minha confiança para os utilizar no UTMB.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

A alimentação no UTMB

O que comer numa corrida de 170 Km montanha acima e montanha abaixo, é uma pergunta que muitos fazem e para a qual não há uma resposta única, é aquele tipo de pergunta que podemos dizer que é para 1.000.000,00 €.

Também não tenho a resposta correcta para esta pertinente questão, penso que é uma questão de testar diferentes soluções até se encontrar aquela que menos irá perturbar a nossa actividade, e irei partilhar aqui qual vai ser a minha estratégia para os 170Km do UTMB.

Um facto que quase todos conhecemos é o de que é difícil comer quando se está a realizar um esforço físico, neste caso particular correr. O porquê disso acontecer é de simples resposta, temos uma quantidade limitada de sangue no corpo e esta não consegue alimentar os músculos e a digestão em simultâneo quando ambos os processos estão a ser fortemente requisitados, por isso os atletas mais rápidos e de elite sofrem bastante mais deste problema do que eu e demais atletas mais lentos.

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Outro facto conhecido é o da importância de nos alimentarmos bem durante este tipo de provas. A justificação também é simples, um atleta de elite demora mais de 24 horas para concluir o UTMB, realisticamente irei demorar mais de 40 horas para concluir os mesmos 170Km, pelo que experimentem estar 2 dias sem comer e verão se não vão ter fome. Agora imaginem 2 dias sem comer enquanto fazem exercício físico intenso, e vão perceber como é importante uma boa alimentação.

O importante agora é conseguir a união dos dois factos em cima, tentando antecipar o melhor possível estas variáveis da necessidade de comer com a dificuldade em comer, obtendo a melhor receita possível.

Vamos então à minha receita alimentar para o UTMB, que claro já está treinada e assim espero que possa funcionar tranquilamente como em todos os treinos que fiz. Sendo uma “receita” feita por mim e para mim, poderá não funcionar bem com qualquer outro de vocês, mas pelo menos podem ficar com uma ideia para fazer os vossos próprios planos.

Há 4 vectores que temos de considerar para alimentar numa prova:

  • Carboidratos para o cérebro. Com quantidades de açúcar insuficientes no sangue, as funções mentais podem degradar-se e causar impactos na disposição, criar depressão, ou diminuir as capacidades cognitivas que podem levar a muitas decisões erradas durante a prova. Em alguns casos poderá reduzir as capacidades motoras tornando a corrida ainda mais difícil.
  • Carboidratos para as funções musculares. Os músculos requerem carboidratos e gordura para funcionarem, sendo que os carboidratos estão limitados no nosso corpo (em média cada pessoa tem cerca de 2000 calorias de reservas de hidratos de carbono).
  • Proteína para proteger os músculos. Está demonstrado que o consumo de proteína protege os músculos e melhora a recuperação durante o exercício. Proteína e hidratos de carbono em conjunto melhoram a resistência em prova, do que apenas os carboidratos isolados.
  • Gordura para as funções musculares. O corpo humano tem mais reservas de gordura do que a necessária para uma corrida como o UTMB (e no meu caso bastante mais do que a necessária). No entanto é benéfico continuar a ingerir alguma gordura.

Para um atleta de elite a referência é de 1g de carboidratos/kg/hora de esforço. Para um atleta do fundo do pelotão como eu, a referência é uma dose de cerca 40g de carboidratos a cada 45-60 minutos de esforço.

Isto coincide mais ou menos o mito de “comer de hora a hora” de que tanto se fala no meio do pelotão.

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Por opção não tomo géis. Reconheço a facilidade de utilização e a rapidez com que os nutrientes são absorvidos, mas por outro lado são viscosos demais para o meu gosto, o sabor é muito enjoativo, e ao fim de tomar 2 ou 3 já estou enjoado e não consigo comer mais nenhum.

