Portugal Divide – Dia 4

A previsão meteorológica matinal confirmou a da noite anterior, o tempo estaria instável e a probabilidade de chuva era de 90% a partir do meio-dia e de 100% a partir das três da tarde. Não estando a competir contra nada nem contra ninguém, considerei que subir à Torre debaixo de chuva e trovoada seria um disparate e assim decidi que a jornada deste dia iria terminar pela hora de almoço, antes da chuva começar.

Olhei para o mapa e das três ou quatro alternativas que me poderiam levar a meio caminho em direcção à Torre, optei por seguir em direcção a Mêda. Com esta decisão excluí a subida à Torre via Covilhã, ficando para mais tarde a decisão se subiria à Torre via Manteigas ou via Sabugueiro.

Estou na Mêda!!!

A jornada até Mêda foi bem tranquila. A estratégia de seguir pelas estradas nacionais e evitar rampas com pendentes “malucas” estava a resultar e conseguia agora deslocar-me mais depressa. Ainda assim, do Pocinho a Vila Nova de Foz Côa, fui novamente enganado por uma rampa com quase 15% de inclinação ao optar seguir por um caminho mais panorâmico ao invés de seguir pela estrada nacional. Foram 6 quilómetros a subir com uma média de 7% de inclinação.

A Estrada Nacional 102 acompanha o Rio Douro e este troço foi bem bonito e relaxante de pedalar. Depois foi rolar uma dezena de quilómetros e terminar o dia com uma subida tranquila de 12 quilómetros até Mêda.

Em Mêda fiquei alojado no Hotel Novo Dia, um hotel que em tempos já deve ter sido dos melhores, mas que a partir de determinada altura, por algum motivo, ficou parado no tempo. Mesmo assim serviu perfeitamente para o objectivo de descansar antes da mais difícil subida à Torre.

Vista para Longroiva

A tarde foi passada a dormir uma boa sesta enquanto ouvia a chuva lá fora. Este descanso foi muito positivo e de manhã estava bem fresquinho para atacar a Serra da Estrela.

Entretanto havia que decidir por onde subiria à Torre. Não há percursos fáceis para lá chegar, e já tendo subido à Torre de bicicleta via Manteigas, optei por desta vez subir à Torre via Sabugueiro, percurso que já tinha feito a descer no sentido Torre – Sabugueiro, mas nunca a subir. O facto de conhecer toda aquela zona e aquelas estradas, quer dos treinos e provas de Trail quer das voltas de bicicleta, dava-me uma confiança extra e antecipava que a subida à Torre iria ser tranquila e sem surpresas.

Fui dormir com as decisões para o dia seguinte tomadas e a noite foi muito tranquila, novamente a ouvir a chuva bater lá fora.

Terminei a jornada deste dia com:

Distância 73,4 km

Elevação + 1.120 m / -1.125 m

Desnível Máximo 14,4%

Desnível Médio 2,3%

Velocidade média 17,8 km/h

Sobre mim…

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km... Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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