Portugal Divide – Dia 6

Na véspera tinha agendado o pequeno-almoço para as 8h00 e só este compromisso me fez saltar do conforto da cama tão cedo.

Se a subida à Torre tinha parecido “fácil”, hoje as pernas encarregaram-se de dizer “presente” e estavam fortes mas pesadas.

Crioterapia matinal na praia fluvial de Unhais da Serra

Aproveitei o acesso directo da Casa da Almoinha à praia fluvial de Unhais da Serra e fiz uma sessão gratuita de crioterapia. A ideia era dar um mergulho, mas a água estava gelada e o sol ainda não incidia por ali, pelo que me pareceu que a possibilidade de apanhar uma constipação seria elevada. Assim permaneci longos minutos apenas com as pernas submergidas na água gelada, que no fundo era o que necessitava mesmo de recuperar.

A praia e a serra

Tomei um pequeno-almoço sumptuoso, cheio de pequenos mimos gastronómicos que adoro, numa paisagem fantástica no sopé da serra, e estava a ser difícil retomar o desafio, mas o que tem de ser tem de ser e assim me fiz de novo à estrada.

Um pequeno-almoço cheio de mimos gastronómicos

O objectivo para este dia era conquistar mais um ponto deste desafio: o Centro Geodésico de Portugal.

Por algum motivo que não me recordo, tinha ficado com a ideia que esta etapa seria essencialmente a descer, algo que os quase 2.200 m de desnível positivo no final do dia desmentiram facilmente.

Os primeiros 10-12 quilómetros foram a continuação da descida da Torre até Unhais da Serra e foram, obviamente, muito tranquilos. O pior chegou depois. Todo o esforço da etapa do dia anterior surgia agora nas minhas pernas, que pareciam teimosamente não querer pedalar.

Para ajudar à festa, o percurso estava a ser um belo “parte-pernas”, cheio de sobe e desce, que não me permitia manter um ritmo constante e tranquilo a pedalar. Após 50 quilómetros deste parte pernas, aproveitei o facto de estar no topo de (mais) uma subida e surgir um restaurante à beira da estrada, para parar em Orvalho e aí petiscar algo ao almoço. Com uma sopa, uma sande de presunto, um gelado e um café no bucho, fiz-me de novo ao caminho, mas devo dizer que após Orvalho há uma subida do car….! Mais 5 quilómetros a subir com uma inclinação média de quase 9%, que queimaram logo as calorias da sopa e do presunto.

O percurso que pedalei neste dia

Para compensar os 40 quilómetros seguintes foram relativamente tranquilos, quase paralelos ao Rio Zêzere que agora me fazia companhia, e num percurso que já conhecia do Granfondo Aldeias de Xisto, embora nessa altura tenha feito essa estrada em sentido contrário. Passei pelo cenário desolador que o fogo tinha deixado naquela região há pouco mais de uma semana, e nunca consigo perceber o porquê de certas pessoas causarem todo este mal à nossa paisagem e ao bem comum que é toda a floresta.

Miradouro da Sarnadela, onde é possível ver parte da área ardida por ali

Aproveitei a passagem pela Sertã para descansar e comer alguma coisa no Parque da Carvalha, parque muito aprazível para descansar num final de tarde solarengo, e de onde já me estava a custar sair. Mas mais uma vez lá me fiz à estrada e segui rumo ao Picoto da Melriça que era esse o objectivo do dia.

Picoto da Melriça

Com o percurso novamente bem estudado, os últimos 10 quilómetros a subir nem custaram tanto. Na realidade o que custou mais foi mesmo o último quilómetro já no acesso ao picoto. Quase 10% de inclinação média com alguns momentos a roçar os 15%. Não houve outro remédio senão chegar ao topo com a bicicleta na mão.

Obviamente, quando cheguei, o Museu da Geodesia que ali se encontra já estava fechado, o que me vai obrigado a lá passar numa outra oportunidade. Confesso, que mesmo tendo estudado Geodesia durante muitos anos, foi a primeira vez que fui à Melriça e nunca visitei este museu.

 

 

Objectivo conquistado, era altura de decidir entre rolar mais um pouco ou ficar já ali por Vila de Rei, e tentar recuperar o máximo para os dias seguintes. Procurei onde ficar e por sorte consegui apanhar o último quarto disponível no Hotel Vila de Rei, onde pernoitei tranquilamente até de manhã.

Também pedalei um pouco pela, agora na moda, EN2

Resumo desta jornada:

Distância 122,7 km

Elevação + 2.153 m / -2.339 m

Desnível Máximo 15,1%

Desnível Médio 2,7%

Velocidade média 17,1 km/h

Sobre mim…

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km... Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

Be First to Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.