Portugal Divide – Dia 1

A noite foi tranquila e alvoreceu sem chuva. Primeira decisão do dia: tomar o pequeno-almoço no hotel, o que obrigaria começar a pedalar mais tarde, ou sair mais cedo e ficar com mais tempo de dia para pedalar? Optei por tomar o pequeno-almoço no hotel e acabei por sair um pouco mais tarde do que o previsto.

O primeiro objectivo do dia era chegar a Cevide onde se localiza o ponto mais a Norte de Portugal, e dar inicio ao desafio Portugal Divide. Saí do hotel rumo a Cevide e os primeiros cinco quilómetros foram sempre a subir para aquecer bem, com os últimos três quilómetros com mais de 8% de inclinação. Fiquei portanto bem quentinho. A imagem de capa deste artigo é o burro que estava a olhar para mim enquanto realizava esta primeira subida e devia estar a pensar: “E o burro sou eu?…”

Entre o sobe e desce chego a Cevide. Um dos pontos de interesse que ali queria visitar era o Marco de Fronteira Nº1, o marco fronteiriço português que marca o início do nosso país, o lugar onde começa Portugal.

A ponte em Cevide, onde começa Portugal e termina Espanha (ou vice versa)

Primeiro contratempo: confiei na tecnologia e antes de sair não vi nem gravei as coordenadas do marco, e chegado a Cevide não tinha rede móvel pelo que não consegui localizar o Marco nº1. Desci mais um pouco em direcção à ponte que separa Portugal e Espanha e que é o ponto de passagem que marca o inico do desafio, para quem o faz no sentido norte – sul. Tal como tinha confiado na tecnologia para chegar ao Marco nº1, também confiei na tecnologia para chegar à caixa com o carimbo que perpetuaria a minha passagem na credencial do desafio. Escusado será dizer que também não encontrei a caixa e, mais tarde, constatei que a credencial ficou irremediavelmente danificada, ficando assim a parte lúdica dos mini geocaching à procura dos carimbos definitivamente colocada de lado. Para ajudar a festa ao chegar à ponte fui recebido por uma valente carga de água. Começou a chover bastante e depois de esperar uns 15 ou 20 minutos decidi recomeçar mesmo debaixo de chuva.

A credencial do desafio após a chuvada da manhã

Tinha idealizado para esta jornada, sair de Cevide e seguir pelo caminho mais curto, por Espanha, até Bragança.

Se chegar à Ponte é relativamente fácil, sair de lá já é um bom desafio. Todos os caminhos são a subir e não sei qual deles será o pior. O que escolhi são cerca de 4 Km sempre a subir com inclinação média de 9%. A chuva não parava e tive de empurrar a bicicleta estrada acima, pelo riacho descendente que era agora a estrada que eu subia. Não estava nada a correr tal como tinha idealizado, mas estes percalços também fazem parte do processo, e há que saber seguir em frente sempre com um espirito positivo. Chegado ao fim da primeira subida, a chuva abrandou e, acabou mesmo por parar, não chovendo mais ao longo de todo o dia.

O lado B de escolher um caminho mais curto é que nem sempre este é o mais fácil. Quando escolhi o percurso para este dia, não dei a devida atenção a todos os pormenores e inclinações. E assim apanhei com mais umas subidas jeitosas, uma com 12 Km e inclinação média de 6,5%, com pendentes de 15% e 17%. Como eu próprio diria: estudasses!

Um bocadillo para o almoço, enquanto troquei de roupa após a chuvada matinal.

O percurso também passou por diversas zonas onde supostamente seria estradão de terra batida, mas que depois ser revelavam ser um caminhos mais técnicos e de difícil progressão, onde o ritmo era forçosamente (muito) mais lento do que o esperado.

Por caminhos onde pedalar nem sempre foi fácil

A minha ideia foi sempre a de não pedalar de noite, e com todos os imprevistos que me foram atrasando face ao que tinha idealizado, decidi terminar esta primeira jornada em Vérin, com pouco mais de 105 Km pedalados ao invés dos cerca de 180 Km previstos. Após breve pesquisa arranjei lugar no simpático Hotel Villa de Verín, e onde tomar um duche quente me soube pela vida. Também aqui foi disponibilizado um local para guardar a bicicleta sem qualquer problema.

Na Galiza sê Galego

Na Galiza sê Galego e na tradicional Casa do Pulpo jantei um excelente polvo à Galega.

Foi um primeiro dia de emoções, com os primeiros 60 Km do trajecto com muito sobe e desce, bastantes rampas com pendentes de elevada inclinação e alguns caminhos de difícil progressão. Tudo bom para “partir pernas”. Os 45 Km finais foram bastante rolantes, apesar de ainda ter passado por um atalho de 4 ou 5 Km, daqueles caminhos de difícil progressão.

O percurso da primeira jornada

 

Sem ter muito tempo para pensar no dia seguinte, chegou a altura de descansar e recuperar do esforço do dia.

Sobre mim…

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km... Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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