O ano passado, no Ultra Trail Cotê d’Azur Mercantour, de características muito semelhantes ao UTMB, a minha alimentação foi sobretudo barras energéticas e sandes mistas de presunto e queijo. As barras energéticas eram da Gold Nutrition mas, apesar de reconhecer mais uma vez a facilidade de utilização, sofrem quase do mesmo mal que os géis, ao fim de comer 3 ou 4, já me é muito difícil comer mais alguma. São enjoativas, a massa que se cria na boca ao mastigar tem uma consistência que não me agrada, tornando-se um sacrifício muito grande dentro da dificuldade que já é correr uma prova destas.

Procurei assim outras alternativas no mercado, mais naturais, e que pudessem corresponder às necessidades energéticas que preciso para o UTMB. Apostei no mercado nacional e tenho experimentado, com sucesso, as barras energéticas BEQ e as barras energéticas Olimpo.

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Barra Energética de Querença

As barras energéticas BEQ ou Barra Energética de Querença, descobri no ano passado quando participei na I Corrida Vertical Aquashow, e soube-me muito bem quando experimentei pela primeira vez. Esta é uma barra energética 100% natural, feita à base de frutos secos e mel do barrocal algarvio. A textura agrada-me, o sabor agrada-me, não sendo doce nem amarga, e ao contrário das barras energéticas processadas que se tornam intragáveis para mim ao fim de comer 2 ou 3, esta é a barra que me faz apetecer ir correr só para ter um pretexto para comer mais uma.

As barras energéticas Olimpo descobri mais tarde. Na prática tenho o conhecimento da sua existência há bastante tempo, mas apenas este ano experimentei estas barras. As Olimpo têm diversas variantes, recaindo a minha preferência pelas barras Origem, Tour, Red e Noz. As Barras Olimpo são barras energéticas de produção artesanal, de fabrico caseiro, sem corantes nem conservantes, com um sabor natural e delicioso. Não querendo ser redutor estas barras são uma espécie de nougat mais refinado e vocacionado para a actividade desportiva.

As barras Origem são barras de cereais, energéticas e naturais que contêm: aveia, nozes, manga, tâmaras, mel, sementes de abóbora e girassol, pólen de mel e sementes de chia e sal. A distribuição do sal nem sempre é uniforme, já tendo comido barras mais doces numa extremidade e salgadas na outra, mas esse é um mal menor. Gosto do travo doce do mel e comem-se bastante bem.

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As barras Tour são em tudo idênticas às barras Origem mas com mais açúcar. O sabor é agradável, come-se igualmente bem, mas a dose extra de açúcar faz com que algumas vezes não consiga comer uma barra toda de uma vez. Como metade, guardo metade, e termino a degustação 15/20 minutos depois.

As barras RED são talvez as minhas preferidas dentro das barras Olimpo. Contêm: aveia, avelãs, arandos, mirtilos e morangos desidratados, mel, sementes de abóbora e girassol, e a juntar ao sabor muito agradável, são mais moles que as Origem e Tour, tornando muito fácil a mastigação desta barra.

Por fim as barras de Noz. São barras de noz muito estaladiças, as mais duras das quatro que aqui comparo, e contêm: aveia, nozes, mel, sementes de abóbora e girassol. São boas para alimentar e desenjoar.

A estas cinco barras energéticas, tenho de juntar as insubstituíveis sandes de presunto e queijo. Duas fatias de pão de forma integral com uma fatia de queijo flamengo light e uma fatia de presunto. No Ultra Trail Cotê d’Azur Mercantour do ano passado, sentei-me refastelado numa pedra a quase 2500 metros de altitude enquanto via o sol-pôr atrás dos Alpes Marítimos, sem mais ninguém à minha volta, só eu e a minha sandes de que queijo e presunto. Só faltou mesmo um copo de tinto para a sublimação do estado de espírito ser completa.

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A isto há ainda que juntar um chocolate preto com 72% ou mais de cacau, e o Fast Recovery que irei beber mais ou menos de 30 em 30 quilómetros.

