Portugal Divide – Dia 8

O dia começou com uma conferência telefónica às 8h00 e ainda assim consegui começar a pedalar pouco depois das 9h00.

Estava a pedalar em casa e conhecia bem todos os percursos por onde iria passar, pelo que não eram de esperar surpresas até ao destino final, que poderia ser Setúbal ou até um pouco mais para sul, se a disponibilidade de alojamentos ajudasse.

Saí de Loures e até Almargem do Bispo foram 8 quilómetros sempre a subir, mas que não me custaram muito. O factor psicológico de conhecer todo o percurso faz de facto alguma diferença nas subidas mais difíceis. Como quem não quer a coisa, ainda foram precisos pedalar quase 30 quilómetros para chegar a Sintra. Pedalava tranquilamente e esse facto permitiu-me desfrutar toda a paisagem e envolvente de uma maneira substancialmente diferente de quando passo nos mesmos locais em modo treino.

Se tiverem de pedalar até ao Cabo da Roca comam primeiro um Travesseiro em Colares e a subida será muito mais fácil 🙂

Chegado a Sintra diverti-me bastante na descida até Colares, onde encostei para repor calorias antes da subida até à Azóia. Que saudades que já tinha de comer um travesseiro de Sintra. Apesar de ser segunda-feira, havia algum tráfego e até alguns engarrafamentos, mas subi sem dificuldade e sem problemas até à Azóia. Chegado à Azóia foi descer tranquilamente até ao Cabo da Roca, onde a conquista do mesmo se deu debaixo de um nevoeiro intenso e um vento frio, o que me fez sair dali o mais depressa possível. O ponto mais a Oeste de Portugal estava conquistado.

Regressei à Azóia, desta vez a subir, e lá chegado o sol já despontava e o calor recomeçava a apertar. Comi dois rissóis de camarão no Café Ocidente que me souberam particularmente bem.

No Cabo da Roca não se viam mais de 5 metros à nossa frente com tanto nevoeiro. 40 minutos depois estava novamente um bonito dia de sol.

Era altura de recomeçar a pedalar e desci a serra de Sintra até ao Guincho sob um dia sol fantástico, contrastando totalmente com o tempo 40 minutos antes no Cabo da Roca. A paisagem da serra e do mar é sempre fantástica mas neste dia, para mim, teve sempre um colorido e uma luz ainda mais especial. Aproveitei para pedalar calmamente na ciclovia do Guincho a Cascais, e segui pela Marginal até Belém, onde iria apanhar o ferry para a margem sul. Já no ferry, era suposto sair na primeira paragem na Trafaria. Mas a viagem foi tão curta e estava distraído a tirar umas fotos a Lisboa, que quando dei por ela já o ferry estava a sair em direcção ao Porto Brandão! Como tinha pedalado poucos quilómetros até ali, ainda tive de adicionar mais 4 ou 5 ao total graças a esta distração.

Eu a tirar fotos e o ferry a sair da Trafaria para o Porto Brandão…

Felizmente estava na margem sul, e se estava em casa nos arredores de Sintra, sendo nascido e criado na margem sul, por ali ainda mais em casa estava. Não foi difícil escolher os melhores trajectos mesmo sem recurso ao GPS e aos mapas.

Cruzei a margem sul rapidamente e só parei para abastecer de água, e claro, chegado aos arredores de Azeitão tive de ingerir mais umas calorias comendo agora uma Torta de Azeitão, que iria ser queimada na subida seguinte, a última do dia, e que me levou até às portas de Setúbal.

Duelo do dia: Torta de Azeitão vs Travesseiro de Sintra 🙂

Todo o trajecto na margem sul foi sempre acompanhado de muito trânsito. O contraste da confusão urbana entre este dia e os anteriores foi brutal. Nos primeiros dias pedalavas longos quilómetros e não via uma pessoa ou um carro, mas neste dia, foi tipo um ”Benvindo de novo à urbe”.

Cheguei às portas de Setúbal, sentia-me bem pelo que procurei um lugar onde pernoitar para os lados da Comporta, mas provavelmente por estarmos em Agosto, só encontrei alojamentos em Tróia a preços ridiculamente elevados ou a partir de Santiago do Cacém, o que já me parecia longe para o tempo diurno que ainda tinha para pedalar. Optei assim por pernoitar em Setúbal, no Hotel Luna Esperança, ficando assim bem pertinho do Ferry que teria de apanhar pela manhã.

Passáros do sul

Foi um dia que passou muito depressa e mais um objectivo conquistado. Faltava agora conquistar o Cabo de Santa Maria, o ponto mais a Sul de Portugal, o que me levaria até à Ilha de Faro no Algarve.

A noite não podia terminar sem um belo choco frito que repôs totalmente as energias para a jornada seguinte.

O percurso deste dia

Resumo desta jornada:

Distância 138,5 km

Elevação + 1.581 m / -1.592 m

Desnível Máximo 13,1%

Desnível Médio 1,4%

Velocidade média 19,4 km/h

Sobre mim…

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km... Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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