Noites longas no BRM Up 400

Maio trouxe consigo não apenas as flores típicas da primavera, mas também o desafio do BRM Up 400, que serpenteia pelas estradas que levam à terra do Chícharo. Como o nome sugere, são mais de 400 Km, uma distância a ser respeitada e, certamente, lembrada. Curiosamente, as minhas recordações deste brevet são escassas e difusas, um efeito colateral do início à meia-noite e de um descanso insuficiente no dia anterior.

Em Figueiró dos Vinhos

A partida foi dada em Vila Franca de Xira, e logo nos encaminhamos para Porto Alto, com paragens em Salvaterra de Magos, Coruche e Couço. Rapidamente, percebi que o grupo estava a pedalar num ritmo vigoroso. Apesar de ser um fã da velocidade, surgiu o receio: será que estaria a exagerar no esforço?

Uma necessidade biológica fez-me perder o pelotão em que seguia. Porém, o que poderia ser visto como um revés tornou-se numa agradável surpresa. Encontrei o Miguel e o Jorge, parceiros de outras aventuras, nomeadamente do épico Portugal na Vertical. O reencontro deu um novo sabor ao brevet, e juntos, seguimos lado a lado, criando um trio coeso até o final da jornada.
Montargil e Ponte de Sôr foram pontos de passagem. Conhecia bem estas estradas, o que trouxe um sabor familiar à pedalada. Depois, entre curvas e contra-curvas, cruzamos Abrantes, Vila de Rei, Pedrogão Grande e Figueiró dos Vinhos. Aqui, o céu resolveu participar ativamente do nosso brevet, presenteando-nos com uma chuvada. O momento também se tornou uma desculpa perfeita para uma pausa para o almoço.

Pausa para fugir à chuva e para o almoço.

Refeitos, a rota levou-nos por Tomar, Golegã e Santarém. Ah, Santarém e a sua subida para o centro! Um teste árduo para as pernas, mas que se revelou recompensador no topo, onde um hambúrguer suculento e uma cerveja gelada nos esperavam.
À medida que se aproximava o fim, os quilómetros começaram a pesar, especialmente nos pés. O alongar constante e o esticar das pernas tornaram-se frequentes. No entanto, a chegada a Vila Franca de Xira estava à vista.

O Paulo baldou-se a pedalar o brevet, mas não se baldou a ser voluntário na chegada.

E quem encontramos ao chegarmos? O meu amigo Paulo, com o seu sorriso contagiante e a confirmação de que mais um BRM estava concluído.
Paris, aqui vamos nós! Mais um passo dado, mais uma história para contar.

Sobre mim…

Chamo-me Nuno Gião e sou um atleta de pelotão que gosta de correr longas distâncias. Se há uns anos atrás me tivessem dito que ia correr uma meia maratona eu chamaria louca a essa pessoa. Imaginem se me dissessem que em 2014 iria correr uma prova 100 Km... Actualmente corro Ultra Trails, participo em desafios de endurance na natureza e é sempre uma enorme satisfação que cruzo as mais fantásticas paisagens. Tento superar os diversos desafios a que me proponho. A vida é demasiado curta e bonita para ser desperdiçada sentado num sofá.

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