Feitas as contas são cerca de 2,2Kg de comida para transportar, que correspondem a 1092g de carboidratos, 259g de proteína, e 9075Kcal. A título de curiosidade, numa corrida deste género costumo perder cerca de 25000 a 30000 calorias.

Em resumo será algo muito semelhante à tabela em baixo:

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Em termos teóricos necessitarei de 1840g de hidratos de carbono e só transporto 1092g. As restantes 750g espero obtê-las nos três abastecimentos com refeição quente, onde geralmente há massa e sopa para comer. Nos restantes abastecimentos também picarei o que lá houver e que me esteja a apetecer no momento, tipo fruta ou outros salgados diferentes dos que transporto comigo.

Por fim mas não menos importante, refiro a necessidade de consumir electrólitos com muita frequência. Sódio, magnésio, potássio e bicarbonato de sódio, são sais que se perdem em quantidades elevadas numa prova tão dura, e que não se pode falhar na reposição. Há comprimidos para este fim mas eu prefiro misturar uma saqueta de Gold Nutrition 4 Active Electrolytes num dos meus bidons de água. Têm um sabor ligeiro a lima limão, são fáceis de misturar e diluir e são os meus preferidos desde há muito tempo a esta parte. Cada saqueta tem 3 gramas, pelo que são fáceis de transportar.

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Uma nota final sobre a cafeína, pois também a irei tomar algures durante a prova. Cada pessoa responde de forma diferente à cafeína, pelo que o limite de dose recomendada varia de atleta para atleta. Em geral é recomendado não ultrapassar as 200 a 300 miligramas por dia, de forma a evitar efeitos colaterais negativos, como a privação do sono, náuseas, cólicas, ansiedade, fadiga, dores de cabeça e problemas gastrointestinais. Os corredores que competem com cafeína em excesso no seu corpo podem experimentar efeitos secundários adicionais, tais como rigidez muscular, cólicas e desidratação. Ultrapassando uma dose de 500 miligramas, corre-se o risco de efeitos secundários mais graves, que podem incluir náuseas, palpitações cardíacas, diarreia e tremores. Dito isto, levo comigo um comprimido de 200mg, partido em 4 partes iguais, para dar uma energia extra sempre que for necessário mas sem excessos por demais.

Uma nota muito importante e que nunca se deve esquecer: Os electrólitos desempenham um papel importante na regulação do ritmo cardíaco. Combinar a cafeína com um distúrbio grande nos electrólitos, situação muito comuns na fase final de uma ultramaratona, pode ser um factor de risco e que poderá causar problemas no coração de atletas menos rigorosos com a preparação da sua alimentação.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

UTMB 2016 – O teaser

Partilho aqui o teaser oficial do UTMB® 2016.

Mais uma excelente apresentação que faz ferver o sangue ao pensar que o dia da partida está cada vez mais perto!

170 Km, 10000 metros de desnível positivo, corridos à volta do Monte Branco em França, Itália e Suíça, eis o UTMB.

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Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Louzan Trail – Trilho do Cuco

O Trilho do Cuco foi-me apresentado como sendo a grande subida do Ultra Louzan Trail. Do gráfico da altimetria que a organização forneceu dava para constatar que a inclinação desta subida seria de cerca de 20%, mas confesso que só fiz estas contas agora.

O meu estudo prévio das provas faço-o com o track da mesma, mas como este não foi fornecido pela organização… acabei por não fazer o estudo pormenorizado da prova. Sabia que as subidas, todas elas, deviam ser muito inclinadas e pronto, isso serviu para esta aventura.

O Trilho do Cuco começou sensivelmente aos 35 Km de prova, com início na Cerdeira e final no ponto mais alto da Serra da Lousã: Trevim ou as antenas como muitos de nós nos referimos, em alusão às antenas da RTP que lá existem e que actualmente se encontram desactivadas.

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A subida são cerca de 2,5 Km com 500 metros de desnível positivo, o que dá o belo número de 20% de inclinação. Não levei bastões para a prova e como tal também esta subida foi feita com o exclusivo esforço das pernas. Acabou por ser relativamente tranquila, e teria sido mais, não tivesse feito esta subida debaixo da torreira do sol, o que causou um desgaste adicional.
O nome de Trilho do Cuco surge da lenda da existência de um cuco que cantava noite e dia aquando da construção do sistema de antenas que se encontra no topo da serra. Garantiram-nos que o cuco ainda poderia por lá andar e receber alguns dos atletas com as boas vindas ao Trevim, mas quando lá cheguei do cuco não havia sinal, nem do filho e nem do neto do cuco, que aquelas antenas já têm um ar velhinho e a existir um cuco certamente não seria o mesmo!

O trilho em si começou ladeado de abundante vegetação mas rápidamente no expos a uma subida ingreme em rocha e barrocos até ao topo completamente exposta, no caso deste Domingo, ao sol. Demorei cerca de 45 minutos a fazer estes 2,5 Km, o que até foi menos mau para o meu momento actual.

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Quem vai à procura do Cuco arrisca-se a ficar assim!

Como partilhei no artigo sobre o Louzan Trail trouxe-me muitas memórias de outras provas. Apesar do Trilho do Cuco ser bruto com os seus 20% de inclinação, não chegou para me fazer lembrar a mítica subida para Comapedrosa que fiz em Andorra com os seus 31% de inclinação. O Trilho do Cuco é duro mas ainda não chegou para destronar Comapedrosa como a subida mais dura que já fiz.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Louzan Trail – Trilho Licor Beirão

Um dos troços emblemáticos que fizeram parte do Louzan Trail 2016 está baptizado de Trilho Licor Beirão.

O Trilho do Licor Beirão foi fácil de identificar, era aquele onde imediatamente antes do início de uma descida vertiginosa eramos convidados a beber um shot do dito licor.

Neste momento e após leitura deste pequeno introito, já há mais 103 adeptos do trail running e 24 já questionaram quando abrem as inscrições para a edição de 2017!…

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Na realidade não havia shots de Licor Beirão, nem sequer uma garrafinha para amostra, ou um caipirão, ou um morangão, ou uma das muitas bebidas com nome terminado em “ão” e que utilizam o Licor Beirão na sua composição. E com o calor que estava um Caipirão fresquinho até tinha sabido muito bem!

Fica a ideia, para quem sabe, a organização implementar numa edição futura…

Reza então a história que o nome deste trilho tem origem num grande outdoor de publicidade ao Licor Beirão, um dos primeiros (senão o primeiro) a surgir em Portugal, e que existiu em tempos perto do topo deste trilho.

O trilho propriamente dito, foi percorrido no sentido descente, sendo quase um single track ladeado de árvores e vegetação de ambos os lados, num piso muito macio propício a descidas a grande velocidade. A inclinação é moderada e foi muito simpático de correr.

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O Licor Beirão que nasceu na Lousã no século XIX, foi um dos patrocinadores do Louzan Trail 2016, e presenteou os participantes com um lenço tipo “Buff” alusivo à marca.

Ainda disponibilizou o código de oferta “LOUZANTRAIL”, que oferece 10% de desconto em compras efectuadas na loja online do Licor Beirão (válido por 30 dias).

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Em breve partilho aqui algo sobre o outro troço emblemático do Louzan Trail: o Trilho do Cuco.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

Louzan Trail 2016 – Diversão Pura

Devo confessar que foi com alguma desconfiança que há uns meses atrás me inscrevi para participar no Louzan Trail 2016. Tinha lido muitas opiniões sobre a edição de 2015, nem todas muito abonatórias à organização do anto transacto, e isso suscitou-me algumas dúvidas.

Por outro lado o meu calendário de provas de 2016 está totalmente condicionado pelo meu plano de treinos rumo ao UTMB, e o Louzan Trail enquadrava-se na perfeição do treino de 50Km que deveria fazer no fim-de-semana da semana 24. Feita uma pequena ponderação e não havendo outras alternativas que se previssem melhores lá me inscrevi na edição deste ano do Louzan Trail. E, sei agora responder, foi a melhor opção que podia ter tomado.

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O percurso

O ponto forte de tudo é, sem dúvida, o percurso que a organização escolheu para a prova deste ano. É um percurso brutal para que gosta da natureza no seu esplendor, para quem gosta de correr e de alguma aventura, adequado para os que gostam de arriscar mas perfeitamente tranquilo para quem o quiser fazer mais nas calmas. Os trilhos desta edição do Louzan Trail são divertidos, sobretudo isso, divertidos, e dão um enorme gozo a correr. São também tão variados que a comparação que me ocorre é de os considerar uma espécie de Portugal dos Pequeninos do Trail, tais as lembranças que alguns troços me trouxeram do Peneda Gerês Trail Adventure, do MIUT, do Piodão, do UTSM, da Serra d’Arga e da Serra da Estrela. Tudo isto misturado nestes 50Km pela Serra da Lousã, onde invariavelmente ainda se cruzam as Aldeias de Xisto, muito bom mesmo. Se foi duro? Sim foi duro. Mas quando se olha para o cartaz de uma prova e são anunciados pouco menos de 50 Km e 6800m de desnível acumulado, não se pode estar à espera de um passeio à beira mar.

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As marcações do percurso, um dos pontos fracos de 2015, estavam este ano impecáveis, na minha opinião até em excesso, demonstrando um enorme esforço de melhoria neste aspecto. Isso não invalidou que seguisse por caminhos errados por três vezes, mas a culpa foi totalmente aqui do totó, pois é o que dá quando se perde a concentração no trilho e ficamos a observar as paisagens que nos rodeiam. O estrago não foi muito, cerca de mais 2Km a somar aos 48 da prova.

A organização.

A informação disponibilizada antes da prova correspondeu ao que aconteceu durante a prova, o levantamento dos dorsais for simples e expedito, o briefing na véspera foi claro sobre o que íamos encontrar. Continua a faltar a disponibilização do track da prova. Não percebo esta mania “tuga” de sonegar este tipo de informação que pode ser útil a quem gosta de fazer um estudo prévio mais pormenorizado da sua corrida.

Os voluntários estiveram sempre em número suficiente em muitas zonas do percurso e do que vi foram sempre prestáveis e atenciosos com os atletas. Nos abastecimentos tentaram sempre ajudar o que foi simpático. Continuam é, quase sempre, a não saber a resposta para a tradicional pergunta: Em que quilómetro estamos? Talvez uma reunião prévia das equipas de apoio ajudasse a esclarecer esta resposta, nesta e em muitas outras provas nacionais. O GIPS da GNR esteve igualmente presente no troço do Trilho do Escorrega, e actuou de uma forma preventiva a ajudar os atletas.

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Os abastecimentos, tal como as marcações, foram um dos pontos que tinham sido alvo de crítica na organização de 2015. Pois este ano, de acordo com o que constatei, tudo mudou, e a quantidade de comida disponível em muitos pontos de controlo apenas pecou pelo exagero. Água, isotónico e coca-cola com fartura, frutos secos, barras, sandes mistas, croissants, sandes de panado, tosta com nutella, minis, gomas, laranjas, bananas, melancia, marmelada, e muitas outras coisas das quais me estou a esquecer, tudo em quantidade “industrial” que certamente daria para alimentar pelo menos o triplo dos participantes! Uma coisa era certa, de fome ninguém morreria.

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O lado menos positivo, o meu amigo Rui Cortes teve um acidente durante a prova de 25Km que resultou num tornozelo partido. Teve algumas dificuldades em obter o número da apólice do seguro da prova, o que me parece inadmissível numa organização desta dimensão, situação entretanto já ultrapassada. Não consigo perceber a ausência deste tipo de informação, (o número da apólice do seguro), no regulamento da prova e que o mesmo não seja disponibilizado de imediato a quem dele necessite.

No geral considero o saldo da organização bastante positivo.

A minha prova

O objectivo inicialmente previsto passava por concluir a prova em cerca de 10 horas e continuar a ganhar forma rumo ao UTMB sem dar cabo do corpinho. Estrategicamente optei por não levar bastões para a prova, o que no meu caso se revelou a decisão correcta. Os tornozelos e os joelhos aguentaram-se bem, e não foi preciso dosear o esforço entre as duas pernas. Apesar das muitas cautelas, já corri uma boa parte sem me preocupar com a posição dos pés e dos tornozelos, o que a continuar assim é um excelente sinal. Na parte final, fruto do cansaço acumulado e do muito calor que se fez sentir, optei por arriscar menos na velocidade e preservar a integridade de todas as articulações, pelo que acabei demorando 1h20 a mais do que tinha planeado. No cômputo geral foi um bom teste a pouco mais de 2 meses do UTMB, mas nunca me podendo esquecer de que o UTMB é um pouco mais que três Louzan Trail seguidos e que é necessário continuar a trabalhar forte.

Elapsed Time Moving Time Distance Average Speed Max Speed Elevation Gain
11:18:13 09:01:37 49.44 5.48 15.48 3,727.80
hours hours km km/h km/h meters

Pontos de Interesse

As Aldeias de Xisto são um património a que recomendo a visita. Qualquer uma delas tem alojamentos onde se pode pernoitar e passar um fim-de-semana agradável a passear pela Serra da Lousã.

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Os trilhos; há muitos e bons trilhos para correr na Serra da Lousã. Peguem num track, vão até lá descobri-los e terão uma agradável surpresa. O Trilho do Cuco ou o Trilho do Licor Beirão são um bom exemplo disso mesmo.

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A natureza; a Serra da Lousã tem sítios espectaculares. Paisagens, cascatas, cursos de água, praias fluviais, fauna (até com uma cobra me cruzei), vegetação, um verdadeiro pitéu para quem gosta de passar uns dias na natureza.

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Parabéns a todos os concluíram este duro Louzan Trail e, para quem gosta de um bom desafio, em 2017 é um boa prova a considerar no calendário.

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Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!

 

O meu lugar

Há semanas assim, com dias fora de casa e longas horas de trabalho chato e aborrecido, fechado 8 ou mais horas numa qualquer sala a olhar para as letras miudinhas de um monitor de computador portátil.

Parece que o mundo acaba, que nada faz sentido, que não há sol, que não há lua, que não há calor nem frio, nem chuva ou vento, nem mar nem deserto, apenas o sentimento de que estamos a deprimir numa sala fechada, à luz de dezenas de lâmpadas que se esforçam por recriar a luz natural, e onde apenas se sente que aquele não é o nosso lugar, que não pertencemos ali, que temos de fugir para o outro sitio onde de facto pertencemos, o nosso lugar.

O meu sítio, o meu lugar, o meu spot, pode ser qualquer um. Uma praia, uma floresta, um deserto, um jardim, uma serra, faça chuva faça sol, esteja calor ou frio, um lugar onde possa usufruir da natureza, dos elementos, onde possa encontrar a paz de espirito que é sugada por quatro paredes de um escritório.

Este fim-de-semana o meu lugar é aqui, no meio da serra:

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A acordar com o chilrear dos pássaros…

IMG_20160618_120051a  ouvir a água que corre em pequenas cascatas…

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a explorar caminhos improváveis…

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a desfrutar a natureza, o lugar onde pertenço.

Continuação de bons treinos e de boas aventuras!!!